quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Irmandade





Heloisa, Norminha, Olga e Lourdes.


Estávamos em pontos diferentes do salão e, de repente, alguém notou que as quatro irmãs estavam uma ao lado da outra.
Eu, a mais velha das "meninas", com dez anos de diferença da caçula (a "única" com cabelos brancos), seis e quatro anos das outras duas.
O Berto aproveitou e registrou rapidinho.
Os irmãos também estavam por ali, com exceção de um, mas dessa vez não fizemos uma foto do grupo.
Foi muito bom esse encontro dos oito.
Não sei explicar, mas parece que, quando estamos juntos festejando uma data, além do sangue, algo nos une.
Quando possível, a música está presente. Cantamos. Dançamos.
E apesar dos cabelos brancos (de "quase" todos), a sensação é de que voltamos ao tempo em que estávamos, todos, na casa dos pais.
É o que sinto.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tesouros num armarinho






Depois de uma ida a um “armarinho”, comecei a fazer uns quadrados de crochê, para me distrair. 
Armarinho. Essa palavra pode entrar no rol dos vocábulos fora de moda.
Tanto a palavra, como o comércio, podem ser vistos como antigos. Pouco se vê um armarinho, nas cidades grandes, e temo que esse tipo de comércio acabe desaparecendo.
É uma loja muito interessante, onde se encontra, com facilidade, material para costura, tricô, crochê e bordados. Onde ainda se fala em “ponto ajour” e em caseado.
Fui até um com a Isadora, e essa ida valeu como um passeio. Ela ficou encantada com as prateleiras enormes, repletas de novelos de lã de todas as cores, de caixas com botões, de linhas coloridas.
Escolhi alguns novelos de lã e, antes de sairmos, ela disse que queria falar com a dona da loja.
Tentei saber o que ela pretendia, mas só ouvi que esperasse um pouco.
Assim que apresentada à proprietária do armarinho, a Isadora foi falando: quanto a senhora quer por essa loja?
Em casa, ela se distraiu arrumando os novelos de lã, e brincando de vendedora.
Comecei, então, a crochetar e a Isadora me perguntou o que eu iria fazer. E é claro que pediu para si a manta, assim que ficasse pronta. E ainda pediu que, depois, eu fizesse uma para sua mamãe.



E assim foi. Um quadrado de cada vez, e logo muitos quadrados prontos.



Depois foi só unir todos os quadrados, e deixar minha menininha feliz com sua manta nova.

No sofá-cama, com sua manta de crochê.



Gostei tanto que continuei na atividade. Agora com quadrados um pouco menores, e bem coloridos. Daqui a pouco (?), mais uma manta surgirá.




terça-feira, 15 de outubro de 2013

Envelhecimento difícil



Foto da web

Desrespeito generalizado, agressividade, violência, indefinição de sexo, desconforto com o sexo de nascença, ausência de ética, “black blocs”, “pink blocs” ...
Pessoas que não se entendem como homens, nem como mulheres. São os dois. Como a cantora austríaca Conchita Wurst que diz gostar “de ser mulher nos palcos e no trabalho e um homem na vida privada” * . E se apresenta sensual, com roupas femininas, cabelo longo, mas com bigode e barba bem cerrada.
Alunos que enfrentam professores, e pais que apoiam filhos indisciplinados e violentos.
Jovens, e nem tão jovens, que ignoram o respeito devido aos velhos. 
Grosserias a todo momento.
O mundo está conturbado.
Sim, eu sei que o mundo está em constante mudança e seria impossível pretender que o mundo da minha infância, ou adolescência, fosse o mesmo desses dias.
Mas eu sempre pensei que havia princípios eternos, e que esses se manteriam através dos tempos.
Não é o que acontece.
Princípios?
E começa a dar um cansaço, muito cansaço de acompanhar todas essas bizarrices.
Parece que aqueles que estão envelhecendo já não encontram seu lugar no mundo. 
Tudo muito mudado, somando-se, a isso, as perdas e outros problemas da velhice.
Talvez isso explique a facilidade com que os idosos escorregam para o alheamento, ou para a depressão.
Fuga?
Não se pode viver num mundo de ilusão, mas é preciso que se descubra um antídoto que nos permita viver sem que as bizarrices, que por aqui estão, nos atinjam. 
Só assim será possível envelhecer em paz.



(* Folha de São Paulo, 14/10/2013, reservou uma página do Caderno Ilustrada, E3, para essa bizarrice).

sábado, 12 de outubro de 2013

Música e sonho



Foto da web.


Comecei a tocar piano aos 5 anos, graças à facilidade de ter uma escola de música a dois passos da minha casa. Era o Instituto Musical Santa Cecília, que foi uma escola de muito destaque em Santos, cuja proprietária, e diretora, era uma das minhas tias, irmã do meu pai, Maria Amélia, de apelido Mana.
Como sempre estava circulando pelo Instituto, acharam que eu poderia iniciar meus estudos de piano, com aquela pouca idade.
Minha primeira professora chamava-se Angélica, também da família, e que anos depois comentou que eu era muito esperta no teclado. Segundo ela, eu era “muito prosa”, pois gostava de tocar com os olhos fechados, indo “com os dedinhos” nas teclas certas.
Sempre adorei tocar piano. Fiz os 9 anos do curso regular e estudei mais alguns anos. Ao lado do repertório erudito, tocava, e ainda toco, música popular, “tirada de ouvido”. 
Nos tempos da minha infância era muito comum as meninas estudarem piano. As casas eram grandes, e comportavam bem um piano na sala.
Hoje tudo mudou. Poucos são os professores de piano, difícil é ter o instrumento em casa, assim como é difícil os pais terem mais um encargo, o de manter e o de levar os filhos para mais um curso.
A educação musical tem que ser dada de outra forma, aproveitando-se e criando-se oportunidades para a criança ter contato com a música.
E por isso, eu sonhava com o dia de levar minha netinha Isadora a um concerto.
Com alguma frequencia, vou à Sala São Paulo, para as apresentações da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e estava esperando a Isadora completar 7 anos, idade mínima para esse programa, para levá-la a um concerto de piano com orquestra.
E esse dia chegou. Ela completou 7 anos em julho último e, na semana passada fez seu “début” em concerto de piano e orquestra, à noite. E num concerto maravilhoso da OSESP, com o celebrado pianista Nelson Freire, interpretando o Concerto nº 4 de Beethoven.



Única criança na plateia, ela ouviu, e assistiu com admiração o espetáculo especial, participando atentamente de momento tão mágico.

Esperando o início e experimentando o binóculo.
Aplaudiu efusivamente quando a regente Marin Alsop desceu sua batuta.


Muitos aplausos.

Assistimos só a primeira parte do programa da noite, porque o término seria muito tarde. E, também, para introduzir a menininha aos poucos nesse novo mundo. Uma carga muito grande poderia ficar cansativa.
E não é que ao ser avisada de que estávamos indo embora ela disse: mas eu queria ficar mais.
O começo foi ótimo. Ela tranquila, atenta e apreciando muito.
E a vovó, muito feliz.


Essa foi a primeira, mas espero ter inúmeras outras oportunidades para acompanhar minha netinha em programas “mágicos” como esse.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dia de festa





Os filhos crescem, o tempo passa, mas as lembranças de todas as fases de suas vidas permanecem muito vívidas.
E hoje acordei cedo, muito cedo. Acho que, mais ou menos, na mesma hora em que me levantei num outro 1º de outubro para ir à maternidade e recepcionar minha pequerrucha.
Desde então, dia 1º de outubro é dia de comemorar.
Comemorar a existência e a presença da filha, da amiga, e da companheira. E, há 7 anos, comemorar a mãe da pequerruchinha Isadora.
Parabéns, Pri. Que esses sorrisos sejam uma constante na sua vida.
E, repetindo o cartão que lhe escrevi aos 15 anos, "saiba ser feliz".