quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Responsabilidade e amor à vida




Há mais ou menos um ano, motivada por notícia publicada na Folha de São Paulo, escrevi sobre o amor à vida demonstrado por nosso atual vice-presidente, José de Alencar. Destaquei sua força, coragem e otimismo na luta contra doença que o persegue há algum tempo.

Na ocasião, submetendo-se a novo tratamento, ele pediu aos médicos que o “segurassem” pois logo ele teria mais dois bisnetos, e queria acompanhá-los até a formatura.

Fiquei encantada.

Tempos depois, também em leituras de jornais, li que após processo judicial de investigação de paternidade, o vice-presidente havia sido reconhecido oficialmente como pai da autora da ação. A decisão foi proferida depois de dez anos do ajuizamento da ação, ao que parece por motivo de sucessivos recursos protelatórios por parte do “réu”.

Intimado a fazer o exame de DNA, praticamente infalível para o reconhecimento da paternidade, ele se recusou e usou de todos os meios para descumprir a determinação judicial.

Diante dessa recusa, a paternidade foi reconhecida por presunção absoluta.

E, embora reconhecida oficialmente, continuou ele a ignorá-la. Não é a única pessoa pública, ou celebridade, a ter esse tipo de comportamento. Mesmo com todas as evidências e provas, muitos se mantêm em atitudes arrogantes, ignorando totalmente os filhos que conceberam.

É evidente que não se espera que, desde que reconhecidos como pais, passem a amar e cuidar dos filhos que até então viviam como desconhecidos.

Mas se espera que tenham atitudes dignas, e que passem a tratar seus filhos com civilidade e respeito.

E foi aí que aquele meu encantamento diante de pessoa tão forte, tão amorosa com a família, a ponto de querer acompanhar a vida dos bisnetos, sofreu um enorme abalo. Em entrevista a um programa de televisão, justificando sua negativa em fazer o exame de DNA, disse o vice-presidente que assim agira porque “ se não, amanhã, todo mundo que foi à zona um dia, pode ser”*  submetido ao exame de DNA.

E por que não?

Não acreditei no que estava ouvindo. Esse era o motivo pelo qual havia descumprido a determinação judicial?

E ainda por cima atingindo, de uma forma tão grosseira, as outras pessoas envolvidas? E com tanta irresponsabilidade?


(* Folha de São Paulo, 01/09/2010)

23 comentários:

  1. Oi, Heloísa. Assisti a entrevista dele, por 2 vezes: uma no dia e a outra na reprise, em outro canal, no domingo seguinte.
    Posso lhe dizer que minha admiração por ele não mudou, até cresceu.
    A história de vida dele é fascinante.
    Acho horrível ele não admitir a paternidade, mas o argumento dele é válido.
    Por que a pessoa deixou passar tantos anos para contar pra filha?
    Se ele fosse um "Zé Ninguém", essa pessoa o procuraria?
    Melhor seria que ele admitisse a possibilidade e fizesse o exame, para tirar a dúvida que possa ter.
    A filha em questão não tem culpa nenhuma, sei disso.
    Quanto à leviandade dele, em afirmar que conheceu a suposta mãe em uma zona, pegou mal mesmo.
    Imagina a pressão dos filhos dele (são 3) sobre ele, para não dividirem a herança com mais um...
    É muita coisa pra absorver, mas isso não lhe tira o mérito, só deveria ter ficado calado, se resguardado.
    Continuo gostando dele, é um homem simples, rude até, com um sorriso delicioso e inocente.
    Tomara que essa filha possa abraçá-lo um dia e o chamar de "pai".
    Beijo!

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  2. É espantoso mesmo ouvir isso de uma pessoa que até então era tida e visra com orgulho.

    Caiu a máscara!

    Ela não dura pra sempre,De um jeito ou de outro,mostram suas garrinhas!
    Que pena ver atitudes assim!beijos,chica

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  3. Lúcia,
    Também acho fascinante a vida dele, mas acho que nada justifica a fuga ao reconhecimento de um filho.
    A questão da demora pode se dever a vários motivos, entre os quais ignorância, desconhecimento de direitos, constrangimento, dificuldade de conseguir advogado que queira comprar uma briga com uma pessoa de nome, ou poderosa.
    Também acho que ele tem um sorriso deilcioso e inocente, mas durante a entrevista achei que não cabia aquele sorriso, que até ficou parecendo acintoso quando ele disse que não se submetia a chantagem. Falou tudo, sempre sorrindo.
    Se o caso estava em Juízo, não se pode falar em chantagem. Ele só estava sendo chamado para submeter-se a um exame, como muitos outros são chamados, e chamado a assumir eventual responsabilidade. Quem não deve, não teme.
    Enfim, achei um caso triste, e uma mancha numa história bonita. Não pelo fato dele ter tido a filha, mas nas atitudes que tomou.
    Beijo.

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  4. Acho horrível a atitude dele.
    Se a filha nasceu de uma relação inconsequente, nem por isso deixa de ser filha.
    Nada justifica seu comportamento.

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  5. Heloísa, concordo, sim.
    Acho que ele foi ingênuo, mais ainda, em falar sobre isso em público. Roupa suja se lava em casa.
    Uma pena que as pessoas que talvez não viram a entrevista, façam julgamento errado dele.
    O que se lê é muito diferente do que se ouve da própria boca de alguém.
    Não defendo o pensamento dele, só acho que isso tudo é muito triste, principalmente ele falar levianamente da mulher (a mãe da filha) e não admitir o exame. Quem não deve não teme.
    Mas acho que ele é ainda uma das poucas pessoas desse meio que merece crédito.
    Beijo!

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  6. Bem, eu não vi a tal entrevista e só estou tomando conhecimento disso agora, pelo link do Estadão que você colocou, mas penso também que ter um filho, não interessa se você já é mais velho e isso foi nos tempos de sua juventude, mas assumir em qualquer tempo é a atitude correta de um homem.
    Mais do que parecer você tem que ser.

    beijos cariocas

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  7. Querida Helô, sou filha de mãe solteira e abomino homens que não assumem seus filhos. Escrevi sobre o meu pai aqui:
    http://bordadoseretalhos.blogspot.com/search/label/Pai.%20Perd%C3%A3o

    http://bordadoseretalhos.blogspot.com/search/label/Pai.%20Perd%C3%A3o

    Não sabia dessa resposta do vice presidente. Para mim ele desceu no conceito. Que coisa triste. Bjs

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  8. Heloísa,
    concordo plenamente com você. Fiquei também decepcionada com a recusa e a grosseria. Mais uma decepção
    Cecília

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  9. Oi Heloisa, lembro do seu primeiro post sobre ele mas nao sabia que isso estava acontecendo.

    Todos somos responsaveis pelos nossos atos. Nao sei o que levou a mae a so se pronunciar agora mas eh fato e ele precisa assumir o que fez.

    Justificar-se dessa maneira so prejudica os involvidos.

    Nao o conheco entao so posso dizer que esse tipo de atitude eh irresponsavel e mesquinha.

    Bjs,

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  10. Querida Heloisa,
    Eu tive a oportunidade de vê-lo pessoalmente em um evento em que participei em Brasília e ele foi extremamente atencioso com as funcionárias a quem ele se dirigiu. Na ocasião ele se manifestou sobre sua doença de uma forma tão impressionante, tão guerreira, que muitos ficaram comovidos. Qdo soube dessa manifestação dele tão grosseira a respeito da filha, fiquei extremamente decepcionada. Lembrou-me muito do Pelé, que vive falando que se preocupa com "as criança"do Brasil, mas qdo apareceu uma "criança" pleiteando o seu reconhecimento como pai, ele a ignorou. Penso da mesma forma, o amor não surgirá da noite para o dia, mas comprovada a paternidade, não é possível que não surja, ao menos, a curiosidade a respeito daquela pessoa.

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  11. Incrível como certa gente tem a incrível capacidade de passar de bestial a besta num segundo, né?

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  12. José de Alencar nunca me enganou. Antes mesmo da primeira eleição de Lula para presidente, em entrevista para Boris Casoy disse o mineiro que a soloução para o problema israelo-palestino era Israel se mudar de lá. Dá pra acreditar?

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  13. Olá, Helô,

    Tive as exatas impressões que você registra, pelo nosso vice-presidente. E, curiosamente, uma pessoa que é estudiosa das coisas espirituais veio a me falar (depois das minhas ponderações sobre os fatos mencionados), que possivelmente os problemas de saúde que ora esse homem enfrenta estejam associados à postura inflexível que ele adota nas suas relações sociais. Segundo ela, nossa trajetória na vida tem por objetivo justamente nos fazer ver que devemos nos conduzir de forma altruísta e fraterna, especialmente nas situações que criamos (voluntária ou involuntariamente). E que deve ser a disparidade sobre o que ele julga aceitável (a família "legítima") e inaceitável, (a filha "ilegítima"), que provoca a dissonância na saúde dele. Eu acho que a vida é muito complexa, para julgarmos quem quer que seja de forma simplista, mas que esse assunto é muito digno de reflexão, ah, isso é!

    Um beijo e bom fim de semana.

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  14. Helo,
    Como vc, também fiquei estarrecida com a atitude dele, sempre o considerei um homem de caráter e honesto, digno e "cumpridor dos dveres".Achei essa atitude muito infeliz, e desfiz o meu pensamento. É uma pena, cada vez mais eu me decepciono com o ser humano, principalmente os públicos. Fico muito indignada, mas o pior é que fico triste, muito triste com esses atos.
    Vc colocou muito bem a situação toda. Parabéns.
    Bjs e Bom fim de semana,

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  15. OI, Helô,

    Voltei para averiguar o que escrevi, porque postei o meu comentário hoje bem cedinho, após uma noite mal dormida (eu estava meio grogue, essa é a verdade, rsrs). Então, não teve jeito, o meu comentário também ficou meio incompreensível, espero que você tenha entendido o que eu quis dizer, rsrs.

    Um beijo e desculpe.

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  16. Oi, Helô

    Também fiquei muito decepcionada com a atitude e as palavras dele.
    Eu que sempre o admirei fiquei triste com palavras tão grosseiras.
    Fora outros casos de famosos, como o de Pelé, um grande ídolo mundial.

    Se um dia nosso vice-presidente foi na zona, admita e não mascare as coisas.

    Absurdo!

    Muito importante vc colocar aqui esse assunto.

    Tenha um excelente final de semana.

    Bjs no coração!

    Nilce

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  17. Concordo com você Heloísa, toda a pessoa tem o direito de saber quem é o seu pai e de ser registada com o nome de ambos os progenitores. Ele pode até ser uma pessoa maravilhosa, mas nesse aspecto eu acho que ele falhou.
    Bjs

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  18. Concordo com você Heloísa, toda a pessoa tem o direito de saber quem é o seu pai e de ser registada com o nome de ambos os progenitores. Ele pode até ser uma pessoa maravilhosa, mas nesse aspecto eu acho que ele falhou.
    Bjs

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  19. É triste saber disso...o ser humano é tão inteligente, tem tanto talento, tantas qualidades, mas infelizmente quando se trata de dividir bens...o amor, o respeito, fiam em segundo plano.
    As mulheres sempre acabam sendo culpadas...fazem seus filhos sozinhas (???), carregam por nove meses no ventre e ainda enfrentam histórias como essa pelo resto de suas vidas...

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  20. Helô, também admirava este homem pela sua batalha, mas quando se apresenta este lado dele tão machista e arcaico da sua personalidade me decepcionei e caiu a máscara.
    Nenhum homem é obrigado assumir um papel que não quer, mas é fundamental ser digno com ele mesmo e com a sociedade.
    E finaliza agredindo de forma passiva a mãe da garota. Pra mim foi o fim de uma imagem muito diferente. Me lembrou muito o caso do Pelé. Toda aquela demagogia para o povo e hipocrisia na sua vida particular.
    Acho lamentável que as crianças inocentes paguem e levem a carga dos "erros" dos seus pais.
    Pra te falar a verdade este assunto me enoja, ainda mais quando vejo mulheres defendendo este tipo de atitude...

    Ótimo post!

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  21. Oi Heloísa...
    é realmente de deixar qualquer um indignado, uma postura dessas em um homem público, que deveria ser um exemplo para seus eleitores. Engraçado que também me senti assim, decepcionada ao assistir a entrevista na televisão. Adorei seu blog e seus textos, me tornei uma fã.

    Um grande beijo!!! Marisa
    Eu tb tenho um blog, apareça por lá...
    www.balaiodeideias-marisa.blogspot.com.br

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  22. Heloisa
    Parece que tenho uma xará nos comentários.
    José Alencar luta contra um mal que corroe o seu físico,agora deve estar lutando contra um mal que corroe a alma, que é o sentimento de culpa. Uma boca daninha que não pensou duas vezes ao fazer um comentário ridículo.
    Essa mulher que ele deixou uma filha para criar, o fez sozinha, mesmo sabendo que ele era uma pessoa influente, justamente para não se expor. Acontece que ele era o pai, e a filha tinha todo o direito de procurá-lo, e só o fez após o falecimento da mãe, para poupá-la. O não reconhecimento deixa uma mancha negra em seu currículum.
    Bjs

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  23. Helo
    Compartilho de sua decepção com José Alencar. Eu não sabia desta questão da paternidade.
    Isto não é motivo para descumprir uma determinação judicial.

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