quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fila inevitável


Por esses dias, uma amiga perdeu seu irmão e teve que enfrentar a morte de surpresa, pois embora ele não fosse jovem era relativamente saudável.

Ao comentar sua partida, ela me disse que procurava ficar conformada, por ser esse nosso destino. E que todos nós estamos numa fila que não para. Ele tornou-se o primeiro da fila, e partiu.

Fiquei pensando nessas palavras e achei a colocação interessante. Morte, normalmente, é algo em que não costumamos pensar. Ou, pelo menos, algo em que não gostamos de pensar.

Sabemos que se há vida, também há morte. Mas isso, num plano bem abstrato. Normalmente não nos imaginamos caminhando para ela. Contudo, ao pensar em fila, consegui visualizar essa caminhada de uma forma mais concreta. Ainda que não possamos saber qual a nossa posição na fila, sabemos que estamos nela, e que ela está sempre andando.

Difícil?

Sem dúvida.

Difícil e inevitável.

Então, é preciso que se tenha consciência disso.

E é essa consciência que nos ajuda a viver melhor. Ela nos mostra que precisamos aprender a dar valor ao que realmente importa, aprender a ser solidários, tolerantes, amáveis, a viver sem arrogância, a procurar aquilo que nos faz bem, e que faz bem aos que nos rodeiam.

Por esse lado, acho que a real consciência da morte, só pode fazer bem para a vida.

18 comentários:

  1. Helô, é muito complicado mesmo conseguir racionalizar a perda de uma pessoa querida, já passei por isso também com meu irmão e até hoje fica o vazio sem explicação...
    Um beijo enorme!

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  2. OI Helô, adorei seu post.
    Penso como você, todos vamos para o mesmo lugar, estamos vivos agora, mas não sei o que vai acontecer daqui um dia, uma hora,
    então procuro sempre viver pensando nos outros também. bjusss

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  3. Olá minha amiga.
    Sem duvida que estamos todos nessa fila, mas a morte é coisa que me atormenta, não me conformo que temos de morrer, dificil de aceitar eu perdi o meu querido Pai a 19 anos e lhe digo que todos os dias penso nele e tenho muitas saudades, de ouvir a sua voz, das palavras amigas, do beijo de tudo.Quanto a essa fila eu penso muito, tenho 8 irmãos e quando um começar a morrer vamos todos de seguida, e isso me entristeçe muito fico logo com vontade de chorar.

    Por isso mesmo temos que viver a vida, e sermos felizes beijinhos

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  4. Helô, graças a Deus, nunca perdi nenhum ente querido assim, repentinamente. Meus 2 avôs (paterno e materno) e minha avó paterna, que já faleceram, eram bastante idosos, e estavam com câncer em estágio bem avançado. Então, já era algo meio que esperado. Minha única avó viva tem 93 anos e sofre de mal de alzheimer.. então, espero dia a dia uma ligação de Porto Alegre, informando sobre o inevitável.
    Concordo contigo, que se tivermos consciência de que estamos todos na fila, e que um dia a morte chega, talvez seja mais fácil de encará-la... mas vou te ser honesta: não estou preparada para ver partir alguém que, em tese, deveria ir depois de mim, ou que, pelo menos na minha cabeça, deveria demorar um pouco mais na fila. Nessas horas, o coração acaba falando mais alto do que a razão...
    Bjão,

    Mari

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  5. Heloisa..gostei de ler seu texto..bem reflexivo mesmo..a gente nasce..cresce e sabemos que êsse é o caminho onvetival né?mas..vivemos bronacdo de faz de conta..e faz de conta que não acontece com a gente!quando nos deparamos com realidade assim..é que a gente acorda..já perdi pessoas queridas..e sofri muito..apezar da gente ter um credo..numca..quando chega essa hora..a gente tá serena..e aceita!mas..temos que ter essa maturidade..queria muito saber se tem uma vida após a morte e que um dia encantraremos pessoas que amamos..belo texto amiga..dia iluminado para você..bjus

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  6. Lindo texto Heloísa. E muito profundo também. Não gostamos mesmo de pensar na morte, mas ela realmente é inevitável. E depois da maternidade então, o pensamento vem de um jeito esquisito até, sem explicação... Sabe que depois que tive o Pedro, hoje com quase 4 anos, me sinto um pouco "imortal", achando que vou viver eternamente para poder curtir cada minuto... Muito estranho. Mesmo assim, faço de tudo para aproveitar cada segundinho dessa minha riqueza. Adoro o seu blog. Grande beijo. Luciana Ribeiro (Espírito Santo do Pinhal)

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  7. Acho que é o temor da morte que faz com que vivamos uma vida mais plena. É pena que muita gente se ache imortal!

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  8. Helô,
    Também penso dessa forma, mas até agora só tive mesmo uma perda grande em família que foi meu pai, mas eu era uma jovem e isso logo foi absorvido.

    Acho, entretanto, que a velhice é para isso, para fazer com que encaixemos este pensamento com naturalidade, que enfrentemos a morte como sendo o ciclo final da vida e isso geralmente só é bem entendido quando a pessoa vive até morrer bem velho.
    Jovens não conseguem captar muito bem a idéia.

    bjs cariocas

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  9. Sabias palavras, temos que saber viver bem, fazer o bem, espero estar bem lá atrás da fila, rsrsrsrsrs.
    Beijos e obrigada pelos parabéns.

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  10. Helô, concordo com vc. totalmente na sua colocação de como devemos viver.....como diz a múscia: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã......", até tenho essa consciência de que "tô na fila", rsrsrs (confesso ter medo), masssss não consigo ver as pessoas que amo, que me cercam nessa fila, doi muito.
    Beijos sabor sol e vida pra vc.

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  11. Concordo com vc. A consciência da morte nos ajuda a viver melhor.
    O medo da morte é que não nos deixa viver...

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  12. Com certeza Heloisa, na fila todos nós estamos sejamos mais novos, mais velhos, crianças ou ainda na barriga da mãe. O importante é o que semeamos aqui, é o que fizemos de bom e devemos agradecer a cada dia por tudo que temos.

    Abs

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  13. Helo sei que tb. estou nessa fila e penso como vc. Não perco nenhum instante para refletir e melhorar o que pode ser melhorado.
    Boa sua reflexão viu!
    bj

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  14. Oi Helô,

    Realmente este é um modo verdadeiro de se olhar a situação. Ultimamente não tenho tido esta percepção da morte, mas quando mais jovem pensava bastante no tema e inclusive me afligia muito sabendo que seria algo inevitável, como mencionou. Acho que a aflição vem de não sabermos o que virá depois, mesmo tendo nossas crenças religiosas.
    Hoje, a morte não me aflige como antes. Deixei de ficar paralisada pelo medo do desconhecido e inevitável e cheguei à conclusão de que viver a vida inerte seria como já estar morta, rsrsrs
    Enfim, hoje posso dizer que não temo minha morte como antes, talvez sim um pouco, mas não tenho pavor. A única coisa que me preocupa é que aconteça comigo com meus filhos ainda pequenos, fico preocupada com eles...
    Sendo assim, sempre digo ao meu marido que caso eu venha a falecer para ele pedir ajuda de minha mãe e de minha cunhada. E que se vier a casar novamente que seja com uma pessoa que ame as crianças. Nooossa, ele fica super irritado quando falo isso, não lida muito bem com o assunto. Porém eu fico mais tranquila de deixar algumas coisas às claras mesmo que seja doloroso falar sobre o assunto, tenho consciência de que pode acontecer a qualquer momento. Como dizem: "Para morrer, basta estar vivo!".
    Bjs, Elaine

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  15. Nós todos vamos morrer. E, acredite ou não, esse é um evento tão natural quanto nascer, crescer ou ter filhos. No entanto, a idéia da finitude nos enche de terror. Por quê? Será que precisa ser assim? Dá para sofrer menos?

    Vai aí uma histórinha, que achei muito interessante:

    Há muito tempo, no Tibete, uma mulher viu seu filho, ainda bebê, adoecer e morrer em seus braços, sem que ela pudesse fazer nada. Desesperada, saiu pelas ruas implorando que alguém a ajudasse a encontrar um remédio que pudesse curar a morte do filho. Como ninguém podia ajudá-la, a mulher procurou um mestre budista, colocou o corpo da criança a seus pés e falou sobre a profunda tristeza que a estava abatendo. O mestre, então, respondeu que havia, sim, uma solução para a sua dor. Ela deveria voltar à cidade e trazer para ele uma semente de mostarda nascida em uma casa onde nunca tivesse ocorrido uma perda. A mulher partiu, exultante, em busca da semente. Foi de casa em casa. Sempre ouvindo as mesmas respostas. “Muita gente já morreu nesta casa”; “Desculpe, já houve morte em nossa família”; “Aqui nós já perdemos um bebê também.” Depois de percorrer a cidade inteira sem conseguir a semente de mostarda pedida pelo mestre, a mulher compreendeu a lição. Voltou a ele e disse: “O sofrimento me cegou a ponto de eu imaginar que era a única pessoa que sofria nas mãos da morte”.


    Helô, estou me sentindo um pavão, veja lá quem comentou no Longevidade, na postagem de hoje.... a comentarista não é fraca não...rs

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  16. Parabéns pelo post tão bem elaborado e tão real. Precisamos ter essa consciênciaque a qualquer momento podemos ser os primeiros da fila. Dessa fila que , em geral, ninguém gostaria de estar. Porém entramos nela já ao nascer e assim, passo a passo vamos andando. Lindo e muito consciente!beijos e quanto aos 11 blogs, te digo que me dedico a todos. Apenas acontece que em alguns tenho a presença de amigos que publico seus textos. Porém todos eles são atualizados frequentemente. beijos e tudo de bom,chica

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  17. Olá Heloísa,
    É verdadeira sua reflexão... só um comentário: a gente (educacionalmente escrevendo), não somos ensinados a conversar sobre este assunto real para todos nós... culturalmente somos compelidos a inclusive mudar de assunto se o mesmo cair numa roda de amigos... e se tivéssemos este hábito, talvez compreendéssemos melhor estes desígneos... Um beijão! Ana

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  18. Nossa Helô, profundo esse post!.
    Mas eu sempre pensei numa forma de deixar bem meus entes querido, após minha ida, se eu vir a ser a ser a 1ª da fila.
    Independente da minha profissão ter sido de alto risco, naquela época fiz e mantenho até hoje seguro de vida, engraçado vc fazer seguro de vida, deveria ser seguro de morte, que garante a sobrevivência de quem ficar rsrs.
    E também como ninguém pensa no que virá depois, tenho também um Jazigo para a família, ridículo para alguns, pois parece ser uma coisa que nunca vai acontecer, ou não se deveria pelo menos anteceder essa parte.
    Mas como a morte não manda aviso, e os percalços para um acontecimento desse porte te tira do eixo,a morte é inevitável, por que não nos previnirmos antes?
    Achei seu post bem coerente e as pessoas deveriam se preocupar mais com o que vem depois.
    Gostei do que vc disse "é a consciencia que nos ajuda viver melhor" reflexão.
    Desculpe como sempre fui longa para discorrer sobre o assunto.Bjss

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