domingo, 25 de janeiro de 2015

Turismo em Santos




Há tempos não fazia turismo na minha cidade.
Mas nessa semana, embora o calor escaldante, saí para turistar. Logo no início da semana, acompanhei uma amiga norte-americana, residente no Peru, nas suas primeiras andanças em Santos.
E, ontem, fui conhecer o Restaurante-escola “Estação Bistrô”, que funciona na antiga Estação do Valongo, construída pela empresa inglesa São Paulo Railway, e inaugurada em fevereiro de 1867.



Por mais de um século, a Estação do Valongo recebeu passageiros vindos de Jundiaí, e de São Paulo, para Santos. Infelizmente, com a extinção do transporte ferroviário de passageiros, a estação foi desativada e ficou fechada durante vários anos.
Com a revitalização do Centro Histórico de Santos, surgiu um projeto de parceria entre o Ministério de Turismo, a Prefeitura Municipal de Santos e a Universidade Católica que permitiu a instalação e o funcionamento do Restaurante-Escola, para capacitar jovens de 16 a 20 anos, que vivem em situação de vulnerabilidade pessoal e social.
O projeto é muito interessante e de grande valor educativo. Os jovens, cadastrados no Centro de Referência de Assistência Social, participam de cursos ministrados por professores da Universidade Católica de Santos e, ao mesmo tempo, sob supervisão, exercem funções no restaurante. Passam por rodízios, participando de todas as atividades de um restaurante.
O espaço é lindo e elegante, no térreo do prédio de arquitetura neoclássica.



Arcos, painéis de ferro, espelho bem colocado, e um curioso lustre com xícaras e bules pendurados, talvez para lembrar que pelos velhos trilhos da estação houve muito transporte de café.


Gostei demais de ver os jovens, alguns com camisetas verdes e outros de amarelas, servindo as mesas com atenção. E, os demais, atuando na cozinha e no bar. Saí de lá, torcendo para que tenham a oportunidade de atuar profissionalmente, ao fim do curso técnico. 



A comida estava saborosa e bem apresentada.



E ontem, 24/01, para festejar antecipadamente o aniversário da cidade de Santos no próximo, os pratos oferecidos continham ingredientes ligados à cidade, como a meca, o café, a banana e a pupunha.


Foi um programa muito agradável, e que merece ser repetido. Também incluiu uma visita à Igreja de Santo Antonio do Valongo, ao lado da Estação, e que logo será contada.


O Restaurante Estação Bistrô fica no Largo Marquês de Monte Alegre, 2, Valongo. Funciona de terça a sábado, do meio-dia às 15 horas.

Pela sua frente passa o Bonde Turismo, e ali também está o Museu Pelé. 


                                                                 Museu Pelé.



domingo, 18 de janeiro de 2015

Existência





Estou só.
(Guimarães Rosa)

"Eu estou só.
O gato está só. 
As árvores estão sós.
Mas não o só da solidão: o só da solistência".

O sol está forte, a manhã está linda. 
Caminhando pela praia, na beira do mar, vou cruzando com pessoas de todos os tipos. Altas, baixas, gordas, magras.
Muitas, aos pares. Algumas, em grupos.
Mas há as que estão sós. Talvez porque prefiram assim. Talvez porque não tenham com quem compartilhar a manhã luminosa.
Entre as que estão em grupos, muitos jovens.
Entre as que estão sós, muitos idosos. Mas estão lá. Caminhando, vivendo a manhã tão clara e quente.
Estarão sós por escolha? Serão mais sós que os demais?
Todos somos sós.
Todos somos sós?




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano.





Antes que o dia termine, antes que o ano termine, vim correndo até meu blog para arrematá-lo.
Nesse ano, os pontos dados não foram muitos. Alguns foram alinhavados mentalmente, mas não chegaram a se transformar em caseados, pontos cheios ou bordados vários. 
Mas é preciso um arremate.
Os dias se sucedem, os meses passam e o ano termina. Tudo começa e recomeça. Tudo igual, tudo diferente. Marcas vão ficando. Coisas novas vão surgindo.
O importante é que encerramos esse ciclo muito bem. Todos juntos. Em presença. Em pensamentos.
Todos bem. 
E no meu descanso após o almoço, que excepcionalmente teve sono de verdade, sonhei com minha mãe.
Sonho bom.
A bênção, mãe. A bênção, pai.
Um novo ano está chegando.
Feliz 2015!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O que já foi

Pessoas requerendo cuidados, com ar de cansaço ou desânimo.
Pessoas andando com dificuldade e, muitas vezes, com ar angustiado.
Pessoas muito gordas, ou extremamente magras.
Pessoas com olhar distante ou cabisbaixas.
Pessoas que parecem estar desinteressadas de tudo.
Chamam muitas vezes minha atenção. quando caminho pelas ruas de uma cidade, ou passo rapidamente de carro.
Sempre podem ser vistas, e me levam, em todas essas ocasiões, ao mesmo tipo de pensamento.
Hoje, essa pessoa está assim, mal cuidada, mas um dia foi um nenê tratado com carinho e amor, e que despertava sorrisos ao seu redor.
Está claudicante mas, ali atrás, foi uma criança alegre e saltitante, que corria com amigos, pulava corda, pulava amarelinha.
Ficou muito gorda, ou muito magra, porém há não muito tempo era um(a) jovem elegante, que rodopiava nos salões de baile e, provavelmente, despertava suspiros.
Tem um ar de desinteresse, anda cabisbaixa, contudo já vibrou com conquistas, já foi curiosa.
Quanta mudança!
A rua nos provoca, e nos faz pensar.
E eu não consigo fugir desse tipo de pensamento e busco encontrar, naquela pessoa com quem estou cruzando, os traços felizes dos tempos idos.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Avançando na tecnologia






Três semanas do meu filho Gustavo por aqui, me trouxeram uma enorme atualização tecnológica.
Todos meus equipamentos ficaram interligados. Agora, conversam entre si.
Tudo que coloco em um, fica também nos outros. 
Macbook air, iMac, Iphone, iPad. Parece que sou mesmo uma “vovó” tecnológica só que, volta e meia, fico um pouco confusa com tanta informação.
Mas tenho ajudantes.
Apaguei algo por engano?
E, em seguida, limpei o lixo?
Não tem problema.
O Time Capsule já atuou e arquivou tudo que passou pelo computador.
E ainda existe o recurso do iCloud Drive. Tudo, tudo, fica guardadinho na nuvem.
E tem outra coisa.
Não preciso mais guardar papeis ou lembretes. O Evernote faz isso para mim.
E se for necessário escanear algo, antes de arquivar nesse “espaço" incrível, o próprio Evernote se encarrega. Escaneia a foto, ou o documento, e guarda com sucesso.
No iPhone, no iPad, tenho o leitor de código de barras. Posso fazer pagamentos com facilidade.
Minha agenda de compromissos está pesada. Quero que meus filhos tenham ciência dela?
Fácil. É só compartilhá-la com eles.
Tirei algumas fotos que gostaria que eles vissem de imediato?
Não. Não vou enviar por e-mail. Vai dar um pouquinho de trabalho. Simplesmente, vou usar o recurso do compartilhamento.
E se estiver tranquila escrevendo no iMac e meu iPhone, que está longe de mim, começar a tocar?
Terei que ir buscá-lo no outro aposento?
Não. Claro que não. Estou vivendo numa época de muitos recursos tecnológicos. Posso esquecer do telefone e atendê-lo diretamente pelo computador. Meu ajudante “Yosemite" está aqui para isso.
E quando não quiser redigir perguntas para o google, posso fazê-las oralmente.
E se, depois de um número enorme de recursos, tiver dúvidas até mesmo corriqueiras posso procurar esclarecê-las com a Siri. Ela sempre está de plantão no iPhone. O único problema é que não entende português. Mas com um espanhol básico, ou um inglês bem pronunciado, já é possível  entabular uma boa conversa.
É impressionante. Perguntas variadas dirigidas para uma "voz", e que têm respostas rápidas.
Para onde estamos indo?
E não é que um diálogo do Gustavo com a Siri me fez lembrar do filme Ela

domingo, 9 de novembro de 2014

Na roda da vida




Felizes.
Assim estamos todos.
Nosso "menino" chegou para alguns dias entre nós, e fomos buscá-lo no aeroporto.
E nessa hora, toda aquela distância, que existe entre nosso país e aquele em que ele vive, parece que nunca existiu.
Estamos todos juntos. Pisando no mesmo solo, e com o mesmo fuso horário.
Isso acontece pouco, e precisa ser bem vivido.
As distâncias são enormes, mas a roda gira e o amor é o mesmo de sempre.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Envelhecimento





Envelhecer, não é fácil. 
Para ser um processo mais tranquilo, é preciso uma preparação durante a caminhada da vida. Desenvolver interesses, cuidar-se, conviver com pessoas amigas e afetivas. Saber enfrentar problemas, ter olhos abertos para a beleza e ouvidos atentos para a música.
Mas, não é fácil.
E as limitações físicas, que vão se instalando, obrigam a uma mudança bem acentuada. Felizmente, são limitações que não surgem subitamente. Pouco a pouco, passamos a sentir uma dificuldade aqui, outra ali.
Pensei nisso tudo, ao ler uma entrevista interessante com a atriz Marieta Severo, que no último dia 2/11 completou 68 anos de idade.
Ela entende que a idade traz um olhar mais generoso, vai apurando o olhar que se tem para o outro. 
Mas, ao ser indagada sobre o lado ruim do passar da idade, responde:
" O limite físico. Isso é uma chatice. Sempre fui uma pessoa com muita energia, mais que o normal. Não consigo mais fazer as 500 coisas que eu fazia antes. Minhas filhas sempre me dizem: ‘mas mamãe, ninguém faz 5oo coisas. A gente não aguenta fazer 500 coisas’. Agora eu não consigo. Preciso descansar, ficar mais quieta. A decadência física é muito chata. Não é a ruga no rosto que me incomoda. É você não poder mais tomar um vinho, comer um filé com molho e batata frita à meia noite impunemente. Essa limitação é na verdade uma sabedoria da natureza. Porque é pra você ir se despedindo da vida”.
Achei muito interessante porque, em parte, ela respondeu com palavras que eu também uso.
Desde meus tempos de colégio, eu dizia que “fazia 500 coisas”. 
Agora, pensando bem, será que dizia 500 coisas, ou 1000 coisas?
O fato é que sempre fui muito acelerada. Sempre tive muita energia  Já acordava com esperteza e ia emendando uma coisa atrás da outra.
No tempo do trabalho, muitas vezes, na ida ou volta do Forum, ia resolvendo questões pelo caminho.
E, de repente, comecei a sentir cansaço. Assustei.
Numa consulta médica, falei sobre esse cansaço. Minha médica pediu que eu relatasse como era meu dia. Quais eram minhas atividades normais. 
No meio da minha resposta, ela disse: e você acha que, fazendo tudo isso, não é para cansar?
Eu ainda trabalhava, mas percebi que estavam chegando as limitações do envelhecimento.
E hoje, passado mais tempo, e com a velhice instalada, nem penso em emendar uma coisa na outra. Meu ritmo foi se adaptando às novas condições. Tenho que organizar as atividades, e eventuais compromissos, para que sobre tempo para o descanso.
E se antes o descanso noturno era suficiente, agora preciso de uma boa paradinha durante o dia.
Mas, depois do descanso, renovadas as energias, é hora de viver bem.
Sem pressa.
Uma coisa de cada vez.


Aqui, a entrevista.