segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Éramos todos tão jovens.


Éramos tão jovens!
Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos.
Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente.
Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo.
E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor.
Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss.
Éramos todos tão jovens!
Partimos para a vida. Sem despedidas.
Casamos, tivemos filhos e netos.
E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa.
Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo.
E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida.
E  que, agora sim, num momento qualquer, chega a hora da despedida. 

10 comentários:

  1. Fiquei arrepiada ao te ler! Lindo e emocionante. Beleza de amizades que conseguiram se juntar ......Pena agora, em torno de uma das meninas doentes, mostrando que a despedida se aproxima. Verdade mesmo que quando saímos pela vida, casamos, vem os filhos, vamos perdendo os contatos.Nem nos despedimos. Mas depois, dá mais tempo e chega o reencontro.
    beijos, lindo dia! chica

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  2. Helo, voce sabe interpretar bem as consequências da vida; Nascer, crescer, formar-se, dançar, casar, ter filhos, ficar sozinho depois que crescem e casam, ficar mais aintigo (não velho) depois, a hora da despedida..... Bertino. Voce sempre me surpreende.....

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  3. Lindo texto, triste o momento. É o ciclo, mas não deixa de ser difícil...

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  4. Ah, as despedidas...
    Apesar de dolorosas, sinalizam que tudo valeu a pena.
    E continuará valendo!

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  5. Helô,

    Esta é a trajetória da vida, gloriosa, às vezes, melancólica e triste, outras. Lindo texto!

    Um beijo

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  6. Ay Heloisa, todo lo que dices es una gran verdad, mi abuela murió con 99 años y nos decía: ¡Hijos que corrta es la vida!, a mi entonces me parecía una barrbaridad y le decía:¡abuelita pero si tu has vivido 99 años! y ella callaba y sonreía. Realmente la vida es corta, pero felices las que podemos tener recuerdos bonitos. Un beso

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  7. Belo texto, Heloisa! como os bons vinhos, duramos e somos consumidos. Há uma finalidade para tudo. Beijos

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