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Domingo

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Hoje é domingo. Na verdade, todos os dias estão com cara de domingo. Ou de segunda, ou de sábado, ou de outro qualquer. Todos parecidos. Mas para nos mantermos bem, precisamos de algumas diferenças.  Hoje é domingo.  Que tal colocar roupa de domingo? 
Não. Isso era coisa de um passado distante, como o de quando eu era criança. Tínhamos roupa de domingo. Na minha casa, de muitas crianças, lembro que minha mãe deixava as roupas de domingo separadas, prontas para serem vestidas logo cedo, para que chegássemos na Igreja no horário da missa. Roupa de domingo, roupa de festa, roupa de sair, roupa de brincar. Para as crianças, isso era bem regrado. Pois, é. Hoje é domingo. Vou colocar uma roupa de sair. Vou passar batom e colocar brincos. Talvez um colarzinho. Vou fazer uma sobremesa. Vou colocar na mesa uma toalha de domingo. E, assim, mudar o visual da semana que, em busca da simplificação, é o mesmo em todos os dias. Vou colocar cálices para um vinho do Porto. E vou escutar muita música. Vou olhar muita…

Mais um mês

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Quase um mês sem escrever por aqui. Um mês como os outros dois que o antecederam. Em confinamento, procurando enfrentar da melhor forma possível essa temporada difícil. E que se mostra com as dificuldades potencializadas, por conta do desgoverno nacional a que estamos submetidos. Sem dúvida, essa situação absurda da má política, deixa mais assustador o cenário trazido pelo vírus. Com isso tudo, embora procurando usufruir de tudo de bom que me rodeia, às vezes dou uma vacilada e fico meio abatida.  Respiro fundo, olho pela janela, penso nas coisas boas e aguardo o mal estar passar. Foi um mês produtivo na cozinha, na costura, e no lazer, pelo cinema. Muita música mas, não sei por que, pouca leitura. Estou na leitura do livro Carmen, do Ruy Castro. Seu problema é a letra muito pequena, que dificulta a leitura à noite.  Assisti duas séries inteiras, Anne com E (Netflix), e Homecoming (Amazon). Vi alguns filmes muito bons, entre os quais Sementes Podres (pena o nome) com Catherine Deneuve, A Sen…

Mudança de hábitos

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O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços. Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes. Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar. Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar. Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia. Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares. O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o dia em exaustão, e era prec…

Cotidiano

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"Todo dia ela faz tudo sempre igual"... Maravilhoso Chico. Tenho ouvido bastante o Chico Buarque, e muitos outros nesse prolongado isolamento. A música acalma, a música eleva o pensamento. E a verdade é que tenho feito quase tudo igual. Dentro da limitação imposta pelo confinamento, só é possível a variação dentro dos mesmos temas. Há dias em que me dedico à costura criativa, procurando fazer algum trabalho novo. Em outros, repito algo que já fiz antes, mudando algum detalhe e os tecidos. Há dias em que "invento" alguma receita de cozinha, para aproveitar algum ingrediente que precisa ser usado, ou alguma sobra boa de uma refeição anterior. Há dias em que experimento uma receita nova, e outros em que vou em busca de uma receita do passado. Há dias em que escrevo bastante, e outros em que leio. Há dias em que toco piano, e dias em que ouço o piano tocado por outros. Há dias em que vejo um episódio de alguma série, e outros em que assisto a um filme. E assim, há pequenas varia…

47 dias

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Sim, estou dentro de casa há 47 dias.  Até sinto que o tempo está passando rápido. Nem bem a semana começa, e percebo que estamos chegando na sexta-feira. Talvez pelas muitas atividades que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Estou bem. Consegui me afastar quase que totalmente do noticiário, pesadíssimo não só pelos dados de saúde, como pelos acontecimentos políticos causados por uma cambada de irresponsáveis. Com a distância das notícias, a tensão diminui. Até lembrei do ditado antigo: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Mas hoje acordei meio balançada, meio melancólica, como disse para o Berto.  Olhei pela janela e vi o mar lindo, paisagem que me acalma, me faz feliz. Só que, dessa vez senti vontade de poder sair, de passear um pouco, de caminhar na beirada do mar. E, esquecendo o propósito de viver o dia da melhor forma, sem preocupação com o futuro, pensei na possibilidade de ter que esperar muito tempo, um tempo que não tenho como avaliar, para poder descer do meu aparta…

Crepúsculo esplendoroso

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Hoje é feriado, dia em que, muitas vezes, saía para alguma caminhada, e para aproveitar a beleza da praia.  Atualmente, dentro de casa, também tenho o privilégio de poder aproveitar a natureza pelo visual, até onde meu olhar pode alcançar. E o que vejo é de uma beleza enorme, nas várias horas do dia, nas diferentes fases da lua, e pela tábua das marés. Maré baixa, maré alta, mar tranquilo, mar agitado... É uma visão maravilhosa. Pensando nisso, lembrei de um fim de tarde de dias atrás, em que o por-do-sol foi especial.  O espetáculo começou às 17:45 h e se estendeu até as 18:10h. Fascinante, de beleza ímpar. Mereceu ser registrado e, agora, compartilhado.


Começou assim.








E no final, esse deslumbramento.





Nota: A foto do início foi tirada hoje, 21/04/2020, às 17:03h.


Páscoa 2020

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Não sou só eu a pensar, e a dizer, que jamais imaginaríamos viver uma situação como estamos vivendo. Sob a ameaça constante de um inimigo perigosíssimo, que parece estar à espreita de uma distração nossa, para nos atingir e derrubar. Com isso, é evidente que somente um isolamento social completo ajuda a minorar não só o risco de aumento de contágio, como a tensão em que estamos mergulhados. E nesse clima, a Páscoa, chegou e passou sem a tradicional reunião de família. Cada um em sua casa, festejando à sua maneira. Houve até coincidência de pratos, com o bacalhau ocupando o lugar de destaque.


Eu e o Berto preparamos nosso almoço e, na hora de arrumar a mesa, senti falta dos meus enfeites de Páscoa. Todos os anos decoro a mesa com os enfeites básicos, que juntei durante alguns anos, e acrescento os ovinhos de chocolate e bombons. Os enfeites, todos guardados em armários altos. Não poderia pegá-los. Os ovinhos, não tinham feito parte das nossas preocupações com compras. Montei a mesa e resolvi:…