quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Palavras fora de moda


Disco, retrato, reclame, donzela, vitrola, pirraça, mixórdia, pirralho ...

Espoleta, pindaíba, balzaquiana, lambisgoia ....

Expressões como “ de fio a pavio”, “amarrar o burro”, “ será o Benedito?” “sorriso amarelo” ...

Até as cores: grená, ciclamen ...

E muito mais.

Lembrei de tudo isso ao ler “Palavras na fila da aposentadoria”, de Anna Verônica Mautner, no caderno Equilíbrio, da Folha de São Paulo (22/02/2011).

Lembrei, também, que há algum tempo abordei essa matéria, ao escrever sobre “Palavras na moda” (04/04/2009, no Blog da vovó ...mas não só).

Algumas dessas palavras e expressões, já estão definitivamente “aposentadas”, depois de terem sido amplamente utilizadas e compreendidas.

Quantos não colocaram discos na vitrola, que mais do que um equipamento era um móvel com lugar de honra, em muitas casas.

Retratos! Como eram importantes. Tirar um retrato era um acontecimento, e os retratos não eram tantos, como as fotos de hoje em dia. Por isso, tinham um valor especial.

Pirraça? Os pirralhos a faziam a todo momento.

As pirraças continuam. Mas não com esse nome.

Às vezes penso que os novos nomes não expressam tão bem determinados comportamentos. Mas é inevitável que surjam, em substituição aos termos em desuso.

E aquilo que não é muito usado cai no limbo, e acaba se “aposentando” definitivamente.

O mesmo com as expressões populares, tão interessantes e criativas.

Nossos antigos faziam uso constante dessas expressões, e também dos ditados. Contudo, esse hábito tão curioso, parece estar desaparecendo.

Eu até tento manter alguma dessas palavras e expressões, e brinco muito com minha netinha ao chamá-la de espoleta, com o sentido de brincalhona. Ela acha muita graça.

Palavras aposentadas, e na fila da aposentadoria, são muitas. Pode-se fazer uma lista enorme, e acho que todos conhecem várias.

Mas como quero que esse texto seja lido “de fio a pavio”, vou ter que ficar por aqui.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Terremoto



Os fenômenos destrutivos da natureza são extremamente assustadores. Mostram o quanto somos impotentes diante das forças maiores. Absolutamente impotentes. E vivenciar uma situação dessas, deve ser algo que foge a qualquer imaginação.

Ontem, Christchurch, na Nova Zelândia, foi abalada por um terremoto. O país fica em região sujeita a terremotos, e tem um número grande de abalos por ano, todos de baixa intensidade.

Esse último, contudo, atingiu 6.3 pontos, causando destruição e mortes.

As construções, no país, seguem regras de proteção, para evitar danos materiais e vítimas, em caso de terremotos. Mas as construções mais antigas parece que não são providas dos recursos de defesa.

Penso que isso tenha causado a queda da torre da Catedral Anglicana, construção da segunda metade do século XIX, localizada na principal praça de Christchurch.

Estive lá em abril de 2010, como contei no meu blog de viagens, e tive a oportunidade de visitar esse templo tão representativo, prestando atenção em todos seus detalhes.

Haveria pessoas visitando a Catedral, quando do terremoto?

Me arrepiei.


Acima, Catedral em abril/2010. Abaixo, Cruzeiro ao lado da Catedral.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Surpresa


Adoro surpresas. Dessas surpresas boas, que de tão inesperadas nos dão grande alegria.

Há pessoas que adoram fazer surpresas, e chegam a encenar um verdadeiro teatro quando se trata de organizar uma festa surpresa.

Tenho cunhadas gêmeas, que quando completaram 70 anos ganharam uma festa surpresa dos filhos, que foram muito criativos, mas tiveram que fazer muita ginástica para que elas não desconfiassem de nada.

Pediram colaboração de um casal de namorados da família, para que convidassem as duas para madrinhas de casamento. Segundo “os noivos”, não haveria cerimônia na Igreja, mas somente num bufê, e ficariam felizes se elas aceitassem o convite, juntamente com seus maridos.

Convite feito e aceito, os filhos, então, providenciaram a impressão de dois convites de casamento, que só as duas receberam. Perto da data, se ofereceram para comprar o presente, que os “padrinhos” dariam aos “noivos”.

As “gêmeas”, como madrinhas de casamento, capricharam no “figurino”, assim como seus maridos. E os convidados para o aniversário foram avisados da surpresa, com o pedido de chegarem 30 minutos antes das “madrinhas” aniversariantes.

Chegou o dia, e no bufê estavam parentes, e amigos de várias fases da vida das duas irmãs. Todos participando do "teatro", e torcendo pelo resultado.

A surpresa das duas foi enorme, quando entraram no salão e descobriram que a festa era para elas.

Achei incrível!


Surpresa boa (é claro), é mesmo algo muito prazeroso. Pode ser pequena, ou grande, mas o prazer que causa é o mesmo.

Lembrei de tudo isso porque ontem fui surpreendida com uma publicação no simpático e criativo blog de uma sobrinha. Li o post, desde o início, com um grande sorriso. Fiquei muito feliz com a surpresa, completamente inesperada.

Os "scraps", que ela fez com fotos de uma "aventura" culinária da vó com sua netinha, estão encantadores. Tudo com muito capricho, como mostra esse fundo de "legumes".



Outro dia, essa minha sobrinha tão talentosa, na arte dos “scraps” e outras artes, já havia me surpreendido, com um “scrap” lindo (pronto para ser pendurado), tendo por modelo minha netinha, e eu achei que pararia por ali.



Que nada. A surpresa se repetiu, e foi até maior.

Obrigada, Tchu. Adorei!


(Clique nas imagens para ampliá-las).


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Achados e Perdidos

Penso que ninguém escapa de, algumas vezes, perder algum objeto, mesmo dentro de casa.

São os óculos, as chaves do carro, um documento que não foi guardado no lugar certo, uma correspondência, um caderninho de anotações, um carregador de máquina.

E daí é aquela amolação. Procura aqui, procura ali, pergunta para um, pergunta para outro.

Eu também faço isso. Procuro, pergunto mas, quando vejo que está difícil achar, lembro-me da “Salve Rainha”.

Aprendi pequena a rezar a oração da “Salve Rainha”, logo depois da “Ave Maria” e do “Pai Nosso”.

Só não sei em que época passei a rezá-la quando estou na busca de um objeto perdido.

Alguém inspirado, ou devoto, me aconselhou a apelar para a “Salve Rainha”, rezando-a até a palavra “mostrai-nos”, sempre que estivesse aflita na procura de algo perdido.

Perdido, ou guardado em lugar indevido.

E, depois que encontrasse o tal objeto, eu deveria terminar a oração.

Tem sido “tiro e queda”.

Há ocasiões complicadas, em que tenho que rezar, em seguida, três, quatro, vezes.

Mas são muitas as que uma só oração é suficiente.

Hoje, mais uma vez, fui amparada por Maria, rezando a “Salve Rainha”.

Estava atrás de um diário de viagem, que infelizmente não estava na estante adequada, e me pus à procura.

Estante prá cá, estante prá lá. Livro aqui, livro ali. Nada. Só a “Salve Rainha” poderá dar um jeito nisso.

Rezei uma única vez. Logo em seguida me veio a ideia de um possível lugar para encontrar o diário desaparecido.

Dito e feito.

Lá estava ele.

E, ao seu lado, inexplicavelmente, um folhetinho infantil (desses dobrados em sanfona), com a oração mágica.

Terminei a oração, rezando o finalzinho depois da palavra chave “mostrai-nos”, tirei fotos do folhetinho, e vim contar essa história.

Incrível, não?







segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bicho de sete cabeças?




Quando se é jovem, quase que como regra geral, acha-se que a cozinha é um “bicho de sete cabeças”.
E quando não se tem quem faça nossa comida, o jeito é apelar para os “miojos”, sanduíches, “delivery” ou restaurante (quando se pode).
Com o passar do tempo, “o bicho” vai perdendo suas “cabeças”, e percebe-se que não é complicado fazer comidinhas gostosas.
E, por fim, descobre-se um prazer grande nessa atividade, tão básica para a vida.
Muitos são os pratos saborosos, feitos com facilidade e rapidez. O que é indispensável é a vontade de fazê-los. E um pouco de organização, separando os ingredientes e deixando-os prontos para o uso.
Daí, tudo flui muito bem, juntando-se, no final, o sabor dos pratos à satisfação pelo resultado.
Sou adepta da cozinha fácil e rápida, que me permite um almoço saboroso, sem grandes preparações e em pouco tempo, como esse do domingo.
Vi o que tinha em casa e preparei, na hora, uma salada e um risoto. A sobremesa foi feita algum tempo antes.



A salada foi feita com folhas verdes variadas e queijo brie aquecido (no micro-ondas). Tempero feito com azeite, limão, mostarda e sal.


Risoto de funghi

1 xícara de arroz arborio
6 xícaras de caldo de legumes (carne ou frango)
um punhado de funghi seco (mais ou menos 40 gramas. Fiz com o chileno)
meia cebola média cortada em pedaços pequenos
1 xícara de vinho branco seco
2 colheres de manteiga
queijo parmesão ralado

Colocar o funghi numa vasilha com um pouco de água morna. Deixar por 20 ou 30 minutos, escorrer e cortar em pedaços menores.

Preparar o caldo com dois tabletes, ou envelopes, mantendo-o quente.

Derreter a manteiga numa panela própria (não serve de pedra, nem de barro). Fritar a cebola, até amolecer. Colocar o arroz e refogar por um, dois minutos.
Em seguida, colocar o vinho. Misturar e deixar evaporar. Acrescentar os "funghi" e mexer bem.

Adicionar, mais ou menos, 1/3 do caldo aquecido, e mexer até ser absorvido. Colocar mais 1/3 do caldo, e mexer até secar. Colocar o restante do caldo aos poucos, mexendo e verificando sua consistência. O risoto fica "al dente", mas cremoso. Às vezes pode ser necessário um pouco mais de líquido. Quando isso acontece, coloco sem medir um pouquinho de água quente (talvez meia xícara) na panela do caldo e utilizo até obter a consistência certa.
Servir salpicado com queijo parmesão ralado.

Como o risoto deve ser servido assim que ficar pronto, deixei a panela tampada enquanto comíamos nossa salada, que já estava na mesa. Daí, foi só colocar nos pratos.



E para sobremesa, uma gelatina com jeito de musse. Fiz uma gelatina de maracujá, colocando menos água, e bati no liquidificador com 200 ml. de iogurte. Enfeitei com figo fresco. Deixei gelar por 4 horas e ela ficou bem refrescante, própria para esse tempo de calor.

E para acompanhar o almoço, fiquei num vinho maravilhoso que havíamos aberto na véspera, o Sileni, que eu trouxe diretamente da Nova Zelândia.
Tim, tim!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Mini-bolos" de caneca



Criança adora cozinha e, quando convidada, quer participar da elaboração de pratos.
A Isadora, que está com 4 anos e meio, quando me vê fazendo alguma coisa, sempre quer colocar suas mãozinhas na cozinha.
Vovó, posso quebrar os ovos ? Posso colocar a farinha? Posso misturar?
E eu aproveito essa disposição para distraí-la e, com certeza, despertar seu interesse pela culinária.
Uma receita que pode ter bastante colaboração infantil é a do "Bolo de Caneca".
De vez em quando eu a convido para uma "sessão " de bolo, e ela adora.
Dessa vez resolvi experimentar dividir a receita, para que ela pudesse "decorar" mais do que um bolo, e percebi que a massa dá para quatro bolinhos.
Fizemos só três, porque ela quis usar a caneca grande (300 ml) para um dos bolinhos (que ficou de tamanho médio).



A massa foi feita numa tigelinha à parte, e dividida por esses três recipientes, devidamente untados e enfarinhados. Depois, colocamos no micro-ondas por 2 minutos e meio, na potência alta e deixamos descansar por mais um minuto.
em seguida, desenformamos.
Nossos bolinhos não receberam cobertura, mas somente confeitos coloridos, e a decoração ficou inteiramente sob a responsabilidade da menininha.






Depois de tudo pronto, a parte final e gostosa.


Vovó, meu bolinho ficou uma delícia.
O interessante é que, nesse dia, tivemos a visita de três priminhas, Sofia, Isadora e Maria Tereza, e minha netinha também pôde exercitar seu lado hospitaleiro servindo os bolinhos que havia feito.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desrespeito continuado



Diz o art. 3º da Lei nº 10.741 de 1.10.2003 (Estatuto do Idoso):

"É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

I - atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população;

II ....."

Sim, o Estatuto do Idoso garante o atendimento preferencial imediato e individualizado, em qualquer estabelecimento de atendimento público.

E isso é de conhecimento geral, tanto que, nesses locais, sempre há placas noticiando o atendimento preferencial a idosos.

Pois bem.

Embora cercada por essas placas, que informam sobre o atendimento prioritário, não há uma vez em que eu vá a uma farmácia, ou drogaria, e que não sinta meu direito desrespeitado.

Se não é na hora do atendimento, é na hora do pagamento.

No último sábado precisei de um atendimento médico de urgência e, no retorno, parei numa farmácia. Desci para comprar o medicamento e fiquei aguardando no balcão. Depois de um tempinho, vendo duas ou três pessoas serem atendidas, perguntei para uma funcionária se ela poderia me atender.

Ela me disse:

A senhora pegou a senha?

Não, não sabia que aqui havia senha. Mas, de qualquer forma, pela idade, tenho atendimento preferencial.

Já venho atender a senhora.

Fui atendida e me dirigi para a caixa.

Só havia uma funcionando, com uma fila de pelo menos 10 pessoas.

Nesse momento, foi aberta outra caixa. Dirigi-me para ela e aguardei que ela terminasse um atendimento.

Nessa hora ela me disse:

A fila está lá atrás. A senhora deve entrar nela.

E eu:

Minha filha, eu não preciso entrar na fila.

Ela, então, virou-se para a fila e perguntou: há outro idoso que queira ser atendido pela idade?

Valha-me Deus!

E não foi a primeira vez que isso aconteceu.

Mas não me intimidei.

Exercer os direitos, é exercer a cidadania, e se muitos não fazem questão do exercício, eu faço.

Tenho deveres e direitos. Cumpro todos meus deveres, e faço questão de exercer meus direitos. E se eles existem é porque são necessários e adequados para essa quadra da vida. Não servem para dar vantagens, mas para diminuir as desvantagens, como já falei aqui.

O problema é que existe tanto desrespeito, que muitas pessoas sentem constrangimento em exigir o tratamento que lhes é devido. Nas filas em geral, nas vagas de estacionamento, nos bancos, nos assentos preferenciais em ônibus e metrôs.

Antes de sair da farmácia, fui falar com sua gerente, aconselhando-a a dar um treinamento aos seus funcionários, para que entendam e pratiquem com civilidade aquilo que a lei determina. Vamos ver se aos poucos, educando-se alguém aqui, outrem ali, vamos chegando a uma sociedade mais solidária e respeitadora.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fim de semana colorido



Foi assim, bem coloridinha e feliz, que minha netinha chegou para passar, em Santos, um fim de semana prolongado.



E quando viu, no domingo, que a vovó se preparava para fazer uma sobremesa refrescante, colocou seu avental rapidinho e assumiu seu lugar de ajudante de cozinha.
Uma "gelatina colorida", ou "mosaico de gelatina", combinou bem com o forte calor desses dias.

Fiz 4 caixinhas de gelatina, de sabores e cores diferentes. Usei somente uma xícara de água fervente para cada uma delas. Levei para gelar bem. Cortei em quadradinhos.



Minha ajudante se encarregou de colocar todos os pedacinhos de gelatina numa vasilha.



À parte fiz uma caixinha de gelatina de abacaxi, com duas xícaras de água, e misturei bem a uma lata de creme de leite.
Em seguida, a pequena ajudante foi colocando a mistura de creme de leite sobre os quadradinhos de gelatina.




Virou tudo, e misturou bem.


Com a ajuda da vovó, colocou a gelatina nas tacinhas. Depois, geladeira pelo mínimo de 4 horas, para ficar bem geladinha.


Agora, já gelada, uns enfeites de quadradinhos de gelatina de amora.


Hora do almoço. Como entrada, uma saladinha simples. Mas para a ajudante (que não gosta muito de verdinhos), uma salada só de tomatinhos (que adora).





E depois de uma massa gostosa, nossa "Gelatina Colorida".


(Essa é uma receita simples e bem gostosa. Pode ser feita, também, numa forma de buraco no meio. Colocar na forma molhada, para que desenforme com facilidade).