sexta-feira, 31 de julho de 2009

Bodas de ouro




Há uns anos atrás, eu achava incrível ouvir que um casal estava completando bodas de ouro. Era algo difícil de acontecer, não por terem ocorrido dissoluções do casamento, mas sim pelo fato de que um dos dois não conseguia alcançar os 50 anos de casado. Partia antes disso.

Hoje, com a longevidade, está quase que corriqueiro que os nascidos na década de 30 e primeiros anos da década de 40 completem bodas de ouro. 

Contudo é quase certo que essa situação mudará, pois as separações e divórcios estão aí dificultando os casamentos longos, e logo voltará a ser difícil, novamente, a participação em comemorações de 50 anos de casados.

Mas, enquanto isso, vamos festejando com vários casais, e agora vou ter a oportunidade de festejar os 50 anos de casamento de um dos meus irmãos.

50 anos de amor e companheirismo, iniciados quando muito jovens. Ele, com 23 anos de idade, recém-formado em Direito, e ela, minha cunhada-irmã, com 21 anos, completados na ante-véspera do casamento, universitária de letras. 

Comemoraram antecipadamente as bodas de ouro, com toda a família, no dia 3.11.2007, quando estavam completando 50 anos do primeiro encontro. Esse dia, em que se conheceram, ficou marcado pela certeza de que partiriam juntos para a vida, e foi o dia que definiu o caminho de cada um. Daí, a razão do festejo antecipado.

E hoje, 50 anos após a celebração do casamento, estaremos participando todos juntos de uma missa em Ação de Graças, e de um brinde por um roteiro de vida tão bem escrito.

Parabéns Yara e Sérgio. Vocês são vencedores!


Abaixo, Lua de Mel em Campos do Jordão. Julho de 1959.


Abaixo, julho de 1964. Na saída da maternidade, uma passada na casa da vovó Norma, com a recém-nascida Mariana, para pegar as três crianças mais velhas: Marcos, Paulo e Vítor ( no colo do vovô materno Raphael), que ali haviam ficado. Depois da Mariana, nasceu a Luciana.



Ilustração daqui.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Agir por prazer?


Ao ler o que Dulce Critelli* escreveu na Folha Equilíbrio (23/07/09) sobre dois jovens que, embora com enormes limitações físicas, mantêm projetos e até encontraram uma atividade que os ocupa, e os realiza, pensei, como ela, no grande número de pessoas que não sabem o que fazer da vida. Pessoas entediadas, pessoas que não aceitam trabalho porque não é esse seu sonho, ou porque o salário é pequeno, ou porque vão esperar uma oportunidade melhor, mas sobretudo, como diz a articulista, porque só querem fazer aquilo que lhes dá prazer.
Algo que dê prazer.
Realmente, não sei quando começou a fase do prazer como meta de vida. É evidente que o prazer é importante, mas também é evidente que podemos criar os estados de prazer. Podemos aprender a sentir prazer, podemos aprender a gostar de situações que nos eram indiferentes ou, até, que nos desagradavam.
Para isso, é imprescindível querer, é preciso ter vontade.
Se alguém consegue trabalhar na área pela qual é apaixonado, ótimo. Mas se não tem oportunidades nessa área, precisa descobrir o que existe de bom no trabalho que deve desempenhar. Precisa experimentar. Sempre será possível encontrar uma satisfação, nem que seja a do trabalho bem feito, do trabalho com resultado.
O importante é ter vontade de descobrir as coisas boas, aprender a fazer o melhor com aquilo que temos, ou com as oportunidades que nos aparecem. 
Portanto, para uma vida com sentido, não vale falar: vou fazer só aquilo que me dá prazer.

Foto de Gustavo Urias, aqui.
* Terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP

domingo, 26 de julho de 2009

A bênção, vovó.


Há alguns anos era costume pedir “a bênção” para os pais, avós e até padrinhos.
O pedido de bênção acompanhava o cumprimento, ou era o próprio cumprimento. Quase sempre pedia-se, ou tomava-se, a bênção beijando a mão dos pais, avós e padrinhos, antes de beijar-lhes o rosto. Em resposta ao pedido, ouvíamos “Deus o (a) abençoe”.
Talvez até fosse um pedido mecânico, realizado pela força do hábito, mas tinha sua beleza. Mostrava que víamos essas pessoas com amor, mas que reconhecíamos, nelas, um poder fortemente ligado a Deus. E esse poder consistia em interceder a fim de que nos fossem concedidas graças e forças especiais, importantes para nossa caminhada pela vida.
Fui muito abençoada, e acho que as invocações a Deus feitas por meus pais, avós e padrinhos, tiveram grande peso nesse processo.
Com o passar do tempo os costumes mudaram mas, sem dúvida, continuamos mental e espiritualmente a pedir “a benção” a nossos pais (quando ainda os temos), e a pedir a Deus que abençoe nossos filhos e netos.
E hoje, dia de Santa Ana, dedicado às avós, quero pedir muitas bênçãos especiais para minha netinha.
Além desse pedido, quero registrar meu reconhecimento à enorme bênção de ser avó, e à benção de poder acompanhar, tão de perto, a vida da menininha que mudou o curso da minha vida, pois me transformou em vovó!
Beijos, minha linda! E muitas bênçãos!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Amor à vida



No último dia 13/07, li uma notícia na Folha de São Paulo com o seguinte título: Por bisnetos, Alencar pede que os médicos o ‘segurem’.
No texto, consta que ele dissera, aos médicos, o seguinte: “Vocês vão ter que me segurar, porque vou ter dois bisnetos.”
Os médicos perguntaram se seria para acompanhar o batismo, e ele respondeu: “Não, para a formatura”.
Logo que li essa notícia, guardadas as proporções e respeitadas as diferenças, lembrei de um fato ocorrido comigo há pouco mais de três anos. Estava numa consulta médica, e fui aconselhada a fazer uma cirurgia, que já vinha adiando há seis meses. Não era de urgência, mas um dia teria que ser feita. 
Então, falei para o médico que não poderia marcá-la, pois minha filha estava esperando nenê. Daí, ele me perguntou: podemos marcá-la para logo depois do nascimento? 
E eu: não, vou esperar ela crescer um pouco. 
Quanto? Alguns meses? 
E eu: Não. Mais tempo. Acho que só quando ela for para a escola.
Estava ansiosa aguardando a chegada da minha netinha, e não queria perder nada. 
A situação é diversa, mas realmente lembrei do meu diálogo com o médico, assim que li a notícia sobre o vice-presidente José Alencar.
Achei seu pedido aos médicos uma coisa fantástica, que bem demonstra o amor que ele tem à vida, a força, a persistência, a vontade de participar e de fazer projetos. Desde 1997 (ainda segundo a Folha de São Paulo) ele luta contra um câncer, que vai, volta, exige cirurgias, tratamentos agressivos, mas parece que ele enfrenta tudo com coragem e otimismo. Não se abate, quer viver, acredita que ainda há coisas que deve fazer.
E é esse amor à vida, aliado, evidentemente aos tratamentos que tem a oportunidade de fazer e aos médicos que o acompanham, que o está “segurando” e permitindo que viva com esperança.

Ao procurar uma imagem para ilustrar esse texto, achei a figura dessa formiga perfeita. O peso é grande, mas ela não desiste. Vocês concordam?
Tirei a imagem daqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amigos


Meu irmão caçula é o próprio “bom companheiro”.
É amigo dos irmãos, é amigo dos sobrinhos. Por onde passa faz amigos e, melhor, sabe manter as amizades.
Tem amigos do curso primário, do ginásio, do colegial. Tem amigos da faculdade , e amigos que fez no exercício da sua profissão. Tem amigos da pescaria, amigos da gastronomia. Amigo, é o que não lhe falta.
E, volta e meia participa de encontros diversos, com os vários grupos de amigos.
Lembrei muito dele, não por semelhança, mas em contraposição ao tema de um filme que assisti nos últimos dias: “Meu Melhor Amigo” (Mon meilleur ami), dirigido por Patrice Leconte.
Em uma confraternização de colegas, um comerciante de antiguidades (Daniel Auteil) é questionado por não ter amigos e alertado de que, quando morrer, não terá quem carregue seu caixão. Ele nega, dizendo ter muitos amigos. Então é desafiado, em aposta, a apresentar seu melhor amigo num prazo de 10 dias. Se não conseguir, perderá um valioso vaso grego que possui. A partir disso, ele se põe a campo para conseguir encontrar um amigo, para aprender a fazer um amigo.
O filme está catalogado como comédia, mas achei que a parte dramática é a que se destaca. Afinal, como história de vida não há como delimitar o gênero: há risos, mas também há lágrimas.
É um filme muito bom, do ano de 2006, portanto só em DVD. Vale a ida à locadora.

Já havia escrito esse texto quando fiquei sabendo que hoje, coincidentemente, é dia do amigo. Aproveito para enviar um beijo para todos meus amigos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Surpresa


Hoje, logo cedo, abri meu correio eletrônico e encontrei uma mensagem da minha filha. Mensagem linda, e logo percebi que era um texto para blog. Depois de 7 meses sem escrever no seu blog, ela resolveu recomeçar, bem de surpresa.

Meu blog existe por causa do dela. Antes, eu desconhecia essa ferramenta fantástica da internet, que tanto prazer tem me dado. Estamos sempre juntas no meu blog, e agora estaremos, também, no Blog Nós Duas e Outros.

Pois bem, como fiquei muito feliz, e como gosto de dividir a alegria que sinto, estou dando a notícia de que o blog Nós Duas e Outros voltou, e deixo, aqui, um convite para que vocês o visitem.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Palavras que calam


Há palavras que são como folhas ao vento. Soltas, desaparecem. E logo acabam esquecidas.
Outras, são palavras que calam, repercutem, deixam suas marcas. E quando essas palavras são de carinho, afeto e amor, deixam marcas indeléveis, que vêm se somar a tudo de bom que já vivenciamos, mostrando-nos quanto a vida pode ser positiva, e quanto podemos ter de momentos felizes com as pessoas que nos rodeiam (real e virtualmente).
E foi tudo isso que senti ao ler os inúmeros comentários ao meu post sobre o 3º aniversário da minha netinha. Comentários cheios de ternura, amizade e amor, carregados de uma energia fantástica, com repercussão direta na vovó, filha e neta.
A cada instante vejo como a palavra é importante, e como a forma de expressá-la pode despertar, em nós, os melhores sentimentos. E foram esses sentimentos de felicidade, gratidão e amor que me motivaram a escrever esse texto para agradecer a todos, e a cada um especialmente, pelas lindas palavras dirigidas a mim, à Priscila e à gracinha da Isadora. E espero, com a descrição da festinha do 3º aniversário da querida netinha, ter conseguido dividir com todos vocês a felicidade e a alegria que estávamos vivendo.

Ilustração daqui.
Nos comentários ao post do aniversário, deixei um recadinho para cada um dos que deixou sua mensagem.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

3º aniversário


Hoje minha menininha está completando 3 anos. Desculpe, Pri, sei que ela é sua menininha, mas é uma delícia chamá-la assim. E acompanhei tão de perto seu crescimento, que acabo chamando-a da mesma forma que chamava você: minha menininha, boneca, bonequinha, pequerrucha, luluzinha.
Aquele nenê bonito e rosado, de olhos grandes e vivos, é hoje uma menininha linda, esperta, sensível, carinhosa e feliz, muito feliz. E é uma das grandes razões da nossa felicidade.
Por estar bem no meio das férias escolares, o aniversário da Isadora foi comemorado antecipadamente, no último dia 4 de julho. E isso facilitou a presença dos seus coleguinhas da escola na festinha realizada no salão de festas do seu prédio. Muitas brincadeiras no pula-pula (cama elástica), na piscina de bolinhas, no escorregador, no cantinho de brinquedos.




O tema da festa foi “Chapéuzinho Vermelho”, história que ela adora, e não se cansa de escutar.
Antes de apagar a velinha, Isadora foi vestida com a roupa do “Chapéuzinho Vermelho” e se encaminhou para o salão cantando a música: “pela estrada afora, eu vou tão sozinha, levar esses doces para a vovózinha, ela mora longe e o caminho é deserto, e o lobo mau passeia ali por perto”....



Em cada mão tinha uma cestinha com docinhos, para entregar para suas vovós. Entrou no salão e veio na minha direção. Ganhei a cestinha e beijinhos.
Fez o mesmo com sua vovó paterna.
E estava tão compenetrada, que ao ouvir alguém lhe dizer: você está linda, Isadora, respondeu: não sou a Isadora. Sou a “Chapéuzinho Vermelho”.
Foi muito, muito bom, vê-la tão alegre, aproveitando sua festinha de aniversário.
E são momentos como esse, que vividos com amor e intensidade, tornam a vida mais linda de ser vivida. Quero mais!

Para registro, um álbum com cenas da festa.
Agradecimentos ao fotógrafo e amigo Marcelo Justo.



quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dores do crescimento


Crescer dói?

Sim, crescer dói. Às vezes, como já comprovado cientificamente, o crescimento traz até dores físicas, principalmente nas pernas.

Mas as dores de crescimento a que estou me referindo não são as físicas. São as emocionais, que muitas vezes têm início quando a criança ainda é bebê. Com certeza o bebê sofre quando, por ter crescido um pouco, passa a dormir em quarto separado dos pais. Sofre, também, a dor da separação, quando começa a frequentar a escolinha. E como essas, são várias as dores que sentirá, tudo porque está crescendo. E as mamães também sofrem. Com as separações, e quando percebem que seus filhos estão sofrendo.

Minha netinha passou, há pouco tempo, por um pequeno sofrimento. Para ela, contudo, deve ter sido uma dor bem grande. Ela era apaixonada por chupeta, e já saiu da maternidade querendo chupar. Colocava toda a mãozinha na boca, e a solução foi lhe dar uma chupeta. Até contei sobre isso aqui.

A partir de então, a chupeta era fundamental para que dormisse. Muitas vezes, na época em que ela morou em Santos, e em que eu ia buscá-la na escolinha, assim que ela entrava no carro e era colocada na sua cadeirinha, pedia "pepê, pepê". É que estava com sono, e a associação era instantânea. (Abaixo, pouco antes de fazer dois anos, quase na hora de dormir).

Agora, estando perto de completar 3 anos, foi preciso um trabalho de conscientização para que ela largasse da chupeta.

Há mais ou menos 20 dias, depois de escutar sua mamãe sobre a necessidade de deixar a chupeta, ela a jogou pela janela do apartamento. Na hora de dormir, lá veio o choro. Chupeta? Não mais existia. Custou a dormir, acordou de madrugada, chorou, chorou. Sentiu tanto, que até somatizou o sofrimento. Acordou meio doentinha. E assim foi, durante alguns dias. Num desses dias, quando estava no carro a caminho do pediatra, mexeu na bolsa da mamãe e encontrou uma chupeta (que ali estava, esquecida). Pegou-a, deu algumas chupadinhas, bem rápidas, e jogou-a para a rua, pela janela. Foi sua despedida.

No final da 1ª semana minha filha me ligou: mãe, boa notícia. A Isadora já se acostumou a dormir sem chupeta.

Nossa, que alívio. Não é só a mãe que sofre com suas crianças. Avó também! E em dose dupla. Tenho quase certeza de que sofri mais com a retirada da chupeta da minha netinha Isadora, do que com a retirada da chupeta dos meus filhos, quando pequeninhos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Encontro amigo


Vínhamos tentando há algum tempo, e ontem conseguimos. Até então, líamos reciprocamente nossos blogs, conversávamos pelo telefone e até pelo “skype”, quando pudemos nos conhecer oral e visualmente. Aos poucos fomos deixando de ser "amigas virtuais".
E hoje passamos juntas agradáveis horas da tarde. Aproveitando minha estadia em São Paulo, Lúcia, do blog Lucia Campos Virtual, e eu, combinamos um programa de cinema e de bate-papo num café. Parecíamos velhas amigas. Nós duas ficamos com a impressão de que já nos conhecíamos há bastante tempo. Lúcia é uma pessoa muito interessante e interessada. É sensível, experiente, e atual. Depois do cinema, fomos a uma cafeteria e trocamos descontraidamente impressões sobre o filme e sobre a vida.



Assistimos a um interessante filme francês, Horas de Verão (L’Heure d’Été), que trata de relações familiares em duas ocasiões: a festa de aniversário da matriarca e, logo após, quando da sua morte. É um filme sobre lembranças, valores, família, novos tempos (aí entrando a globalização), confronto entre tradição e praticidade (no que diz respeito ao espólio). Fotografia muito linda, atores e direção na medida certa. Ótimo programa.
O fato curioso do nosso encontro é que conversamos e nos distraímos tanto, que eu até esqueci de pegar uma encomenda que havia reservado num quiosque localizado entre o cinema e a cafeteria do “shopping”. Falei para a vendedora (uma japonesinha que pouco falava português) que iríamos tomar um café, e que eu passaria em seguida para pegar os pacotes, já embalados para presente. Só quando cheguei em casa lembrei dos pacotes. Não sei o que pode ter passado pela cabeça da vendedora (será que ela pensou que estávamos fazendo uma brincadeira com ela?), mas só sei que terei que voltar lá, para pagar e resolver a questão.
Enfim, foram horas alegres, e que tanto bem nos fazem. Com certeza, eu e minha amiga Lúcia, agora totamente “desvirtualizada”, teremos muitas tardes como a de hoje.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Partida

Vida. Morte. Passagem. Amor. Família. Rito. Delicadeza. Música. Perdão.
Tudo isso no maravilhoso filme japonês “A Partida”, que coleciona prêmios (inclusive o Oscar do melhor filme estrangeiro).
É de uma delicadeza sem limite e, embora muito denso, deixa-nos absolutamente leves. Pensativos, porém leves.
"A Partida" é desses filmes que não se pode deixar de assistir.
Com a morte, ele nos dá lindas lições de vida.