terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O que fazer?



Estou sufocada.
Todo ato cruel, todo ato desumano, atinge toda a humanidade.
E a diminui.
Estamos todos diminuídos.
Um jovem preso, sem roupa, a um poste, depois de atacado.
Um cinegrafista, em trabalho, assassinado por efeito de um morteiro atirado por manifestante (s) em protesto.
A violência está generalizada. A cultura do ódio segue firme.
E nós, o que podemos fazer para tentar barrar a escalada da violência, para calar a cultura do ódio?
Não se trata, somente, da violência física. Normalmente, chega-se a essa, depois de muita deformação, depois de muita violência moral.
É a agressividade nas palavras, tão dissseminada, são as ofensas gratuitas, é a empáfia, a arrogância. É o linchamento moral.
E o que podemos fazer?
Sem dúvida, todos temos algo para fazer.
Muitas vezes, sem perceber, estamos contribuindo para a cultura do ódio. Sem qualquer cuidado, sem qualquer exame ou pesquisa, acreditamos em fatos que outros divulgam, e passamos para a frente.
Esses fatos podem conter inverdades, ofensas e falsos julgamentos, e são espalhados causando revoltas e atitudes agressivas.
Há pouco tempo, em São Paulo, o Hospital Sírio Libanês quase foi invadido por manifestantes, depois de uma campanha numa rede social. Ele era apresentado como um templo de desigualdade social.
Coincidência, essa tentativa de invasão, ou resultado de influência nefasta?
Vamos ser cautelosos. Deixemos de colaborar com a cultura do ódio.
Dentro de casa, vamos ter mais cuidados com nossos filhos. Vamos ensiná-los a valorizar a vida, a respeitar o outro. Desenvolver seu lado espiritual. Evitar que vivam situações violentas, que assistam programas violentos.
Vamos fazer nossa parte para que as crianças cresçam sadiamente.
E vamos fazer nossa parte na sociedade. Vamos agir com retidão e solidariedade.
Sim, todos podemos fazer muito.
Tentar resgatar valores esquecidos, como o respeito à pessoa do outro. Desenvolver a tolerância.
E ter efetivamente presentes as palavras de Cristo: “amai-vos uns aos outros”. 


10 comentários:

  1. Heloísa, todas as pessoas de bom senso estão sufocadas. Que rumo tomaremos? Conscientização, principalmente, de saber que nem tudo que se "joga" na internet é verdadeiro, este é um ponto primordial. Não adianta tanta falação , sem nenhuma ação. Não ações de ir para as ruas, na verdade sem um objetivo real. Que se proteste, é saudável, mas que seja com coerência, não com baderna.
    É preciso cuidar mais das nossas crianças e dos nossos jovens, para que eles possam ter educação e cultura, primordial para uma boa formação. Onde? aqui, ainda conseguiremos? Eu não perco a fé nem a esperança.
    Beijo.

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    1. Lúcia, cuidar das nossas crianças aqui, mesmo. Fundamentalmente dentro de casa. E nas escolas, com participação dos pais. Não podemos passar a responsabilidade para outros.

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  2. Heloísa, tudo o que vemos ao nosso redor, tanta insegurança, tanta bandidagem e tantas injustiças e mortes de inocentes, nos fazem mal.

    Temos mesmo que dar uma peneirada no que vemos para que não nos possa atingir.

    Porém, nem sempre conseguimos e conforme estamos mais fracos, nos tornamos mais vulneráveis.

    Temos que por isso, ,como dizes, procurar olhar coisas boas, bons exemplos, coisas carinhosas, pois senão ficamos tristes, acuadas com tudo isso!

    Que tenhamos força! beijos, fica bem,chica

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  3. Heloisa, você tocou em um ponto que tenho conversado bastante com amigas que já tem netos, há uma terceirização da educação, quando tiram a babá, transferem a educação integralmente à escola. Recentemente li um conto aonde o autor contava a história de um menino que passava de babá em babá, depois vai para a escola, absolutamente sem limites, os pais mandavam a auxiliar às reuniões, pois não tinham tempo etc... no final ele termina o conto, dizendo que se sentia cansado, acabava de voltar de uma penitenciaria aonde tinha ido levar cigarros para o filho.
    Também me sinto sufocada e assustada, vejo meus filhos e amigos, se reunindo em casa para jantares e almoços em finais de semana, porque eles também não se sentem seguros em baladas (o que me tranquiliza).
    Tenho seguido a teoria da Chica, não me mantenho alienada, mas me mantenho à distância de notícias ruins.
    Mais amor, por favor!
    Beijo carinhoso.

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  4. Helô,

    Concordo inteiramente com a mensagem deste texto, eu mesma poderia tê-lo escrito, tal é a minha identificação com essas idéias. Tenho me sentido também sufocada e mesmo acuada, por conta de tudo que tenho presenciado. Achava que essa cultura da ofensa e do ódio fosse coisa de certos grupos sociais, mas a realidade, e também a Internet têm me mostrado que a coisa é mais séria. Esse também não é um fenômeno brasileiro, em toda parte a gente vê pessoas agindo como verdadeiros boçais, seres incapazes de pensar e se colocar no lugar do outro. Tenho certeza de que isso se deve à crise moral e de valores que se alastram em nossos dias. Por isso mesmo - penso eu - somente o resgate desses valores pode restabelecer a paz e a harmonia.

    Um beijo, ma belle!

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    1. Marly, minha irmã em pensamentos. A chave é essa: colocar-se no lugar do outro.
      Hoje fiquei tão aflita para escrever esse texto, que nem dei tempo para o post que escrevi ontem. Leve, ligeiro. Você viu?
      Beijos.

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  5. A palavra que define o momento pelo qual estamos passando é intolerância... intolerância racial, intolerância homofóbica, intolerância partidária, intolerância religiosa (nos países do leste europeu), intolerância contra imigrantes (Europa central)... Acho que a humanidade está intolerante: os pais estão intolerantes com os filhos, os filhos mais ainda com os pais e os avós, os cidadãos com os seus governantes (de todos os partidos) ah, mas estes, estes não estão intolerantes pois são indiferentes a qualquer necessidade ou manifestação de descontentamento da população, só priorizam seu bem estar e só têm projeto de poder, não de governo. Entendo a indignação da minha querida tia com os últimos acontecimentos, mas acho que também não podemos nós ficarmos intolerantes com os jovens que se manifestam de maneira diferente da nossa e ainda não tem nossa vivência, enfiam sim os pés pelas mãos, mas com certeza foram conduzidos a isso... Com certeza, se eles não fossem tão impetuosos não teríamos visto cenas tão maravilhosas como aquelas de junho/julho passado no Congresso Nacional ou do hino cantado na estação Pinheiros do Metrô em São Paulo...

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  6. Pior que não vejo muita esperança para mudança para melhor dessa situação…
    Só por Deus mesmo! Tudo muito triste.
    beijos

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  7. Querida Heloísa!
    Também ando sufocada com esse estado de coisas em que o mundo se transformou e continua se transformando. É triste a banalização da violência. E as redes sociais contribuem muito com isso na medida em que as pessoas compartilham irresponsavelmente, qualquer coisa que lhes aparece na frente: assassinatos, linchamentos, mortandades, etc. E os textos, nossa, estão ficando cada vez mais sangrentos e violentos. Palavras pesadas, agressivas, cheias de ódio e revolta.Também concordo com você, a gente pode fazer alguma coisa. E concordo principalmente porque quero manter em alta a esperança, segurar a peteca. Mas não está sendo fácil. Um beijo querida!

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  8. A violência parece estar se banalizando, o que é totalmente ruim. Vamos lutar pra que tal não aconteça. Abraços.

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