segunda-feira, 12 de julho de 2010

Posso comer?


Estava batendo gemas com açúcar para fazer um “crème brûlée”, quando lembrei das muitas gemadas que tomei durante minha infância.

Diziam, os mais velhos, que as gemadas fortaleciam. Por conta disso, quando ficávamos “doentinhos”, tomávamos gemadas. Às vezes, mesmo em plena saúde, a gemada fazia sucesso. Era gostosa, e ajudava no crescimento.

Minha mãe colocava uma gema em uma xícara, punha uma razoável quantidade de açúcar, e mexia com força durante algum tempinho. Quando a mistura ficava clara e começava a formar bolhinhas, estava pronta. Daí, podia receber um pouco de canela em pó e era devorada rapidamente.

No tempo mais frio, podia ser tomada com leite quente. E os adultos podiam tomá-la com um pouco de vinho do Porto.

Uma delícia de qualquer jeito.

Mas agora, tudo mudou.

Gemas cruas?

Olha o risco da salmonella.

Açúcar?

Olha o perigo da obesidade.

Aquele tempo tranquilo das gemadas, quando se comia sem preocupação com risco de salmonella, de calorias, de oxidantes, e tudo mais, terminou até para as crianças.

Nunca pensei em oferecer uma gemada para minha netinha, pois posso estar infringindo regras sérias.

O mesmo com as claras cruas, usadas em tantas receitas, e que serviam, quando batidas com açúcar, em suspiro, para cobrir os bolos de outros tempos. E que também serviam de liga para os “cajuzinhos de amendoim”, usados nas festinhas infantis. Na minha casa foram muito usadas, e parece que nunca deram problema.

Mas agora, também estão proibidas.

Comer ficou meio complicado. Será que posso comer isso? Qual é o número de suas calorias? Tem agrotóxicos? Tem oxidantes? Traz riscos?

Lendo a Folha de São Paulo no último dia 8 de julho me deliciei com uma crônica da Nina Horta que, com muito humor, fala sobre o comportamento “neurótico” em relação aos alimentos, que impera nos dias atuais.

Diz ela que ”se os cozinheiros não reagirem vão ter de fazer estágio em pronto-socorro e pós graduação no Hospital das Clínicas”.

E termina dizendo que vai chegar o dia em que vai acabar “ o restaurante a quilo, a mãe no fogão” e que, indo para a escola, “o moleque vai levar lanche da Bayer! Com direito a se pesar três vezes ao dia!”

Dá para imaginar?

 

22 comentários:

  1. Sensacional!

    São tantas frescuras que inventam e nós nos criamos com tudo aquilo e estamos bem.

    O que será deles que tanto se cuidam, com as nossa idade???beijos,chica

    ResponderExcluir
  2. Adorei esse seu texto, Helô! Muito oportuno!

    Sei não, mas desconfio que a "epidemia" de obesidade tem mais a ver com o ócio, a falta de exercícios... E também com o aumento do tamanho das porções e consumo de alimentos industrializados.
    Minha menina é magrinha. Come muito bem, no horário das refeições, comida caseira e saudável. Não dispensa feijão. Adora saladas e frutas. E come, sim, doces. Mas prefiro bolos caseiros sem recheios, compotas, doces de frutas... Bolacha recheada, refrigerantes, balas, salgadinhos "de isopor", isso nunca tem em casa. Ela vai e volta a pé da escola, faz capoeira, brinca muito de correr ao ar livre...

    Ah, sei lá... Acho que sou de antigamente, viu?

    (para claras em neve, tenho um truque para usar. Em pavês, dá certo: bata as claras em neve com o açúcar, até ficar durinha. No final, acrescente água fervendo. A água "cozinha" as claras, e altera muito pouco a textura e o sabor.)

    beijo

    ResponderExcluir
  3. É mesmo, minha amiga, a gente tomava gemadas, mingaus com canela, melzinho com limão e ficávamos curados de gripe e dor no corpo. Minha mãe dizia que levantava até defunto. hehe Coisas de sua mineirice.
    Hoje, mandam nossas crianças tomarem logo antibióticos ou remédios alopatas sem critério nenhum.
    Eu mesma, estou tomando um antibiótico há mais de 10 dias e é uma pedrada de grande, mas a tosse ainda aparece vez em quando.
    bjs cariocas

    ResponderExcluir
  4. Olá, Helô,

    Você trouxe à baila um assunto que anda me inquietando muito! Eu também tomei muita gemada e até comi ovo cru, numa época em que isso fazia parte de certa dieta (eca é nojento, rsrs). Dito isso, era de se imaginar que eu estivesse me lixando para as neuras modernas, com relação ao ovos crus, né? Mas não estou! veja só o que é o poder da sugestão. Outro dia - como cheguei a mencionar aqui - tive de fazer um bolinho por encomenda. Ocorre que a pessoa que o encomendou(uma médica experiente e conceituada) queria que a cobertura fosse feita com o antigo e saboroso glacê mármore. Ah, isso me travou completamente, e eu fiquei aterrorizada com a possibilidade de haver contaminação nas claras! Acabou que o bolo nem ficou tão bonito quanto poderia, por causa dos meus receios paralisantes, afe!
    Beijinho e boa semana.

    ResponderExcluir
  5. Oiiii
    que delícia de Blog!!! amei as dicas!!!
    parabens
    bjinhus

    ResponderExcluir
  6. Helô,
    As gemadas nunca foram do meu agrado e lá em casa só eram servidas com leite quente, mas os glacês com claras cruas foram a tônica por muitos anos. Hoje em dia já existem os ovos pasteurizados, que eu nunca usei por acaso.
    No geral, acho que há um certo exagero.
    Bjs.

    ResponderExcluir
  7. Helô,

    Vou além e penso que a falta de consumo de açucar deve deixar o pancreas preguiçoso.
    Acho tudo um enorme exagero. Há sim que se tomar cuidado, mas pior que os riscos que sabemos haver são os que não temos conhecimento, os diversos hormônios e implementos que ingeridos sem saber.
    Se fossemos realmente deixar de comer tudo que poderia nos levar à alguma contaminação desconfio de que teríamos que cultivar nossa própria horta e criar nosso próprios bichos, só assim.

    Bjs, Elaine

    ResponderExcluir
  8. Ótimo post vovó!
    Realmente, não sei como "sobrevivemos", rsss. Acho que vivemos um exagero de muitas coisas no tempo de hoje. É às vezes, isso é muuuito chato.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  9. Helo, hj tem tanta frescurice ne!? um saco!!! claro que algumas coisas sao pra serem seguidas... mas um abuso as vezes nao mata ninguem... comi detudo na infancia e hj to otima!Nao morri! rs! beijos

    ResponderExcluir
  10. Oi, Helô!!!! Adorei o texto, mas preciso comentar que não sou muito fã de ovo, embora adorasse alguns doces portugueses na infância! Depois de adulta fiquei meio fresquinha! Adorei o seu e-mail e já estou te seguindo! Um grande beijo!!!!

    ResponderExcluir
  11. Helô, eu tb penso assim. Privilegio a alimentação saudável, sem exageros. No meu tempo comíamos tanta procaria e nem por isso ficamos obesas nem com problemas. A questão é o sedentarismo das crianças de hoje, criadas em apertamentos e em frente à TV.
    Gosto de incluir coisas que lembram minha infância na alimentação das minhas filhas. Isso irá deixar um gosto gostoso de saudade no futuro...
    Bjs

    ResponderExcluir
  12. OI Helô, tudo bem?
    Mamae ja voltou ao Brasil, deu um aperto no coraçao, mas a vida continua e espero que daqui uns 6 meses nos veremos novamente...
    Eu amo gemada, e meu pai que batia os ovos pra mim e minhas primas, nossa que delicia...
    bjuss

    ResponderExcluir
  13. OI Helô, tudo bem?
    Mamae ja voltou ao Brasil, deu um aperto no coraçao, mas a vida continua e espero que daqui uns 6 meses nos veremos novamente...
    Eu amo gemada, e meu pai que batia os ovos pra mim e minhas primas, nossa que delicia...
    bjuss

    ResponderExcluir
  14. Helô como as coisas mudaram, como a vida mudou. Não gosot de saudosismo mas que era bom não dá pra esquecer. Nossa alimentção era maravilhosa e brincávamos de correr, livres e soltos no quintal. Talvez aí esteja a diferença na balança. Hoje video game, computador, apartamentos fechados, medo da violência. Realmente isso não podia acabar bem. Bjs

    ResponderExcluir
  15. Oi, Helô

    Tudo que vc escreve só me faz sentir saudades e refletir sobre a nossa atual realidade. Tá difícil!

    Bjs no coração!

    Nilce

    ResponderExcluir
  16. Querida Heloisa, eu tomei muitas gemadas. Lembro do quanto era gostoso: bem quente e doce. Tinha gosto de saúde!

    Hoje, realmente, essa história de que tudo oferece risco é um saco...

    Beijos, querida Vovó

    ResponderExcluir
  17. Oi amiga...
    Me transportei para minha infância e tudo de bom que aprendi e comi...
    Hoje comemos com tabela nas mãos...Um cuidado exagerado em casa e na rua nossas crianças comem o que querem...
    Um geração de paranóicos está se formando...infelizmente!
    Um bejim e uma linda semana prá vc!

    ResponderExcluir
  18. E voce já parou pra apensar que nao existia obesidade?
    Hj tudo é proibido e iventaram uma tonelada de Cereais que faz bem ate pra alma.
    Um dia peswuisa medica informa que comer ovo aumenta o colasterol outro dia apaga tudo...pode comer ovos. Eu uso o meu bom senso e so nao como algo estragado. quando faço vitamina coloco uma gema crua e até agora a salmonella nao me pegou.
    bjs pra ti

    ResponderExcluir
  19. Heloísa,
    também eu comi muitas gemadas na infância, e era um pitéu que eu adorava! Hoje em dia há uma campanha enorme contra certos alimentos, e os ovos são uma das maiores vítimas dos "gastrochatos"!! Eu não acredito que sejam assim tão prejudiciais, e faço questão de os usar sempre, porque é um alimento de que gosto muito, e a Carolina idem. Mas há muita gente que faz questão de fazer certas receitas "SEM OVOS", e orgulham-se muito disso, como se usar ovos fosse quase como usar veneno...
    Não há paciência!

    (Desculpe a ausência, mas tenho estado privada de internet em casa)

    beijinhos

    ResponderExcluir
  20. Eu ignoro um pouco tantas recomendações e levo uma vida mais tranquila, sabendo até que posso correr riscos, mas, como meu blog diz, "sem medo de ser feliz"...
    Um dos alimentos para mim, que chega a ser quase sagrado é o ovo, e mesmo com tantos "riscos", prefiro arriscar em prol dos tantos benefícios para a saúde. Sempre tomo gemadas, ovos cozidos, ovos quentes (meu favorito), suspiros e marshmallows. Só tento não abusar: não como mais de um ovo a cada três dias, nem costumo comer ele frito.
    Fora isso, eu os amo!
    Assim como amo você e seu blog.
    Beijos e felicidades, e gotinhas de orvalho no seu coração

    ResponderExcluir
  21. Oi Helo
    Que delicia de post! Olha eu tomei gemada a até nao poder mais e era tao magrinha que o apelido de Olivia Palito persistiu por anos a fio.
    Mais grandinha pegava escondido da mamáe um calice de vinho do porto e a gemada ficava simplesmente um delirio.
    Quando era bem pequena a vovó que era portuguesa fazia a gente engolir o tal do ovo quente.
    Mais tarde adorava comer ovo mole com arroz (gosto até hoje)...
    Se um dia vc. tiver a oportunidade de estar com a netinha num sitio desses que tem galinha caipira, faz essas delicias para ela que nao vai matar não (claro tem que ser com aquelas galinhas criadas comendo farelos igual de antigamente).
    Vou ler a cronica da Nina, tenho certeza que deve ser hilária...falar das paranóias dos tempos modernos sempre rende assunto nénão?!
    E nós que eramos felizes e nao sabiamos!
    bjk
    ps se puder me envie seu e-mail(nao consegui localiza-lo por aqui)
    yvonepereira@uol.com.br

    ResponderExcluir
  22. Eu a-do-ra-va gemadas! E era muito mais saudável do que comer todos estes doces, balas e sorvetes que se encontram agora.

    E tinha ovo quente, lá pelas 10 da manhã: clara cozida e gema meio molinha. Minha avó sabia o tempo exato!! Ia um pouquinho de sal, mas quase nada, comparado a todo o sal que vem embutido em todos os alimentos processados.

    Não dá pra encucar, não!

    Belo post!

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário. Depois é só escolher uma identidade. Se você não tiver conta google, clique em nome/URL, logo abaixo. Coloque seu nome e, depois, clique em Publicar. Vou adorar ler o que tem a me dizer.