segunda-feira, 30 de julho de 2012

Politicamente correta?






Com frequência vemos referências à linguagem politicamente correta.
E parece que, cada vez mais, tenta-se dissociar a palavra da sua concretitude, para dar uma aparência de melhor situação.
O velho, que é quem já viveu bastante, não pode ser chamado de velho, mas sim de alguém que está na melhor idade, ou na terceira idade. Na verdade, ele continua a ser velho mas, por uma assepsia na denominação, ele está na melhor idade.
Não se pode mais fazer referência a alguém usando-se a palavra gordo. Politicamente correta, a referência deve ser a de alguém com excesso de peso.
Anão é o portador de nanismo, e deficiente físico deve ser denominado de pessoa com deficiência.
Negro é afrodescendente, ainda que haja brancos de origem africana.
Não é difícil perceber que o distanciamento da realidade, adotado pelos termos politicamente corretos, acabam levando ao ridículo.
Essa política, importada dos Estados Unidos, pretende evitar preconceitos em relação a certas pessoas ou a grupos minoritários.
Acontece que o problema da discriminação, ou do preconceito, não está na linguagem. Está nos indivíduos.
E não é o fato de se usar palavras consideradas politicamente corretas que estará eliminando o preconceito. A palavra isolada não permite uma apreciação social. É avaliada de acordo com a forma pela qual é dita, ou dentro de um contexto.
Assim, se alguém se refere a um negro com desdém, estará manifestando preconceito.
Da mesma forma, quem chama alguém de velho, querendo significar que tal pessoa não serve para nada, e não deve ser levada em consideração, estará mostrando discriminação. E isso, não em virtude do vocábulo, mas da inflexão que foi dada à palavra.
Nesses últimos dias tomei ciência de outra palavra politicamente correta: colaborador, para ser usado no lugar de empregado, ou funcionário, evitando, assim, uma conotação de subordinação.
Achei, isso, ridículo. A subordinação continua, pois ela é implícita ao conceito de emprego. Muda somente a palavra, esvaziada do seu real conceito, o que mostra a falsidade da linguagem politicamente correta.
Não seria mais adequado dar-se ênfase ao uso da linguagem com bom senso e com respeito ao próximo?



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Festa "caipira"








Gosto demais de festa junina. Da sua decoração, dos seus quitutes.
Há algum tempo, costumava fazer uma festa junina em Itanhaém, aproveitando o espaço gostoso da casa.
Todo ano penso em repeti-la, mas tenho ficado só no pensamento.
Nesse ano deixei passar o mês de junho, mas quando julho chegou eu estava resolvida: faria uma festa “julina”, no apartamento mesmo.
E como a Isadora faz anos no dia 13 de julho, o ponto central da festa seria um bolo com velinhas.
Em três dias providenciei a decoração, o bolo temático e todos os “comes e bebes”, entre os quais cuscuz, caldo verde, pinhões, paçoca e pé-de-moleque, bombocado de assadeira, canjica e quentão.



Na decoração, bandeirinhas, santos festejados nas festinhas juninas, balõezinhos.




Preparando a mesa para a festinha.


No aparador, os pratos salgados.


Hora do Parabéns.

Isadora sempre faz questão de cortar o bolo, e de servi-lo.










Com as pantufas que ganhou de presente.




A vovó também estava de "caipira estilizada".



A festinha foi uma delícia.
 E a caipirinha linda ficou muito feliz, tanto que disse que no próximo ano quer uma festinha caipira no seu aniversário.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dente e “sonho”









E, enfim, o dentinho incisivo superior da Isadora caiu, numa guerra de travesseiros como contei aqui.
Na fila, para cair, o outro superior, que está preso “por um fio”.




E para festejar, uma torta de morango, do jeito que a netinha gosta.
Quando a coloquei na mesa, depois do almoço, numa expressão de alegria ela disse:
-          -  Não é possível, vovó. Acho que estou sonhando.
-          - Me belisca, me belisca.
A torta é, de verdade, um sonho.
Vale registrar a receita.



                                                      Torta espelhada de morango


Massa
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (sopa) de açúcar
1 pitada de sal
1 ovo
100 gramas de manteiga em temperatura ambiente

Peneirar a farinha de trigo, com o açúcar e o sal. Juntar o ovo e a manteiga. Trabalhar a massa com a ponta dos dedos, até ficar homogênea.
Forrar, com a massa, uma forma de aro removível (22 cm). Levar ao forno pré-aquecido, até ficar ligeiramente dourada (mais ou menos 15 minutos).
Deixar esfriar.

Recheio
1lata de leite condensado
1 xícara (chá) de leite
2 gemas peneiradas
meia colher (chá) de baunilha
meio envelope de gelatina em pó sem sabor
200 gramas de morangos.

Misturar o leite condensado com o leite e as gemas. Levar ao fogo, mexendo até conseguir um creme consistente. Acrescentar a baunilha e reservar.
À parte, juntar 3 colheres de água à gelatina e levar para dissolver (em banho-maria ou no microondas).
Esfriar um pouco e misturar ao creme, batendo no liquidificador com os morangos.

Cobertura
200 gramas de morangos
1 xícara de água
1 colher (sopa) e meia de açúcar
1 colher (sopa) de polvilho doce
2 colheres(chá) de gelatina sem sabor vermelha

Dissolver o polvilho na água e levar ao fogo com o açúcar, para fervura ligeira.
Adicionar a gelatina vermelha previamente dissolvida em 2 colheres (de água).


Montagem
Desenformar a massa assada, quando fria. Cobrir com o creme de morangos. Sobre o creme, colocar os morangos, cortados ao meio, de comprido, arrumando de fora para dentro.
Em seguida, ir colocando a cobertura, já fria, às colheradas, para não tirar os morangos do lugar.
Levar à geladeira.

Nota: O recheio pode ser feito, também, com um creme de baunilha, sem gelatina.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Na mídia. Outra vez.







Meu blog completou 4 anos no dia 1º de junho, e eu deixei passar em branco. Só fui perceber isso durante uma entrevista pela CBN, em rede nacional, quando indagada sobre a idade do blog.
Há alguns dias recebi um e-mail da Tânia Morales, jornalista da CBN, com um convite para ser entrevistada sobre meu blog, no sábado dia 14 de julho, ao vivo.
Achei curioso, pois sempre que estou pensando em dar uma parada no blog acontece algo como essa entrevista.
Já aconteceu quando fui entrevistada para o programa de televisão "É a vovozinha" da Rede Brasil, e também pelo Correio Brasiliense.
É. O jeito é continuar a manter o blog. Ele me ocupa, preserva meu gosto pela escrita, permite que eu registre fatos importantes da vida, e volta e meia me traz surpresas.
Ainda que devagar, por aqui vou continuar.

E para quem quiser ouvir a entrevista, aqui está o link:





segunda-feira, 9 de julho de 2012

Duro de queda

(Conversa de vovó)




Está interessante o caso do dentinho incisivo superior da Isadora. Há um mês que ele está "cai não cai".
Já saiu do lugar, está saltado para a frente, e mole, mole.
Mas nada de cair.
Anos atrás o costume era o de facilitar a queda dos dentes de leite. Assim que ficavam moles, devia-se passar uma linha na volta deles e dar uma puxadinha.
Hoje, a ordem é deixar que o dente de leite caia sozinho. No seu tempo.
E embora estejamos torcendo para que ele caia logo, nada estamos fazendo para forçá-lo.
Nessa foto, em que se vê bem o desvio do dentinho, a Isadora está feliz segurando uma nota de R$2,00.
Nesse dia ela me propôs fazer uma massagem, em troca dessa importância, "porque está guardando dinheiro".
Eu aceitei, e a massagem foi uma delícia. Nas pernas e nos braços, com auxílio de dois massageadores de madeira.




No final, dei-lhe a nota e agradeci.
E ela:
- Gostou, vovó?
- Adorei.
- Êba! Então, amanhã eu vou fazer de manhã, à tarde e à noite!

Estava acabando de escrever esse post quando soube, pelo telefone, que o dentinho "duro de queda" havia caído, finalmente. A netinha está na casa do vovô Zé, e da vovó Noca e, numa brincadeira de guerra de travesseiros, ele foi acertado. Não resistiu.



quarta-feira, 4 de julho de 2012

De prosaico a "cult"






Outro dia, para o almoço, fiz um quiabo refogadinho. Lembrei muito de minha mãe, que quase não gostava de verduras ou hortaliças, mas apreciava bastante um quiabo bem feito, ou seja, sem sua característica baba.
Tirei algumas fotos da minha preparação, pensando num possível post. 
E não é que, passados alguns dias, li uma matéria * exaltando o quiabo, e afirmando que ele ganhou”status”, conquistou os “chefs” e passou a ser usado em pratos refinados? 
Até suas sementes passaram a ocupar um lugar de destaque, sendo servidas como caviar vegetal por uma famosa “chef” brasileira. 




           Prato de quiabo em que as sementes se transformam num caviar vegetal, da chef Roberta Sudbrack



Antes dessa "descoberta", o quiabo não frequentava lugares estrelados.
Pois é. Também existe preconceito em relação a ingredientes ou comidas, e ele sofria desse mal. E parece, também, que algumas coisas precisam ser “descobertas” por “entendidos”, para então passarem a ser apreciadas. 
Daí, desaparece o preconceito, como num passe de mágica.
Ainda bem que não precisei esperar essa elevação de "status" para comer um bom refogadinho de quiabo, ou o gostoso prato mineiro de frango com quiabo. 
Tudo sem "baba", lógico. 
Para isso basta usar no cozimento um pouco de limão, ou de vinagre branco.




       

(* Caderno Comida da Folha de São Paulo de 20/06/2012)