quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Idoso e família

Caminhando na praia, vi sentadas num banco, de frente para o mar, uma senhora bem idosa e sua acompanhante. As duas estavam de mãos dadas e com as cabeças encostadinhas.

A senhora estava com os olhos fechados, e a jovem, devidamente uniformizada, encostada na idosa com um olhar amoroso.

Pensei, então, como essas moças contratadas para acompanhantes de idosos acabam se afeiçoando a eles e, muitas vezes, transformando-se na única, ou quase única, fonte de carinho e atenção para os mesmos.

Pensei, também, em como deve ser enorme o número de idosos que, embora com família, muitas vezes família grande, não merece ainda que esporadicamente uma visita dos seus descendentes. São filhos, netos e bisnetos, que poderiam levar, por algumas horas, um pouco de carinho, um clima de alegria (principalmente quando acompanhados por crianças) e um “ar” de família ao local onde os idosos residem: sua casa ou abrigo.

Pensei, ainda, como é difícil dar amor, e manifestar carinho para alguém que já não pode retribuir. 

Para uma criança, é fácil. Damos carinho e logo recebemos um sorriso, ou uma risada.

Para um idoso, quando mostramos afeição, muitas vezes sequer recebemos um reconhecimento da nossa pessoa. Anos atrás ele conhecia todos os seus descendentes e, com certeza, interessava-se por eles. Nessa época, a convivência era diferente. Porém, com as mazelas da idade, tudo muda. E a vida moderna, com todas suas dificuldades, necessidades e individualismo, colabora para o distanciamento dos familiares. Assim, principalmente os jovens, acabam se afastando. Talvez não encontrem sentido numa visita em que, muitas vezes, não serão reconhecidos.

Acho, contudo, que uma coisa é certa: a sensibilidade dos idosos se mantém. A necessidade de amor e de afeto, também.

Por isso, penso que aqueles que devem sua vida, lá longe, a um ato de amor desses idosos, poderiam ser generosos, no sentido de se programar para visitar seus velhinhos de vez em quando, nem que fosse para poderem passar alguns minutos de mãos dadas com eles, e com as cabeças carinhosamente juntas.


Fotos daqui e daqui.


23 comentários:

  1. Sabias palavras, é o minimo que podemos fazer pelas pessoas que ajudaram tanto no nosso crescimento, não tenho avós desde quando criança mais me apeguei muito na avó do meu marido que tb nos deixou à pouco, gostava tanto dela que chamava de vó, sinto muita saudade dela.
    Helô me lembrei da senhora quando me levantei, estava passando uma reportagem na TV sobre a ciclovia em Santos e entrevista com as pessoas que frequentavam, muito bonito o lugar.
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Belíssimo texto Heloisa,já percebi e acho inexplicável, pessoas que se mostram carinhosas com crianças, e não são carinhosos com os idosos.Esse carinho para mim , se torna até suspeito. Eu estou aprendendo muito ao postar para e sobre a 3a. idade, através de leituras e da convivência amorosa com os meus pais. E por isso cheguei a conclusão que quem intitulou essa idade como a Melhor Idade, cometeu um grande equívoco. A Melhor Idade na minha visão hoje, é qualquer idade, aonde somos respeitados e tratados com carinho como todos nós merecemos, independente da idade que tenhamos.
    Você permitiria que oportunamente eu reproduza no meu blog a sua postagem? Claro que colocarei a origem e a autora... rs
    abraços,

    um grande abraço,

    ResponderExcluir
  3. Helô, hoje num blog de uma pessoa amiga e muito querida li um post maravilhoso falando do idoso num outro ponto de vista;
    O link é este aqui, passe por lá, tenhp certeza que a Célia vai gostar da sua visita:
    http://celiarodrigues-prisma.blogspot.com/

    Agora chego aqui e esse seu post tao humano tao cheio de amor.

    Gosto muito de verso na Bíblia que diz: " A boca fala daquilo que o coracao está cheio."
    Seu coracao está cehio de amor pela terceira idade e por isso você nos trouxe essa linda reflexao.


    Um grande beijo

    ResponderExcluir
  4. Eu confesso que tenho um carinho especial pelos idosos... mais até do que aquele que tenho por crianças e adorava trabalhar com eles :)

    ResponderExcluir
  5. Sempre profunda e magnifica em suas colocações.
    Trabalhei com idosos por algum tempo e ate hoje relembro o quanto recebia em troca do pouco amor que podia dar a eles nas pouquissimas horas que ficava por lá como voluntaria.
    Tão solitários e sensiveis que ao encontrarem uma mão a afagavam ate sentirem-se esvaziados de todo carinho que ainda tinham capacidade de doar.

    sempre grata pela energia que encontro aqui vinda de vc
    beijo

    ResponderExcluir
  6. Querida,vc faz reflexões tão doces que sempre mostram a pessoa amorosa que é!
    Bjs

    ResponderExcluir
  7. Oi Minha Flor...

    Que bonito posta este!
    Parabéns pela sensibilidade. Tão bom ver isto hoje em dia, onde o mundo parece tão cruel com os idosos.
    Obrigada pela visita.

    Bj

    ResponderExcluir
  8. Lindo post, vovó, como sempre!
    Tocante, profundo, verdadeiro e belo. Sempre fui muito apegada aos avós e passo isso para meu filho, que tem o privilágio de ter "bisos". Beijos e parabéns pelo texto que nos faz refletir.

    ResponderExcluir
  9. Heloisa ,
    lindo seu post .Realmente precisamso tratar nossos idosos com carinho ,não custa nada ,né ??e eles já fizeram tanto por nós .
    Beijos e ótimo fim de semana

    ResponderExcluir
  10. Boa tarde, Helô!
    Eu também tenho este olhar holístico e incluo os velhos também, pois até gosto de conversar com alguns, ouvir suas histórias de um passado interessante. Fiz um post há meses sobre a visita que fiz a uma tia idosa de quase 100 anos que está aqui numa Casa de Repouso e que é muito querida, levei até a mamãe comigo e ela adorou conversar com a tia. O problema é que ela esquecia quem eu era de 10 em 10 minutos e aí tinha que relembrá-la quem eu era, mas valeu a visita e assim que der estarei voltando.

    Outra coisa importante é a aceitação dos mais velhos com sua idade, com a velhice literalmente falando, pois conheço pessoas que não a aceitam e aí fica até difícil para a gente se aproximar, fazer carinho, tratá-la com a delicadeza que uma senhorinha idosa merece e precisa. Porque é muito legal também ver esta aceitação nas pessoas. Uma velhice dura e rejeitada pela própria pessoa somente afasta os demais, principalmente os mais jovens.
    Não sei se deu para entender o que eu estou querendo passar, mas é isso.

    super beijos cariocas

    ResponderExcluir
  11. Heloísa,

    Esse é um drama tão comum e real, idosos que não conseguem mais ter a atenção da família, muito menos o amor. Eu sei que é difícil para as famílias cuidar dos idosos, mas é uma questão de honra e de obrigação... Enfim, mil coisas, cada caso é um caso.


    Bj,

    C.

    ResponderExcluir
  12. Querida prima, mais uma matéria generosa e necessária nesse dias de tanto egoísmo, falta de reconhecimento e solidariedade. Parece que se ignora que as fases da vida se sucedem para todos e que um dia também se chega lá. Me tocou muito tudo o que você escreveu. A propósito, o artigo da Roseli Syão dessa semana está muito bom, o coloquei no meu blog e tem sim relação com o seu
    beijos
    Cecília

    ResponderExcluir
  13. Helô, eu simplesmente não consigo entender como os familiares deixam os idosos em abrigos ou azilos. Aquela pessoa idosa cuidou do filho a vida inteira e quando envelhece, não serve mais para a sociedade? Não, eu realmente não entendo. Tenho uma lembrança de quando era criança, com uns 6 anos, e uma visinha idosa foi para um abrigo, levada pelo filho. Nunca me esqueci daquela cena, e, mesmo depois de grande, nunca consegui gostar do filho dela, por ele a ter colocado lá e por ela ter morrido de tristeza pouco tempo depois. Pra mim os idosos são verdadeiros tesouros. São estórias maravilhosas, vividas de verdade... E quando já tem tem lembrança, fica o amor e carinho.
    Assino embaixo das suas palavras e acho que todos deveriam tirar um tempinho para aprender com os idosos. E quanto mais fragilizados estão, mais nos ensinam o que é o poder do amor.
    Beijos e bom fim de semana!

    ResponderExcluir
  14. Oi, Heloísa. Nós que temos mãe já bem idosa (a minha faz 84 este mês), sabemos o quanto eles precisam de atenção. Minha família é enorme, 10 filhos, 20 e poucos netos, 20 e poucos bisnetos...No entanto, Mamãe passa a semana inteira às vezes sem uma visita...Só aos domingos uns poucos de nós, filhos, 2 ou 3, e alguns netos, também 2 ou 3, passamos com ela.Não é fácil. Nem sempre se ter família grande significa ter companhia. Felizmente ela tem a casa dela, é lúcida, ativa, e vai levando a vida. No geral, o que se vê, são nossos idosos abandonados à própria sorte, relegados a um canto qualquer de uma casa. Muito triste.

    ResponderExcluir
  15. Uma vez, caminhando no calçadão, vi um jovem enfermeiro com a mão sobre o joelho do idoso do qual cuidava, em uma cadeira de rodas, e os dois assistiam a uma pelada na areia. Chorei.

    Um beijo, querida Heloisa

    ResponderExcluir
  16. É preciso mesmo uma dose de respeito, reconhecimento e amor! Nossos velhinhos merecem cuidado e carinho. E vai me dizer que as pessoas não tem um tempinho para visitar seu idoso? Não creio...
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  17. Que texto belo! E sábio.

    O amor, em todas as idades, e de todas as formas, é sempre necessário ao bem viver.

    beijo!

    ResponderExcluir
  18. OI Heloísa, tudo bem?
    Lindo seu post, e muito verdadeiro também.
    Quando morava no Brazil todas as tardes de domingo ou sábado era sagrado ir na casa da minha avó materna, lá ficavamos conversando, fazendo as unhas dela.
    Idosos todos nós um dia vamos ser também, faz parte da nossa natureza, e é nossa obrigação trata-los com carinho e amor.
    Bjusss

    ResponderExcluir
  19. Ai Helo... você e seus textos lindos e que nos fazem pensar...
    Meu avô morou conosco até seus 92 anos e era muito triste ninguém aparecer para visitas... E olha que ele teve 12 filhos e muitos netos, bisnetos e até tataranetos. Mas eram raras as visitas...
    Uma pena, pois ele estava lúcido e perguntava de todo mundo...
    Sabemos que é preciso muuuuuita paciência, mas é o mínimo que podemos fazer para retribuir quem nos deu a oportunidade de estar aqui nessa vida, né?
    Abraços e uma excelente semana!
    Rô Gratão
    rosangelagratao@gmail.com

    ResponderExcluir
  20. Heloísa

    já quase tudo foi dito, mas uma coisa que me choca muito é os idosos serem "atirados" para certas instituições onde são apenas mais um, onde raramente recebem algum carinho. Talvez nem todas sejam assim, mas estou convencida que a maioria é.
    Outra coisa é as pessoas pensarem que por terem filhos vão ter apoio na velhice, mas isso muitas vezes não é verdade. Como já disseram aqui, e todos nós sabemos, infelizmente são poucas as pessoas que prestam a devida assistência aos seus familiares idosos. É muito triste e sobretudo injusto.

    bjs

    ResponderExcluir
  21. Helô, fico muito triste quando vejo velhinhos abandonados, seja na rua, em praças, hospitais, casas de caridade ou mesmo nas suas casas. Muitas vezes são "móveis" como outros quaisquer nas casas das famílias. Como esquecer de tudo que fizeram e passaram? Como não cuidar com carinho e cuidado desses que nos deram vida? Que nos ensinaram a caminhar?
    Concordo com você, vamos alegrar a vida deles!
    Um beijo carinhoso!

    ResponderExcluir
  22. É verdade hoje a nossa sociedade trata tão mal os nossos velhinhos, aqui tem familias que depositam os idosos em lares e não querem saber mais deles, até nos hospitais os abandonam.
    Eu tenho muito respeito e não posso ver ninguém maltratar os nossos velhinhos.
    Um beijo amiga

    ResponderExcluir
  23. Olá, Heloisa!
    Vim aqui por indicação da Geórgia para ler seu post sobre a terceira idade. Também escrevi, há alguns dias, sobre problemas específicos dos idosos. Muito bom o seu texto! É real a dificuldade que os idosos têm em obter a atenção e o cuidado de que eles necessitam.
    Parabéns pelo belo texto!

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário. Depois é só escolher uma identidade. Se você não tiver conta google, clique em nome/URL, logo abaixo. Coloque seu nome e, depois, clique em Publicar. Vou adorar ler o que tem a me dizer.