domingo, 9 de julho de 2017

Golpe de dor





Sabíamos que nada é para sempre, e que nossa irmandade completa, mais dia, menos dia, sofreria baixas.
Nove irmãos unidos por laços fortes, instituídos, seguramente, pela feição dada à família por nossos pais Joaquim e Norma, e que ao longo de anos e anos conseguiram manter vivos a fraternidade e o sentimento de família.
Sabíamos que nada, nem ninguém, vive para sempre.
Mas achávamos que ainda teríamos muitos anos de convivência da irmandade completa. E nem cogitávamos da possibilidade de uma quebra instantânea.
Só que, inesperada e instantaneamente, fomos atingidos por um golpe fatal. 
Nosso irmão Joanor, o primogênito, nos deixou sem qualquer aviso. Assim, de um minuto para outro. 
Ele, tão forte, tão saudável, tão cheio de vida, e que tinha tudo para viver bem, ainda por bastante tempo, veio a perder tudo isto repentinamente.
E nos deixou perplexos, e imersos numa dor profunda.
Ficaram as muitas lembranças da convivência.
Suas brincadeiras, sua voz afinada entoando principalmente tangos, que tanto amava.
Seu porte bonito, sua seriedade, bondade, simpatia.
Seu prazer pela comida caseira, pelos doces que lembravam nossa infância, entre os quais o manjar branco. Seu entusiasmo declarado, quando era recebido com um cafezinho e uma fatia de bolo.
Seu tom de voz forte, seu carinho “envergonhado”.
Tinha uma forma peculiar de me chamar , apelido afetivo que só ele usava.
E, ao telefone, quando solicitado a se identificar para que eu recebesse a informação de qual o irmão estava me chamando, dizia prontamente: "fale para ela que é seu irmão mais bonito e mais inteligente”.
E na sua despedida final, no meio de toda nossa tristeza, a imagem forte que tivemos foi a da beleza.
Como você partiu bonito, meu querido irmão!