quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Delícia caseira

Embora eu goste muito de pão caseiro, há anos não coloco a mão na massa para fazer um.

Lembro que, na última vez que me propus a fazer, não pude aproveitar do resultado. Estava na nossa casa de Itanhaém, onde temos cachorros, e a festa foi deles.

Depois de sovar a massa, deixar crescer, modelar os pães, e colocá-los para crescer mais um pouco sobre um aparador, nossos lindos amiguinhos Boris (cocker spaniel) e Karloff (setter) entraram sem convite na cozinha, pegaram os pães, ainda crus, e foram saboreá-los no quintal. Fiquei “maluquinha”, e não deu para satisfazer minha vontade de comer pão caseiro naquele dia. Nem nos outros, pois desde então nunca mais me motivei a fazer pão com minhas mãos.

Nos últimos tempos estou perseguida por essa ideia. É um tal de ouvir de pão feito em casa, de ver imagens lindas de pães diversos, de notar que está se espalhando a utilização das panificadoras domésticas, de tomar conhecimento de receitas com ingredientes variados, que sucumbi.

Resolvi comprar uma máquina de fazer pão. E seja o que Deus quiser, porque com os pães sempre vem aquilo que não queremos: uns quilinhos a mais no nosso peso.

Como comprei a máquina ontem à noite, pela internet, antes de entrar na “modernidade” resolvi fazer, hoje, um pão à moda tradicional : com as mãos. Fui atrás de uma receita que fazia quando meus filhos eram pequenos e o resultado foi fantástico : dois pães enormes, que estão ultra-cheirosos e vêm carregadinhos de lembranças.


A receita é simples, e vale a pena deixá-la registrada. Como os pães ficam enormes, talvez seja melhor fazer quatro. Nas imagens, que estão fora de ordem, a massa dividida em duas tigelas, já crescida, os pães modelados, os pães modelados e crescidos, e depois de prontos.

PÃO DA TUTI (que o fazia muito bem, e que me cedeu a receita)

1 lata de leite condensado

1 lata de água morna

meia lata de óleo de canola (ou outro)

90 gramas de fermento para pão (fiz com o biológico fresco)

4 ovos

2 colheres (sopa) de açúcar

1 colher (chá) de sal

Bater todos esses ingredientes no liquidificador e despejar sobre um quilo de farinha de trigo. (Essa quantidade de farinha não foi suficiente para a massa ficar solta. Coloquei mais uma xícara, aproximadamente).

Dividir a massa ao meio, colocando em duas tigelas. Deixar crescer bem, tampada e num lugar resguardado. (Esperei mais ou menos 2 horas e 30 minutos).

Abrir a massa, dar o formato que quiser e deixar crescer novamente, já nas assadeiras. Se quiser, antes de dar o formato do pão, colocar um recheio feito com 2 colheres de manteiga e 4 de açúcar, bem misturadas. Passar gema sobre os pães e levar para assar, em forno aquecido. Leva mais ou menos 40 minutos.

Depois, é só fatiar e comer. Delícia.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vale a pena tentar


Não sou muito ligada em televisão, e pouco fico diante da “telinha”. Mas existem alguns programas que despertam meu interesse, e eventualmente sento para assisti-los.

Um desses programas é o Metrópolis, da TV Cultura, que gira em torno de programação cultural.

Em um dia da semana passada, em São Paulo, eu estava assistindo o Metrópolis, quando seu apresentador falou sobre o espetáculo do “Café de los Maestros”, e informou que o programa iria disponibilizar ingressos para cinco telespectadores. Fiquei bem atenta. Quase no final, ele deu as regras: as cinco primeiras pessoas que telefonassem para a TV Cultura dando resposta correta à uma pergunta, receberiam dois convites para o espetáculo. Formulou a pergunta (qual a cantora brasileira que cantaria na estréia dos “Maestros”) e informou o número do telefone.

Instantaneamente gravei o número, peguei o telefone e disquei para a TV. Fui atendida por uma voz eletrônica e tive a ligação direcionada para o programa Metrópolis. Ainda eletronicamente, respondi a pergunta, informei meu nome completo e meu número de telefone.

Na noite de 6ª feira, já em Santos, e achando que outras pessoas haviam sido mais rápidas que eu (pois o espetáculo seria no sábado) toca meu telefone. Sim, eu havia sido uma das cinco, e haveria dois ingressos à minha disposição, na bilheteria do Teatro. Uau! Fiquei ultra-feliz.

Logo que soube que os "maestros do tango" iriam se apresentar em São Paulo, eu havia pensado em comprar ingressos, mas o pensamento não se converteu em ato.

Primeiro, o susto com o preço do ingresso, e, depois, a "correria" que teríamos que enfrentar. Tínhamos um compromisso em Santos, no almoço de sábado, o que nos obrigaria quase que a um bate e volta: São Paulo para Santos, na tarde de 6ª, e Santos para São Paulo no final da tarde de sábado, para podermos ir ao show.

Mas com os ingressos “dados”, a vontade ressurgiu e resolvemos encarar a correria. Chegamos no Teatro quase que na hora, só com um pequeno tempo para um rápido lanchinho.

Nosso lugar, maravilhoso: nona fila da platéia.

O espetáculo, fantástico, como já contei aqui.

Viramos, um para o outro, e comentamos: ainda bem que viemos.

Ah! Se eu não acreditasse na possibilidade de ser uma das vencedoras, e se não tivesse ido atrás, teria perdido um espetáculo  que achei ... “imperdível”.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Café de los Maestros" ao vivo



Em janeiro desse ano publiquei um texto dizendo que havia tido "a oportunidade maravilhosa de assistir esse filme (documentário) especial, que apresenta os mestres do tango dos anos 40 e 50, anos esses conhecidos como a era de ouro do tango". 
E não é que no último sábado, tive a oportunidade mais do que maravilhosa de ver os "maestros" ao vivo?
Na platéia do Teatro Bradesco, em São Paulo, eu achava que estava vivendo um sonho, mas era realidade: no palco uma orquestra base, com piano, bandoneons e instrumentos de cordas, acompanhando e alternando-se com os músicos com 40, 50, 60 anos de carreira (em idade, os mais novos são septuagenários) . A emoção que o espetáculo provocou foi enorme, e chegou a suspender minha respiração ( e acho que de muitos mais) quando da apresentação de um bandeonista com 98 anos de idade. O teatro, que estava lotado, manteve-se em absoluto silêncio e imobilidade, como se estivesse diante de algo sagrado, acompanhando nota a nota a singela música interpretada pelo veterano dos veteranos, com suas nove décadas de bandoneon. Ao final, desse número, e dos demais, uma explosão de palmas e "bravos".


Sem dúvida, foi uma noite mágica. Músicos que entravam no palco com seus passinhos miúdos, quando começavam a interpretar mostravam toda a agilidade que conservam nas mãos e a firmeza na voz, e mostravam, mais que tudo, a paixão responsável por tanta alegria: a paixão pela vida e pelo que fazem.
Foi um espetáculo emocionante, mágico e que representou, sobretudo, uma grande lição de vida.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Desacelerar


Sempre fui tocadora de “sete instrumentos”, fazendo uma porção de coisas ao mesmo tempo. Como quero fazer tudo direito, acabo entrando num ritmo acelerado e cansando.

Durante minha vida profissional, e ainda com os filhos em casa, talvez esse comportamento tivesse justificativa, mas o fato é que me acostumei à correria, e muitas vezes me pego correndo sem necessidade. É hora, portanto, de refletir sobre isso.

E passando a prestar atenção na correria desnecessária, notei que leio os jornais aceleradamente.

Nunca fiz o treinamento de leitura dinâmica, mas talvez esteja usando métodos dessa leitura, pois num instante percebo tudo que o jornal está dizendo. Bato os olhos em uma folha, registro os títulos e subtítulos, filtro o que me interessa. E assim por diante. Ufa!

O mesmo na internet. Passo rapidamente de um site para outro, escrevo, pesquiso, ufa,ufa!

Percebo que esse tipo de comportamento cansa, e preciso aprender a desacelerar.

Estava justamente pensando nisso, quando ao ler a Folha Equilíbrio do dia 15/10/09 me deparei com o artigo da Rosely Sayão: “Apressando a vida”.

Nele, a autora diz que “a pressa tomou conta de nossas vidas”, afirma que “incentivamos a corrida sem fim dos mais novos” e indaga: “ Aonde precisamos chegar com tanta pressa?”

Isso me levou a pensar na cultura da pressa, que se instalou na sociedade. Estamos em outubro, e muitas das lojas das grandes cidades já estão preparadas para o Natal. Já há árvores de Natal à venda, e vários apelos comerciais. Os passeios de fim de ano já estão agendados, as viagens de “réveillon”, na sua maioria, já estão compradas. Ou é dessa forma antecipada, ou não se consegue fazer nada, é o que nos dizem. 

Desse jeito, fica difícil evitar a correria. Há um incentivo geral, que nos joga para a frente a todo o instante.

Para que tanta pressa? “Aonde precisamos chegar com tanta pressa?”

É verdade. Penso que justamente em virtude dessa correria é que sentimos o tempo passar tão depressa, e que temos a sensação de que, embora correndo, não conseguimos fazer tudo que gostaríamos.

Seria muito bom se conseguíssemos dar um ritmo mais lento à nossa vida, aproveitando cada momento, tal como fazem os moradores dos pequenos vilarejos. Lá, cada coisa no seu tempo. Estive há pouco numa cidade do interior de São Paulo, e não vi sinal de Natal. Que maravilha! Será que os que ali vivem, se queixam da falta de tempo?

 Ilustração daqui.

domingo, 18 de outubro de 2009

Almoço a dois


Não é comum almoçarmos sozinhos aos domingos mas, hoje, filha e netinha foram para São Paulo antes do almoço, e estávamos sem outras companhias. Não tínhamos nada pronto, e nem contávamos com ajudante para a cozinha.
Às 13 horas, a dúvida : Vamos almoçar fora? Será?
Não, vamos almoçar em casa.
Vendo o que tínhamos em casa, para um almoço gostoso e ligeiro, conseguimos o seguinte resultado:

Salada criada na hora, com ervilhas tortas (cozidas rapidamente em água fervente e resfriada com água gelada), coração de alcachofra (em conserva), pedacinhos de tomate, atum (em água), pedacinhos de queijo de cabra e de nozes. Molho com mostarda, azeite, sumo de limão, azeite balsâmico e sal.


Risoto de açafrão, feito da seguinte forma:
2 colheres (de sopa) de manteiga
cebola picadinha (meia cebola das grandes)
2 xícaras de arroz arbóreo
1 litro de caldo de galinha
6 a 8 pistilos de açafrão
meia xícara de vinho branco
2 colheres de queijo parmesão
mais duas colheres de manteiga
Modo de fazer – Desmanchar o açafrão no caldo de galinha quente, e deixar na espera.
Derreter a manteiga e refogar a cebola até ficar transparente. Colocar o arroz, refogando por 1 ou 2 minutos. Juntar o vinho, mexer bem, até evaporar. Ir colocando, aos poucos, o caldo de galinha com açafrão, sempre mexendo, até terminar o caldo e o arroz ficar cremoso e cozido.
Quando pronto, verificar o sal e, se gostar, colocar um pouco de pimenta do reino. Acrescentar as duas colheres de manteiga e de queijo parmesão.
Já no prato, colocar mais queijo parmesão, se achar necessário.


E, como sobremesa, uma mousse de chocolate meio amargo, feita da seguinte forma:
200 gramas de chocolate meio amargo, derretido em banho-maria com uma lata de creme de leite (dá para derreter no microondas).
3 claras
3 colheres de açúcar.
Derreter o chocolate com o creme de leite e deixar esfriar.
Bater as claras em neve, acrescentar aos poucos o açúcar, continuando a bater.
Misturar delicadamente o chocolate às claras e levar para gelar por 4 horas (era a única coisa que tínhamos pronta).
Enfeitar com damasco seco.


A preparação do almoço foi bem rápida, com a ajuda do marido mexendo o risoto, e num instante estávamos saboreando, com prazer, nossa gostosa obra gastronômica.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Boa base


Durante minha viagem pela França, no mês passado, várias vezes senti vontade de fotografar meus pés.

A foto que me fez reparar nisso foi no marco zero de Paris, bem na frente da maravilhosa Catedral Notre Dame. Ainda com a emoção sempre repetida da visita, focalizei meus pés e os do Berto, em ponto tão significativo, pensando talvez num futuro retorno ao local.


Depois foram os pés sobre calçamentos antigos, sobre piso de mosaico, apoiados sobre a beira do lago das Tulherias, sobre as pedras de Les Baux de Provence, sobre ruas vizinhas às ruínas romanas em Arles.


De volta, revendo as fotos, percebi que, inconscientemente, estava fazendo um registro-homenagem (por que não?) de parte tão importante do corpo : aquela que sustenta nosso peso, e que permite que andemos, que levemos nosso corpo em busca de novos caminhos, de novas belezas.

Sim, temos que dar graças por podermos andar com nossos próprios pés.

No caso, ele foram muito usados em nossa viagem, e espero que continuem, por muito tempo, com a firmeza que demonstraram, permitindo que eu vá, ainda, a muitos lugares sonhados e que ande por muitos caminhos “nunca dantes conhecidos”.



Sobre minhas andanças em Aix-en-Provence, escrevi aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Treino precoce

(Isadora e Bernardo, com suas mamães).

Minha netinha já está exercitando o cultivo das amizades. O primeiro amiguinho que fez na escolinha em São Paulo (antes ela esteve numa escolinha em Santos) mudou-se para Santo Antonio do Pinhal, pequena cidade do interior de São Paulo, bem próxima a Campos do Jordão. E como eles estavam sentindo falta das suas brincadeiras, suas mamães combinaram um encontro para aproveitar o dia das crianças, e temperar a amizade.
Os vovôs se integraram ao passeio, e aqui estou eu aproveitando um fim de semana prolongado em Santo Antonio do Pinhal, estância climática calma, cheia de verde, restaurantes simpáticos, lojinhas atraentes.

(Clique para ver ampliada).

Foi pena que não tivemos sorte na escolha da pousada e a tranquilidade da cidade não pôde ser aproveitada em sua inteireza. Como não conhecíamos a cidade, optamos por uma pousada no centro (Pousada Alemã), imaginando que um lugar com pouquíssimos habitantes obrigatoriamente seria sossegado. Desconhecíamos que a cidade é cortada por uma rodovia, que no trecho urbano tem nome de avenida, exatamente onde fica a pousada. E que essa rodovia tem trânsito pesado, que atrapalha bem o sono de quem não dorme fácil (e até dos que dormem bem).
De qualquer forma, boas lembranças ficaram: o encontro das crianças, as refeições gostosas em restaurantes simpáticos, as comprinhas de artesanato (e outras), a paisagem linda da serra da Mantiqueira, o passeio de trem, a ida rápida até Campos do Jordão e o crepúsculo na serra.

Almoço gostoso no Canto da Gula.


Peças do artesanato local.


Pôr-do-sol na Serra da Mantiqueira.

Da próxima vez a escolha certamente recairá por uma das pousadas charmosas um pouco afastadas do centro, mas tranquilas e envoltas pela beleza do verde e da serra.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Temperos para a amizade


Não é só o amor que precisa de cuidados para crescer e se manter. A amizade, também.
Até pode ser que amizades antigas, estabelecidas nos primeiros anos escolares, consigam enfrentar bem os afastamentos. Mas, de qualquer forma, não podem ser consideradas como amizades vivas, daquelas que dão segurança para um pedido de ajuda, ou de socorro (ainda que afetivo). São relacionamentos diferentes, que ficam mais no campo da memória.
Amizade verdadeira, que representa uma ligação forte, e que faz com que as pessoas envolvidas se sintam em sintonia, exige cuidados, atenção, demonstração de interesse e até preocupação. Exige, também, comunicação. Relacionamentos sem comunicação, acabam murchando, e até fenecendo. Se os amigos não se falam, não se interessam pelo que está acontecendo com o outro, não trocam gentilezas, a distância afetiva vai aumentando.
E é justamente por isso, que acho que as amizades estabelecidas virtualmente têm todas as possibilidades de crescimento. Comunicação, não falta. Atenção, demonstração de interesse, preocupação e carinho, sempre estão presentes.
Estou falando do mundo da blogosfera, do qual estou participando há pouco mais de um ano. Nesse tempo, tive a oportunidade de conhecer pessoas com quem me identifiquei muito, e com quem mantenho contato constante. Se escrevo algo, recebo comentários interessados e carinhosos. Se leio seus textos, procuro deixar palavras que exprimam o que estou sentindo. Se alguém deixa de escrever por um tempo longo, procuro saber o que aconteceu.
Esse contato frequente, e tão gostoso, estabelece amizades que crescem dia-a-dia, dando-nos a vontade de trazê-las para o mundo real.
Por outro lado, parece que as amizades reais vivem atropeladas pela correria do cotidiano, pelo desinteresse no cuidado constante, pelo desconhecimento da importância do cultivo. Muitas, estacionam. Outras, ficam como que hibernadas.
E algumas, acho eu, entram numa rota de afastamento. Amigas que não se vêem, amigas que não se falam.
A falta de tempo (?) não pode ser justificativa para o descuido em manter sempre vivas as amizades. É preciso interesse.

(Foto tirada em Aix-en-Provence)

domingo, 4 de outubro de 2009

Mimos para os idosos

Difícil é dizer, com exatidão, qual a idade em que a pessoa pode ser chamada de idosa. Mas, como é necessária uma classificação formal, convencionou-se a idade de 60 anos.

No Brasil há uma legislação que garante, aos idosos, tratamento preferencial em diversas situações, e também redução no pagamento de ingressos para eventos culturais e de lazer.

Graças a isso os maiores de 60 anos têm direito a atendimento prioritário nos estabelecimentos públicos e privados, o que significa que não precisam enfrentar filas.

É verdade que isso nem sempre é respeitado, e o idoso, muitas vezes, precisa passar pelo constrangimento de “furar” a fila.

O mesmo em relação aos estacionamentos que garantem vagas para os portadores de deficiências, e para os idosos. Quase sempre essas vagas são ocupadas, desrespeitosamente, por quem não as necessita, o que torna mais difícil a vida daqueles para quem elas eram destinadas.

Essa é a nossa realidade. Temos um bom estatuto do idoso e se ele não é seguido, como deveria, é por problemas de falta de civilidade e, mesmo, de educação de base.

Já, fora do Brasil, parece que esse atendimento preferencial nem sempre existe. Não tenho como falar de uma forma generalizada, pois tentei uma pesquisa rápida sobre o assunto, mas não obtive resposta.

Posso falar sobre o que percebi na França, nos últimos dias. Não vi, em nenhum dos lugares por onde passei, qualquer alerta em relação a um atendimento diferenciado para os idosos.

Não sei se, no dia-a-dia, eles teriam necessidade desse tratamento privilegiado. Mas, no universo do lazer, esse tratamento seria muito adequado. Filas enormes, sem qualquer preferência para os idosos. Nos museus, e pontos turísticos, só escapam da fila aqueles que estão em grupo organizado. É claro que isso impede, com certeza, que um número maior de idosos possa aproveitar plenamente sua viagem. Qual o idoso que vai aguentar horas na fila para poder subir na Torre Eiffel?

O transporte público costuma reservar alguns lugares para os idosos e portadores de deficiência, mas não consegui perceber essa reserva em todos os que usei. Em contrapartida, encontrei, muitas vezes, jovens gentis que me cederam seu lugar.

Descontos pela idade?

Muito difícil.

Até estranhei quando vi que o maravilhoso passeio de barco pelo Rio Sena (bateau mouche) concede 50% de desconto para os maiores de 60. 




Além dessa redução no passeio pelo Rio Sena, tivemos também um pequeno desconto na exposição Picasso e Cézanne, no Museu Granet (em Aix-en-Provence). 



Existem reduções nas tarifas dos transportes, e no serviço de trens, mas para isso é preciso uma documentação especial. Não basta a prova da idade, como no Brasil.

Cheguei à conclusão de que, em mimos para idosos, nós no Brasil temos algo para ensinar.


Foto da fila na Torre, tirei daqui.

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma relação tão delicada

Há alguns anos assisti, com minha filha, uma peça teatral exatamente com esse nome, “Uma relação tão delicada”, e que tinha no palco só duas atrizes: a Irene Ravache e a Regina Braga.

A relação enfocada era a de mãe e filha, e não preciso dizer que nós duas saímos chorando do teatro. Somos igualmente emotivas, e derramamos lágrimas até em situações alegres.

A Regina fazia o papel de filha, e a primeira parte da peça mostra toda sua insegurança quando a mãe saía de casa para trabalhar, ou passear, seu receio de que ela não voltasse, sua necessidade de amor.

Na segunda parte, ocorre a inversão de papéis. A filha cresceu, a mãe envelheceu, e agora é a Irene que fica desorientada quando sua filha sai para trabalhar, ou passear, é ela que precisa de cuidados, de carinhos especiais.

Sempre penso na mensagem dessa peça, e já percebo claramente essa lenta inversão de papéis.

E hoje, aniversário da minha filha, esse tema me veio à lembrança.

Parabéns, querida filha, e que esse elo tão forte que nos une também exista entre você e sua filhinha.