terça-feira, 21 de abril de 2009

Retrato



"Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida a minha face?"


Ao ler esses versos tão reais, da grande Cecília Meirelles, lembrei de uma cena que vivi com minha mãe.

Certo dia, entrando com ela num ambiente espelhado, ela olhou e não se reconheceu. Fez, para mim, um comentário de surpresa e estranhamento.

E, com certeza deve ter pensado: " em que espelho ficou perdida a minha face?"


14 comentários:

  1. Ás vezes a minha mãe também se olha no espelho e diz que está velhota :) Faz parte! O que precisamos é saber envelhecer... nem sempre é fácil!

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  2. ACHO QUE O ESPELHO NÃO NOS DIZ MUITO, PREFIRO OS OLHOS DE QUEM AMO
    TEM UM SELO E UM DESAFIO PRA TÍ NO MEU BLOG
    ESPERO Q GOSTE
    UM BEIJO

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  3. Ah, o espelho!
    Ele nos diz sempre a verdade, mas muitas vezes não a queremos enxergá-la tão nitidamente, né mesmo!
    bjs cariocas

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  4. Linda a poesia. Às vezes também não me dou conta que estou envelhecendo, parece que a cabeca e os gostos não tem o mesmo tempo que a idade cronológica, mas no final somos eternas criancas.

    Beijo

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  5. Saber lidar com as mudanças na nossa imagem nem sempre é fácil. O meu pai, que era muito vaidoso, olha-se no espelho, e diz, "Estás tão velho, já nem pareces tu!" Parece haver um pouco dessa perda de identidade de que fala o poema. Mas o que interessa é o interior, certo? Nós somos nós, com rugas ou sem elas.
    Bjs

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  6. Helô,

    entendo bem teu texto pois estou exatamente como a poesia de Cecília Meirelles, a quem adoro. Talvez, depois de ver passar mais um ano me sinto tão envelhecida. Me surpreendo como minha face tem mudado tão rapidamente. Nada tão de repente, apenas as marcas do tempo mesmo. Fico meio assustada, mas nada que dure muito, são momentos passageiros quando me assusta o espelho.

    Mas faz parte, a vida passa bem rápido!

    C.

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  7. É a vida, que segue sempreeeeeeeee... Saber envelhecer é o grande mistério!

    bjo bjo bjo, vovó Helô

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  8. Queridas comentaristas, Ameixa, Dona do Mundo, Beth, Luciana, Isabel, Claudia e Michelle,
    Sim, a questão é saber envelhecer. Mas isso implica tantas coisas.
    Achei essa poesia muito linda. Nela, Cecília Meirelles nos diz que as mudanças pela passagem da idade deveriam ser esperadas, são certas, são simples.
    O problema é que, para nós que nos olhamos no espelho todos os dias, essas mudanças parecem imperceptíveis. Chega um dia, contudo, que percebemos que mudamos, percebemos que envelhecemos (será mesmo que percebemos?). Onde ficou a face com a qual estávamos acostumadas?
    Beijos

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  9. Heloisa, querida...

    Sei que estou sumida...
    Muitas mudanças...

    Gosto muito nesse poema, com o qual me identifico.
    Repetidas vezes me procuro no espelho, sem me reconhecer - seja por dentro ou por fora...

    beijos!

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  10. É... Difícil envelhecer, né? Vi os primeiros sinais perto dos 30. Hoje, há muito mais. Mas me convenço de que continuo jovem por dentro. E assim vou em frente.

    Beijos, querida Heloísa

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  11. Qual delas sou eu? Tantas fotos: bebezinho, menina aos 5, primeira comunhão aos 10, baile de formatura, casamento,no trabalho, com marido e filhos?
    30, 35 anos...para mim foi o auge físico. E agora, quase 30 anos depois (faço 63 em julho) vejo os efeitos devastadores do tempo em meu rosto e corpo.
    Fácil? Difícil? Talvez um estranhamento com o mundo material, físico, pois sinto que estou completando meu percurso aqui, mas também sinto muita vida dentro de mim.
    Mas o espelho, ai que danadinho!!!

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  12. Nina,
    Que bom receber você novamente. Não se encontrar no espelho, parece ser comum.

    Valéria,
    E´verdade. É difícil envelhecer, mesmo porque nossa voz interior diz que ainda somos jovens.

    Lúcia,
    Fiquei arrepiada ao ler seu comentário. Ontem à noite eu estava pensando nessa sequencia da minha vida, e decidindo se seria bom fazer uma colagem de fotos nessa ordem que você colocou: eu bebê, menina, na 1ªcomunhão e por aí afora. Não para o blog, mas para meus arquivos.
    Não há como não sentir os efeitos do tempo na parte física, que são os primeiros a se revelar.
    Mas no espírito, como somos inteiras, não? Pelo menos é como me sinto. Inteira e ainda crescendo.
    Agora, que o espelho é danadinho, ele é.

    Beijos

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  13. Oi Heloísa, bonita a poesia da Cecilia Meirelles.

    Eu não me preocupo com a velhice por suas características externas porque o natural é envelhecer. O que vai por dentro é que acho que temos menos controle...

    bjs

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  14. Envelhecer e aceitar as mudanças, tidas como certas, queiramos ou não, difícil? Às vezes sim, quase sempre não. Depende de como se vive, mas cada um tem seus momentos de questionamentos. A vida é tão linda!
    Bjs.

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