domingo, 9 de novembro de 2014

Na roda da vida




Felizes.
Assim estamos todos.
Nosso "menino" chegou para alguns dias entre nós, e fomos buscá-lo no aeroporto.
E nessa hora, toda aquela distância, que existe entre nosso país e aquele em que ele vive, parece que nunca existiu.
Estamos todos juntos. Pisando no mesmo solo, e com o mesmo fuso horário.
Isso acontece pouco, e precisa ser bem vivido.
As distâncias são enormes, mas a roda gira e o amor é o mesmo de sempre.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Envelhecimento





Envelhecer, não é fácil. 
Para ser um processo mais tranquilo, é preciso uma preparação durante a caminhada da vida. Desenvolver interesses, cuidar-se, conviver com pessoas amigas e afetivas. Saber enfrentar problemas, ter olhos abertos para a beleza e ouvidos atentos para a música.
Mas, não é fácil.
E as limitações físicas, que vão se instalando, obrigam a uma mudança bem acentuada. Felizmente, são limitações que não surgem subitamente. Pouco a pouco, passamos a sentir uma dificuldade aqui, outra ali.
Pensei nisso tudo, ao ler uma entrevista interessante com a atriz Marieta Severo, que no último dia 2/11 completou 68 anos de idade.
Ela entende que a idade traz um olhar mais generoso, vai apurando o olhar que se tem para o outro. 
Mas, ao ser indagada sobre o lado ruim do passar da idade, responde:
" O limite físico. Isso é uma chatice. Sempre fui uma pessoa com muita energia, mais que o normal. Não consigo mais fazer as 500 coisas que eu fazia antes. Minhas filhas sempre me dizem: ‘mas mamãe, ninguém faz 5oo coisas. A gente não aguenta fazer 500 coisas’. Agora eu não consigo. Preciso descansar, ficar mais quieta. A decadência física é muito chata. Não é a ruga no rosto que me incomoda. É você não poder mais tomar um vinho, comer um filé com molho e batata frita à meia noite impunemente. Essa limitação é na verdade uma sabedoria da natureza. Porque é pra você ir se despedindo da vida”.
Achei muito interessante porque, em parte, ela respondeu com palavras que eu também uso.
Desde meus tempos de colégio, eu dizia que “fazia 500 coisas”. 
Agora, pensando bem, será que dizia 500 coisas, ou 1000 coisas?
O fato é que sempre fui muito acelerada. Sempre tive muita energia  Já acordava com esperteza e ia emendando uma coisa atrás da outra.
No tempo do trabalho, muitas vezes, na ida ou volta do Forum, ia resolvendo questões pelo caminho.
E, de repente, comecei a sentir cansaço. Assustei.
Numa consulta médica, falei sobre esse cansaço. Minha médica pediu que eu relatasse como era meu dia. Quais eram minhas atividades normais. 
No meio da minha resposta, ela disse: e você acha que, fazendo tudo isso, não é para cansar?
Eu ainda trabalhava, mas percebi que estavam chegando as limitações do envelhecimento.
E hoje, passado mais tempo, e com a velhice instalada, nem penso em emendar uma coisa na outra. Meu ritmo foi se adaptando às novas condições. Tenho que organizar as atividades, e eventuais compromissos, para que sobre tempo para o descanso.
E se antes o descanso noturno era suficiente, agora preciso de uma boa paradinha durante o dia.
Mas, depois do descanso, renovadas as energias, é hora de viver bem.
Sem pressa.
Uma coisa de cada vez.


Aqui, a entrevista.

sábado, 18 de outubro de 2014

Isso ou aquilo?




18 de outubro.
O mês já na sua segunda metade, e não publiquei nada no blog.
Nesses pouco mais de 6 anos de blog, já houve outras épocas de desmotivação, mas agora está demais.
Aquele tempo de abordar coisas interessantes, parece que passou. 
Até penso, às vezes, em algum tema para ser desenvolvido, mas acaba ficando só no pensamento.
E não adianta justificar com a passagem rápida do tempo pois, há muito, as horas e minutos têm rodado num ritmo acelerado.
Aquele sentimento de que o tempo andava devagar, ficou numa época muito distante, lá na infância e primeiros anos da juventude, quando se tem a ideia de ser possuidora de todo o tempo do mundo. Pode-se ir fazendo as coisas com calma, sem atropelo ou ansiedade. O tempo será suficiente para tudo.
Com muitos anos "nas costas", e no corpo todo, as coisas mudam muito. A ideia dominante é que se tem muito para fazer, mas que é preciso acelerar o ritmo. E esse atropelo, talvez explique a desmotivação para algumas atividades. Parece que não se vai dar conta de fazer tudo que se pretende.
E daí, é preciso selecionar. 
Faço isso, ou aquilo?


terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Sonho meu"





“Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu …” 
Essa canção linda foi uma das que serviu de fundo musical para um episódio, também lindo, de um programa de televisão: Família é família.
Como pouco vejo TV não conhecia esse programa, que assisti pela primeira vez na última semana. E fui brindada com uma história tocante, vivida por uma jovem de 28 anos e uma garotinha de pouco mais de um ano.
Mariana, a jovem, é solteira, bem sucedida profissionalmente, e tinha o sonho de ser mãe. E de formar uma família sua.
Inscreveu-se, então, na Vara da Infância e da Juventude, para tornar-se mãe adotiva. Não colocou nenhuma restrição em relação à criança a ser adotada. Deixou claro, inclusive, que aceitaria uma criança eventualmente portadora de HIV.
Não precisou esperar muito. Na lista de pretendentes à adoção, ela era a única que não se importava com a presença do vírus assustador.
E foi assim, que depois de alguns poucos encontros com a graciosa Júlia, ela se tornou sua mãe. Após o segundo encontro, as duas choraram na hora da despedida e foi, nessa hora, que ela percebeu que tinha se tornado mãe, que havia alguém precisando dela.
Em uma semana, sua vida mudou. A Júlia lhe foi entregue. 
Começaram os cuidados, e o aprendizado como mãe. Escola, natação, médico, exames para acompanhamento.
E quando a menininha estava com 18 meses, a repetição dos exames para detecção do vírus. E o resultado fantástico: o HIV não mais aparecia, confirmando que até então ele estava presente por conta dos anticorpos que ela ainda conservava no sangue.
O episódio, cheio de ternura, termina com o aniversário de 2 anos da Júlia, e os sorrisos felizes da criança e da sua mãe.
Júlia encontrou sua família, e Mariana, num gesto de amor, realizou seu sonho e iniciou a sua. 


( A foto foi tirada do vídeo, que se encontra no GNT).

domingo, 31 de agosto de 2014

Estação de águas




Quando criança, eu ouvia falar das "Estações de Águas", como lugares muito procurados por pessoas mais velhas. Lembro que minha vó Olga, de vez em quando, tinha uma temporada de águas acompanhada por seu irmão Augusto e sua cunhada Lilica. O lugar preferido parece que era Águas de Lindoia. Lugar tranquilo, boas fontes de água mineral, balneário com ótimas instalações.
E as águas traziam bons resultados para os achaques que chegavam com a idade.
Em minhas andanças de lazer, já conheci algumas Estações de Água, mas nunca as procurei com o intuito de aproveitar as "milagrosas" águas. Sempre foi para conhecer o lugar, que normalmente é agradável e tem bons hotéis.
Quando se viaja com crianças, uma cidade dessas é uma boa alternativa.
A primeira em que me hospedei foi Águas de São Pedro, com meu filhos ainda pequenos. Não lembro de ter ido atrás de água da fonte, nem de ter usado o balneário, para qualquer procedimento.
Corrijo. A primeira que conheci foi Poços de Caldas, com suas famosas águas sulfurosas. Eu era bem jovem e fui para lá, não por conta dos seus benefícios, mas pela fama do seu carnaval.
E, depois, vieram outras. Águas de Lindoia, Caxambu, São Lourenço, Águas da Prata ...
Tomava um copinho ou outro da água, e pronto.
Mas, agora, parece que chegou minha hora de participar de uma verdadeira Estação de Águas, e confiante de sair daqui mais saudável do que cheguei.
Em dois dias, já tomei bastante água e iniciei o ritual dos banhos.
E tudo isso em Termas de Ibirá, no Estado de São Paulo, que até pouco tempo eu desconhecia por completo.
A qualidade de suas águas parece ser fantástica. Elas contêm o mineral vanádio e, no mundo inteiro, há pouquíssimas fontes dessa água.


Fotos tiradas no Balneário Municipal. Consta que os indígenas da região curavam seus males com as águas vanádicas.

Como estávamos querendo fazer uma viagem pequena, para um lugar que não fosse muito distante, ao ouvirmos as "maravilhas" da água de Termas de Ibirá, resolvemos conferir.
A cidade é bem pequena, simpática, mas muito quente. Tranquila. tranquila.
O roteiro é simples: alguns poucos passeios, muitos copos d'água, banhos de imersão, de hidromassagem, e alongamentos.
Trouxe um livro grande e, para combinar com o "espírito" das estações de água, trouxe meu crochê.

Acredito que, com as inúmeras indicações terapêuticas das águas vanádicas, e levando os procedimentos a sério, alguns dos meus pequenos "achaques" hão de obter melhoria.
E eu, com o Berto, estaremos passando uns dias prá lá de calmos.
Afinal, chegou minha hora de aproveitar as "Estações de Águas".
Contudo, isso não quer dizer que deixarei de lado as outras viagens, movimentadas, ou não, por esse mundo afora.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Branco que te quero branco



Enfim, depois de muito pensar sobre cabelos brancos, e de escrever alguns textos sobre o tema, estou em feliz convivência com eles.
Como escrevi aqui em dezembro de 2013, havia resolvido dar uma trégua no combate aos fios brancos, para deixá-los brotar livremente.
Embora, até então, só retocasse a tintura de mês em mês, e fizesse “luzes” (ou reflexos) semestralmente, estava cansada dessa quase que obrigação.
Passei, então, a desenvolver uma curiosidade enorme de saber como estaria meu cabelo natural.
Seriam muitos os fios brancos?
E, também, passei a ter a vontade de acompanhar, dia a dia, o envelhecimento dos fios. Não queria ser surpreendida por uma cabecinha totalmente branca, caso continuasse a usar tintura, deixando para abandoná-la quando muito mais velha. Queria ver os fios brancos aumentando aos poucos.
Assim, a partir de outubro de 2013, renunciei, totalmente, à tintura dos meus cabelos.
Aos poucos, os fios brancos foram aparecendo, e sendo saudados com prazer. Estava me sentindo tão bem, que nem os enxergava como brancos mas, sim, como prateados.
Passados 9 meses, e depois de alguns cortes, consegui, há alguns dias, remover todo o cabelo destoante, e que ainda conservava um resto de tinta.
Viva!
Estou com meu cabelo totalmente natural.
E tive a surpresa de verificar que ainda tenho muitos fios escuros, principalmente na parte de trás da cabeça. Todos no tom original do meu de cabelo, um tom castanho acinzentado que não se encontra nos catálogos de cores das tinturas. Tom, esse, que combinou muito bem com os fios brancos que passaram a contornar, em total liberdade, meu rosto dessa fase da vida. 

                                                   19/10/2013 - última tintura 

Final de dezembro de 2013

28 de fevereiro de 2014

Primeiro de abril de 2014

3 de maio de 2014

24 de maio de 2014
  
                                                                7 de junho de 2014

                                                                27 de junho de 2014

                                                                  18 de julho de 2014


23 de julho de 2014


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Férias com a vovó


(Alerta: conversa de vovó. Para registro).



E as férias da Isadora, com a vovó, chegaram ao fim. Ela já voltou para São Paulo, e logo retomará suas atividades escolares.
Passou bastante tempo com a vovó. Tempo suficiente para mostrar os saltos de desenvolvimento entre umas férias e outras.
No meio das férias, seu aniversário. Completou 8 anos. 
Viajamos alguns dias, como estou mostrando em posts separados, e o resto do tempo passamos praticamente em casa. Poucas saídas, poucos passeios, pois nesse ponto ela continua a mesma: adora ficar em casa. É um pouco difícil convencê-la a "ir para a rua”.
Nessa temporada, o que aconteceu de diferente foi seu interesse pela arrumação do quarto e das gavetas. Sentia um prazer muito grande em organizar, e dar seu toque pessoal a uma mesa, penteadeira, cama ou gaveta.
Mesmo encontrando a cama arrumada, desmanchava-a e arrumava do seu jeito.
Começou a organização arrumando as gavetas do seu banheiro. Depois, passou dias pedindo que eu a deixasse arrumar as gavetas do meu. Eu adiava pois teria que selecionar os “trilhões” de itens que tinha nas gavetas mas, por fim, achei que essa era uma boa oportunidade para me desfazer do que já não usava.
E fiquei surpresa com seu senso de organização. Começou por uma gaveta de toalhinhas de mão. Dobrou todas da mesma forma, deixando a arrumação bem funcional.


E fez isso com todas as gavetas do banheiro.  Cada coisa no lugar certo.
No seu quarto, arrumou a penteadeira, fez murais de fotos, e improvisou uma escrivaninha. Aproveitou minha mesa da máquina de costura e organizou um pequeno escritório, com todos os objetos que precisava para escrever ou desenhar.


Mas, na verdade, pouco escreveu. Está cada vez mais conectada na internet, usando seu iPod em todos os momentos que consegue. Descobriu muitos recursos, e ajudou a vovó em dúvidas sobre aplicativos ou outras facilidades.
Outra novidade dessas férias foi seu interesse por maquiagem. Trouxe uma frasqueirinha com batons e outros que tais, e exercia seu ofício de maquiadora na sua mamãe. Arrumava uma bancada com todos os batons abertos, "blush", rímel etc. e atuava com concentração. 

Quando ia passear, usava um batom rosinha.
E o interesse pela cozinha, manteve-se vivo. Agora já quer fazer receitas que encontra pela internet, como a do Bolo Ostentação, ou Bolo Bomba, como ela própria denominou.


É, minha menininha está crescendo rápido.
Fizemos poucos, mas bons passeios.
Estivemos na Bolsa do Café e na Pinacoteca Benedito Calixto, e ela gostou muito de conhecer a história desses lugares.
Dois prédios de arquitetura linda. O primeiro, no centro antigo de Santos, e o segundo, localizado de frente para o mar
Na Bolsa, verdadeiro palácio, funciona o Museu do Café, com muitas informações interessantes.



Na Sala dos Pregões, vitral e painéis importantes de Benedito Calixto, renomado pintor nascido na vizinha Itanhaém.



E, depois da visita ao museu, um gostoso milk-shake.


Na Pinacoteca, um lindo casarão branco, com jardins maravilhosos, há o acervo permanente, com obras de Benedito Calixto, e exposições temporárias.



Foram passeios diferentes que agradaram bastante a netinha, e também a vovó, que sempre gosta de repeti-los.
Estivemos, também, no Museu de Pesca, para ver, entre outras coisas, sua grande atração que é um esqueleto de baleia. 







O Museu de Pesca passou por reforma grande, mas o esqueleto da baleia está na mesma sala de sempre, que recebeu alguns melhoramentos. Lembro bem do dia em que, com minha mãe, levei a Priscila e o Gustavo para vê-lo. Infelizmente não consegui localizar a foto que tenho bem na memória, do Gustavo e Priscila dando as mãos para a vovó Norma. Coloco, agora a foto do Gustavo que, na ocasião, tinha pouco mais de três anos e espero logo encontrar a outra.

E, assim, as férias passaram num instante e chegou o dia de voltar para casa.
Antes de sair para São Paulo, a Isa me chamou: vovó, vem ver o que eu estou fazendo.
Estava arrumando a cama, deixando como seu toque um travesseiro colocado de forma enviesada, com fronha florida.
Vou ter saudades, minha linda.