quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Escafandro e a Borboleta


O Escafandro e a Borboleta, história real “escrita” por quem a viveu, é um livro que nos deixa perplexos: com seu teor, e com sua realização. 

Jean-Dominique Bauby era um jornalista jovem e bem sucedido (editor da Elle, em Paris) que, acometido por um grave acidente vascular-cerebral, ficou quase que inteiramente paralisado. O único movimento que conservou foi o do seu olho esquerdo.

Sua mente, contudo, permaneceu intacta. Ele pensava, raciocinava, sentia, e tinha lembranças. E usando do poder da sua mente, e do movimento do seu olho, ele incrivelmente conseguiu escrever esse maravilhoso livro.

Num trabalho de paciência e perseverança, que contou com a inestimável assistência de Claude Mendibil, Jean-Dominique redigiu mentalmente os diversos capítulos do seu livro, ditando-os para seus interlocutores por meio de piscadas do olho esquerdo.

Para que isso fosse possível foi organizada uma listagem das letras do alfabeto, colocadas em ordem decrescente da utilização na sua língua pátria, a língua francesa: E, S, A, R, I ..... 

Ele ia ouvindo as letras, uma a uma, e piscando na adequada. Com a repetição seguida das letras, e suas confirmações, eram formadas as palavras, as frases. Para a pontuação, ele permanecia com a pálpebra fechada por um tempo.

E assim, quase que milagrosamente, ele concluiu seu livro, falando sobre seus pensamentos, sobre suas lembranças, e nos mostrando quão grande é a fragilidade humana, quão efêmera é a vida, e como são preciosos os relacionamentos afetivos, as demonstrações de carinho e até os nossos mais simples atos de rotina.

Foi uma leitura sofrida, e que de tempos em tempos me exigiu uma pausa para respiração e recuperação.

 

Nota: Em 2007 foi lançado o filme O Escafandro e a Borboleta, baseado no livro homônimo, com direção de Julian Schnabel, e que foi ganhador do prêmio Globo de Ouro.

 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ecos do domingo


Domingo caseiro com comidinha gostosa, leitura de jornais, conversa e tricô. E também com visita da Adriana, que me trouxe essas lindas margaridas.
Lombo de bacalhau não exige muito, para um bom resultado. Para esse prato basta um caprichado purê de batatas, grão de bico cozido (que pode ser dispensado), e um bom refogado de alho em lâminas com pimentões verdes, vermelhos e amarelos. E, é claro, um bom azeite extra-virgem.



Colocar um pouco de azeite no fundo de um pirex, arrumar o bacalhau (que recebeu uma leve fervura) rodeado pelo purê. Regar o bacalhau com um pouco mais de azeite e cobrir com o refogado. Levar ao forno para terminar o cozimento (pode-se cobrir alguns minutos com papel de alumínio).
Abaixo a foto do prato antes de ir ao forno. 


Retirado do forno (faltou a foto) foi saboreado com arroz branco e um bom vinho. Saúde!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Festa junina



“O balão vai subindo

Vem caindo a garoa

O céu é tão lindo

A noite tão boa ...”

Quantas lembranças do céu pontilhado de balões, e das noites frias com garoa. Quantas lembranças das festas juninas com quadrilhas, correio elegante, cadeia. Dos fogos de artifício para soltar com as crianças: buscapés, vulcõezinhos, estrelinhas, chuvas de ouro, estalos e bombinhas.

Hoje não temos mais balões – nem podemos ou queremos ter. Não existe mais a famosa garoa, e os fogos de artifício praticamente desapareceram (sobraram somente os foguetes, usados em comemorações diversas). E até o frio do mês de junho está meio escondido.

Mas o encantamento das festas juninas permanece. Nas músicas típicas, nas bandeirinhas, na pipoca, no amendoim, na canjica, no quentão, e nas crianças vestidas de “caipirinhas”.

E aqui "minha caipirinha", pronta para uma festinha.


Já falei sobre as festas juninas anteriormente, inclusive fazendo uma comparação entre as festas juninas de Portugal e do Brasil. Também já falei sobre as simpatias juninas, contudo mesmo sem muito mais para falar, não quis deixar passar o mês de junho sem qualquer registro.

E como hoje é dia 24 de junho:

"... São João, São João,

acende a fogueira

no meu coração."

Ilustração daqui.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Céu estrelado


Vovó, por que não tem luar em São Paulo? E por que não tem estrelas?

Perguntas de uma menininha que ainda não tem 4 anos de idade, e que já está percebendo como a vida nas cidades grandes é despida de prazeres simples.

Foi então que me dei conta de que, muitas crianças atravessarão sua infância, sem que tenham visto um céu estrelado.

E lembrei que, quando pequena, vivendo em Santos, e também em São Paulo, procurava com meus irmãos onde estava a constelação Cruzeiro do Sul, ou a das Três Marias, e até o planeta Vênus, que se assemelha a uma estrela (Estrela d' Alva). Como adorávamos essa busca, e como ficávamos contentes quando localizávamos as constelações.

Hoje, as crianças de Santos, São Paulo ou de outras cidades grandes, não conseguem enxergar qualquer estrela, e muito menos seus grupos. Para terem esse prazer, só se tiverem a oportunidade de viajar para algum lugarejo onde as luzes artificiais, e a poluição, não tenham chegado para afastar a beleza de um céu estrelado. 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Bicho da seda

Há poucos dias acabei de ler o livro “Seda”, do escritor italiano Alessandro Baricco.

É uma obra bem diferente, meio poesia, meio fábula, meio conto.

Gira em torno de um pacato cidadão francês, que em meados do século XIX vive numa cidade cuja economia está baseada na sericicultura (ou sericultura). Como o mercado que fornecia os ovos do bicho da seda para a cidade havia sido afetado por uma epidemia, o personagem do livro é contratado para ir buscar ovos no desconhecido e longínquo Japão.

O livro relata a aventura que era a viagem ao Japão, e os riscos do comércio dos ovos do bicho da seda com o pais tão misterioso (naquela época).

Ao ler o livro, minha memória me levou ao passado quando, bem criança, brincando no quintal da nossa casa, encontrava casulos de bicho da seda presos nas árvores frutíferas (principalmente amoreiras).


Lembro da primeira vez que vi um, e da simples explicação que recebi de alguém mais velho: "isso é um casulo de bicho da seda. É dele que saem os fios para fazer a seda".

Cresci e nunca mais vi casulos de bicho da seda. Mas usei muitos vestidos de seda pura, nos anos dourados. Hoje, acho que até é difícil encontrar seda nas nossas lojas de tecidos. Quase tudo é sintético, e aquele tempo das lindas sedas puras, dos tafetás de seda, e dos cetins, ficou para trás.

Será que as crianças de hoje conseguem encontrar casulos de bicho da seda pelos quintais?


Nota: no Brasil o maior produtor de casulos de bicho da seda é o Estado do Paraná, seguido do Estado de São Paulo. Porém, 92% da produção destina-se à exportação.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Crianças e a copa do mundo

 

Hoje o Brasil faz sua estreia na Copa do Mundo, disputada na África do Sul.

É sua estreia, seu primeiro jogo, mas parece que o país obrigatoriamente terá que parar. Repartições suspendem seus expedientes, profissionais liberais interrompem seus atendimentos, bancos alteram seus horários.

A impressão que se tem é que tudo passa a sofrer um “efeito dominó”. As peças dos serviços vão caindo uma sobre a outra, forçando as paralisações e acabam chegando nas escolas.

Sim, escolas também têm seus horários alterados, ou até suas aulas suspensas.

E entre essas as escolas de educação infantil com crianças de idade até 5 anos, que nem sabem o que é uma copa do mundo. 

As escolas deixam de funcionar e as mães, que contam com elas para deixarem os filhos enquanto trabalham, são obrigadas a não trabalhar. Algumas provavelmente estarão dispensadas dos seus serviços, mas haverá outras em situações diversas, tais como as mães enfermeiras, as mães médicas e muitas outras que executam serviços essenciais.

Como fazer?

Problemas das mães.

Soube de escolas que, na véspera do início da copa, encerraram seu expediente mais cedo para poderem enfeitar seus ambientes com símbolos do torneio. E que também funcionaram com horários diferenciados nos dia da abertura do campeonato mundial, causando dissabores para muitas mães que não têm com quem deixar seus filhos.

Não há clima para aulas ou atividades normais?

Tudo bem. Mas, nesse caso, as escolas deveriam manter um plantão para quem quisesse deixar suas crianças no horário regular. E esse plantão poderia contar com uma televisão, para que professores plantonistas e alunos assistissem os jogos. Seria até uma oportunidade de congraçamento social.

Desconheço, contudo, algum colégio que tenha optado por essa solução.

Ora, a Copa do Mundo existe desde o ano de 1930, e o Brasil passou a se destacar (acho eu) a partir da década de 50. Obteve seu primeiro titulo em 1958, e os outros na sequência. E sempre com muita vibração, muita torcida.

Mas não me lembro de escolas fechadas nas copas do passado.

Será que não está havendo um exagero?

 

sábado, 12 de junho de 2010

Jantar dos “namorados”

 

Chegamos em casa às 19 horas. Estava me sentindo exausta. Acho que uma exaustão mais emocional do que física.

Sair para jantar fora, nem pensar.

Contrariando nossos hábitos (de festejar simplesmente, porém com capricho), até pensamos em pedir uma pizza, com entrega em casa.

Por fim, acabamos resolvendo fazer algo a quatro mãos.

Logo cedo eu havia feito um bolo em forma de coração, aproveitando sugestão da Marly, do delicioso blog Saboreando a Vida.

Só faltava rechear e cobrir.

Unimos nossas forças e fizemos um risoto de mussarela de búfala, rúcula e tomate seco.

Logo no início dos trabalhos abrimos uma garrafa de um maravilhoso vinho Pinot Gris, que trouxemos da Nova Zelândia, e enquanto o Berto mexia o risoto, terminei o bolo.

Nos intervalos dávamos uns golinhos no nosso vinho.

Em pouco tempo estávamos nos deliciando com nosso jantar de um prato só, seguido pelo delicioso bolo de chocolate com recheio de brigadeiro branco e morangos.


Sem dúvida, valeu o esforço.

(clique para aumentar as fotos)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Cerejeiras em flor


No último fim de semana fui ao cinema assistir Hanami – Cerejeiras em flor, dirigido pela cineasta alemã Dóris Dorrie.

O filme, muito sensível, tem fotografia e música belíssimas.

Aborda problemas da velhice, incompreensão, solidão e morte. Mostra como os pais, muitas vezes, não reconhecem os filhos que criaram, e como os filhos adultos têm dificuldades para se relacionar com os pais idosos. 

Embora a seriedade do tema, o filme consegue manter leveza com a música, dança e com a visão linda das cerejeiras em flor.

A 1ª parte do filme passa-se na Alemanha, e a 2ª no Japão.

Achei a parte final um pouco arrastada, mas sem que isso tenha comprometido o filme. Contudo, é também nessa 2ª parte, que é mostrado o maravilhoso e tradicional costume japonês de apreciar a beleza das flores : Hanami. No caso, as flores são as das cerejeiras, e que também são mostradas como símbolo da efemeridade (uma das abordagens do filme).

Muito interessante uma passagem  que mostra o movimento internacional dos “abraços grátis”. O personagem principal está andando por Tóquio quando é convidado, por um jovem, para receber um abraço. Vivi algo semelhante quando estava passeando em Santiago (Chile), e passei por um grupo de jovens que estavam oferecendo abraços. Ganhei um abraço afetuoso de uma jovem loirinha, e contei nesse texto que escrevi, e publiquei, em 08.10.2008 (com foto e tudo).

O filme também dá bastante destaque à dança “butô”. Dança expressiva, com a sombra, passos lentos, bailarinos com os rostos pintados de branco, cujo grande mestre, e um dos seus criadores, Kazuo Ohno, faleceu aos 103 anos no último dia 1.06.2010.

Enfim, é um filme muito rico, e que provoca muitas reflexões. 

Um grande programa.

domingo, 6 de junho de 2010

Volta da mulher natural?


Lendo a Folha de São Paulo do último dia 31/05/2010 tive a atenção chamada para o seguinte texto:” Hollywood agora quer mulher natural”.

Nele, Laura M. Holson diz que num determinado setor os executivos estão contratando mais “atores e atrizes de aparência natural vindos da Austrália e do Reino Unido. Isso porque as candidatas de curvas fartas e aparência jovem pouco natural que comparecem aos testes em Los Angeles sofrem de um excesso de mesmice”.

Achei interessante essa expressão “mesmice”. É nela que penso quando, acompanhando uma reportagem social numa revista ou num jornal, vejo em todas as fotos jovens com aparência absolutamente igual: cabelos lisos e compridos, quase todos com o mesmo comprimento e corte. Às vezes parece que estamos diante de uma "linha de produção".

E essa “mesmice” também aparece no “modelo” feminino do corpo e até no feitio dos lábios. Silicone ali, ácido hialurônico aqui. E diante das ruguinhas, botox aqui e ali.

Mas parece que isso está cansando.

Será?

Bom, pelo menos já se percebe algumas atitudes que contrariam esse “modelo fechado” de mulher.

Já são admitidos os cabelos ondulados, ou cacheados, e já existem estilistas fazendo moda para mulheres reais, ou para mulheres "gordinhas" (?).

Moda para "cheinhas" e recusa de candidatas "plastificadas" na indústria do cinema.


Será, mesmo, a volta da mulher natural?



Foto daqui. Modelos de Elena Miró.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aniversário do Blog


Hoje meu blog está completando 2 anos de idade. Na verdade, a impressão que tenho é que se passaram muitos mais anos desde que, motivada pelas alegrias de ser avó, resolvi criar um blog.

E não sei se essa impressão se deve ao muito que descobri e aprendi para poder manter meu blog, ao número de posts que escrevi, ao prazer que ele me deu, ou às muitas pessoas que conheci e continuo a conhecer na blogosfera. Algumas já tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas sinto-me muito ligada a todas. Recebo com alegria seus comentários, preocupo-me quando deixam de atualizar seus blogs.

Para comemorar a data, pensei ser interessante enfatizar essa aproximação que a internet nos permite. Seu bom uso permite que, mesmo aqueles que vivem longe, ou isolados, possam manter uma rede viva de amizade. Permite que possam trocar ideias, possam se sentir queridos e lembrados.

E para falar sobre essa importância, convidei minha querida amiga Beth Lilás, do blog Mãe Gaia, que foi a primeira blogueira que conheci ao vivo e em cores.

Há algum tempo ela me mandou um recado dizendo que viria a Santos, e que gostaria de se encontrar comigo. Fiquei muito feliz com o contato e, no dia certo, conhecêmo-nos e conversamos como velhas amigas. 

Então, passo a palavra para Beth, a carioca simpática, que agrega ao seu redor inúmeras pessoas, de diferentes lugares e idades e que, com certeza, espalha bastante alegria e amizade pela blogosfera.


"O mundo virtual é absurdamente incrível, cheio de alternativas e caminhos maravilhosos. E, particularmente a Blogosfera, tem sido para muitos de nós uma janela aberta em direção a um sol brilhante que nada mais é do que as pessoas que todos os dias nos visitam e acabam virando amigos muito especiais, queridos demais, como por exemplo, a Heloísa que tive o prazer de conhecer pessoalmente no ano passado em Santos. 

Eu gosto disso - da interação e da comunicação, da troca de idéias, de estimular sinergias, promover inspirações, ler e comentar sobre os sentimentos de felicidade e até mesmo de tristezas do mundo ou de alguém que possa estar vivenciando naquele momento. Crio, assim, uma ponte com você e o mundo. Sinto que tudo isso vale a pena e move uma energia fantástica e faz com que a cada dia novos posts sejam criados e lidos, comentados ou somente observados como muitos também fazem, talvez por falta de tempo, preguiça de preencher os caracteres pedidos, timidez ou por inabilidade com o teclado.

As palavras têm muito mais peso quando são escritas, expressam de uma forma que fica registrado para sempre o que pensamos ou o que queremos dizer. Vejam como podemos atingir centenas, até milhões de pessoas se tivermos um Blog ou uma simples conta de e-mail à nossa disposição.

O que na verdade todos nós queremos é participar da rede, colocar nossas opiniões, sentimentos, idéias, contar fatos que tenham ocorrido conosco ou com outras pessoas, comentar sobre vários aspectos do cotidiano que envolve a todos nós. E um Blog é, com certeza, o melhor e mais emocionante site de relacionamentos.

Eu amo a Blogosfera!"

É isso aí, Beth. Muito obrigada por suas palavras e presença no aniversário do meu blog.

E muito obrigada a todos que me visitam, aos que me acompanham, e a todos aqueles que carinhosamente deixam seus comentários.

Ilustração daqui.