Excluídos pela tecnologia?
Ultimamente tenho lido, em diversos informativos, reportagens sobre a falta de inclusão dos idosos em várias atividades do dia a dia.
Agendar consultas e exames, comprar ingressos para cinema ou teatro, esclarecer dúvidas sobre pagamentos, inscrever-se em eventos: tarefas simples que, até pouco tempo atrás, podiam ser resolvidas por telefone, ou presencialmente, hoje dependem quase totalmente de aplicativos e plataformas digitais.
O telefone, que durante décadas foi um importante facilitador, parece ter sido aposentado. Usar o telefone no seu sentido original, ficou reservado fundamentalmente para conversas entre parentes e amigos. Todos outros tipos de contato, para providências variadas, foram apropriados pelo WhatsApp. Dessa forma, ficou difícil marcar uma consulta, ou exame médico, sem recorrer ao WhatsApp.
Mas, e quem não tem WhatsApp? E quem não sabe utilizá-lo? Ou quem simplesmente não dispõe de tempo para permanecer conectado ao celular, realizando uma sequência de etapas para conseguir uma informação, ou realizar um simples agendamento?
A vida ficou mais complicada.
E, em muitos setores, não apenas para os idosos.
Quem nunca se viu perdido diante de um sistema automatizado, tentando resolver uma questão que seria esclarecida em poucos minutos por um atendente? Muitas vezes, nem mesmo adianta pedir para falar com uma pessoa. A máquina não foi programada para tanto.
Chega a ser desumano exigir que aqueles que viveram a maior parte de suas vidas em um mundo analógico passem a organizar sua rotina por meio de aplicativos, reconhecimento facial, assinaturas digitais, QR Codes e inúmeras outras ferramentas tecnológicas.
Sabe-se que o avanço tecnológico é inevitável. No entanto, ele não pode ocorrer à custa da exclusão de quem não consegue acompanhar todas as mudanças, na mesma velocidade. Há de haver alguma hipótese de inclusão.
Com tudo isso, penso que, para muitos idosos, a sensação de já não pertencer a este mundo deve ser constante.
E talvez o maior desafio não seja aprender a usar a tecnologia, mas encontrar uma sociedade disposta a acolher aqueles que ainda precisam de alternativas mais humanas de atendimento.


tenho acompanhado tb os textos e tb as dificuldades de conhecidos com reconhecimento facial, digital, aumentam a segurança para o público, mas quem vai cometer crimes consegue burlar facilmente. precisam repensar. e falam só nos idosos, mas inclusão é bem mais ampla. tb conheço pessoas com baixa visão e sofrem demais com os sistemas digitais que nem sempre são adaptados. ótima postagem. beijos, pedrita
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