sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Criança preocupada?

Alerta: conversa de vovó. Para registro.



As crianças sempre nos surpreendem. Fazem e dizem coisas que achamos que estão fora do seu alcance.
Outra noite, recostadas na minha cama, eu e a Isadora conversávamos.
De repente, ela me disse:

- Sabe, vovó, às vezes eu fico tão preocupada com você.
- Por que, minha netinha?
- Ah, porque você fica muito sozinha. Passa os dias sem companhia, e quase não sai de casa.
- Não tem problema, minha linda. A vovó já está acostumada. E a vovó sempre arranja muita coisa para fazer e se distrair.
Na verdade, nunca imaginei que ela pudesse ter esse tipo de preocupação. Ou outra preocupação qualquer. 
Criança preocupada?
Não imaginava essa possibilidade.
É que, passando todas suas férias comigo, ela observou que grande parte dos dias da semana eu fico só.
E é isso mesmo.
Pois, embora acostumada, muitas vezes até eu acho que estou ficando muito tempo só. 


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O que fazer?



Estou sufocada.
Todo ato cruel, todo ato desumano, atinge toda a humanidade.
E a diminui.
Estamos todos diminuídos.
Um jovem preso, sem roupa, a um poste, depois de atacado.
Um cinegrafista, em trabalho, assassinado por efeito de um morteiro atirado por manifestante (s) em protesto.
A violência está generalizada. A cultura do ódio segue firme.
E nós, o que podemos fazer para tentar barrar a escalada da violência, para calar a cultura do ódio?
Não se trata, somente, da violência física. Normalmente, chega-se a essa, depois de muita deformação, depois de muita violência moral.
É a agressividade nas palavras, tão dissseminada, são as ofensas gratuitas, é a empáfia, a arrogância. É o linchamento moral.
E o que podemos fazer?
Sem dúvida, todos temos algo para fazer.
Muitas vezes, sem perceber, estamos contribuindo para a cultura do ódio. Sem qualquer cuidado, sem qualquer exame ou pesquisa, acreditamos em fatos que outros divulgam, e passamos para a frente.
Esses fatos podem conter inverdades, ofensas e falsos julgamentos, e são espalhados causando revoltas e atitudes agressivas.
Há pouco tempo, em São Paulo, o Hospital Sírio Libanês quase foi invadido por manifestantes, depois de uma campanha numa rede social. Ele era apresentado como um templo de desigualdade social.
Coincidência, essa tentativa de invasão, ou resultado de influência nefasta?
Vamos ser cautelosos. Deixemos de colaborar com a cultura do ódio.
Dentro de casa, vamos ter mais cuidados com nossos filhos. Vamos ensiná-los a valorizar a vida, a respeitar o outro. Desenvolver seu lado espiritual. Evitar que vivam situações violentas, que assistam programas violentos.
Vamos fazer nossa parte para que as crianças cresçam sadiamente.
E vamos fazer nossa parte na sociedade. Vamos agir com retidão e solidariedade.
Sim, todos podemos fazer muito.
Tentar resgatar valores esquecidos, como o respeito à pessoa do outro. Desenvolver a tolerância.
E ter efetivamente presentes as palavras de Cristo: “amai-vos uns aos outros”. 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"New look"




Há algum tempo deixei de usar blusas sem mangas e camisetas cavadas. A manga pode ser bem curta, tipo manga japonesa, ou na forma de uma aba, mas sempre está presente.
Acho que isso se deve à vaidade. Não uma vaidade exagerada, mas uma vaidade saudável, para me enxergar arrumadinha. 
Coisas da idade.
Blusas cavadas, e até bermudas, só nas caminhadas pela praia ou em casa.
Mas esse calor exagerado, que nos envolve desde o mês de dezembro, está alterando minha noção de vaidade, e me fazendo adotar um novo visual.
Temperaturas diárias acima de 30 graus, próximas de 40, com sensação térmica superior a isso.
Dia e noite. Noite e dia.
Adeus mangas e manguinhas.
O pior é que, assim como os aparelhos de ar condicionado, as camisetas regatas, e as blusas cavadas, sumiram do comércio. Com dificuldade, encontrei algumas, mas no sistema de olhar e comprar. Sem escolha de cor, ou de modelo.

                                            Amarelo ovo? Sem escolha.

Mas que elas estão me ajudando bastante, isso estão.
Quem sabe passado esse calor absurdo as cavadinhas tenham meu reconhecimento, e passem a integrar meu guarda-roupa?
Será?
Pelo menos no verão.


                                          Meu "début" no novo visual. Entre amigas.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Riscos e medos





A velhice não chega de uma hora para a outra. Sabemos disso. Ela vai se insinuando, e cada dia avança um pouquinho, mas a gente não percebe.
Até que, de repente, começa-se a notar sinais.
Já não se anda tão depressa, já não se lembra com presteza de determinados fatos, já não se tem muito entusiasmo por determinados programas.
E, o pior, começa-se a ficar com determinados receios.
Medo de cair. Daí a cautela ao andar na rua, para não se ser surpreendida por algum desnível, ou buraco.
Medo de ser assaltada. Cautela nas caminhadas, quando se tem que carregar bolsa. É melhor uma bolsa pequena, a tiracolo, cruzada na frente. 
E tantos outros cuidados ...
Mas, por outro lado, não se pode sucumbir aos receios. É preciso, também, estar alerta para evitar exageros.
Será que isso tem mesmo algum risco?
Será que dá para esquecer a idade e agir com segurança?
Tudo isso eu pensei ontem cedo quando, em São Paulo, resolvi me aventurar na 25 de março. Estava querendo comprar uns puxadores de louça para uma penteadeira antiga, vendidos por uma loja lá localizada.
A 25 de março é aquela loucura de gente, trânsito, esbarrões e tudo mais. Mas é um lugar fantástico em produtos e preços.
Há uns três meses que eu pensava em ir até lá, contudo a oportunidade não surgira.
O dia era aquele.
Resolvi. Estou sozinha, mas é assim que vou para lá. Se notar que estou me expondo, compro os puxadores e volto rapidinho.
Cheguei na loja às 8:15h. Maravilha. Descobri que nesse horário cedinho tudo está mais tranquilo. 
Comprei meus puxadores e saí para outras descobertas.
Nessa hora o sol já estava mais forte, e a rua com muito mais movimento. Coloquei meu chapéu, me servi da garrafinha de água e caminhei com firmeza.
Estava, é claro, com uma bolsa a tiracolo, cruzada na frente. Mas nem lembrei dos possíveis desníveis ou buracos na rua, e nem vi riscos. 
Mas vi outras coisas, muitas coisas.
Aleluia!

Foto daqui