terça-feira, 8 de março de 2016

É a vida.






Há bastante tempo ela queria um cachorrinho, mas o fato de morar em apartamento, e de ainda ter pouca idade para se responsabilizar por cuidados, foi adiando a realização do sonho.
Até que, em primeiro de fevereiro foi com sua mamãe a um órgão municipal de adoção de animais, para escolher seu cachorrinho.
Na verdade, quem a escolheu foi o animalzinho, que se chegou procurando colo. Vivia ali há algum tempo, com idade calculada entre 7 e 8 anos, o que levou o veterinário a perguntar-lhe se não preferiria esperar um filhote.
Ela não quis esperar. Ficou firme na escolha, e saiu feliz com o seu “Zig”. 
Embora tivesse pensado em outros nomes, conservou aquele que o acompanhava. 
Sua mamãe agendou veterinário, que atestou as boas condições físicas do cachorrinho.
E daí, começou a nova rotina na casa.
A menininha acordava cedo e já se arrumava para descer com seu cachorrinho. Na hora da escola, o Zig ia acompanhando sua caminhada. No final das aulas, lá estava ele esperando por ela.
Em casa, brincadeiras, muito carinho, muito envolvimento.
De repente, o Zig ficou doente. Um veterinário, outro veterinário. Exames de sangue, eletrocardiograma, ultra-som.
Falta de diagnóstico.
O Zig não quer se alimentar. Papinhas feitas com todo amor. Não quer. Só aceita água.
Idas à clínica para tomar soro.
Até que, no dia 3 de março, na clínica onde tomava soro, ele fechou seus olhinhos para sempre.
Disse o veterinário, então, que na verdade ele não teria 7 ou 8 anos mas, provavelmente, 15 anos.
Zig viveu seu último mês em amor total, fazendo a menininha muito feliz, mas deixando uma grande saudade.
E Isadora, minha querida netinha, nos seus 9 anos de idade, passou num só mês por uma intensa e dolorida experiência de vida. 


Alguns registros felizes:

1. Zig entrando para a família.


2.Recebendo carinho.




3. Brincando no Carnaval.




4. Fazendo feliz.

E, como final, palavras escritas pela Isadora no seu Instagram sobre o Zig:
" Meu querido Zig, nunca vou te esquecer .nesse último mês da sua vida, você me deu todo o seu amor e eu te dei o meu. 
 parece que todo esse mês passou em uma hora! Foi muito rápido, mas com certeza esse foi o 
melhor mês da minha vida. Mamãe vai sempre te amar! 




domingo, 6 de dezembro de 2015

Viver e morrer


Em abril de 2013, assisti o musical Alô Dolly, em São Paulo, e fiquei encantada com a atuação da protagonista Marília Pêra. 
Durante duas horas ela dançou, cantou, interpretou e seduziu o público.
Na ocasião, ela estava com pouco mais de 70 anos e, inspirada nela, escrevi um pequeno texto sobre “Envelhecer bem”.
Sim, ela estava em pleno vigor de vida. Ágil, com postura perfeita, fazendo aquilo que amava.
Passados pouco mais de dois anos e meio, chega-nos a notícia da morte da atriz.
Ela que estava tão bem, e a quem a palavra velhice parecia tão inadequada, encerrou sua trajetória entre nós. Abatida por doença grave.
Será que quando a assisti, o processo da doença já estava em andamento?
É possível. Mas lá estava ela no palco, vivendo e brilhando.
A suposição é que, enquanto conseguiu, manteve seu trabalho. O mesmo trabalho que, feito com amor, fez com que envelhecesse bem.
Porém, para todos existe um ponto final. Aquele que nasce, morre.
Nada, contudo, afasta a importância da busca por um envelhecimento bom. 
Viver próximo de quem se ama, fazer o que se gosta, procurar a alegria, a paz, manter bons pensamentos, exercitar-se. E, para quem gosta, ler bons livros e escutar muita música.
Isso, somado a uma boa genética, parece garantir um bom envelhecimento. 
Bom envelhecimento, mas nunca uma vida sem fim.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

E o tempo passou!



Desde agosto que não escrevo por aqui.
Nem sei bem o motivo.
Até que, hoje, me dei conta que o tempo passou.
Não pelo fato de já ser dezembro, mas por perceber, mais uma vez, que minha netinha está quase me alcançando em tamanho.
Sem dúvida que esse dia iria chegar. Mas chegou muito rápido. A lindinha tem só 9 anos!
Criei esse blog em junho de 2008, motivada pela minha então recente vida de avó.
Minha menininha estava com 1 ano e 11 meses. Desde a época fui registrando com muito amor e carinho todo seu desenvolvimento,  intercalando suas histórias com outros acontecimentos e vivências.
A primeira foto, que aqui coloquei, foi essa:

E depois dessa, foram muitas outras. Sempre com o intuito de registrar fases e marcar épocas.
De repente, os registros foram falhando.
Mas, hoje, achei demais. Vendo umas fotos feitas no último domingo, 29/11, com minha menininha quase da minha altura, assustei.
Então decidi: não vou deixar passar. Vou reabrir meu blog.
E se deixar passar muito, a próxima foto estará demonstrando que sou a baixinha da família. 
E olha que não sou baixa. Na mocidade, minha altura era quase 1,69m. Estatura considerada alta, para aqueles tempos.
Agora, com certeza, já não tenho tudo isso. Devo ter perdido uns dois centímetros, por conta de uma fase chamada de envelhecimento.
Em compensação, minha netinha, com 9 anos e 4 meses, por conta de uma fase chamada de puberdade, está quase ombro a ombro comigo.
Maravilha!
Era adorável ver a Isadora pequeninha, lindinha, amorosa e sempre muito esperta.
Contudo, está sendo incrível ter a oportunidade de vê-la crescer assim.
Lindinha, amorosa e sempre muito esperta.
Mas que dá uma peninha que isso aconteça tão rápido, isso dá.





segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Éramos todos tão jovens.


Éramos tão jovens!
Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos.
Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente.
Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo.
E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor.
Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss.
Éramos todos tão jovens!
Partimos para a vida. Sem despedidas.
Casamos, tivemos filhos e netos.
E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa.
Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo.
E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida.
E  que, agora sim, num momento qualquer, chega a hora da despedida. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

E ela está crescendo.




A menininha está crescendo.
Pouco a pouco, mas rapidamente.
Começa a deixar os ares de menininha, e às vezes parece mocinha.
Alegre, sensível, amorosa, linda.
No último dia 13, completou 9 anos.
E há 9 anos completa nossa vida com amor e alegria.
É tão feliz, que um só dia, o dia do aniversário, é pouco para festejar. 
Antecipa a data, para comemorar com os amigos da escola, antes do início das férias.
No dia certo, passando férias em Santos, festeja na casa da vovó.
Em viagem de férias, na Bahia, mostra para a turminha das brincadeiras que é preciso comemorar a vida.
E a vovó, ainda que em pensamentos, festeja todos os dias, em todo resto do ano, essa bênção especial.


E para registros, fotos das comemorações. 

                                              Dia 27 de junho - Festa com amigos.
                                                                Preparativos.
                              Painéis com fotos dos primeiros meses, e de todos os aniversários.


                                                                             Alegria.
                                                                   Festa do mine craft.















                     Dia 13 de julho, data do aniversário, na casa da vovó em Santos.
                    

                              E na Bahia, no Arraial d'Ajuda, lugar dos sonhos da Isadora.











quarta-feira, 29 de julho de 2015

Pausa



Passou junho, julho está passando, e eu, quieta.
Nesse tempo todo, não deixei de escrever. Mas só mentalmente.
Textos inteiros, que não passam para o papel. Não sei o que explica isso.
Não. Até sei um pouco.
E está na hora de trabalhar isso.
Sim. Preciso ir atrás desse estado, para então retomar meu teclado.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Minha mãe não me disse.



Tive uma longa convivência com minha mãe. Ela se foi há quatro anos e meio, prestes a completar 98 anos. Convivência feliz e valiosa.
Ela me ensinou a ser mãe, e a amar o próximo como a mim mesma. A ser verdadeira e solidária. Me ensinou a responsabilidade e a persistência. Me passou valores importantes. Me ensinou trabalhos manuais e a arte da cozinha.
Me preparou para a vida.
Mas minha mãe nunca me disse que chegaria um dia em que eu teria dificuldade para prender as presilhas laterais dos sapatos. Nem que eu teria que procurar a melhor posição para vestir determinadas roupas. Também não me disse que seria complicado levantar um pé, equilibrando-me no outro, para lavá-los num bom banho de chuveiro. E que seria bom tomar cuidado para não deixar o sabonete cair no chão. Não seria fácil tê-lo de volta.
E, embora soubesse bem, não me alertou sobre a hora em que eu acharia muito difícil, quase que impossível, colocar meias elásticas, quando delas precisasse. Nesse item ela até me passou um recado, mas eu não entendi. Ela, que usara meias elásticas durante grande parte de sua vida, deixou de usá-las de uma hora para outra. Questionei-a, mas ela não me disse o motivo. Disse simplesmente que não mais queria usá-las.
Hoje, aprendi sozinha, que com as limitações físicas da idade, é quase impossível colocá-las sem ajuda.
Nada disse sobre outra série de ações, realizadas quase que automaticamente e que, com a passagem do tempo, demandam atenção e até esforço.
Por que não me disse?
Já sei. Ela nada me disse porque, no seu pensamento e coração de mãe, não imaginava que sua filha, algum dia, fosse envelhecer.

Foto em 19/01/2006. Aniversário de 93 anos.