domingo, 4 de outubro de 2009

Mimos para os idosos

Difícil é dizer, com exatidão, qual a idade em que a pessoa pode ser chamada de idosa. Mas, como é necessária uma classificação formal, convencionou-se a idade de 60 anos.

No Brasil há uma legislação que garante, aos idosos, tratamento preferencial em diversas situações, e também redução no pagamento de ingressos para eventos culturais e de lazer.

Graças a isso os maiores de 60 anos têm direito a atendimento prioritário nos estabelecimentos públicos e privados, o que significa que não precisam enfrentar filas.

É verdade que isso nem sempre é respeitado, e o idoso, muitas vezes, precisa passar pelo constrangimento de “furar” a fila.

O mesmo em relação aos estacionamentos que garantem vagas para os portadores de deficiências, e para os idosos. Quase sempre essas vagas são ocupadas, desrespeitosamente, por quem não as necessita, o que torna mais difícil a vida daqueles para quem elas eram destinadas.

Essa é a nossa realidade. Temos um bom estatuto do idoso e se ele não é seguido, como deveria, é por problemas de falta de civilidade e, mesmo, de educação de base.

Já, fora do Brasil, parece que esse atendimento preferencial nem sempre existe. Não tenho como falar de uma forma generalizada, pois tentei uma pesquisa rápida sobre o assunto, mas não obtive resposta.

Posso falar sobre o que percebi na França, nos últimos dias. Não vi, em nenhum dos lugares por onde passei, qualquer alerta em relação a um atendimento diferenciado para os idosos.

Não sei se, no dia-a-dia, eles teriam necessidade desse tratamento privilegiado. Mas, no universo do lazer, esse tratamento seria muito adequado. Filas enormes, sem qualquer preferência para os idosos. Nos museus, e pontos turísticos, só escapam da fila aqueles que estão em grupo organizado. É claro que isso impede, com certeza, que um número maior de idosos possa aproveitar plenamente sua viagem. Qual o idoso que vai aguentar horas na fila para poder subir na Torre Eiffel?

O transporte público costuma reservar alguns lugares para os idosos e portadores de deficiência, mas não consegui perceber essa reserva em todos os que usei. Em contrapartida, encontrei, muitas vezes, jovens gentis que me cederam seu lugar.

Descontos pela idade?

Muito difícil.

Até estranhei quando vi que o maravilhoso passeio de barco pelo Rio Sena (bateau mouche) concede 50% de desconto para os maiores de 60. 




Além dessa redução no passeio pelo Rio Sena, tivemos também um pequeno desconto na exposição Picasso e Cézanne, no Museu Granet (em Aix-en-Provence). 



Existem reduções nas tarifas dos transportes, e no serviço de trens, mas para isso é preciso uma documentação especial. Não basta a prova da idade, como no Brasil.

Cheguei à conclusão de que, em mimos para idosos, nós no Brasil temos algo para ensinar.


Foto da fila na Torre, tirei daqui.

 

17 comentários:

  1. Lindas fotos do passeio de Bateaux, que adoro!

    Para mim tudo que você falou sobre prioridades foi novidade.
    Não imaginava que na França fosse assim...

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  2. Helô, o Brasil é um país relativamente jovem, estamos entendendo mais a dimensão de ser idoso agora enquanto que a Europa enxerga o velho de igual para igual, pois eles existem há muito tempo. Não sei se é isto, mas sinto por lá em alguns pontos, um maior privilegio aos idosos. Por exemplo aqui, aos 40, pro mercado corporativo você já era. Lá não! Maturidade é valorizada.
    O tema velhice ainda é cheio de segredos por aqui.
    É triste, porém verdadeiro

    bjos e boa semana

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  3. E olha que a Europa é um continente de idosos... Ninguém mais quer ter filhos por lá, só os imigrantes. Deve ser por isso que não dão desconto: são tantos idosos que eles iriam à falência. Ou será que os franceses nunca vão aos pontos turísticos? (Bem provável).

    A primeira foto é da ponte Alexandre III, um dos meus lugares favoritos em Paris. Beijos, querida Heloisa.

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  4. É, a Europa ainda é país de terceiro mundo em muitas coisas. Não se deixem enganar só porque é Europa...

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  5. Como você falou, no estatuto estamos bem, mas na prática fico chateada de ver o desrespeito às vagas.
    Também pensei na questão de haver muitos idosos por lá...
    Bjs.

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  6. Oi, Helô!
    Ainda estou por aqui. Que bom que nosso Brasil tem coisas boas como esta que vc está se referindo.
    Talvez seja como a amiga Carolina falou aí em cima, pois lá tem muitos idosos e são enxergados de igual para igual. No Canadá é muito comum ver senhoras com mais de 60 anos como vendedoras em grandes magazines.
    Meu marido comprou-me um presente antes de vir de lá com uma senhora bem idosa e que estava atendendo toda sorridente num shopping daqueles de sub-solo num horário bem tarde da noite.

    Helô, mas olhando esta linda ponte que vc nos deixou aqui de presente, fico imaginando quando o Rio terá este cuidado para mostrar aos turistas nossos monumentos?!
    Não consigo imaginar turistas por aqui vendo todo o descaso em que está nossa cidade. Tá difícil de enxergar tantas mudanças que teem que ser feitas para a tal olimpíada de 2016.

    grande beijo carioca

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  7. Helô, eu também fiquei de boca aberta quando meu professor do Senac, Chef Ignácio, nos disse que o Brasil é o país que tem as leis mais rigorosas quanto à higiene e preparação de alimentos e multas pesadíssimas para os estabelecimentos que fornecem refeições...diz ele que na Europa, a maioria dos cozinheiros e ajudantes de cozinha não usam touca e são poucos higiênicos...percebi ser verdade quando assisti o filme Sem Reservas, naquela cozinha nenhum cozinheiro se preocupava com a higiene. O Brasil, em certos casos, está anos luz na frente! Bjs

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  8. Queridas comentaristas,
    O tema velhice é complicado, e implica abordagens diferentes conforme o lugar em que vivem os idosos.
    Como disse a Beth, há muitos lugares em que eles ainda trabalham. Mesmo entre nós, isso é muito comum, e se o idoso for saudável, é assim que deve viver.
    Mas, de qualquer forma, mimo é bom, e aqueles que já viveram bastante gostarão muito de privilégios simples. Podem estar trabalhando, mas já imaginaram como é importante para eles não precisarem enfrentar filas? A energia ficaria concentrada no trabalho, e não precisariam se cansar nas outras atividades. E os descontos também têm uma grande importância, para que possam se motivar a ter atividades de lazer.
    Beijos para todas.

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  9. Heloisa,

    Na minha visão, mais do que leis que pouco são respeitadas aqui, tem muito mais com educação e respeito, sabe aquela educação bem oriental?... "se quer educar uma criança, comece pelos seus avós". Quando ensinamos aos nossos filhos, que os mais velhos merecem respeito por tudo que representam e pelos ensinamentos que nos passam e eles entenderem isso, não serão necessárias leis.
    Quanto os benefícios de ingressos, vejo mais uma vez a ganância, já que os empresários também sabem que a população do planeta, está ficando mais longeva.Se os estudantes pagarem meio ingresso e os idosos também, o faturamento ficará comprometido. Por outro lado, que lindo, os idosos tendo essa vida cultural intensa... beijos boa semana, e obrigada, pelas informações e fotos

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  10. "Helô", vim aqui por acaso, mas estou encantada com esse "lugar"! Aconchegante, bem escrito, tão rico... Amei, já sou freguesa... Um beijo e obrigada por compartilhar conosco toda riqueza de tudo que viu e vê!

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  11. OI Heloísa, tudo bem?
    Bom aqui na Holanda, nós pagamos tudo pela internet, porque os bancos não cobram aquele valor absurdo para fazer um debito na conta, e se você chega a um banco, já vem um atendente de encontro a você.
    Aqui a cultura deles, é andar de bicicleta, então meu vizinho de 83 anos, não sai de cima da bicicleta dele, e já vi muitos idosos andando de bicicleta.
    Como a Holanda é retissima, tem muitos carrinhos motorizados aqui em que os idosos vão ao mercado, entram com o carrinho, tem até um espaço para carregar as compras.
    Aqui são direitos iguais entre homens e mulheres, eles trabalham até os 65 anos.
    E conforme vamos conhecendo outros países e culturas, vamos comparando, e quanta coisa boa temos dentro do nosso país.
    Bjusss

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  12. Heloisa,
    Qdo estive na Europa reparei mesmo que na maioria dos lugares não há fila preferencial para os idosos. No entanto, também reparei que os idosos são a maioria, talvez por isso não tenham preferência. E que disposição que eles têm!!!!! Geralmente de bermudas, sandálias confortáveis nos pés, mochilas nas costas e mapas e máquinas fotográficas nas mãos, são de fazer inveja a muitos jovens. Nos EUA, principalmente nos parques da Disney, vi muitos idosos trabalhando com muita disposição!

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  13. Amiga Heloisa que bom que os idosos têm alguns beneficios no seu Brasil, a europa devia de por os olhos nesse gesto lindo.
    Eu tenho muito carinho pelos idosos deveria haver mais respeito por eles, talvez assim teriamos um mundo melhor.
    Gostei muito das fotos obrigada por partilhar esses momentos lindos beijinhos

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  14. Heloísa, aqui existem tarifas reduzidas para os idosos nos tranportes e uma fila prioritária nos supermercados, mas em tudo o resto não existe legislação, fica um pouco ao critério da pessoa deixar passar o idoso e nem todos fazem isso, infelizmente.
    As fotos são lindas, que saudades de Paris!
    Bjs

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  15. Helo,

    Acho que a questão passa, além da cultura, já mencionada, pela qualidade de vida. Em países mais desenvolvidos, as pessoas chegam á terceira idade com uma condição financeira e de saúde muito acima da que temos no Brasil. São integrados à sociedade, respeitados em seus direitos básicos. Leis para as "minorias" são necessárias quando existem as minorias, eu acho...Quando os direitos já foram conquistados, não são necessárias leis adicionais, embora a questão da fila que você colocou seja bastante pertinente.

    Tenho uma amiga alemã que esteve no Brasil quando eu estava grávida e depois quando minha menina era bebê que ficou impressionada com os privilégios que grávidas e bebês tem.

    bjo!

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  16. Oi Helô,
    Vc tem toda razao. Por aqui nao existe a prioridade para os idosos. Gravidas e portadores de deficiência ja conquistaram um espaço maior, mas os idosos continuam dependendo da boa vontade dos mais jovens para avançarem nas filas. O desconto que teve no Musée Granet foi uma conquista recente (acho que mencionei em alguma reuniao que tinhamos uma Lei que protege os idosos no Brasil), antes da exposiçao Picasso os idosos e os portadores de deficiência pagavam normalmente. Ja foi um avanço, mas a França ainda esta muito longe de todos os mimos brasileiros, o que é curioso em um pais onde os idosos sao quase maioria. Ah! Gostei muito do post sobre a amizade e mais uma vez vc esta COBERTA de razao. Beijos!

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  17. Oi Heloisa, acho quw na Inglaterra há um tratamento especial para idosos que abrange muitas coisas. Aqui nos EUA há descontos nos transportes públicos mas nada de fila especial...

    bjs

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