Mudança de hábitos






O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços.
Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes.
Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar.
Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar.
Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia.
Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares.
O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o dia em exaustão, e era preciso ter tempo para as atividades prazeirosas.
Comecei pelas toalhas. 
Lembrei que tinha guardadas duas toalhas de mesa plastificadas que, para limpeza, se satisfazem com um pano umedecido com água e um pouco de detergente. Depois é só passar um pano levemente umedecido com água. 
Foi uma ótima lembrança, que fez com que as toalhas de  de tecidos ficassem em suspensão, devidamente guardadas nas suas gavetas
E, assim, menos roupa para lavar.
Passamos a contar, para uso diário, de uma toalha de fundo marrom, com cerejinhas, e uma toalha branca imitando renda, que adoro, e que foi comprada na Alemanha há quase trinta anos. Nunca foi tão usada como nesses dias. 



As toalhas não saem da mesa. Dia e noite. Ou estamos com a de cerejinhas, ou com a branca.



Numa das pontas da mesa, o Berto teve a ideia de deixar pratos, copos e talheres, dois de cada, que usamos nos almoços e jantares, cobertos por um pano de prato. Antes de chegar na outra ponta (porque senão a mesa ficaria muito grande para nós dois), ficam o galheteiro, açucareiro, porta-guardanapos, cestinha de pão e outros objetos usados com frequência. 
Embora eu goste de tudo arrumado e "nos conformes", achei que essa situação excepcional que vivemos exige comportamentos excepcionais.
Às vezes gostaria muito de olhar e ver minha mesa vazia, livre de toalha e utensílios, e só com sua linda peça central azul.




Mas a necessidade de facilitar os serviços se sobrepõe à vontade da beleza.
Nesse longo período de 50 dias, tirando a primeira semana de uso de toalhas diferentes, tivemos uma única exceção: o domingo de Páscoa. Embora sós, procuramos arrumar a mesa como se estivéssemos com a família. Com toalha escolhida para a data, flores, guardanapo florido, e até um bombom para cada um de nós sobre o prato, lembrando nossos chocolates dos anos anteriores. E sem todos os badulaques que estão ocupando nossa mesa ininterruptamente, e que voltaram para ela logo em seguida.
Muitas lembranças.
Contudo, novos tempos, novos hábitos. 






Comentários

  1. Tão lindo te ler sempre. Exatamente isso que acontece... Temos mesmo que adaptar. Estamos aprendendo a ter que nos cuidar e não nos matar trabalhando, gastando tempo e cansaço desnecessários. Praticidade é tudo, ainda que a casa não fique do jeito que queremos. Aqui tive que aprender desde a doença do Kiko, todos cuidados que ainda temos,já há 11 anos, a despriorizar casa e frescurites todas! O básico é feito e pronto.Tudo simplificado e do melhor modo pra não nos extenuar! Adorei! bjs, tudo de bom,chica

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  2. eu não tenho costume de por a mesa, desde q vim morar sozinha eu já transformei a minha vida doméstica em modos práticos, até pq trabalhava muito e fazia faculdade à noite, sobrava só o domingo pro descanso e atividades domésticas. passar roupa nunca existiu. só passava uma ou outra camisa q fui substituída por roupas q não precisam passar. só ponho a mesa qd meu pai vem almoçar comigo, mas reduzi as toalhas só ao nosso lugar. usando metade da mesa e toalhas pequenas. tb a panela vem pra mesa, nunca passo pra vasilhas. acho que há água de menos no planeta pra usar travessar com comida. enfim. sou bem econômica. se cuidem. beijos, pedrita

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  3. Olá Heloísa: é sempre um prazer ler as suas "crónicas",muito bem escritas. Realmente temos de nos adaptar o melhor possível às circunstâncias e a sua solução foi ótima. Gostei muito das toalhas e a branca é linda mesmo!
    Bjn
    Márcia

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  4. Novos tempos com tudo ainda lindo e organizado, isso é o que importa, rsrs. Algumas das soluções que você encontrou eu já uso rotineiramente. Sobre a toalha da mesa da cozinha (onde o pessoal costuma comer com frequência) eu coloquei um pedaço de plástico (do tamanho do diâmetro da mesa). Em dias mais formais eu tiro o plástico, rsrs. Por cá estamos há 43 dias de quarentena, porque a lei do isolamento - pra valer - só entrou em vigor no dia 19 de março.

    Beijo

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  5. Oi Heloisa, tem mesmo que otimizar para ganhar tempo para o que realmente tem importância.
    As toalhas são belíssimas , pratos, copos, tudo!
    Aqui em casa, nem mesa temos, cada um faz seu prato e come onde estiver no momento, as vezes até no quintal eu como sentada no banquinho, quase sempre foi assim, mesmo qdo tinha mesa. Mas não falta uma boa e velha toalha plástica na bancada de apoio, necessária!
    Boa semana, continuem se cuidando, abraço!

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  6. Ay Heloisa cuanto me queda por aprender! Te aplaudo has sabido adaptarte a las circunstancias. Yo sigo poniendo manteles, lustrando la plata (cosa que detesto hacer), lo plancho todo, hasta esos trapos que usamos para limpiar y que son restos de una sábana vieja, un mantel... mis amigas se ríen de mi, pero mira no lo puedo evitar, me gustaría ser de otra manera pero no lo puedo evitar, a veces me pregunto. ¿cambiaré algún día?. Un beso muy fuerte, recuerdos a Berto y felicitaciones por tu adaptación al cambio.

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  7. Olá, amiga Heloísa!

    Nós somos seres que nos adaptamos, qdo necessário, a tudo. Eu pensava que não, mas estou vendo que pelo mundo fora, as pessoas estão mudando seus hábitos, temporariamente.
    Vocês, estão agindo mto bem e se poupando. Fazem mto bem. tempos melhores virão.

    Novo post. Espero você. Obrigada!

    O Presidente do seu país vê tudo ao contrário. É lamentável!

    Beijos e que o confinamento passe rápido, mas com prudência.

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  8. Sempre ponho a mesa, com toalhas simples, de tecido, e louça comum. Mas sempre dou uma enfeitadinha, acho que muda o humor e faz bem para os olhos.
    Achei ótimas as tuas soluções. A praticidade manteve o encanto das refeições...

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    Respostas
    1. Ana, que prazer reencontrá-la. Espero que esteja muito bem.

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    2. Obrigada, Heloísa! Estou atravessando algumas mudanças e algumas perdas, mas estou bem...
      Abração!

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  9. Olá querida Heloísa, como estás?
    Realmente essa quarentena nos obriga a mudar alguns hábitos e incorporar outros como lavar as mãos com muita frequência e se possível algumas vezes com álcool gel. Na cozinha temos que ser criativos e você foi perfeita na disposição da mesa para as refeições, isso facilita muito a sua vida e torna o serviço doméstico menos cansativo. Enquanto esse período não passar é assim que vamos vivendo, encontrando soluções práticas para os nossos afazeres e vida que segue.
    Um abraço e se cuide!

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  10. Parabéns colega pelo trabalho. Um prazer ter encontrado seu blog em pesquisa que fiz pelo Google. Conteúdo diferenciado e bem elaborado.
    Por oportuno, quero lhe convidar para conhecer meu novo blog *** www.enfoqueextrajudicial.com.br *** Será um honra te ver seguindo lá o meu novo trabalho.

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  11. Gostei de ler suas experiências, Helô! A preocupação com os detalhes, com o belo, fazem toda a diferença. Eu também sou assim, gosto de tudo arrumadinho, mas, como você, estou tendo que me adaptar aos novos tempos com novos hábitos.
    Bj,
    Lylia

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  12. Gostoso demais de ler, Heloisa! Saudades de vc e de ler seus posts!

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