sábado, 25 de abril de 2009

Vim, vi e... venci (vencemos)

Há algum tempo eu vinha apresentando um pequeno problema de saúde, que pedia solução cirúrgica. Nada de grave, mas que incomodava.
E esse tipo de coisa não é fácil de resolver. Como o problema não mata, a oportunidade da cirurgia é decidida praticamente pelo paciente. É a chamada cirurgia de eleição, e qualquer programa ou evento acaba passando na frente dela. No meu caso, mudei a data algumas vezes: por motivo de casamento de parente, nascimento da netinha, crescimento da netinha, minha viagem para a Patagônia, viagem do filho, viagem da filha. Até que, há mais ou menos quinze dias decidi: é agora. Ainda tive que esperar o feriadão do dia 21 de abril (se puder, ninguém escolhe feriado para fazer cirurgia) e, antes que chegasse o feriado comprido de 1º de maio, marquei a cirurgia.
E aqui estou eu, recém-operada, digitando no meu notebook numa cama de hospital. Mais uma vez confirmei que problemas devem ser enfrentados. E também que não vale a pena ficar adiando a decisão.
O procedimento a que fui submetida é simples, correu tudo muito bem, eu estava bem tranquila, a equipe médica é muito boa. Por isso é que eu vim, vi e ... nós vencemos.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Leite Derramado II

Terminei a leitura do “Leite Derramado” do Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda). Em poucos dias li a história contada na primeira pessoa por Eulálio d’Assumpção, história essa que se inicia em tempos anteriores ao Império (há referências aos seus ancestrais portugueses) e vem até os dias atuais, com seu tataraneto carioca.

O livro é absolutamente cativante, por seu texto fluente, leve e ao mesmo tempo profundo. É sensível e tem humor. Trata-se de um monólogo de um centenário, “antigo aristocrata”, que terminal em um leito de hospital fala sobre sua vida e de sua família, ora para a enfermeira que o está atendendo, ora para sua filha. E ao contar sua história, no meio de seus devaneios e delírios, ele fala sobre a decadência de sua família, sobre seu amor idealizado (ou doentio) pela mulher, Matilde, com quem casou e que logo o abandonou, sobre os problemas de seus descendentes, sobre o esnobismo de sua mãe, sobre problemas raciais, sobre a solidão, sobre a impaciência dos jovens. Fala, volta para trás, repete, confunde, embaralha histórias do neto com as do bisneto, ou será com as do tataraneto? E, de repente diz :

“Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida”.

Eu, que sou fã ardorosa das músicas e poesias do Chico (letras de músicas), e que não havia lido nenhum dos seus livros (só conhecia Benjamim, porque vi e gostei do filme nele baseado), fiquei com mais um motivo para aumentar minha admiração por sua obra.

E agora, estou na espera para assistir ao filme Budapeste, que logo estará nos cinemas ou, melhor ainda, para ler o livro e ver o filme.


Tirei a foto daqui.

Crédito Bruno Veiga.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Retrato



"Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida a minha face?"


Ao ler esses versos tão reais, da grande Cecília Meirelles, lembrei de uma cena que vivi com minha mãe.

Certo dia, entrando com ela num ambiente espelhado, ela olhou e não se reconheceu. Fez, para mim, um comentário de surpresa e estranhamento.

E, com certeza deve ter pensado: " em que espelho ficou perdida a minha face?"


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Leite Derramado

Assim que tive notícia do nome do último livro do Chico Buarque, Leite Derramado, lembrei de um ditado que era muito repetido por minha mãe: não adianta chorar sobre o leite derramado.

Lembrei, também, que ela usava esse ditado mais como alerta, colocando no seu início uma chamada: depois não adianta chorar sobre o leite derramado. Com isso, queria nos dizer que deveríamos mudar nossa atuação, pois se continuássemos daquele jeito provavelmente o resultado não seria bom. E, daí, não iria adiantar chorar sobre o leite derramado.

Quando achava que estávamos sendo tolerantes demais com nossos filhos pequenos, dizia que “é de pequenino que se torce o pepino” e, em seguida vinha com o “depois não adianta chorar sobre o leite derramado”.

Chorar pelo leite derramado nada mais é do que é lastimar-se por algo que não pode ser recuperado, ou consertado, sendo que isso, em tese, poderia ter sido evitado se o comportamento tivesse sido diferente.

Seria o caso do estudante que não passa no vestibular porque não se dedicou aos estudos. Ou de pais que passam por dificuldades, porque não souberam dar limites para seus filhos. Ou de pessoas muito consumistas que acabam ficando com a vida financeira muito atrapalhada.

É verdade. Não adianta chorar sobre o leite derramado. 

O ideal é ter bastante atenção para evitar que o leite derrame. Mas, se ele derramar, o jeito é enfrentar a situação da melhor forma possível. Não dá para recuperar o que derramou, mas para alguma coisa deverá servir a experiência de se ter deixado o leite derramar.


 Quanto ao livro do Chico Buarque, li de um só fôlego os cinco primeiros capítulos. O texto flui de uma forma maravilhosa. Quando terminar a leitura, devo comentar algo sobre ele.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Almoço de Páscoa


Vou procurar os ovinhos. Eba! Achei um!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Comunicação

Quando eu era criança, a telefonia era extremante precária. Poucas eram as pessoas que tinham telefone em casa, e a comunicação por telefone era praticamente urbana.

Com o tempo, foi surgindo o serviço interurbano, mas que só se realizava mediante a intermediação de uma telefonista. Dava-se o número do telefone e especificava-se a cidade. Daí, aguardava-se que a telefonista completasse a ligação, procedimento que às vezes demorava horas.

É inacreditável, mas o serviço de discagem direta à distância, que parece que sempre existiu, é muito recente.

Por tudo isso, o principal meio de comunicação era a carta, e o serviço de correio tinha uma importância enorme. Do exterior, então, a correspondência era praticamente o único meio de comunicação entre pessoas. As ligações internacionais eram difíceis e caras.

Hoje, o avanço da comunicação é algo impressionante. Conversa-se com pessoas que estão do outro lado do mundo, com a maior facilidade. Pelo telefone, a discagem é direta e instantânea.

E o mais incrível é a comunicação pela internet. Fala-se enxergando-se o outro. Conversa-se como se estivéssemos muito próximos, embora separados por um oceano.

Fico pensando qual o entendimento que as crianças podem ter a respeito dessa comunicação. Outra dia, num mesmo período noturno, minha netinha, que tem 2 anos e 9 meses, conversou com sua mamãe, que estava na Europa, e com seu titio, na Oceania. Falou enxergando-os, e interagindo totalmente com eles. Mandou e recebeu beijos, e até ofereceu, para sua mamãe, um pedaço de bolo que estava comendo, dizendo que era para ela comer “de mentirinha”. Acho que, para ela, é difícil entender que existe distância, e que sua mamãe estava a quilômetros e quilômetros do seu alcance.

É uma coisa realmente fantástica.

Mas que também era muito bom, anos atrás, receber uma carta que se estava esperando, era. Ou, então, um postal de alguém querido que estava viajando. Aguardava-se o carteiro com grande ansiedade, e quando a correspondência chegava era uma alegria.

Hoje, o carteiro só nos traz faturas e publicidade. Acabou-se a magia das cartas.

Ainda bem que há outras magias, e que temos o som do computador, para nos avisar que alguém está querendo se comunicar conosco.



Mandando um beijo para a mamãe.


Pena que não tive a ideia de fazer as fotos quando a Isadora estava oferecendo bolo para sua mamãe. Pena, também, que estava usado um computador que não é o usual, e que tem uma verdadeira poluição visual de fios.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Passeando em Itanhaém



Itanhaém é a segunda cidade mais antiga do Brasil (1532) e seu nome vem da língua tupi. Ita significa pedra, e duas são as versões para o nome da cidade: pedra que canta, ou pedra que chora.

Fica no litoral do Estado de São Paulo, a 54 km de Santos. Tem 26 km de praias, pequenas enseadas e costões rochosos. É uma cidade muito tranquila e nela passei os últimos dias com minha netinha, que aproveitou para se espalhar bastante. E eu, além de ter aproveitado bem sua companhia, e acompanhado todos os seus progressos (ela está com quase 2 anos e 9 meses), acabei tendo uns gostosos dias de férias.

Aqui, parte dos registros de nossa pequena temporada:



Passe o mouse pelos slides.

sábado, 4 de abril de 2009

Palavras na moda


Filha viajando a serviço, neta com a vovó.
Depois de um dia de brincadeiras, meio inadequadas para a vovó, fiquei me sentindo moída (será que esse termo ainda é usado?). E foi então que me lembrei de minha avó Olga, que quando estava muito cansada dizia que estava “descadeirada”. Nunca mais ouvi outra pessoa usar essa expressão “estar descadeirada”. Talvez alguma das suas descendentes ainda a usem, por força de herança. Mas é algo que saiu de moda.
Sim, palavras também têm moda. E, no caso, não estou falando somente da gíria, que varia no tempo e no espaço. Mas de palavras, que embora firmes no dicionário caíram em desuso.
Outro dia, em que estávamos recordando fatos do passado, um dos meus irmãos disse: “como eu era muito travesso ....” e parou. Daí, completou : Nossa, que palavra mais antiga!
Travesso, travessura, peralta, meirinho, brotinho, bacana, ranheta ... Inúmeras são as palavras que já foram muito usadas, mas hoje estão absolutamente fora de moda, tanto que a maioria das pessoas desconhece seu significado.
E em outros casos, as palavras até estão por aí, mas o que ficou fora de moda foi aquilo que elas expressam. Vocês conhecem alguma?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ingenuidade


Amanhã embarcarei para Paris, em férias merecidas.

 Nossa, que coisa boa. Também quero ir!

1º de abril! Ha, ha, ha !

Eram brincadeiras desse tipo que marcavam o 1º de abril da minha infância, dia da mentira.

Sua blusa está suja.

Onde?

Aí atrás.

Não estou vendo.

Olha bem.

Depois que a pessoa se torcia para conseguir ver, lá vinha, quase gritado, o 1º de abril.

Era o dia em que se tentava enganar o outro, sempre com “mentirinhas” ingênuas. Todos sabiam que era o dia da mentira, mas bastava uma distração para se cair na mentira. 

E a comemoração por se ter conseguido enganar alguém também era ingênua. Resumia-se a falar 1º de abril com bastante ênfase e dar algumas risadas.

Não sei se esse costume ainda existe entre as crianças.

Mas seria muito bom se essa brincadeira das crianças se espalhasse, e as mentiras contadas por aí fossem ingênuas e limitadas a um só dia.

Não é o que se vê. Em muitos setores da sociedade, a mentira se institucionalizou. E, muitas vezes, é tão repetida, que acaba virando “verdade”. Triste, mas é verdade. E para isso, não dá para falar 1° de abril.