segunda-feira, 28 de maio de 2012

São Paulo - Cultura para todos






São Paulo é uma cidade incrível, em termos de programação cultural. Há programas para todos os gostos, todas as idades e condiçōes.
E o incrível, também, é que todos os locais sempre se encontram lotados. Em muitos casos, os ingressos devem ser providenciados com grande antecedência. 
Concertos, exposições, shows, balés, cinemas, teatros ... 
Há público para todos.
Pesquisando, ontem, em um guia de programação semanal, encontrei programas interessantes e diferentes, entre os quais três exposiçōes para deficientes visuais: Sentir pra Ver, Galeria Tátil e Sentido. Todas permitem que as obras expostas sejam apreciadas pelo tato. Na exposição Sentir pra Ver, diz o guia que a exposição também pode ser conferida por quem não seja deficiente visual, bastando solicitar um tapa-olhos.
Na Galeria Tátil, que exibe esculturas, o percurso do visitante deficiente é orientado por um piso tátil.
E, na semana, também aconteceu uma sessão especial de cinema para deficientes visuais, em uma sala do Reserva Cultural, na avenida Paulista. Eu estava lá, para assistir Habemus Papam, quanto pude constatar a quantidade enorme de deficientes que iriam assistir,   numa sessão especial, com audiodescrição, o filme Hasta la Vista: Venha Como Você É, que gira em torno de três jovens deficientes.
Também encontrei, no guia, programas curiosos, como um organizado pela Galeria Matilha Cultural, para lazer de cães e seus donos, o evento Pra Cachorro, compreendendo circuitos para os cães (agility, prova com obstáculos), "cãominhada", desfile de cães para adoção, e oficinas variadas para os donos dos animais.
É, São Paulo é mesmo incrível. 
Como li numa revista semanal, a cidade "é a primeira opção para sediar os eventos mais importantes do calendário cultural do país. São mais de 90 mil por ano, sendo um a cada dois minutos" (Isto É, 23/05).
No último mês fui a quatro exposições em São Paulo, entre as quais a dos painéis Guerra e Paz de Portinari, no Memorial da América Latina. Exposição maravilhosa, com característica de oportunidade única, pois os painéis, doados à ONU, pelo governo brasileiro, ficam localizados no hall de entrada da Assembleia Geral em New York, em local de acesso restrito. Diante de uma grande reforma no edifício sede da ONU, surgiu a oportunidade de pleitear a vinda dos painéis para o Brasil, para exposições até agosto de 2013, sob a responsabilidade do projeto Portinari e apoio do BNDES, Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, e da ONU.  
Os Painéis, imensos e impactantes, já foram expostos no Rio e em São Paulo e, com certeza, deverão seguir para outras capitais, até seu retorno à ONU.




Não consegui fotos dos painéis por inteiro. Cada um tem 14 metros de altura, por 10 metros de largura. Fotografei-os em partes, e cada uma delas é uma obra completa. Acima,  cores vivas e alegria: Paz. Abaixo, a tristeza e o sofrimento: Guerra.




Além dessa exposição, a que mais me marcou nesse mês, foi a "Imagens de uma vida", com obras de Modigliani, no MASP.
E me marcou porque foi a primeira exposição que visitei com a netinha Isadora, em um museu.

                                                      Isadora, à esquerda, e Luiza.

Ela e sua amiga Luiza ficaram encantadas com os desenhos a lápis, e com as pinturas em tela. Logo no início, ao verem um retrato feito com lápis, soltaram "ós" de admiração. A Isadora, com um telefone de sua mamãe, começou a fotografar as telas, até ser avisada que as fotografias não eram permitidas.
Foi uma primeira experiência, muito positiva.
E isso é algo que também chama minha atenção em São Paulo. Além do grande número de pessoas, nos vários eventos, encontramos nas exposições, e nos museus, muitos jovens, e também crianças acompanhadas por seus pais.
É admirável!



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Amor de pai




                                    
                                   Meus sobrinhos, Carolina e Renato, felizes papais da Catarina.


Hoje escutei um depoimento lindo. Um dos meus sobrinhos, papai há pouco tempo, me disse que nunca se sentiu tão feliz como se sente agora. E que seu coração parece transbordar de tanto amor por sua filhinha. Não sabe se esse amor é tão imenso por ter passado pelo susto de perdê-la, pois prematura ficou quase um mês na UTI pediátrica, ou se o amor por um filho é sempre assim.
E hoje, quarta-feira, dia em que tem as tardes livres, estava num contentamento enorme porque ficaria tomando conta da sua linda Catarina. Esse será seu programa maravilhoso para todas as quartas-feiras à tarde.
Achei isso bonito demais.
Anos atrás, os pais eram absolutamente contidos. Não manifestavam seus sentimentos em relação aos filhos. E tampouco ficavam responsáveis pela criança durante qualquer período do dia, cuidando, trocando fraldas, banhando, alimentando.
Os tempos mudaram. 
E, dessa vez, para muito melhor.




Há algum tempo escrevi sobre "Mostrar sentimentos", abordando exatamente as diferenças entre os pais/mães de ontem e de hoje.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

"Além do corpo" . Superação em grau máximo






De onde vem a força de determinadas pessoas que, portadoras de limitações graves, atingem graus de superação inimagináveis?
Pensei nisso ontem, ao ler matéria sobre uma arte-educadora que, há dez anos, é vitima da síndrome do encarceramento, como seqüela de um gravíssimo acidente vascular cerebral. É quase que totalmente paralisada, mas conservou a cognição e a memória. E, com o movimento dos olhos e leve movimento do queixo, mediante um cartão com as letras do alfabeto, e um programa especial de computador, ela se comunica, e desenvolveu sua tese de doutoramento em arte e educação. Deu ao seu estudo o nome de "Além do corpo", desenvolvido em três anos.
Ana Amália Tavares Barbosa, essa lutadora incrível, defendeu ontem sua tese na USP (Universidade de São Paulo), recebendo, com “distinção e louvor”, o titulo de doutora em arte e educação.  
Com o título, veio o reconhecimento de ser a primeira tetraplégica, muda e disfágica (não mastiga, nem engole) a obter tal vitória na Universidade de São Paulo.
Penso, mesmo, que talvez seja a única no Brasil e, quiçá, no mundo a se doutorar em condições tão adversas.
Ao ter sua tese aprovada, Ana Amália, comunicando-se com os olhos, usou a palavra daqueles que enfrentam desafios e atingem seu objetivo: “Consegui”.
E sua mãe, falou lindamente:
“Estou nervosíssima e muito orgulhosa. Ela deixou de ser vítima da vida para conduzir a própria vida”.
Afinal, que força é essa?


Esse caso me lembrou o do livro “O escafandro e a borboleta”, escrito por Jean-Dominique Bauby, também portador da síndrome do encarceramento.
Falei sobre ele em post publicado em 30/06/2010.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Partida






Estou meio sem voz.
Sem canto, com pranto.
Na última sexta-feira, despedi-me definitivamente da querida sobrinha Silvinha.
Temperamento ímpar, extremamente bondosa, dona de uma voz maravilhosa.
Deve estar, com certeza, fazendo parte do “coro dos anjos”.





quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pode ou não pode?






Antigamente a chupeta era adotada pelas mães, sem qualquer questionamento. Era usada para acalmar os bebês e, com certeza, para deixar a mãe com mais tempo para atender seus outros filhos. Isso porque, de um modo geral, todos tinham muitos filhos e, na hora do choro, as mães não tinham condições de dar muito colo . Daí, entrava a chupeta, como uma importante auxiliar.
Com o tempo, o uso da chupeta passou a ser questionado, e ela passou a ser acusada de causar problemas relacionados à dentição.
Na época dos meus filhos pequenos, esse era o questionamento. Mas, ainda, de uma forma leve. Dávamos a chupeta sem culpa.
Meus filhos a usaram, com enorme prazer. Quando nenês, com mais intensidade. Depois, só na hora de dormir.
Na hora de tirá-la, foi um pouco mais difícil com o Gustavo.
Acho que ele devia ter em torno de 2 anos, e estávamos voltando de uma viagem a São Paulo, quando ele aceitou minha sugestão de jogar sua chupeta para os passarinhos. Minha ideia era a de que ele fizesse isso no dia seguinte, já em casa.
Ele, porém, jogou a chupeta na mesma hora, pela janela do carro.
Fiquei preocupada. A noite estava chegando e aquela chupeta era única.
Na hora de dormir, fui levá-lo para a cama, e ele me pediu a chupeta.
Então eu lhe disse:
Você não lembra que jogou sua chupeta para os passarinhos?
E ele:
É mesmo, mamãe. Mas, quando eu for novamente pequeninho, você me dá a chupeta de novo?
Senti uma pontinha de tristeza, mas não lhe disse que jamais ele seria pequeninho novamente.
Minha netinha Isadora, também foi apaixonada por chupeta. Chegou em casa, depois da maternidade, tentando colocar os dedos na boca. Não era só um dedo. Queria colocar todos.


                       (Isadora logo após a chegada da maternidade, ainda com a pulseirinha de identificação).

Nessa época, há quase 6 anos, a restrição à chupeta era bem forte, pois ela poderia atrapalhar a formação dentária e até a amamentação. 
Mas, no caso, a questão era: dedo ou chupeta?
Ganhou a chupeta. 
E a Isadora adorava sua chupeta. Houve época em que ela queria usá-la também durante o dia. 



Às vezes eu achava que seria trabalhoso conseguir que ela abandonasse esse hábito.
Afinal, tudo ocorreu naturalmente, e “os passarinhos” ganharam mais uma chupeta. Durante alguns dias a Priscila vinha conversando com a Isadora, que estava com dois anos e alguns meses, explicando que seria bom se ela largasse da chupeta, e a desse para os passarinhos. Até que, certo dia, ela atirou a chupeta pela janela do seu apartamento. Sentiu sua falta duas ou três noites, mas ficou bem tranquila.
Pode ou não pode?
Ainda bem que achamos que podia, e não sentimos qualquer culpa por termos adotado a chupeta para nossas crianças.
Pois, não é que agora, seu uso está totalmente redimido, e ela está sendo considerada como um fator auxiliar da amamentação?
Foi essa a conclusão de uma pesquisa científica realizada nos Estados Unidos, noticiada pela Folha de São Paulo no último dia 30/04/2012.
Parece até a história da alimentação. Uma hora pode isso, outra hora pode aquilo.
Mas, e a chupeta?
Afinal, pode ou não pode?


(Procurei fotos do Gustavo e da Priscila com chupeta, mas não encontrei nenhuma. Acho que isso confirma minha lembrança de que eles usavam só para dormir).