terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O que já foi

Pessoas requerendo cuidados, com ar de cansaço ou desânimo.
Pessoas andando com dificuldade e, muitas vezes, com ar angustiado.
Pessoas muito gordas, ou extremamente magras.
Pessoas com olhar distante ou cabisbaixas.
Pessoas que parecem estar desinteressadas de tudo.
Chamam muitas vezes minha atenção. quando caminho pelas ruas de uma cidade, ou passo rapidamente de carro.
Sempre podem ser vistas, e me levam, em todas essas ocasiões, ao mesmo tipo de pensamento.
Hoje, essa pessoa está assim, mal cuidada, mas um dia foi um nenê tratado com carinho e amor, e que despertava sorrisos ao seu redor.
Está claudicante mas, ali atrás, foi uma criança alegre e saltitante, que corria com amigos, pulava corda, pulava amarelinha.
Ficou muito gorda, ou muito magra, porém há não muito tempo era um(a) jovem elegante, que rodopiava nos salões de baile e, provavelmente, despertava suspiros.
Tem um ar de desinteresse, anda cabisbaixa, contudo já vibrou com conquistas, já foi curiosa.
Quanta mudança!
A rua nos provoca, e nos faz pensar.
E eu não consigo fugir desse tipo de pensamento e busco encontrar, naquela pessoa com quem estou cruzando, os traços felizes dos tempos idos.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Avançando na tecnologia






Três semanas do meu filho Gustavo por aqui, me trouxeram uma enorme atualização tecnológica.
Todos meus equipamentos ficaram interligados. Agora, conversam entre si.
Tudo que coloco em um, fica também nos outros. 
Macbook air, iMac, Iphone, iPad. Parece que sou mesmo uma “vovó” tecnológica só que, volta e meia, fico um pouco confusa com tanta informação.
Mas tenho ajudantes.
Apaguei algo por engano?
E, em seguida, limpei o lixo?
Não tem problema.
O Time Capsule já atuou e arquivou tudo que passou pelo computador.
E ainda existe o recurso do iCloud Drive. Tudo, tudo, fica guardadinho na nuvem.
E tem outra coisa.
Não preciso mais guardar papeis ou lembretes. O Evernote faz isso para mim.
E se for necessário escanear algo, antes de arquivar nesse “espaço" incrível, o próprio Evernote se encarrega. Escaneia a foto, ou o documento, e guarda com sucesso.
No iPhone, no iPad, tenho o leitor de código de barras. Posso fazer pagamentos com facilidade.
Minha agenda de compromissos está pesada. Quero que meus filhos tenham ciência dela?
Fácil. É só compartilhá-la com eles.
Tirei algumas fotos que gostaria que eles vissem de imediato?
Não. Não vou enviar por e-mail. Vai dar um pouquinho de trabalho. Simplesmente, vou usar o recurso do compartilhamento.
E se estiver tranquila escrevendo no iMac e meu iPhone, que está longe de mim, começar a tocar?
Terei que ir buscá-lo no outro aposento?
Não. Claro que não. Estou vivendo numa época de muitos recursos tecnológicos. Posso esquecer do telefone e atendê-lo diretamente pelo computador. Meu ajudante “Yosemite" está aqui para isso.
E quando não quiser redigir perguntas para o google, posso fazê-las oralmente.
E se, depois de um número enorme de recursos, tiver dúvidas até mesmo corriqueiras posso procurar esclarecê-las com a Siri. Ela sempre está de plantão no iPhone. O único problema é que não entende português. Mas com um espanhol básico, ou um inglês bem pronunciado, já é possível  entabular uma boa conversa.
É impressionante. Perguntas variadas dirigidas para uma "voz", e que têm respostas rápidas.
Para onde estamos indo?
E não é que um diálogo do Gustavo com a Siri me fez lembrar do filme Ela

domingo, 9 de novembro de 2014

Na roda da vida




Felizes.
Assim estamos todos.
Nosso "menino" chegou para alguns dias entre nós, e fomos buscá-lo no aeroporto.
E nessa hora, toda aquela distância, que existe entre nosso país e aquele em que ele vive, parece que nunca existiu.
Estamos todos juntos. Pisando no mesmo solo, e com o mesmo fuso horário.
Isso acontece pouco, e precisa ser bem vivido.
As distâncias são enormes, mas a roda gira e o amor é o mesmo de sempre.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Envelhecimento





Envelhecer, não é fácil. 
Para ser um processo mais tranquilo, é preciso uma preparação durante a caminhada da vida. Desenvolver interesses, cuidar-se, conviver com pessoas amigas e afetivas. Saber enfrentar problemas, ter olhos abertos para a beleza e ouvidos atentos para a música.
Mas, não é fácil.
E as limitações físicas, que vão se instalando, obrigam a uma mudança bem acentuada. Felizmente, são limitações que não surgem subitamente. Pouco a pouco, passamos a sentir uma dificuldade aqui, outra ali.
Pensei nisso tudo, ao ler uma entrevista interessante com a atriz Marieta Severo, que no último dia 2/11 completou 68 anos de idade.
Ela entende que a idade traz um olhar mais generoso, vai apurando o olhar que se tem para o outro. 
Mas, ao ser indagada sobre o lado ruim do passar da idade, responde:
" O limite físico. Isso é uma chatice. Sempre fui uma pessoa com muita energia, mais que o normal. Não consigo mais fazer as 500 coisas que eu fazia antes. Minhas filhas sempre me dizem: ‘mas mamãe, ninguém faz 5oo coisas. A gente não aguenta fazer 500 coisas’. Agora eu não consigo. Preciso descansar, ficar mais quieta. A decadência física é muito chata. Não é a ruga no rosto que me incomoda. É você não poder mais tomar um vinho, comer um filé com molho e batata frita à meia noite impunemente. Essa limitação é na verdade uma sabedoria da natureza. Porque é pra você ir se despedindo da vida”.
Achei muito interessante porque, em parte, ela respondeu com palavras que eu também uso.
Desde meus tempos de colégio, eu dizia que “fazia 500 coisas”. 
Agora, pensando bem, será que dizia 500 coisas, ou 1000 coisas?
O fato é que sempre fui muito acelerada. Sempre tive muita energia  Já acordava com esperteza e ia emendando uma coisa atrás da outra.
No tempo do trabalho, muitas vezes, na ida ou volta do Forum, ia resolvendo questões pelo caminho.
E, de repente, comecei a sentir cansaço. Assustei.
Numa consulta médica, falei sobre esse cansaço. Minha médica pediu que eu relatasse como era meu dia. Quais eram minhas atividades normais. 
No meio da minha resposta, ela disse: e você acha que, fazendo tudo isso, não é para cansar?
Eu ainda trabalhava, mas percebi que estavam chegando as limitações do envelhecimento.
E hoje, passado mais tempo, e com a velhice instalada, nem penso em emendar uma coisa na outra. Meu ritmo foi se adaptando às novas condições. Tenho que organizar as atividades, e eventuais compromissos, para que sobre tempo para o descanso.
E se antes o descanso noturno era suficiente, agora preciso de uma boa paradinha durante o dia.
Mas, depois do descanso, renovadas as energias, é hora de viver bem.
Sem pressa.
Uma coisa de cada vez.


Aqui, a entrevista.

sábado, 18 de outubro de 2014

Isso ou aquilo?




18 de outubro.
O mês já na sua segunda metade, e não publiquei nada no blog.
Nesses pouco mais de 6 anos de blog, já houve outras épocas de desmotivação, mas agora está demais.
Aquele tempo de abordar coisas interessantes, parece que passou. 
Até penso, às vezes, em algum tema para ser desenvolvido, mas acaba ficando só no pensamento.
E não adianta justificar com a passagem rápida do tempo pois, há muito, as horas e minutos têm rodado num ritmo acelerado.
Aquele sentimento de que o tempo andava devagar, ficou numa época muito distante, lá na infância e primeiros anos da juventude, quando se tem a ideia de ser possuidora de todo o tempo do mundo. Pode-se ir fazendo as coisas com calma, sem atropelo ou ansiedade. O tempo será suficiente para tudo.
Com muitos anos "nas costas", e no corpo todo, as coisas mudam muito. A ideia dominante é que se tem muito para fazer, mas que é preciso acelerar o ritmo. E esse atropelo, talvez explique a desmotivação para algumas atividades. Parece que não se vai dar conta de fazer tudo que se pretende.
E daí, é preciso selecionar. 
Faço isso, ou aquilo?


terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Sonho meu"





“Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu …” 
Essa canção linda foi uma das que serviu de fundo musical para um episódio, também lindo, de um programa de televisão: Família é família.
Como pouco vejo TV não conhecia esse programa, que assisti pela primeira vez na última semana. E fui brindada com uma história tocante, vivida por uma jovem de 28 anos e uma garotinha de pouco mais de um ano.
Mariana, a jovem, é solteira, bem sucedida profissionalmente, e tinha o sonho de ser mãe. E de formar uma família sua.
Inscreveu-se, então, na Vara da Infância e da Juventude, para tornar-se mãe adotiva. Não colocou nenhuma restrição em relação à criança a ser adotada. Deixou claro, inclusive, que aceitaria uma criança eventualmente portadora de HIV.
Não precisou esperar muito. Na lista de pretendentes à adoção, ela era a única que não se importava com a presença do vírus assustador.
E foi assim, que depois de alguns poucos encontros com a graciosa Júlia, ela se tornou sua mãe. Após o segundo encontro, as duas choraram na hora da despedida e foi, nessa hora, que ela percebeu que tinha se tornado mãe, que havia alguém precisando dela.
Em uma semana, sua vida mudou. A Júlia lhe foi entregue. 
Começaram os cuidados, e o aprendizado como mãe. Escola, natação, médico, exames para acompanhamento.
E quando a menininha estava com 18 meses, a repetição dos exames para detecção do vírus. E o resultado fantástico: o HIV não mais aparecia, confirmando que até então ele estava presente por conta dos anticorpos que ela ainda conservava no sangue.
O episódio, cheio de ternura, termina com o aniversário de 2 anos da Júlia, e os sorrisos felizes da criança e da sua mãe.
Júlia encontrou sua família, e Mariana, num gesto de amor, realizou seu sonho e iniciou a sua. 


( A foto foi tirada do vídeo, que se encontra no GNT).

domingo, 31 de agosto de 2014

Estação de águas




Quando criança, eu ouvia falar das "Estações de Águas", como lugares muito procurados por pessoas mais velhas. Lembro que minha vó Olga, de vez em quando, tinha uma temporada de águas acompanhada por seu irmão Augusto e sua cunhada Lilica. O lugar preferido parece que era Águas de Lindoia. Lugar tranquilo, boas fontes de água mineral, balneário com ótimas instalações.
E as águas traziam bons resultados para os achaques que chegavam com a idade.
Em minhas andanças de lazer, já conheci algumas Estações de Água, mas nunca as procurei com o intuito de aproveitar as "milagrosas" águas. Sempre foi para conhecer o lugar, que normalmente é agradável e tem bons hotéis.
Quando se viaja com crianças, uma cidade dessas é uma boa alternativa.
A primeira em que me hospedei foi Águas de São Pedro, com meu filhos ainda pequenos. Não lembro de ter ido atrás de água da fonte, nem de ter usado o balneário, para qualquer procedimento.
Corrijo. A primeira que conheci foi Poços de Caldas, com suas famosas águas sulfurosas. Eu era bem jovem e fui para lá, não por conta dos seus benefícios, mas pela fama do seu carnaval.
E, depois, vieram outras. Águas de Lindoia, Caxambu, São Lourenço, Águas da Prata ...
Tomava um copinho ou outro da água, e pronto.
Mas, agora, parece que chegou minha hora de participar de uma verdadeira Estação de Águas, e confiante de sair daqui mais saudável do que cheguei.
Em dois dias, já tomei bastante água e iniciei o ritual dos banhos.
E tudo isso em Termas de Ibirá, no Estado de São Paulo, que até pouco tempo eu desconhecia por completo.
A qualidade de suas águas parece ser fantástica. Elas contêm o mineral vanádio e, no mundo inteiro, há pouquíssimas fontes dessa água.


Fotos tiradas no Balneário Municipal. Consta que os indígenas da região curavam seus males com as águas vanádicas.

Como estávamos querendo fazer uma viagem pequena, para um lugar que não fosse muito distante, ao ouvirmos as "maravilhas" da água de Termas de Ibirá, resolvemos conferir.
A cidade é bem pequena, simpática, mas muito quente. Tranquila. tranquila.
O roteiro é simples: alguns poucos passeios, muitos copos d'água, banhos de imersão, de hidromassagem, e alongamentos.
Trouxe um livro grande e, para combinar com o "espírito" das estações de água, trouxe meu crochê.

Acredito que, com as inúmeras indicações terapêuticas das águas vanádicas, e levando os procedimentos a sério, alguns dos meus pequenos "achaques" hão de obter melhoria.
E eu, com o Berto, estaremos passando uns dias prá lá de calmos.
Afinal, chegou minha hora de aproveitar as "Estações de Águas".
Contudo, isso não quer dizer que deixarei de lado as outras viagens, movimentadas, ou não, por esse mundo afora.