quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crianças e morte


Volta e meia a Isadora, minha netinha, faz perguntas sobre seu pai.

-Mamãe, por que o papai morreu?

-Porque ele ficou muito doente, filhinha. Foi para o hospital, tomou muitos remédios, mas morreu.

-Mas mamãe, o titio também foi para o hospital e não morreu.

Realmente é muito difícil uma criança de menos de três anos entender o desfecho das doenças. Por que alguns ficam doentes, morrem, e outros não?

E, logo, logo, teremos que explicar para ela que nosso “cachorrinho Igor”, seu grande companheiro em Itanhaém, morreu há poucos dias.

Será que dessa vez ela vai começar a entender, um pouco melhor, o significado da morte? Será que ela vai perceber que existem partidas sem volta?


17 comentários:

  1. Às vezes elas fazem cada pergunta que nos deixa de calças curtas, a Mariana tb já me perguntou sobre a morte, expliquei que as pessoas quando morrem vão morar com o papai do céu, quando morre algum peixinho do aquário ela pergunta se ele tb foi morar com papai do céu, é complicado essa idade, elas são muito curiosas.

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  2. Talvez a maior dificuldade da vida seja justamente encarar com naturalidade a morte. Em nossa cultura, é vista com muita dor, drama, às vezes, inconformismo, revolta. E como passar isso para uma criança, se o próprio adulto não sabe como lidar com esse sentimento de perda? As ações falam mais do que as palavras e as crianças captam as entrelinhas também.
    É uma pergunta que remete à espiritualidade, à divindade, momento oportuno para se falar de Deus, com certeza. Bom quando se tem essa convicção... e quem não tem? Difícil, caminho aberto para a depressão e outras coisas ruins.
    Bjs.

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  3. Nossa, ela é tão novinha pra tentar entender isso, digo tentar porque nem a gente já depois de anos de vida, consegue entender, saber e aceitar bem a morte.
    Coisas difíceis de explicar como isso, principalmente para uma criancinha, é complicado.
    Espero que ela não fique muito triste com a partida do cachorro.

    Beijo

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  4. Qdo agente percebe e sente que a vida é eterna ,que somos espiritos em uma vida terrena,passamos a encarar melhor,isso em nós adultos,a criança quando vive em contato com a energia desse acreditar talvez encare de melhor forma.

    Não sei ao certo,meus filhos encaram,talvez pq eu sempre tenha acreditado que não se perde ninguem,apenas se diz "Até logo".
    Pois as ligações de amor são espirituais.
    Espero que ela possa compreender e superar,o amor costuma fazer milagres e um bom e apertado abraço,consola e aquece.

    beijos solidários

    Denise

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  5. E super complicados ,eu nem sei como lidaria com esas situacoes.e pior ainda sou muito covarde e nao consigo externar certas coisas, tenho uma atitude muito infantil.Para vc ter uma ideia so consegui ir no cemeterio uns 6 anos depois que meu avo faleceu e tomei um choque ao ver seu nome. As vezes acho que Deus sabe porque nao e deu filhos,talvez um dos motivos seja a minha total falta de habilidade para tratar de certas coisas. por outro lado talvez chegada a hora agisse melhor. E complicado
    Sinto muito pelo seu cachorrinho, eles sao parte da familia e a gente sofre
    Um beijoa

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  6. Eu não sabia que o pai dela tinha morrido! Que triste isso... É difícil explicar e difícil entender mas é algo que não pode ser escondido. A morte é algo que faz parte e que ela vai começando a assimilar o que lhe vão dizendo.

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  7. Oi querida Heloísa
    Tenta de novo ouvir a música, é muito legal!!
    Ás vezes, o Google fica mudo!
    Tenta depois tá?
    bj grande

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  8. é complicado mesmo, Heloisa. O meu deu pra perguntar, a toda hora, quando eu vou morrer... E digo que um dia, daqui a muito tempo, que ele não precisa se preocupar. E ele me pergunta: Mas quem vai cuidar de mim? E eu disse que ele já vai ser tão rande, que vai oder cuidar de si próprio...

    uns dias depois ele me diz: Mãe, quando vc morrer eu vou poder comer a bala em forma de anel...

    Vai entender o que se passa na cabecinha deles...

    E que pena o cachorrinho...

    bjs

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  9. Oi, Heloisa!
    Temos um caso semelhante em família, mas a mãe tratou a morte com uma forma lúdica, meio mágica, dizendo qeu o pai foi para uma estrelinha e assim ficou mais leve para a garotinha. Quem sabe, seria melhor falar dessas 'perdas' assim, como se fossem uma viagem para bem distante?!
    Beijinhos cariocas

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  10. Heloísa, que blog gostoso! Suas netinhas devem ficar orgulhosas de vc.
    Obrigada pelo comentário no meu blog. É bom viver amor incondicional, né?
    Beijos,

    Aline

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  11. Heloísa, querida
    Cheguei aqui através do blog da Gina, e amei tua maneira de escrever, teus posts... já linkei teu blog lá no meu cantinho (que é novinho, tem apenas 03 dias).
    Encarar a morte é bastante doloroso para quem fica, mas para quem (como eu) acredita que a vida não tem fim, que a morte é apenas uma passagem para um novo plano, uma nova dimensão, e que há reencontros, as coisas ficam um pouquinho menos doloridas... mas a saudade, a dor da ausência do ser amado, é algo muito complicado de se lidar... se para os adultos já é difícil, imagino então para uma criança pequena... deu vontade de dar um abraço bem apertado, e passar bastante força, tanto a você, como à Isadora (lindo nome... minha filha se chama Isabella).
    Muita luz, paz e carinho para vc,

    Mari

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  12. Helô, te confesso que eu que sou adulta, ainda não entendo por que as pessoas morrem, então, como uma princesinha de menos de três anos vai entender? O fato é que somos obrigados a conviver com a perda, e a Isadora, infelizmente teve que conviver com essa dor muito cedo. Ela é sensível e vai entender que o Igor está morando com Papai do Céu.
    Um beijo

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  13. Eu não sei como iria lidar com essa situação, se para nós é complicado imagino como será com uma criança tão pequenina.Boa sorte amiga beijo

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  14. Oi Heloisa! Saudades de ler seus posts, estou na correria com meus pais aqui, mas não resisti e vim te fazer uma visita! Me emocionou este post, eu nao sabia desta história da vida da sua filha, acabei entrando no blog dela! Nossa muita emoção e agora admiro ainda mais vc e sua familia, pela união, carinho e sabedoria que vcs tem, por terem passado por esta perda e terem toda esta alegria na vida!
    Pessoas abençoadas, que transforam!
    beijo no coração!
    Pati

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  15. Oi Heloisa,

    Agora foi o seu cachorro que partiu. Acho que para sua querida netinha vai ser uma experiência importante, uma perda de algo que ela teve. Será um tipo de entendimento. A ausência do pai é mais misteriosa, pois ela não tem o referencial da presença.É outro tipo de entendimento. E aprendemos que a vida é feita de alegrias e tristezas, de chegadas e de partidas, etc. A gente gostaria de proteger os pequenos e poupá-los de sofrimento, mas c'est la vie!
    Bisous

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  16. Querida Heloisa, perdi meu pai aos 17 e acho chedo, mas a sua netinha perdeu o seu mais cedo ainda... Será que dá pra gente compreender a morte? Será que conseguimos entender? Aceitar, talvez. Mas o entendimento fica além de nós, é o grande enigma das nossas vidas, né?

    Hoje, mais de 20 anos depois, consigo entender o porque da morte do meu pai, o sentido disso para a minha vida. Mas a morte mesmo, talvez quando a gente chegar do outro lado, ou nem isso.

    Beijos, querida Heloisa!

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  17. Heloísa,

    Eu não sabia que o pai ela tinha morrido. Mas olhe, quando se perde alguém assim tão cedo eventualmente não se sofre muito pois não se entende bem a perda do que não se conhece.

    Mas sabe que se você e sua filha sofrerem demais pelo fato de dela ter perdido o pai ela vai começar a sofrer por causa de vocês. Não deixe que o fato dela não ter pai vire um grande problema para ela.

    Morreu, muita gente morre e ela tem a mãe, os avós, os tios e o mundo ao redor. O ideal é minimizar a influencia da perda que ela acaba construindo a vida dela sem pai e sem grande dor.

    O Per tem um filho que ele criou sozinho desde que o menino tinha 1 ano pois a primeira mulher do Per morreu num acidente de carro bem nova. Hoje o "menino" tem 23 anos e todo a confusão na vida dele foi causada pela super proteção das avós que sofriam por ele e deixavam ele super confuso. Hoje ele mesmo fala que nunca sentiu falta da mãe pois ela nunca existiu na vida dele. Ele não sentiu falta dela pois o pai estava com ele em todas as ocasiões e ainda tinhas as avós. É chato não ter mãe para quem tem, quem nunca teve e não lembra não liga tanto.


    Enfim, nada tem que ser difícil se a gente decidir mudar posturas. A morte é parte da vida e ela não vai se lembrar do pai se ninguém ficar lembrando dele e sofrendo por ela. Você me entende?

    E o dia dos pais e mães nas escolas tinha que acabar pois é uma bobageira, não é mesmo? Isso é uma celebração, ou não, familiar, acho eu!

    Beijos Helô. A montagem de fotos ficou incrível. É o Picasa?


    C.

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