terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sonho aflitivo






Ontem, logo cedo, a Priscila me telefonou para dizer que a Isadora estava aos prantos, porque havia tido um pesadelo. Sonhara que eu havia morrido, e queria vir para Santos para ficar comigo (e, com certeza, para conferir se eu estava bem).
Chamei-a ao telefone e, aos poucos, ela se acalmou.
Que peninha dessa sua aflição.
Confrontada com a morte muito cedo, pois seu papai partiu antes dela completar um ano, ela consegue avaliar o sentido da ausência.
Sabe bem o que significa essa partida definitiva e, muitas vêzes, nos transmite isso, como já contei nesse dois textos que publiquei em outras ocasiões:

“Vovó, eu também tenho papai.
Eu sei, minha netinha.
É vovó. É que agora ele está no céu.
Esse comentário surgiu do nada, numa tarde em que estávamos juntas.

E, há poucos dias, logo depois de ter acordado ela me disse:
Sabe, vovó, eu sonhei com meu papai.
É mesmo?
E ela: sonhei que ele me mandou um recado.
Qual foi?
Que ele não quer mais ficar no céu.

E para sua mamãe Pri, ela falou outro dia:
Mamãe, por que você não me arranja outro papai? Assim você me leva para a escola, e ele vai me buscar.

“Minha” menininha tem seu papai no coração.”
 (Publicado aqui, em 7 de agosto de 2010, quando a Isadora tinha 4 anos.).

E esse outro, referente a uma passagem ocorrida no Natal de 2011:
... Quando consegui me controlar, ela me perguntou:
- Vovó, por que você chorou?
- É que a vovó está com saudades da Bisa.
- Mas vovó, a Bisa está no seu coração.
- É isso mesmo, minha netinha.
Passado algum tempo, ela voltou ao assunto:
- Sabe, vovó, você não precisa ficar triste. A Bisa está no céu, olhando por você.
Tão pequeninha, 5 anos, e tão experiente nessa questão de perdas. “

Dessa vez esqueci de dizer para minha menininha que, sonhar com morte, significa vida longa.




domingo, 25 de novembro de 2012

Comida antiga




Dobradinha do nosso almoço de domingo.

Às vezes encontramos um lugar meio escondido, que acaba nos surpreendendo.
Foi assim, outro dia, na Vila Madalena, em São Paulo.
Ao ver o restaurante Casa da Li, achei que poderia encontrar nele uma comida bem caseira, que era o que estávamos querendo.


Paramos, então, para almoçar. A comida é variada, mas o cardápio é enxuto. Entre os pratos, alguns bem brasileiros, que praticamente sumiram das nossas mesas, como a língua e a rabada.
Sei que muitos torcem o nariz, só de pensar nesses pratos, mas também sei que, quando bem feitos, são deliciosos.
Nos meus tempos de criança, esse tipo de culinária era bem comum, e minha mãe a preparava com perfeição.
Quando vi, no cardápio do restaurante, que eles trabalhavam com língua, fiquei tentada.
Mas, ao mesmo tempo, receosa. Será que é bem feita?
Peço? Não peço?
Resolvi arriscar.
Acertei.
Estava bem gostosa, e lembrou a que minha mãe fazia. Cortada em fatias finas, bem cozidinha.
Língua da Casa da Li.

E por falar em comida antiga, aproveitei que estou hospedando um irmão e uma cunhada, e coloquei no cardápio do nosso almoço de domingo uma dobradinha deliciosa. Com feijão branco, linguiça portuguesa e paio.


Delícia. Lembrou nossos almoços antigos, na casa de nossos pais.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Estou crescendo, vovó



Ajudando a montar a árvore de Natal .

Sempre é uma delícia ter a companhia da netinha por alguns dias seguidos. Perceber seu crescimento, dia a dia, é fantástico.

Dessa vez ela já chegou me avisando que iria dormir sozinha, no quarto ao lado do meu. Na sua casa ela dorme sozinha no seu quarto, há muito tempo. Mas na casa da vovó, era diferente. Sempre gostou de dormir ao lado da minha cama, num colchão bem encostado, para que pudesse segurar na minha mão antes de dormir, escutar historinhas e canções infantis.
Na primeira noite me preocupei um pouquinho pensando que ela pudesse acordar durante a madrugada. Que nada. Dormiu muito bem, passando assim para uma nova etapa da sua vida: dormir longe da vovó.

Foto tirada já de manhã.

Chegou em Santos desse jeito, com as unhas decoradas.

Olhou para as unhas da vovó e perguntou:
- Posso pintar suas unhas, vovó?
Claro que a vovó deixou.
Sua mesinha de brincadeiras, virou mesa de manicure, embora já esteja muito pequena. Difícil foi conseguir ajeitar-se nela.


Depois de retirar o esmalte antigo, uma primeira camada de esmalte rosinha.



E, depois, as pintinhas. Feitas com todo cuidado.


E aqui, o resultado. Unhas decoradas.


Ainda de pijama, a Isadora colocou seu chapéu de festa caipira, e fez pose.




E ela adora ajudar. Ajuda com a priminha Catarina, ajuda a vovó no que for preciso.


Na cozinha, quer lavar a louça, secá-la, e adora montar pratos.
Eu ia arrumar uma saladinha e ela disse: deixa que eu faço, vovó.
Dei-lhe algumas fatias de tomate, um pouco de cenoura ralada e dois bastõezinhos de palmito. Ela cortou o palmito e, depois disso eu saí da cozinha. Quando voltei, encontrei esse lindo prato.




Minha menininha está crescendo, mesmo. Faz e fala coisas que nos surpreendem. Afinal, ela só tem pouquinho mais de seis anos.


Mas, no intervalo das ajudas, das brincadeiras no computador e no iPad, ela não esquece das brincadeiras com seus "bichinhos" , casinhas e com suas bonecas.
É isso. Tomara que sua infância não termine antes da hora. 





segunda-feira, 12 de novembro de 2012

De volta a Belém




Hoje estamos encerrando nossos dias em Belém, dias quentes, úmidos, e com muitas lembranças.
Conhecêmo-nos em São Luiz (Maranhão) mas, na verdade, nosso romance teve início em Belém do Pará.
Belém das mangueiras, do Ver-o-Peso, da chuva da tarde, do Santuário da Nazaré, das vitórias-régias.
E agora, quase 27 anos depois, voltamos para rever o conhecido, e para conhecer o novo.
Vimos as mangueiras, o Ver-o-Peso, o Santuário, as vitórias-régias do Emílio Goeldi e do maravilhoso Mangal das Garças, a encantadora Estação das Docas, a linda Catedral, a Casa das Onze Janelas, o Forte do Presépio, o Museu de Arte Sacra, o antigo presídio São José Liberto e muito mais. Sentimos a chuva da tarde, embora ela tenha falhado em algumas tardes. Passeamos de barco pelo rio Guamá e pela Baía de Guajará.
Tudo muito lindo.




E, além de tudo, Belém tem, para nós, um gostinho especial.
Gostinho bom do passado, que se estende ao presente.