quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Idosos e prioridade nas filas


Na última semana li na Folha de São Paulo (03/08/2010) uma coluna do Jairo Marques, jornalista cadeirante, de onde destaquei a seguinte frase: “as filas reservadas para deficientes servem para igualar as oportunidades entre as pessoas”. E, ainda, “o direito à prioridade não é para dar vantagem. É para tentar diminuir a desvantagem”.

Essas colocações servem para as pessoas com deficiências físicas, e para os idosos.

Tão simples, mas tão incompreendidas.

Lugares reservados em estacionamentos para deficientes, e para idosos, são ocupados tranquilamente por pessoas sem qualquer limitação. Chega um deficiente, ou um idoso, e onde está sua vaga?

Ocupada por outros.

Essas pessoas não percebem que as vagas demarcadas ficam próximas às escadas rolantes, elevadores, ou saídas, o que é de grande importância para facilitar a circulação de quem tem limites.

Quanto às filas, na maioria dos casos, usar do direito ao atendimento preferencial, encontra má vontade das pessoas que aguardam sua vez.

Essa atitude quando tomada por idosos é vista como uma vantagem quando, exatamente como diz o Jairo Marques, é um direito para diminuir a desvantagem.

É evidente que os jovens, e as pessoas sem limitação, têm condições muito melhores para enfrentar uma fila. Muitas vezes, um idoso aparenta ótima saúde, mas é quase certo que não conseguirá ficar em pé com a mesma disposição que tinha anos atrás. E muitas vezes tem algum problema não aparente, que aliado à idade irá lhe causar grande desconforto nas filas.

O dispositivo, que é previsto no Estatuto dos Idosos, certamente tem como objetivo garantir aos idosos facilidades no lazer e nas atividades do dia-a-dia.

Bancos, supermercados, repartições públicas, casas comerciais, casas de espetáculos. A prioridade precisa ser garantida e respeitada. Tanto pelos responsáveis pelos estabelecimentos, como pelo público. O que nem sempre acontece.

Muitos idosos sentem-se constrangidos em usar do direito ao atendimento preferencial, e acabam deixando de ir a exposições, teatros ou outros eventos. Mesmo porque, se “furarem” a fila poderão escutar algo como ”por que esses velhinhos não ficam em casa?”

Bom seria se tudo ocorresse com naturalidade, civilidade e solidariedade e que, o direito à prioridade fosse entendido no seu exato sentido de compensação. Bom seria se a sociedade aderisse efetivamente à garantia dos direitos previstos no Estatuto dos Idosos.


23 comentários:

  1. Amei o post!!
    Que assunto bacana. Concordo contigo...Seria bom se tudo ocorresse com naturalidade...Que as pessoas respeitassem os direitos reservados. Seria gratificante. Quem sabe um dia chegaremos lá?
    Tudo de bom.
    Bjs mil

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  2. Oi Helo, super bem abordado, esse assunto. Aliás como sempre! Outro dia estava no estacionamento do supermercado quando vejo uma mulher de seus 40 anos e sua filha adolescente estacionarem o carro na vaga de idosos. Fiquei passada, mas esperei as duas sairem do carro e gentilmente disse que aquela vaga era para idoso. Sabe o que a mãe respondeu? - É rapidinho!

    Que exemplo essa mãe dá para sua filha??? Fique indignada!!!

    Beijinhos,
    Dani

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  3. Linda tua colocação!É bem asim mesmo e isso acontece nos assentos dos ônibus também...Pena!beijos,chica

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  4. Oi, Helô

    Excelente texto com uma boa abordagem, como sempre.
    Bom seria se houvesse EDUCAÇÃO e RESPEITO. Acho que bastaria.
    Fico indignada!

    Bjs no coração!

    Nilce

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  5. É, Heloísa. A frase foi perfeita. Diminuir as desvantagens.
    Já posso usar de muitas prioridades, mas raramente o faço, porque ainda estou jovem e forte. Outro dia, por pressa, pedi a senha preferencial e a moça me olhou meio desconfiada (realmente ainda não aparento meus muitos "entas", mas fiquei firme e ela me deu. Ao chegar nos caixas, com a sala cheia, fui chamada logo após um atendimento em curso e as pessoas ficaram me olhando desconfiadas.
    Usar vagas de deficientes e idosos acho um absurdo, nunca o faria.
    Respeito para ser respeitada.
    Beijos!

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  6. Uma coisa que eles levam a sério aqui é o estacionamento pra idosos e pessoas aleijadas. A multa é de 100 ou mais dolares pra quem OUSAR estacionar o seu carro nessa vaga. Pra começar...toda pessoa deficiente e idoso tem uma decalque com aquele simbolo universal, pregado no vidro da frente de seu carro. Esse decalco voce pega no MVA(Detran daqui. Entao se meu carro nao tem o tal decalque e se eu estaciono na vaga dos idosos, eu to ferrada, é multa na certa.
    Porque o Brasil nao faz issso? Marca o estacionamento dos idosos com tinta azul e forneça o decalque praqueles com deficiencia e idosos. Acabou a confusao !
    To certa ou errada?
    Porem uma coisa que nao vejo aqui é fila pra idosos como existe no Brasil. Fila aqui é pra everybody (todos).
    bjs pra ti,

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  7. Helô, quantoainda tmos que aprender amiga. Fico horrorizada com o que vejo. Acho que essa conversa vai na mesma mão dos questionamentos sobre as cotas para quem estudou em escolas públicas. Sem entrar na discussão de que o Ensino Público tem que melhorar, é preciso diminuir as desvantagens. Ótima abordagem amiga.

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  8. Muito bom seu texto, Helô!
    Aliás, destaquei-o nas minhas redes sociais.

    Muito lúcido e coerente. Vamos, todos, fazer valer direitos que um dia, poderão também ser nossos.

    Beijo

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  9. Helô, É realmente incrível que as pessoas não tenham a consciência de que todos ficarão idosos e deverão ser tratados com dignidade. Falta consciência, educação, cultura! Vivemos numa sociedade onde ninguém sabe o que é respeitar o próximo e seus limites. Dia desses meu irmão levou minha mãe (70 anos) ao mercado. Chegando lá haviam 2 vagas no estacionamento, sendo uma para idoso e outra vaga normal, mas havia um funcionário do mercado segurando a vaga para uma pessoa. Meu irmão avisou que iria usar aquela vaga e o tal funcionário ficou com raiva. É um absurdo porque minha mãe é idosa e "teria" o direito a estacionar na vaga de idoso. Quer dizer, falta consciência e educação.
    Adorei o post.

    Beijos

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  10. Oi, Helô,
    Acho que é nessas situações que a gente vê realmente a civilidade (e até o caráter) das pessoas. Se vejo alguém usurpar o direito de outros, esse alguém já decai enormemente no meu conceito. Acho o fim da picada alguém ocupar uma vaga que é destinada a outro (e coisas do gênero).

    Beijão

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  11. Fico fula quando vejo os lugares reservador a deficientes serem ocupados por pessoas que são deficientes mas na área mental, porque não se preocupam com ninguém! Pena a polícia não estar a vigiar esses locais e passar uma multa. Acontece algo nos transportes públicos que me enerva profundamente: a maioria dos jovens não se levanta para deixar os mais idosos sentar... acho uma falta de educação que não tem desculpa!

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  12. Ótimo texto...provoca um maravilhoso e gostoso debate.
    Vejo que as coisas deveriam acontecer naturalmente.


    abraços

    de luz e paz


    Hugo

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  13. Helô,

    Ainda me pergunto, porque é necessário haver leis para cobrir situações que deveriam acontecer de forma natural, apenas com o bom senso,educação,amor ao próximo e generosidade?
    De que adianta se nem mesmo com a "proteção" do Estatuto do Idoso as leis são respeitadas?
    Cabe a nós que ainda não somos idosos, cobrar dessas pessoas, cobrar dos estabelecimentos de forma que as leis sejam respeitadas.Me entristeço muito com isso.
    Gostaria de ter a sua autorização para publicar o seu post no Longevidade, está excelente.
    beijinho

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  14. Helô,
    É o tal negócio, tem a lei, tem as marcações, mas não tem Educação.
    Educação não é só a que aprendemos na escola, mas a que aprendemos com os pais em casa e com a vida.
    Por todos os lugares acontece isso que você citou e em alguns casos, como ônibus ou metrôs, vemos jovens na maior cara de pau, sentados, fingindo dormir quando vêm uma senhora em pé ao seu lado. Não se dignam, a maioria, levantar-se e ceder o lugar de direito a essas pessoas.
    Volto a dizer que tudo passa pela Educação, portanto.
    beijos cariocas

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  15. Oi Helô! Adorei o post. Eu e meu marido sempre usamos e reclamamos nossos direitos de idosos. A começar pelo estacionamento, farmácia, mercado, aeroporto, etc. E se não houver lugar para as prioridades, também reclamamos. Oras. Se houvesse respeito e civilidade não haveria necessidade de "estatuto". E além do mais, não é favor, é um direito que foi conquistado a duras penas. Faz um trilhão de anos que os idosos reclamavam uma lei eficiente, uma lei factível, que "valesse". Pois bem. Agora temos. E vamos ficar "com vergonha" de usar? Não mesmo. Se a gente for se aquietando, azar o nosso. Ocuparão o nosso espaço. Beijo amiga.

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  16. Helo ontem vinha à pé com o garoto da entrega do supermercado e comentei com ele se era possível um cadeirante poder passear nas ruas, ver vitrines, tomar um café...
    As calçadas estavam esburacadas, havia muitos degraus por causa das garagens dos edifcios, atravessar as ruas então...Isso porque o coitado vinha empurrando o carrinho das compras. Infelizmente ainda há muito descaso em nosso país sobre questões como fila em bancos, ruas intransitáveis até para quem nao possui deficiencias fisicas, transportes...
    Muito bem lembrado viu!
    bjus e linda semana pra vc.

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  17. Oi Helô, demorei mas voltei, as férias acabaram e já vim te visitar com muita saudade do seu cantinho, vi o post sobre o niver da Isadora, que linda a Branca de Neve de vcs e lá em casa também tenho uma Branca de Neve, passa lá no blog pra ver, rs.
    Beijos!

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  18. Prioridade as vezes é confundida com vantagem desmerecida e aqui está muito bem definida.
    Não se trata de vantagem mas sim de diminuir desvantagens.
    Realmente as pessoas com necessidades especiais passam por apuros inconcebiveis num mundo tão evoluído de hoje.
    Abraço
    Teca

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  19. Olá Helô,

    É a questão da educação. É preciso criar leis para fazer cumprir o que deveria ser feito espontaneamente: por educação, amor ao proximo, solidariedade, enfim...
    Vejo este descaso todos os dias (quando pego onibus ou trem). Lá estão os idosos em pé, e vejo que mesmo eles sabendo do seu direito, ficam constrangidos em pedir o seu lugar a um marmanjão que finge que nao o enxerga só para continuar no lugar preferencial.

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  20. Querida Heloisa,
    Lamentavelmente essas coisas acontecem. Ouvi outro dia um comentário assim: "É um absurdo uma empresa contratar um idoso para fazer os pagamentos no banco, ele vai no caixa preferencial e fica segurando a fila para pagar um monte de contas." Essa é uma iniciativa que deveria ser seguida. Nos parques de diversões dos EUA é impressionante o número de idosos que trabalham, seja limpando os restaurantes, seja em outros setores.

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  21. Concordo totalmente com esse direito. Mas há pessoas que exageram, no caso de idosos. As vezes tem apenas uma pessoa na frente dela, e entra na frente assim mesmo.

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  22. Ótima reflexão, Helo, e como não são respeitados esses direitos. Outro dia vi uma mulher toda produzida estacionando numa vaga de cadeirante. Esperei ela descer e fiquei olhando fixamente p/ ela sem sorrir, e ela simplesmente disse:"vai ser muito rapidinho...", e eu retruquei :"mas um cadeirante também poderá estar com mais pressa ainda!" e ela: "nem vai dar tempo, já disse, é rapidinho..." e nessa hora o policial chegou. "Ufa", senti um bruta alívio, pois ela teve q tirar o carro, me olhou atravessado, e aí eu sorri...
    Bjs,

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  23. Helô, gostei muito do seu post. E já presenciei tanta coisa chata em relação a isso, os guardinhas que sentavam nos lugares dos idosos no onibus..
    Mas aqui como é tudo retinho, eles andam com uns carrinhos, e entram com os mesmos carrinhos dentro do onibus, todos os carros esperam eles atravessarem a rua, é uma relação de respeito muito bonita.
    bjuss

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