domingo, 9 de julho de 2017

Golpe de dor





Sabíamos que nada é para sempre, e que nossa irmandade completa, mais dia, menos dia, sofreria baixas.
Nove irmãos unidos por laços fortes, instituídos, seguramente, pela feição dada à família por nossos pais Joaquim e Norma, e que ao longo de anos e anos conseguiram manter vivos a fraternidade e o sentimento de família.
Sabíamos que nada, nem ninguém, vive para sempre.
Mas achávamos que ainda teríamos muitos anos de convivência da irmandade completa. E nem cogitávamos da possibilidade de uma quebra instantânea.
Só que, inesperada e instantaneamente, fomos atingidos por um golpe fatal. 
Nosso irmão Joanor, o primogênito, nos deixou sem qualquer aviso. Assim, de um minuto para outro. 
Ele, tão forte, tão saudável, tão cheio de vida, e que tinha tudo para viver bem, ainda por bastante tempo, veio a perder tudo isto repentinamente.
E nos deixou perplexos, e imersos numa dor profunda.
Ficaram as muitas lembranças da convivência.
Suas brincadeiras, sua voz afinada entoando principalmente tangos, que tanto amava.
Seu porte bonito, sua seriedade, bondade, simpatia.
Seu prazer pela comida caseira, pelos doces que lembravam nossa infância, entre os quais o manjar branco. Seu entusiasmo declarado, quando era recebido com um cafezinho e uma fatia de bolo.
Seu tom de voz forte, seu carinho “envergonhado”.
Tinha uma forma peculiar de me chamar , apelido afetivo que só ele usava.
E, ao telefone, quando solicitado a se identificar para que eu recebesse a informação de qual o irmão estava me chamando, dizia prontamente: "fale para ela que é seu irmão mais bonito e mais inteligente”.
E na sua despedida final, no meio de toda nossa tristeza, a imagem forte que tivemos foi a da beleza.
Como você partiu bonito, meu querido irmão!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

O novo do Ano Novo.





No Natal de 2016, uma presença diferente: o Cacau, cachorrinho da Isadora.
Vieram todos de São Paulo, e ficaram hospedados comigo. Antes de virem, a Priscila me disse que ela e a Isadora iriam passar a entrada do ano numa praia do litoral norte de São Paulo, e me perguntou se o Cacau poderia ficar por aqui.
Respondi que sim, na linha de que não havia outra opção.
Mal sabia eu que o Cacau não mais voltaria para sua casa em São Paulo. A partir daquele dia, ele se transformaria em “cão santista”.
Nos primeiros dias ele sentiu muita falta das duas companheiras. Não comia, não bebia água, não brincava.
Logo depois se afeiçoou a mim e ao Berto. Passou a nos seguir, e a ficar grudado aos nossos pés. Sentados, ou em pé, sempre tínhamos o Cacau encostadinho nos nossos pés. Tanto que o Berto lhe deu o apelido de “chulé”.
Terminados os dias de férias em Guaecá, as meninas voltaram e encontraram o Cacau ultra adaptado.
Parece que ele estava adivinhando que sua vida iria mudar totalmente, e que ele precisaria marcar seus espaços para viver bem. Escolheu um cantinho para ficar em momentos de tristeza, um para eventualmente comer seus biscoitinhos, um para se divertir com seus brinquedinhos. O cantinho da higiene lhe foi indicado logo no primeiro dia, e sempre foi respeitado.
Ficou muito feliz com a volta da Isadora e da Priscila.
E, mais feliz ainda, porque não precisaria sair de Santos. 
Aqui continuaria com suas companheiras que, praticamente de um dia para outro, decidiram que iriam mudar de vida: também ficariam em Santos.
E a vovó, que dera uma autorização hesitante para hospedar o Cacau, passou a ter certeza que essa grande mudança foi o que melhor poderia ter acontecido para todos. Ar de felicidade, muitos sorrisos, novas atividades, brincadeiras e, no meio de tudo, o Cacau nos nossos pés.
Ele está tão certo de que está vivendo bem que, se por algum motivo for chamado para entrar no carro, resiste fortemente, como que dizendo que não quer voltar para sua casa antiga.
Tudo isto, nos primeiros dias de 2017. Este ano promete!


sábado, 31 de dezembro de 2016

Sonhos para o novo ano


Quero continuar a envelhecer bem. Se possível, somente com os desgastes naturais do passar do tempo.
Quero receber muito amor e carinho. Ser olhada com compreensão e afeto.
Quero conviver com pessoas leves, alegres, de bem com a vida.
Quero ter muitos motivos para me sentir feliz.
Quero ter muitas ocasiões para dar risadas.
Quero ter boas oportunidades de passeios e viagens.
Quero ter sonos tranquilos, pernas boas para caminhadas, ouvidos bons para bons sons, visão boa para todo tipo de beleza.
Quero ter mãos e dedos bons, para dedilhar as teclas do meu piano, e fazer os pontos do meu crochê.
Quero ter boas conexões e entendimento, para continuar com meus escritos e leituras.
Quero manter meu encantamento e entusiasmo pela vida.
Quero viver muito bem em família.
Quero sentir tudo de bom que a vida pode dar.
E, em troca, quero dar o meu melhor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ano difícil


Meu blog tem 8 anos e meio e, durante todo este tempo, escrevi bastante. Principalmente nos seus primeiros anos.
Logo no seu início, os temas giravam mais sobre crianças, relacionamentos de mães com filhos e atuação das avós. Eu era vovó recente, e havia criado o blog entusiasmada pelo meu novo estado. Seu nome era Blog da vovó.
Contudo, em pouco tempo, temas diversos foram pululando no meu pensamento e entendi que precisava alterar o nome do blog. Para, inclusive, facilitar o entendimento do seu conteúdo, que não seria somente o de “conversas de vovó”. 
Alterar o nome, mas sem grandes mudanças, porque já era conhecido.
Foi assim, que a partir de dezembro de 2008, ele passou a se chamar Blog da vovó … mas não só.
Os anos seguintes renderam bastante. Histórias da netinha, da família, viagens, culinária, trabalhos manuais, livros, filmes, reflexões de diversas ordens.
Depois, a produção foi espaçando, rareando, até que, neste ano de 2016, quase se encerrou.
Até agora, mês de dezembro, foram somente três publicações, quatro com esta.
Nessa altura, para mantê-lo com alguma atualização, só fazendo uma retrospectiva ainda que bem resumida.
Na vida pessoal, e familiar, bons resultados, muitas alegrias, satisfatório enfrentamento de dificuldades, muito empenho para entender as diferenças, e boa saúde para a caminhada.
Na vida em sociedade, muito estresse, muita preocupação, desencanto e distanciamento. Tudo por conta da situação política do país.
2016 foi um ano difícil. O pior, é que começou antes, e dificilmente terminará no dia 31 de dezembro.
E tudo teve início quando, por falta de aceitação do resultado da eleição presidencial, o país foi jogado no caos.
Difícil entender como isso pode ter acontecido. É evidente que, em todo processo eleitoral, sempre há os vencedores e os perdedores. Encerrado o processo, os perdedores sofrem com a derrota, mas a vida continua. Quem sabe possam ser vencedores em outra ocasião. 
Os que disputaram a eleição, os que torceram por uns e por outros, os indiferentes, enfim, a sociedade, logo se aprumam e retomam o caminho.
Desta vez, contudo, parece que a vida não continuou. Rompeu-se. Ficou em cacos. 
Difícil retomá-la. As pessoas passaram a se estranhar, nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas famílias. 
E não há como viver em sociedade sem ser afetado pelo que nela ocorre.
Assim, rodeada pelo clima de intolerância, de violência, de desrespeito, vivendo inúmeras decepções, e estupefata diante dos rumos do país, senti-me tolhida na escrita. Ideias, existiam. Mas o desânimo, decorrente de um grande sentimento de impotência, me desmotivou. 
A impressão que tive, no decorrer deste ano, é que só os temas desagradáveis fluiriam. E melhor era não lhes dar espaço.
Daí, a produção mínima. Ano difícil.




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Coisas da idade


Enquanto tomava café da manhã, pensei: quando terminar, vou ver se o aquecedor está ligado, ou se ainda está desligado desde ontem.
Enquanto me arrumava para sair, pensei: vou colocar uma barrinha de cereais na bolsa, para o caso de sentir fome enquanto estiver na rua.
Chegou a hora do banho e, quando estava entrando no chuveiro lembrei … que não havia olhado se o aquecedor estava ligado.
Saí de casa, e quando estava no meio do caminho, lembrei da barrinha de cereais, que não havia colocado na bolsa.
E o telefonema que eu ia dar logo cedo, e que só foi lembrado novamente na hora em que fui dormir?
É assim mesmo que as coisas acontecem. 
Os avançados em idade sabem que têm que fazer o que pretendem na exata hora em que pensam naquilo. Caso contrário, correm o risco de não lembrarem, ou de lembrarem muito depois.
Onde estão meus óculos? As chaves do carro?
Onde está aquela caneta que tanto gosto?
O segredo é colocar os objetos sempre no mesmo lugar. Não dá para colocar os óculos em um lugar de passagem, achando que será fácil encontrá-los. Não será. 
E o chaveiro, se não estiver no lugar certo, poderá estar em qualquer bolsa, ou sobre qualquer móvel. Ou em qualquer canto.
Alguém viu minhas chaves?
Fácil é encontrar os objetos, quando estão nos lugares que lhe são destinados. E nada de mudar de lugar. Isso só irá dificultar.
E os compromissos? Será que com a idade eles são mais numerosos?
Até parece, porque de repente passamos a achar difícil memorizar os dias e os horários de médicos, dentistas e outros.
Solução?
Agenda neles.
E agenda, também, para todas aquelas pequenas providências que se deve tomar durante o dia.
Por melhor que seja a memória na velhice, é quase impossível escapar dessas situações complicadas.
O importante, então, é seguir as regras: 
manter uma agenda atualizada; 
guardar os vários objetos sempre no mesmo lugar, 
e agir de imediato, sempre que pensar em fazer algo “daqui a pouco”.
São regras simples, mas que não podem ser deixadas de lado.
Se cumpridas, o dia a dia vai ficar bem mais fácil. Com certeza.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Estar, para ser


Cada vez mais, tenho dificuldade para entender a necessidade de exposição em redes sociais.
Principalmente a exposição de sentimentos.
Pais, que vivem ao lado dos filhos, precisam vir a público para dizer aos filhos quanto os amam. Eles não estão se dirigindo ao público, mas sim aos filhos. É lógico que o público também fica sabendo.
O mesmo, em relação aos filhos. Parece que o amor que têm aos pais só é verdadeiro se for divulgado. E não estão dizendo ao mundo que amam seus pais, mas dizendo aos pais, via rede social, que sentem amor por eles.
Parece que os sentimentos só são verdadeiros se alardeados.
Eu estou ao lado de alguém por quem sinto amor, mas esse amor só será real se for exposto.
Vou ser gentil com alguém, vou fazer um agrado a um próximo. Preciso de registro. Preciso publicar. Caso contrário, meu ato será incompleto.
Ah, também preciso informar ao mundo que acordei, que vou dormir, que estou com insônia.
Privacidade?
Daqui a pouco desaparecerá por completo.
Cresci em outro mundo. O mundo da discrição, do cuidado no linguajar, da condenação à maledicência.
Mas, de repente, tudo mudou com muita velocidade.
E por isso, além de ter dificuldade para entender essa necessidade de exposição, me aflijo ao pensar nas crianças e adolescentes que estão sendo moldados pelas redes sociais.
Realmente, viverão em outro mundo.

terça-feira, 8 de março de 2016

É a vida.






Há bastante tempo ela queria um cachorrinho, mas o fato de morar em apartamento, e de ainda ter pouca idade para se responsabilizar por cuidados, foi adiando a realização do sonho.
Até que, em primeiro de fevereiro foi com sua mamãe a um órgão municipal de adoção de animais, para escolher seu cachorrinho.
Na verdade, quem a escolheu foi o animalzinho, que se chegou procurando colo. Vivia ali há algum tempo, com idade calculada entre 7 e 8 anos, o que levou o veterinário a perguntar-lhe se não preferiria esperar um filhote.
Ela não quis esperar. Ficou firme na escolha, e saiu feliz com o seu “Zig”. 
Embora tivesse pensado em outros nomes, conservou aquele que o acompanhava. 
Sua mamãe agendou veterinário, que atestou as boas condições físicas do cachorrinho.
E daí, começou a nova rotina na casa.
A menininha acordava cedo e já se arrumava para descer com seu cachorrinho. Na hora da escola, o Zig ia acompanhando sua caminhada. No final das aulas, lá estava ele esperando por ela.
Em casa, brincadeiras, muito carinho, muito envolvimento.
De repente, o Zig ficou doente. Um veterinário, outro veterinário. Exames de sangue, eletrocardiograma, ultra-som.
Falta de diagnóstico.
O Zig não quer se alimentar. Papinhas feitas com todo amor. Não quer. Só aceita água.
Idas à clínica para tomar soro.
Até que, no dia 3 de março, na clínica onde tomava soro, ele fechou seus olhinhos para sempre.
Disse o veterinário, então, que na verdade ele não teria 7 ou 8 anos mas, provavelmente, 15 anos.
Zig viveu seu último mês em amor total, fazendo a menininha muito feliz, mas deixando uma grande saudade.
E Isadora, minha querida netinha, nos seus 9 anos de idade, passou num só mês por uma intensa e dolorida experiência de vida. 


Alguns registros felizes:

1. Zig entrando para a família.


2.Recebendo carinho.




3. Brincando no Carnaval.




4. Fazendo feliz.

E, como final, palavras escritas pela Isadora no seu Instagram sobre o Zig:
" Meu querido Zig, nunca vou te esquecer .nesse último mês da sua vida, você me deu todo o seu amor e eu te dei o meu. 
 parece que todo esse mês passou em uma hora! Foi muito rápido, mas com certeza esse foi o 
melhor mês da minha vida. Mamãe vai sempre te amar!