segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Éramos todos tão jovens.


Éramos tão jovens!
Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos.
Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente.
Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo.
E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor.
Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss.
Éramos todos tão jovens!
Partimos para a vida. Sem despedidas.
Casamos, tivemos filhos e netos.
E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa.
Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo.
E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida.
E  que, agora sim, num momento qualquer, chega a hora da despedida.