terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O que já foi

Pessoas requerendo cuidados, com ar de cansaço ou desânimo.
Pessoas andando com dificuldade e, muitas vezes, com ar angustiado.
Pessoas muito gordas, ou extremamente magras.
Pessoas com olhar distante ou cabisbaixas.
Pessoas que parecem estar desinteressadas de tudo.
Chamam muitas vezes minha atenção. quando caminho pelas ruas de uma cidade, ou passo rapidamente de carro.
Sempre podem ser vistas, e me levam, em todas essas ocasiões, ao mesmo tipo de pensamento.
Hoje, essa pessoa está assim, mal cuidada, mas um dia foi um nenê tratado com carinho e amor, e que despertava sorrisos ao seu redor.
Está claudicante mas, ali atrás, foi uma criança alegre e saltitante, que corria com amigos, pulava corda, pulava amarelinha.
Ficou muito gorda, ou muito magra, porém há não muito tempo era um(a) jovem elegante, que rodopiava nos salões de baile e, provavelmente, despertava suspiros.
Tem um ar de desinteresse, anda cabisbaixa, contudo já vibrou com conquistas, já foi curiosa.
Quanta mudança!
A rua nos provoca, e nos faz pensar.
E eu não consigo fugir desse tipo de pensamento e busco encontrar, naquela pessoa com quem estou cruzando, os traços felizes dos tempos idos.



13 comentários:

  1. Que lindo e bondoso esse teu olhar,Heloísa! Tens toda razão...Um dia nasceram e encantaram famílias, hoje tantas mudanças. Triste ver o tempo passar para umas pessoas assim! Gostei de te ler, pensar contigo! bjs,chica

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  2. Este é um exercício que faço, também, de uns anos para cá. Talvez pelo fato de estar no ocaso da vida. rs (Tenho que ser realista, né? Pretendo ter um lindo ocaso, mas que é esta parte mesmo, não vou fugir). Sempre penso nisso e guardo uma frase, depois me lembro do autor: "O menino é pai do homem".
    Temos que ter um olhar complacente para os outros, afinal estamos todos no mesmo barco.
    Beijo, Heloísa.

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  3. Lúcia,
    Essa frase parece ser do Machado de Assis. Interessante, não?
    Acho que nem todos os que estão no "ocaso" me provocam esses pensamentos. Às vezes, nem chegaram lá. Mas se mostram tão "cansados" que fico procurando as crianças que já foram. Beijo.

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  4. Helô,

    Sabe que eu faço isso também? E no passado costumava ficar pensando no que fariam as pessoas que cruzavam as vias expressas de carro: para onde iam, como era a vida delas, sempre imaginando que eram vidas especiais e interessantes, rsrs. Eu penso demais nas mudanças operadas pelo tempo, porque acho que o tempo também pode mudar as coisas para melhor, e a gente não pode esquecer disso. Mas, a vida é consequência, de modo geral, por isso uma boa educação familiar é tão importante.

    Um beijo

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  5. Preciso perguntar ao seu filho o porquê de não conseguir comentar no seu blog! rsrs (Nem com Conta Google, nem Open ID, nem Nome/URL...) Mas deixo-lhe os meus parabéns, sempre na vanguarda!

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    1. Claudia, consegui transferir para cá o comentário que você deixou no face.
      Obrigada. Beijo.

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  6. Querida Heloisa, obrigada pela visita à Pausa do Tempo. Seu blog também faz pensar... sempre. Um beijo com carinho, Feliz Natal!

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  7. Oi Heloísa! Texto muito poético, reflexivo. Fui buscar no Google o significado da palavra claudicante - não a conhecia. Interessante! Beijos!

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  8. Yo muchas veces he pensado también en eso, todos fuimos niños queridos alguna vez...
    Heloisa quiero aprovechar para desearte unas Felices Fiestas y que el próximo año llegue cargado de salud y felicidad para ti y toda tu familia. Beijos

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  9. Querida Helô,
    Passei por aqui para deixar meu abraço com os melhores votos de um Feliz 2015.
    Bj,
    Lylia

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  10. Gostaria de dizer q a Sra. é uma pessoa muito especial e todas as vezes que leio o seu blog parece q a Sra. esta falando da minha vida.
    Um bj. grande. Vania/SP

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    1. Muito obrigada, Vânia.
      Apareça sempre.
      Beijo.

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