sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Figurinha carimbada


Há alguns anos era muito comum, principalmente entre as crianças, o hábito de colecionar figurinhas para completar álbuns. Esse álbuns surgiram na década de 1940 e, durante muito tempo, estavam entre as principais diversões da garotada.
Havia álbuns de histórias infantis, álbuns de animais, flores, de personagens do Walt Disney e os famosos álbuns de times de futebol e das copas do mundo.
As figurinhas vinham em pacotinhos, e eram vendidas nas bancas de jornal. Existiam as figurinhas fáceis e as difíceis, e havia, também, as dificílimas figurinhas carimbadas. Conseguir uma dessas era muito complicado e, quando não se tinha a sorte de tirá-las nos pacotinhos, só eram conseguidas mediante troca por muitas outras.
Figurinha carimbada! O que não era feito para consegui-las.

E lembrei de tudo isso ao conhecer pessoalmente, há dois dias, uma “figurinha carimbada”. Já éramos amigas virtuais há mais de um ano, e agora conseguimos nos encontrar.
Sim, trata-se de uma verdadeira “figurinha carimbada” pois, embora “brasileira da gema”, vive na longínqua e gélida Noruega. E encontrá-la por essas bandas não é fácil, não. Além do que, havia o problema do tempo curto, e de se conseguir conciliar tudo para se promover o encontro. Mas mesmo sem trocas complicadas, deu tudo certo.
Estou falando da Cláudia, autora do blog Sabor Saudade, que estava meio de passagem por São Paulo nos últimos dias.
Foi um encontro muito gostoso, onde também tive a oportunidade de conhecer suas simpáticas primas e amigas.



A Cláudia é dona de uma pele linda e de uma jovialidade encantadora. Conversamos muito sobre as histórias das nossas vidas, falamos sobre coisas tristes, sobre coisas alegres, rimos bastante, e assim trouxemos, para a realidade, nossa amizade virtual.
Nessa hora ela já está no Rio e logo, logo, voltando para a Noruega, para seu exílio voluntário, baseado em muito amor e companheirismo.
E eu aproveitei para colocar, no meu "álbum de figurinhas de amizades", uma “figurinha carimbada”.
Boa viagem, Cláudia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bênção

                                   (Antes e depois. Muito calor, aproveitamos para cortar o cabelinho).

Novamente na função de vovó em tempo integral (minha filha viajando a trabalho), acabei de “ninar” minha netinha.

Deitei ao seu lado e comecei contando uma história. Ou melhor, contamos as duas, pois ela já sabe a história de cor e falava junto comigo.

Estávamos de mãos dadas, e eu pensando na graça imensa de poder ter esses momentos.

Da história, passamos para as músicas. Ela me pediu que eu cantasse a da Fonte do “Tororó”. Cantei mais umas duas e daí lhe disse que iríamos fazer uma oração para o anjinho da guarda, e dormir.

Então ela falou que antes daria um beijo na minha mão.

Lembrei do costume antigo de se pedir a bênção, e lhe contei que, quando eu era pequena, beijava a mão dos meus pais e avós e lhes pedia a bênção.

E ela: a mamãe e o tio Gus, também?

- Isso mesmo. Eles também pediam a bênção para seus vovôs e vovós.

- Ah! Eu, também.

Daí, beijou minha mão e disse: a bênção, vovó.

- Deus a abençoe, netinha, e a faça cada vez mais e mais feliz.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu e minhas emoções



Fui a uma feira de antiguidades, e chorei.
Não, não estava triste. E nem o lugar era triste.
O dia estava lindo e a praça, onde a feira se realiza semanalmente, estava resplandescente de alegria.
É que existem ocasiões que funcionam como gatilhos para despertar lembranças, e fatalmente provocam emoções.
Encontrei numa barraca, muito bem arrumada, alguns exemplares de uma revista editada em Buenos Aires, e fui transportada de imediato para anos atrás.
E vi as revistas sendo trazidas por meu pai, para presentear minha mãe. Não sei se uma vez por mês, ou com outra periodicidade.
Mas vi minha mãe lendo, e se familiarizando com a língua espanhola.
Também lembrei que, manuseando essa revista de alta qualidade, eu e especialmente meus irmãos pouco mais velhos (tenho três irmãos que me antecederam, e cinco que nasceram depois de mim) tivemos nossos primeiros contatos com o espanhol.
Já havia procurado essa revista em outras ocasiões nessa mesma feira, a Feira de San Telmo, mas não as havia encontrado.

                                                                     (clique para ampliar)

Dessa vez, inesperadamente (e daí, talvez, a emoção), enxerguei as capas inesquecíveis, e as letras grandes: PARA TI.
Eram exemplares com mais de 60 anos ! Intatos!
Separei alguns, e a vendedora percebendo meu estado de nostalgia, mesclado com alegria, me disse: não se emocione.
Mas, não teve jeito. Não sei fugir da emoção. E, também, não há motivo para isso. Afinal, são emoções boas. Decorrem de um passado que merece ser lembrado, e das coisas boas que já vivi.


Quando cheguei da viagem, fui visitar minha mãe e levei as revistas para ela. Não demonstrou ter lembrado da sua companheira do passado, mas leu bem o nome da revista, bem como alguns títulos que eu lhe mostrei. Achou as capas lindas, e quem sabe, bem lá no fundinho, ela conseguiu reviver o prazer que a leitura de PARA TI lhe dava.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mascarado apaixonado


“Um pierrô apaixonado, que vivia só cantando ...”

Era carnaval e meus avós maternos eram recém-casados.
Quando se encaminhavam para o baile, meu avô, que era um dos diretores do clube, falou para minha avó:
- Olga, pode ser que eu precise me afastar um pouco de você, para resolver algum problema. Se isso acontecer, e se aparecer alguém convidando-a para dançar, não se intimide. Pode aceitar, pois o baile é familiar e todos aqui são amigos.

“Ô abre alas que eu quero passar
Ô abre alas que eu quero passar
Eu sou da Lira não posso negar ...”

Música, alegria.
De repente, meu avô disse que precisava sair um pouco.
Minha avó, que era nova na cidade, olhava para tudo e para todos quando vê, na sua frente, um pierrô mascarado convidando-a para dançar.
Ficou um pouco indecisa mas, lembrando da recomendação do marido, aceitou.
Dançaram um pouco, mas ele acabou sendo traído por sua voz ao tentar puxar conversa:
- A senhora é nova aqui, não?
E ela:
- Janjão?
Acabara de descobrir que o pierrô mascarado era seu marido apaixonado.
A ele só restou tirar a máscara e dar uma gargalhada.

Aqui, os dois protagonistas da história : meu avô João Batista e minha avó Olga, que se casaram em Santos no dia 28 de dezembro de 1907.
Escutei essa história, contada por minha mãe, muitas e muitas vezes, para mostrar o lado brincalhão do seu pai.
Como hoje é terça-feira de carnaval, quis deixar registrada essa historinha tão interessante.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pausa breve

Saí para procurar sombra e água fresca. E, sobretudo, temperaturas mais amenas.
Antecipamos, um pouco, os feriados do Carnaval e espero, quando voltar, encontrar Santos com menos calor.
Se tiver chance, e conseguir conexão, aparecerei para blogar um pouco.
Caso contrário, vou sentir um bocado.
Então, até a volta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nocaute


Estou nocauteada pelo forte calor que estamos enfrentando há vários dias. São dias e dias, acho que mais de um mês, de dias absolutamente escaldantes.

Desde cedo os termômetros já marcam mais de 30º C, e a temperatura vai subindo ao longo do dia, mantendo-se assim mesmo à noite.

Com isso, minhas caminhadas pela praia ficaram totalmente inviabilizadas. A não ser que eu inicie a caminhada às 6 da manhã.

Dentro de casa não temos o sol sobre nossas cabeças, mas temos calor do mesmo jeito. Um calor úmido, bem desagradável, que fica exigindo vários banhos por dia, e insistindo para que liguemos o ar condicionado.

Mas ar condicionado ligado o dia inteiro é algo problemático. Ontem mesmo escutei num noticiário que o consumo de energia elétrica disparou, por conta do forte calor, e que o abastecimento poderá correr riscos. E isso é muito preocupante.

O que fazer?


Acabei de tirar essas fotos. Tive que me encher de coragem para descer e tirá-las, no sol escaldante de meio-dia. A praia está linda, mas o calor ... Insuportável!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Losangos com glacê


Doces com gosto de infância. Doces que sempre estiveram nas nossas mesas de aniversário, feitos pelas mãos ativas de minha mãe. E feitos à mão, mesmo, porque naquela época não existiam as batedeiras de bolo.

Lembro bem dela batendo o "Bolo Majestoso", que é a base desses losangos, e lembro, também, da disputa para raspar a tigela onde o bolo havia sido batido.

Lembro, também, de quando eu batia bolos para meus filhos ( já com a ajuda da batedeira), assim como da disputa, entre os dois, para raspar a vasilha da máquina.

E agora, bato bolos para minha neta. 

Mas, no último dia 19 de janeiro, fiz um bolo especial, e ao mesmo tempo simples, para o aniversário da minha mãe: os seus losangos com glacê. 

Depois de ter publicado sua foto, recebi alguns pedidos da receita, e esse é o motivo desse texto.

Como havia feito a receita meio “a olho”, quis repeti-la para poder prestar atenção nos detalhes.

Convidei algumas amigas para um lanche, que girou principalmente entre um pão de centeio (saído da máquina na hora), acompanhado por pastas de ricota, “losangos com glacê de limão”, e suco natural de maracujá. No meio, muita conversa. Foi uma tarde gostosa.

E aqui está a receita:

 

Losangos com glacê de limão

 

2 xícaras de açúcar

100 gramas de manteiga (duas colheres de sopa cheias)

3 ovos

2 xícaras de farinha de trigo

1 xícara de amido de milho (nossa “Maizena”)

1 colher (de sopa) de fermento em pó

1 copo de leite

 

Bater as claras em neve e deixar aguardando.

Na batedeira, bater bem a manteiga (em temperatura ambiente) com o açúcar. Juntar as gemas e continuar batendo.

Misturar numa vasilha, à parte, a farinha com a “maizena” e o fermento.

Ir colocando essa mistura na massa da batedeira, às colheradas e alternadamente com o leite. Um pouco das farinhas, um pouco de leite. Bater sempre.

No final, acrescentar as claras em neve, misturando com colher.

Despejar em assadeira untada (23x35 cm) e enfarinhada, e levar para assar em forno pré-aquecido.

Deixar esfriar.

 

Glacê de limão

2 xícaras de açúcar (Fiz com o refinado peneirado.Pode-se usar o de confeiteiro)

½ xícara de caldo de limão (coloquei menos)

2 colheres (de chá) de raspa de casca de limão

 

Misturar muito bem o açúcar com o limão. Ir colocando o suco aos poucos, para ver o ponto. Deve ficar uma pasta meio grossa. Colocar as raspas da casca de limão, misturar bem, e cobrir o bolo, espalhando com as costas de uma colher. Deixar o glacê secar bem.

Quando estiver seco, cortar o bolo em formato de losangos.

Para isso, primeiro faz-se cortes na vertical, em paralelo. Em seguida, cortes na diagonal, também paralelamente. Os cortes estão demonstrados nas fotos. É só clicar para aumentar.


 

Essa é a receita tradicional. Ficou uma delícia. A “Maizena” dá, ao bolo, uma aparência de seco. Mas a textura fica ótima, e ele desmancha na boca.

Para um gosto mais cítrico, pode-se colocar um pouco de raspas de casca de limão na massa do bolo.

Nota: Escrevi Maizena entre aspas porque Maizena com a letra "z" é o nome comercial dado ao produto (marca). O amido de milho chama-se maisena, com "s". Demais, não? Demorei para ficar sabendo isso e, na hora, não queria acreditar. 

 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lógica infantil

(Alerta: essa é uma conversa de vovó).

Vovó, você é velhinha?

Não, minha boneca, a vovó não é velhinha. Não é mocinha, nem moça como a mamãe, mas também não é velhinha como a bisa, ou como a bivó (sua outra bisavó, que prefere ser chamada assim).

Esse foi um dos nossos diálogos, enquanto fazíamos biscoitinhos num fim de semana.

A confecção dos biscoitinhos exigiu que eu ficasse em pé durante bastante tempo. Fazendo a massa, passando o rolo, cortando, pondo nas assadeiras. Durou mais do que o normal, porque minha ajudante também quis participar de todas as fases. E isso, às vezes, provocava um “refazer”.

Acontece que eu não suporto ficar em pé durante muito tempo. Andando, tudo bem. Mas parada, logo fico com um enorme desconforto nas pernas. E sempre que possível, gosto de descansar com as pernas apoiadas em uma banqueta.

Tanto tempo em pé, o desconforto foi bem grande, e acabou me provocando uns gemidos: ai, ai.

Que foi vovó?

Minha perna está doendo.

Doendo?

É, doendo.

Ah, vovó, então você está velhinha. 


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sono interrompido


Estava cansada e com sono. Fugindo à regra, consegui adormecer logo.

Mas, no meio da madrugada, acordei. Olhei o relógio: 3:33 hs (três horas e trinta e três minutos).

Virei de um lado. Virei do outro. Arrumei o travesseiro. Ajeitei a cabeça. Nada.

Olhei novamente o relógio: 5:03hs (cinco horas e três minutos).

Não é possível. Preciso dormir. Virei de um lado. Virei do outro.

Quando a cabeça precisa ficar livre de pensamentos, lá vêm eles. O armário que precisa ser arrumado, as sacolas cheias de roupas, que estão esperando encaminhamento para doações, as providências do início do mês.

Preciso dormir. Não consigo.

Levanto? Não levanto?

Não, não levanto. Vou tentar dormir.

De repente, escuto o Berto:

- Acordada?

- Sim, desde 3:33 hs.

- E agora, que horas são?

Olho o relógio. 

- 6:23 hs. Para ser bem exata, 6 horas, 23 minutos e 23 segundos.

Não é possível. É muito “3” para uma só noite.

E, na verdade, o que eu mais estava querendo era contar até “3”.... e pegar no sono!


                                                                     (imagem daqui)

(imagem inicial, daqui)


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A força da beleza





Essas orquídeas nasceram na minha casa. Suas antecessoras, que ganhei de presente há mais ou menos um ano, morreram. 
As "raízes" foram cuidadas e, agora, fomos brindados com esse renascimento. 
Não é difícil conseguir isso. 
Assim que as flores murcharem, deve-se cortar as hastes e regar as "raízes" duas vezes por semana. Se os dias estiverem muito quentes, molhar mais uma vez. 
Elas gostam de um lugar com luminosidade, mas sem vento.
Depois, é só esperar. 
De repente, surgem novas flores, com toda força da sua beleza.
Adoro orquídeas, assim como hortênsias. Assim como lírios, copos-de-leite, rosas, jasmins, gérberas, flores do campo ...