domingo, 28 de setembro de 2008

Palavras e exemplos

Pronta para a escola



Há algum tempo publiquei, aqui, um texto a que dei o nome de Palavras Mágicas (com licença, por favor, obrigada e desculpe), e que já estavam sendo usadas com muita propriedade por minha netinha. Realmente é incrível ouvi-la, com tão pouca idade, falando essas palavras no momento certo.
Agora, tenho notado que, além das "palavras mágicas " ela está usando palavras de incentivo.
Outro dia em que a estava levando para a escola, precisei parar o carro para aguardar que um motorista imprudente, que havia deixado a porta do carro totalmente aberta, impedindo a passagem de outros carros pela rua estreita, voltasse para fechá-la. Logo que fui obrigada a parar, exclamei: “ai, ai, ai”. E a Isadora me perguntou: “ o que foi, vovó ?”
Eu expliquei que não conseguiria passar naquele espaço estreito.
Em seguida, tendo o motorista percebido que estava parando o trânsito, e voltado para consertar o erro, eu avancei com o carro e disse : “consegui”.
Ela, passados uns segundinhos, me disse: “parabéns, vovó”.
E eu, só pude lhe dizer, até com uma certa emoção : “obrigada, minha netinha”.
Percebi, mais uma vez, quão importante é tratarmos nossas crianças usando as “palavras mágicas” e as palavras de incentivo e congratulações.
Com certeza, ouvindo-as no dia-a-dia, elas saberão usá-las desde cedo, e com muita adequação.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aprendendo com os filhos


Outro dia, minha filha, referindo-se à sua filhinha de dois anos, escreveu o seguinte em seu blog (http://blognosduas.blogspot.com/) : “A pequena está se formando. E eu espero ainda estar em tempo de aprender! Quem sabe não será essa fofinha que vai me ensinar? “
Ao fazer um comentário a esse texto, no próprio blog, eu lhe disse que, com certeza, ela aprenderia bastante com sua filhinha, assim como eu havia aprendido muito com ela, e com o Gustavo, meus filhos.
É verdade. Aprendi, e continuo a aprender.
Aprendi a viver o presente, no sentido de modernidade. Sem eles, acho que correria o risco de viver presa ao passado, no sentido de vida com um modelo fechado.
Eles me lançaram para a frente. E percebi isso há muito tempo quando meu filho, ainda adolescente, me ajudou a enxergar o mundo em transformação, e foi me ajudando na necessária adaptação às novas realidades, sem que eu precisasse deixar de lado todos os meus valores de vida. Cedo, ele foi se mostrando independente e corajoso, e acho que isso foi fundamental para que eu também me tornasse uma mãe corajosa.
Pelo meu perfil antigo, eu tinha tudo para ser uma daquelas mães que mantêm os filhos “agarrados às suas saias”. Contudo, graças aos passos que eles foram dando desde cedo, eu pude aprender, muitas vezes com sofrimento, que esse “agarramento às saias da mamãe” não seria bom nem para eles, nem para mim. Seguimos corajosamente nossos caminhos, em paralelo e com cruzamentos. E como é bom quando nos cruzamos !

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Alegre despertar

Meu filho falou muito cedo. Com pouco mais de um ano já construía frases, e com menos de dois anos cantava muitas músicas : todas as canções de ninar, que eu cantava para ele desde seu nascimento, o “ Parabéns p’rá você” e, até uma parte grande do Hino Nacional. À noite, quando eu o colocava para dormir, e antes de dar o beijo de boa-noite, sempre cantava para ele, terminando invariavelmente com duas músicas:

“ Dorme, dorme filhinho,
meu anjinho inocente,
dorme, queridinho,
que a mamãe
fica contente”.

“ Já é hora de dormir,
não espere mamãe mandar,
um bom sono p’rá você
e um alegre despertar”.

Quando ele acordava, logo cedo, tinha realmente um alegre despertar: primeiro cantava praticamente todo o seu repertório e só depois é que me chamava: mamãe, mamãe ....
Ontem, com minha netinha, lembrei desse “alegre despertar”. Ela não acorda cantando, mas desperta muito feliz e logo em seguida, com toda sua musicalidade, começa a falar com entonação musical. Em muitas ocasiões eu gosto de falar assim com ela, repetindo com ritmo e cantarolando frases do dia a dia como "chegamos na casa da vovóóó, chegamos na casa da vovóóó", "vamos escovar os dentes, vamos escovar os dentes" e, quando estamos pegando o elevador para qualquer saída, a ordem musical é "vamos passear no bosque, vamos passear no bosque"... Ela me repete, e agora já faz suas frases musicais sozinha. Depois do “café da manhã” foi brincar na sala de TV e brinquedos, e começou a cantar parte do seu repertório para suas bonecas. Cantou a musica do “cachorrinho”, do “coelhinho da Páscoa”, do “lanchinho” e, após montar um bolo com peças de encaixe, cantou o Parabéns. Como é bom começar tão bem o dia!



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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Alegria dividida

Penso que as coisas boas, e que nos trazem alegria, devem ser divididas.
Hoje fiquei muito contente ao receber a notícia de que meu blog da vovó é "notícia" num portal especializado em temas do "universo materno-infantil".
Achei importante publicar isso, para poder dividir minha alegria com meus leitores.
Caso queiram, vocês podem ler o publicado no seguinte endereço:

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Domingo de chuva








Ontem, quase na hora do almoço, estava lendo os jornais de domingo e escutando a chuva, que caía sem parar. Dia escuro, triste, quase sem visão do mar, que eu adoro enxergar da minha janela.
De repente, escuto um barulhinho do elevador chegando na minha porta, vou olhar e dou de frente com a claridade. Chegou minha netinha, linda, dengosa, com capa e guarda-chuva. Não há tempo ruim que encubra essa luz. Luz total!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Compreensão

Outro dia, conversando com uma jovem amiga, ela me disse que havia ficado surpresa com uma circular que havia recebido da escola do seu filhinho de 3 anos. A circular informava que, como no sábado haveria na escola uma programação cultural, as professoras estariam ocupadas na véspera e, por esse motivo, não haveria aulas na 6ª feira. O comunicado terminava pedindo a compreensão das mães.
Se ela ficou surpresa, eu fiquei estupefata. Como é possível uma escola suspender as atividades por um dia, para organizar um evento. Estamos falando de atividades de escola maternal, onde as crianças se encontram principalmente porque suas mães são profissionais, e não têm com quem deixar seus filhos.
Algumas mães, numa situação como essa, conseguem resolver a questão apelando para parentes disponíveis. Outras, que são profissionais liberais, talvez consigam reorganizar sua agenda, para poderem ficar em casa. Mas, e aquelas que têm vínculo trabalhista e não têm ninguém que as socorra? Devem faltar ao serviço? Devem descumprir seus compromissos?
Será que não está na hora das escolas infantis, e até de 1º grau, perceberem a realidade que vivemos ? Já chegam os feriados emendados, que também causam inúmeros transtornos para as mães que trabalham. Agora, parece que as escolas também estão se achando no direito de suspender aulas, ou atividades, por outros motivos que entendem importantes.
Pedem compreensão.
Mas a compreensão não deveria vir, exatamente, dos educadores ?
As mães, que normalmente enfrentam uma rotina estressante, mesmo deixando suas crianças na escola, não têm como compreender uma situação dessa.
Penso que está na hora das jovens mães levarem esse tipo de preocupação para a escola que escolheram para seus filhos. Não são elas que têm que resolver o problema das crianças num dia comum do calendário. No caso, não há que se falar em calendário escolar, que costuma colocar feriados onde não existem (como os feriados emendados), mas, sim, de calendário oficial. Dia comum, é dia de trabalho. E em dia de trabalho, as mães precisam que seus filhos fiquem na escola. As escolas têm de encontrar uma solução.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Figuras familiares



Irmão, tio e primo. Será que são palavras fadadas a desaparecer?
Anos atrás, conversando com uma pessoa que passara um tempo nos Estados Unidos, ela me disse que ficara surpresa ao ouvir, certo dia, um americano dizer que iria encontrar com um primo. Estranhou, porque até então nunca ouvira qualquer americano falar em primo, ou tio. Na ocasião, chegamos à conclusão de que isso acontecia porque eles não têm, como nós, o costume de cultivar relações familiares.
Hoje, penso que não é só isso. Acho que a ausência de referência a primos e tios deve-se, também, ao número pequeno dessas figuras e, em certos casos, à sua inexistência.
E é o que estamos começando a observar, entre nós. Os casais, na sua maioria, estão tendo somente um filho. Às vezes, dois. Mais do que esse número é raridade, e chama a atenção. Outro dia vi um casal passeando com 4 filhos de idades diferentes, formando uma escadinha como era tão comum há anos atrás. Achei a cena encantadora, mas fiquei muito surpresa, pois excetuando o caso de filhos trigêmeos (que tem ocorrido bastante, em decorrência de reprodução assistida), o que se vê com freqüência é um casal com filho único. Portanto, a cada dia, percebemos mais que os irmãos estão rareando.
Se antigamente era comum que as crianças únicas pedissem um irmãozinho aos pais, nos nossos dias isso pouco acontece. É que antes, elas observavam que quase todos seus coleguinhas de escola tinham irmãos, e também queriam ter o seu. Não queriam se sentir diferentes. Agora, a situação mudou muito. Como quase todas as crianças são filhos únicos, é difícil surgir a vontade de se igualar aos que não são.
Vivemos, portanto, uma época de famílias bem pequenas. Do filho muito esperado, muito querido, porém único. E, se esse filho único vier a casar-se com outro filho único, o filho que vier a ter não terá tios, nem primos. Será que os tios e os primos vão começar a desaparecer? Vocês já pensaram nisso?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Desfile escolar

Quando ia chegando a Semana da Pátria, era aquela dúvida: será que vai chover?
Essa era, e é, uma época de nevoeiros e de alguma chuva. Daí, a preocupação. Pode parecer que eu estivesse apreensiva com eventual perda de viagem ou então que, embora realizada, a viagem ficasse prejudicada pela chuva.
Não, não era isso.
No tempo, a que me refiro, não existia o hábito de viagens nos feriados, e muito menos da emenda de feriados. Havia aulas de 2ª feira ao sábado e, mesmo no caso de dois feriados seguidos, não se viajava.
A preocupação com a chuva na Semana da Pátria tinha seu motivo no desfile escolar, que aqui em Santos, era realizado no dia 6 de setembro. Os colegiais colocavam seus uniformes de gala, alguns eram escolhidos para carregarem as bandeiras, e a formação acontecia na avenida da praia. As escolas iam desfilando garbosamente, uma atrás da outra. As que possuíam fanfarra faziam muito sucesso, e acho que ninguém pensava em faltar ao desfile, que fazia parte do calendário escolar. Não me lembro se havia alguma punição para aqueles que faltassem injustificadamente, o fato é que não pensávamos na possibilidade de ausência.
Muitos pais, com seus filhos menores, e outros familiares, ficavam ao longo da avenida da praia para poderem assistir ao desfile. Era uma festa bonita, e que movimentava bem a juventude daquele tempo.
Nessa altura, contudo, devo fazer uma confissão: minha preocupação não era com a chuva que iria cancelar o desfile mas, sim, com a ausência de chuva que me obrigaria a desfilar.