sábado, 28 de fevereiro de 2015

Tempos difíceis


Parece que uma das regras para nos sentirmos bem, é a ausência de expectativa em relação aos outros. Nada de esperar determinadas respostas, nada de aguardar determinadas ações.
Outra, é não termos preocupações com aqueles que nos são próximos.
Devemos tentar nos desligar de eventuais dificuldades ou problemas que possam estar enfrentando.
E devemos fugir das saudades. Porque elas podem doer.
E, ainda, é preciso que não nos emocionemos a cada instante.
Serão essas as regras para que fiquemos bem?
Distantes, quase desligados.
Indiferentes?
Tiramos isso, tiramos aquilo.
Deixamos de pensar nos outros, evitamos esperar respostas, procuramos não sentir falta ou saudades.
O que nos sobrará?


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Hiperrealismo



Aproveitando bem um fim de semana em São Paulo, fomos ver a exposição do Ron Mueck, na Pinacoteca de São Paulo.
A simples ida à Pinacoteca já vale o passeio. O prédio tem uma arquitetura linda e fica no simpático Jardim da Luz, no centro da cidade.


É o mais antigo museu de artes de São Paulo, tendo sido fundado em 1905 e, até 1989, dividiu espaço com a Faculdade de Belas-Artes. 
De 1994 a 1998, o prédio passou por uma grande reforma, com projeto do renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Por esse projeto, o arquiteto foi merecedor  de um importante Prêmio Internacional.




O acervo da Pinacoteca é valioso, e representativo da arte brasileira, e muitas são as exposições temporárias que ela abriga.
Desta vez a atração estava nas fantásticas esculturas de Ron Mueck, australiano que se serve basicamente de fibra de vidro, silicone e resina, para seus trabalhos hiperrealistas.
As esculturas representativas de pessoas ou são enormes, ou menores que o normal. Os detalhes são perfeitos: a pele, os cabelos, o brilho dos olhos. 




As filas para a visita à exposição sempre estavam enormes, mas exercendo nosso direito à prioridade, como já contei aqui, conseguimos, juntamente com a netinha, apreciar obras tão interessantes.




Foi um programa muito agradável.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Só no Brasil, mesmo.




Só aqui para isso acontecer. Só no Brasil, mesmo.
Quantas e quantas vezes escutamos isso. E nas mais variadas situações.
Mas sempre com sentido de menosprezo, ou crítica a comportamentos inadequados.
Não entro nesse coro. Quero falar com bastante entusiasmo, e com sentido de enorme orgulho: só no Brasil mesmo. Só aqui para isso acontecer.
Qual o lugar em que existe legislação garantindo o direito prioritário para os idosos?
Qual o país que assegura, em espetáculos, museus, cinemas, e muito mais, ingressos mais baratos para idosos?
Hoje estivemos na linda Pinacoteca de São Paulo, para visitar a comentada e surpreendente exposição de Ron Mueck.
A fila contornava o quarteirão, e por perto não havia lugar para estacionarmos o carro.
Não tivemos problema.
Nos jardins da Pinacoteca é permitido o estacionamento de veículos de idosos, ou de portadores de necessidades especiais.
Estacionamos com facilidade.
Depois, perdemos pouquíssimos minutos numa pequena fila de idosos, unicamente para pegarmos nossos ingressos. Sem qualquer pagamento.
Em seguida, estávamos prontos para a visita. Tranquilos e sem cansaço.
Mas, e se tivéssemos que ficar debaixo do sol, numa fila quase que interminável?
Estaríamos bem para ver a exposição?
Felizmente, aqui no Brasil, estamos livres das filas.
Reconheço que muitas vezes é difícil exercer esse direito. Mais por falta de cidadania de algumas pessoas que estão na fila, e que não entendem a importância desse direito para os mais velhos.
Nas minha andanças pelo mundo, não estive em qualquer país em que tenha observado  a existência de direito preferencial de atendimento aos idosos. É fila, fila mesmo.
E isso também em relação a ingressos para museus ou espetáculos. Conheci poucos lugares que concedem algum tipo de desconto.
Portanto, vale a pena afirmar: só aqui para isso acontecer.
Só no Brasil, mesmo.



domingo, 25 de janeiro de 2015

Turismo em Santos




Há tempos não fazia turismo na minha cidade.
Mas nessa semana, embora o calor escaldante, saí para turistar. Logo no início da semana, acompanhei uma amiga norte-americana, residente no Peru, nas suas primeiras andanças em Santos.
E, ontem, fui conhecer o Restaurante-escola “Estação Bistrô”, que funciona na antiga Estação do Valongo, construída pela empresa inglesa São Paulo Railway, e inaugurada em fevereiro de 1867.



Por mais de um século, a Estação do Valongo recebeu passageiros vindos de Jundiaí, e de São Paulo, para Santos. Infelizmente, com a extinção do transporte ferroviário de passageiros, a estação foi desativada e ficou fechada durante vários anos.
Com a revitalização do Centro Histórico de Santos, surgiu um projeto de parceria entre o Ministério de Turismo, a Prefeitura Municipal de Santos e a Universidade Católica que permitiu a instalação e o funcionamento do Restaurante-Escola, para capacitar jovens de 16 a 20 anos, que vivem em situação de vulnerabilidade pessoal e social.
O projeto é muito interessante e de grande valor educativo. Os jovens, cadastrados no Centro de Referência de Assistência Social, participam de cursos ministrados por professores da Universidade Católica de Santos e, ao mesmo tempo, sob supervisão, exercem funções no restaurante. Passam por rodízios, participando de todas as atividades de um restaurante.
O espaço é lindo e elegante, no térreo do prédio de arquitetura neoclássica.



Arcos, painéis de ferro, espelho bem colocado, e um curioso lustre com xícaras e bules pendurados, talvez para lembrar que pelos velhos trilhos da estação houve muito transporte de café.


Gostei demais de ver os jovens, alguns com camisetas verdes e outros de amarelas, servindo as mesas com atenção. E, os demais, atuando na cozinha e no bar. Saí de lá, torcendo para que tenham a oportunidade de atuar profissionalmente, ao fim do curso técnico. 



A comida estava saborosa e bem apresentada.



E ontem, 24/01, para festejar antecipadamente o aniversário da cidade de Santos no próximo, os pratos oferecidos continham ingredientes ligados à cidade, como a meca, o café, a banana e a pupunha.


Foi um programa muito agradável, e que merece ser repetido. Também incluiu uma visita à Igreja de Santo Antonio do Valongo, ao lado da Estação, e que logo será contada.


O Restaurante Estação Bistrô fica no Largo Marquês de Monte Alegre, 2, Valongo. Funciona de terça a sábado, do meio-dia às 15 horas.

Pela sua frente passa o Bonde Turismo, e ali também está o Museu Pelé. 


                                                                 Museu Pelé.



domingo, 18 de janeiro de 2015

Existência





Estou só.
(Guimarães Rosa)

"Eu estou só.
O gato está só. 
As árvores estão sós.
Mas não o só da solidão: o só da solistência".

O sol está forte, a manhã está linda. 
Caminhando pela praia, na beira do mar, vou cruzando com pessoas de todos os tipos. Altas, baixas, gordas, magras.
Muitas, aos pares. Algumas, em grupos.
Mas há as que estão sós. Talvez porque prefiram assim. Talvez porque não tenham com quem compartilhar a manhã luminosa.
Entre as que estão em grupos, muitos jovens.
Entre as que estão sós, muitos idosos. Mas estão lá. Caminhando, vivendo a manhã tão clara e quente.
Estarão sós por escolha? Serão mais sós que os demais?
Todos somos sós.
Todos somos sós?




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano.





Antes que o dia termine, antes que o ano termine, vim correndo até meu blog para arrematá-lo.
Nesse ano, os pontos dados não foram muitos. Alguns foram alinhavados mentalmente, mas não chegaram a se transformar em caseados, pontos cheios ou bordados vários. 
Mas é preciso um arremate.
Os dias se sucedem, os meses passam e o ano termina. Tudo começa e recomeça. Tudo igual, tudo diferente. Marcas vão ficando. Coisas novas vão surgindo.
O importante é que encerramos esse ciclo muito bem. Todos juntos. Em presença. Em pensamentos.
Todos bem. 
E no meu descanso após o almoço, que excepcionalmente teve sono de verdade, sonhei com minha mãe.
Sonho bom.
A bênção, mãe. A bênção, pai.
Um novo ano está chegando.
Feliz 2015!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O que já foi

Pessoas requerendo cuidados, com ar de cansaço ou desânimo.
Pessoas andando com dificuldade e, muitas vezes, com ar angustiado.
Pessoas muito gordas, ou extremamente magras.
Pessoas com olhar distante ou cabisbaixas.
Pessoas que parecem estar desinteressadas de tudo.
Chamam muitas vezes minha atenção. quando caminho pelas ruas de uma cidade, ou passo rapidamente de carro.
Sempre podem ser vistas, e me levam, em todas essas ocasiões, ao mesmo tipo de pensamento.
Hoje, essa pessoa está assim, mal cuidada, mas um dia foi um nenê tratado com carinho e amor, e que despertava sorrisos ao seu redor.
Está claudicante mas, ali atrás, foi uma criança alegre e saltitante, que corria com amigos, pulava corda, pulava amarelinha.
Ficou muito gorda, ou muito magra, porém há não muito tempo era um(a) jovem elegante, que rodopiava nos salões de baile e, provavelmente, despertava suspiros.
Tem um ar de desinteresse, anda cabisbaixa, contudo já vibrou com conquistas, já foi curiosa.
Quanta mudança!
A rua nos provoca, e nos faz pensar.
E eu não consigo fugir desse tipo de pensamento e busco encontrar, naquela pessoa com quem estou cruzando, os traços felizes dos tempos idos.