terça-feira, 15 de outubro de 2013

Envelhecimento difícil



Foto da web

Desrespeito generalizado, agressividade, violência, indefinição de sexo, desconforto com o sexo de nascença, ausência de ética, “black blocs”, “pink blocs” ...
Pessoas que não se entendem como homens, nem como mulheres. São os dois. Como a cantora austríaca Conchita Wurst que diz gostar “de ser mulher nos palcos e no trabalho e um homem na vida privada” * . E se apresenta sensual, com roupas femininas, cabelo longo, mas com bigode e barba bem cerrada.
Alunos que enfrentam professores, e pais que apoiam filhos indisciplinados e violentos.
Jovens, e nem tão jovens, que ignoram o respeito devido aos velhos. 
Grosserias a todo momento.
O mundo está conturbado.
Sim, eu sei que o mundo está em constante mudança e seria impossível pretender que o mundo da minha infância, ou adolescência, fosse o mesmo desses dias.
Mas eu sempre pensei que havia princípios eternos, e que esses se manteriam através dos tempos.
Não é o que acontece.
Princípios?
E começa a dar um cansaço, muito cansaço de acompanhar todas essas bizarrices.
Parece que aqueles que estão envelhecendo já não encontram seu lugar no mundo. 
Tudo muito mudado, somando-se, a isso, as perdas e outros problemas da velhice.
Talvez isso explique a facilidade com que os idosos escorregam para o alheamento, ou para a depressão.
Fuga?
Não se pode viver num mundo de ilusão, mas é preciso que se descubra um antídoto que nos permita viver sem que as bizarrices, que por aqui estão, nos atinjam. 
Só assim será possível envelhecer em paz.



(* Folha de São Paulo, 14/10/2013, reservou uma página do Caderno Ilustrada, E3, para essa bizarrice).

12 comentários:

  1. Bizarrice mesmo... eu mesma estava me indagando sobre vários comportamentos que dizem ser "normal" e que não tenho - de fato - competência para entendê-los na sua magnitude, mas que nem por isso me incomodam menos... Levei minha mãe no Pronto Socorro aí em Santos e pedi uma senha para maiores de 65 anos e a atendente riu de mim e disse - aqui não tem disso não, moça! - Parece que as leis podem ser rasgadas por qualquer um por aqui... triste, né?

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  2. Incrível mesmo,Heloísa! Tanta coisa que vemos e não gostaríamos de ter que assistir. Uma pena. Lindo texto que fala muito bem desse momento!

    N]ão podemos imaginar que tudo antes era melhor, era diferente,tudo mudou muiiiiiiito. E, infelizmente, na grande maioria, pra pior. Perderam-se VALORES e esses, levará muito pra serem reconquistados! beijos,chica

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  3. Bom dia, Helô,

    É verdade, o mundo atravessa uma fase triste de inversão de valores, imposição de absurdos e perda dos princípios que têm sustentado a vida, ao longo dos séculos. Mas a gente não pode desanimar, já que alguém tem que tomar para si a responsabilidade de continuar sendo a partícula sadia e construtiva da sociedade. Acabei de ler no FB uma frase interessante, que define bem o meu ponto de vista: "Quando tudo forem pedras, atire a primeira flor", rsrs.
    Outro consolo é saber que é o que destrutivo e confuso, não perdura, rsrs.

    Um beijo e bom dia!

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  4. Como sempre, ótima reflexão. Realmente é preciso buscar uma proteção para minimizar o choque e o incômodo. E fazermos uma revisão geral de onde e como queremos chegar para a degradação não dominar...A disseminação e o uso dos valores positivos também precisam ganhar força.
    beijos

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  5. Penso que pior do que está, não vai ficar, pois a tendência é que as "novidades" envelheçam também e as pessoas voltem "ao normal".
    O ser humano sempre foi a favor de novidades e não mudou tanto assim. O que mudou é a facilidade com que sabemos dos fatos agora, quase em tempo real, na maioria das vezes. Na verdade, o velho sempre foi visto dessa maneira, como um quase inútil, só que agora são em muito maior número.
    Para mim, envelhecer está sendo tranquilo, tanto que agora vou partir para deixar os cabelos brancos à mostra (sim, eu sei, já estou ensaiando isso há uns 3 anos...rs). Enfim, Heloísa, o mundo sempre foi de muitas bizarrices e agora todos podem tudo, basta querer. Tudo virou "normal", e esqueceram o "natural". Ser como somos, procurar a felicidade, mas não a custa de nos violentarmos apenas para sermos "in". Às vezes me parece que é apenas isso. Vontade de aparecer.
    Beijo!

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  6. Bom dia, Heloísa!
    A gente vê tanta coisa, tanta modernidade, parece que o mundo virou. Parece? Pelo menos em relação aos valores, alguma coisa mudou, com certeza. E o resultado é lamentável. Mas ainda acredito na luz no fim do túnel. Texto interessante. Bom dia, amiga. Bjs

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  7. Nunca vou me acostumar com certos modismos e bizarrices do mundo de hoje. Nao vou relacionar porque poderia agredir sem querer pessoas e esse nao é meu lema! Quero minha infancia,adolescencia e juventude de ontem. Se bem que minha alma é jovem e velhice questao de cabeça, mas a cabeça nao tá preparada pra o que estou vivenciando nessa chamada "modernidade".. Gostei do teu post Heloisa, parabens!

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  8. Oi, Helô!
    Não posso fechar os olhos às mudanças, está tudo escancarado. Mas ainda creio que já chegamos ao fundo do poço e estamos tentando sair dele. Otimista sempre!
    Gostei das suas considerações, sobretudo sobre o alheamento e depressão. Fico andando pelas ruas, observando os idosos e refletindo sobre o não envelhecimento da alma, presa a um corpo, que se modifica.
    Você sempre muito antenada!
    Bjs.

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  9. Está difícil, Helô , muito difícil! É uma questão cultural, e penso q levará milênios para parecer ermos mudanças.
    Bjão,

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  10. ISso mesmo, Helô! Você sabe que às vezes me sinto alheia a esse mundo ? E olha que tenho 56 anos e tendo me manter atualizada, ativa, mas essas bizarrices me incomodam.Muitas vezes sinto que estou em um mundo à parte. Sofro pelos meus pais que se sentem assim.
    Vamos em frente , com otimismo e fé na vida.
    Bj,
    Lylia

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  11. Sei lá... Acho que bizarrices sempre aconteceram, talvez de forma dissimulada. É da natureza humana ter luz e sombra, nobreza e vulgaridade...
    O passar do tempo nos traz essa clareza, de que nem tudo é como desejaríamos que fosse - isso se nos mantivermos conectados com o que acontece, o que considero uma bênção, apesar dos pesares...

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  12. Ainda bem que as bizarrices são passageiras. Pode reparar duram pouco porque cansam e inventam outra bizarrice que cansa e por aí vai... Minha vida está mais reclusa e muito, muito selecionada devido à essas bizarrices e grosserias. Já basta o 'stress' causado pelas pressões diárias no trabalho, família, etc...

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