terça-feira, 10 de maio de 2016

Estar, para ser


Cada vez mais, tenho dificuldade para entender a necessidade de exposição em redes sociais.
Principalmente a exposição de sentimentos.
Pais, que vivem ao lado dos filhos, precisam vir a público para dizer aos filhos quanto os amam. Eles não estão se dirigindo ao público, mas sim aos filhos. É lógico que o público também fica sabendo.
O mesmo, em relação aos filhos. Parece que o amor que têm aos pais só é verdadeiro se for divulgado. E não estão dizendo ao mundo que amam seus pais, mas dizendo aos pais, via rede social, que sentem amor por eles.
Parece que os sentimentos só são verdadeiros se alardeados.
Eu estou ao lado de alguém por quem sinto amor, mas esse amor só será real se for exposto.
Vou ser gentil com alguém, vou fazer um agrado a um próximo. Preciso de registro. Preciso publicar. Caso contrário, meu ato será incompleto.
Ah, também preciso informar ao mundo que acordei, que vou dormir, que estou com insônia.
Privacidade?
Daqui a pouco desaparecerá por completo.
Cresci em outro mundo. O mundo da discrição, do cuidado no linguajar, da condenação à maledicência.
Mas, de repente, tudo mudou com muita velocidade.
E por isso, além de ter dificuldade para entender essa necessidade de exposição, me aflijo ao pensar nas crianças e adolescentes que estão sendo moldados pelas redes sociais.
Realmente, viverão em outro mundo.