quinta-feira, 31 de julho de 2008

Palavras mágicas

Outro dia fomos almoçar em um restaurante, e a Isadora, minha netinha, estava conosco.
Pedimos nossos pratos e, quando eles chegaram, ela foi a primeira a ser servida. Assim que o garçon colocou o prato ( que tinha batatas fritas, claro) na sua frente, ela olhou para ele e disse : “obrigada”.
Durante o almoço, quando sentiu sede, falou para a Priscila : “mamãe, favor, água”.
É incrível como ela aprendeu rapidamente essas palavras, e como sabe usá-las na hora certa, sem que ninguém precise lembrá-la.
A primeira dessas "palavras mágicas" que ela aprendeu - assim chamadas por Dª Valentina, minha 1ª sogra - foi “licença”. Logo que começou a falar as primeiras palavrinhas, quando ela queria passar e encontrava alguém na sua frente dizia “sai, sai” e até ajudava com sua mãozinha, para empurrar quem a estava atrapalhando. A mesma coisa quando ela queria sentar num lugar que já estava ocupado. Então, a “mamãe Pri” lhe disse que não era daquele jeito que ela devia fazer. Ela deveria pedir “licença”. Logo, logo, ela passou a usar o termo, sempre com muita propriedade.
Agora, para completar o time das palavras mágicas, só falta o “desculpe”. Essa ainda não está sendo muito utilizada, talvez porque ela não faça muita coisa que mereça um pedido de desculpas. Hoje, contudo, eu tive a oportunidade de perceber que é a mais difícil de ser usada. Fomos ao supermercado e, no final, ela teve uma crise de birra, jogando-se no chão e empurrando a babá. Chamei sua atenção, explicando que não podia fazer aquilo, que aquele comportamento estava errado e que, assim, não poderia mais ir ao supermercado com a vovó. Ela começou a chorar e pediu sua chupeta (que é sua muleta quando contrariada). Eu, então, falei que antes de ganhar a chupeta ela deveria pedir desculpas para a babá e para a vovó. Mais choro, mais explicações da minha parte. Até que, numa voz bem fraquinha, ela falou : "desculpa vovó, desculpa Mariana".
Sem dúvida, de todas as palavras mágicas, essa é a mais difícil de ser usada. Mas também, como diz a Priscila, não deve ser incentivada a todo momento, para evitar que se passe a idéia de que um pedido de desculpas resolverá tudo. Que o erro pode ser cometido e repetido, porque pedindo-se desculpas tudo estará resolvido. É preciso que se insista no comportamento correto, e que o pedido de desculpas não seja uma mera formalidade.

sábado, 26 de julho de 2008

Dia das avós















Isadora, com sua vovó Heloísa (2008)

Hoje, dia de Santa Ana, avó de Jesus, escrevo nesse espaço como avó e como neta.
Avó da linda Isadora, que há dois anos me enche de alegrias, que me inspirou a criar esse blog, e de quem tenho falado bastante em meus textos. Hoje, logo cedo, ao atender o telefone, escutei uma voz bem levinha me dizendo : “Parabéns, vovó”. Foi uma delícia! Espero, por muito tempo, manter com ela essa troca de carinho e amor.
Sou neta da querida avó Olga, de quem guardo suaves lembranças. Embora, quando pequena, não tenha tido muita convivência com ela - que morava a quilômetros e quilômetros de distância, numa época em que a distância era difícil de ser vencida - sempre tive por ela muito amor e uma ligação especial.


Minha avó Olga tinha um olhar doce, um ar delicado, aquele jeito amoroso ... de avó.
Quando ela partiu, aos 93 anos, eu tive a nítida impressão de que uma parte minha tinha ido com ela.
Avós, avós ! Só falta falar da avó dos meus filhos, minha querida mãe, avó presente, que muito me ajudou, e que, tenho certeza, ocupa um lugar especial no coração do Gustavo e da Priscila. Foi com ela que eu sempre contei, quando meus filhos eram pequenos, e foi com ela que aprendi que amor de mãe é incondicional.
Acima, minha mãe, a vovó Norma, de mãos dadas com meus filhos Priscila e Gustavo, em dezembro de 1971.
Na parte central, eu, agora vovó Helô, com minha mãe (vovó Norma) e minha vovó Olga. Fotos tiradas em janeiro de 1968 e novembro de 1963.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Programa de domingo


Há muitos anos que eu não participava de programas culturais de crianças.
Acho que os últimos foram os da Sessão Coca-Cola, com desenhos infantis exibidos no cine Roxy, em Santos. Era o programa das manhãs de domingo, quando meus filhos eram pequenos. No verão, normalmente, passávamos o dia no Clube de Pesca, na adorável Ilha das Palmas. Quando o dia não estava bom, ou era inverno, a preferência era para a Sessão Coca-Cola. Pagava-se a entrada. A pipoca e a coca-cola eram gratuitas. As crianças adoravam.
Quando meus filhos já estavam mais crescidinhos, eu os deixava no cinema e ia buscá-los no final da sessão. Até que um dia, meus filhos cresceram de vez e a sessão coca-cola acabou.
De repente, me vejo com uma netinha que adora os filmes dos Backyardigans, e eis que eles vêm para São Paulo para uma apresentação ao vivo. Combinei com minha filha, providenciamos os ingressos, e lá fomos nós para assisti-los. E foi assim que eu reiniciei meus programas culturais infantis. Adorei ter podido acompanhá-la, e até derramei algumas lágrimas logo no início da apresentação. Foi a emoção de vê-la em nova situação, e no meio de tantas criancinhas. Não preciso dizer que sou ultra-emotiva, daquelas que choram em casamentos, batizados, e até já cheguei a chorar com o final de uma peça teatral classificada como comédia.
Quanto aos “Backys”, como a Isadora os chama, achei um programa muito bom. Bem produzido, alegre, cenários interessantes e personagens divertidos, que cantam, dançam e encantam a criançadinha. Foi ótimo ter participado da 1ª ida da Isadora a um teatro, e espero poder repetir esse tipo de programa muitas e muitas vezes.




video

domingo, 20 de julho de 2008

Fortalecendo a vontade

Estudei em colégio de freiras, cujos ensinamentos, na área comportamental, nem sempre recebem aprovação. Não sei como estão agora, mas na minha época, que era extremamente repressiva, dá para se ter uma idéia da rigidez das escolas religiosas.
Contudo, colocando na balança, acho que o resultado dessa educação foi positivo. Muitas foram as lições de amor e respeito ao próximo, que reforçavam as que recebíamos em casa.
Lembro bem de uma orientação que recebemos em relação à importância de fazer-se sacrifícios. Hoje, época em que a busca do prazer orienta praticamente todas as ações, tal lição seria desconsiderada ou, caso fosse dada, seria ridicularizada.
Um dos exemplos que nos foi dado naquela ocasião, era o de uma garota que ganhara uma caixa bombons que adorava, mas que deixou para prová-los só no dia seguinte. Isso, com a intenção de fazer sacrifício.
Que bobagem, dirão muitos, para que fazer sacrifício?

Sacrifício, no caso, nada mais é que uma renúncia, ou adiamento de um prazer, de forma voluntária.
Penso que, o objetivo do sacrifício é justamente fortalecer a vontade. Temos vontade de algo que está ao nosso alcance, mas deixamos para depois a realização do nosso desejo. Educando nossa vontade, saberemos enfrentar melhor muitos problemas que surgem durante a vida. E aprenderemos a fazer, sem grandes sofrimentos, aqueles sacrifícios que não escolhemos, mas que por um, ou outro motivo, temos que fazer, como por exemplo adiar, ou mesmo desistir, de comprar alguma coisa com a qual sonhávamos. Fortalecendo nossa vontade, com certeza, também conseguiremos deixar de fazer alguma coisa que nos dá prazer, em benefício de um nosso próximo (marido, mulher, pais, filhos e outros).
Com isso não estou querendo dizer que devemos deixar de buscar aquilo que nos dá prazer mas, sim, que nossa busca do prazer não deve nos transformar em seres egoístas, que sempre se colocam em primeiro lugar porque têm pressa em satisfazer suas vontades.

(Caixa de bombons da Loja Aquim, Rio de Janeiro)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Dia de alegria



Minha netinha, responsável pelo nome desse blog, completou dois anos no último dia 13, e achei justo divulgar fato tão importante e feliz.
O dia foi só de alegrias. Ela estava linda, num vestidinho de seda “marron”, com estampa bem delicada, saia “balonê”, colocado sobre uma blusinha “marron”, meia-calça (natural) e sapatinho tipo bailarina, também “marron”.
A festinha foi no salão de festas do prédio, decorado com bolas de gás. A mesa tinha como tema “fadinhas” , montada pela mamãe da aniversariante, com enfeites produzidos por uma grande amiga. Como o salão não é muito grande, também usamos uma parte externa do prédio, com algumas mesinhas e barraquinhas.
Parece incrível que uma menininha de dois anos possa aproveitar bastante sua festinha. Mas foi o que aconteceu. A Isadora participou de tudo. Pulou muito, muito, na cama elástica, escorregou, balançou na gangorra. Ainda brincou, no cantinho de brinquedos, e deliciou-se com os comes. Só ficou inibida na hora do “parabéns”. Um pouco antes ela trocara a roupa, colocando sobre a blusinha uma roupa de fadinha, com asas e varinha. Entrou no salão, balançando a varinha, como se estivesse distribuindo muita luz e alegria.
Terminada a cena da mesa, eu estava me preparando para começar a servir o bolo quando escuto uma vozinha : vovó, vovó. Era a lindinha, segurando um pratinho e uma colher, e pedindo para ser servida. Achei o fato curiosíssimo, e dei, a ela, a primeira fatia do bolo.
Que dia feliz!

sábado, 12 de julho de 2008

Doces da família

Hoje, de sobremesa, fiz “Ovos nevados” e, como não poderia deixar de acontecer, lembrei-me dos doces da minha infância. Nesse blog já falei sobre “Marca da família”, já citei ditados antigos, muito usados por minha avó materna e por minha mãe, e volta e meia falo sobre fatos do passado. É verdade, nós somos resultado do nosso passado, das nossas vivências, das nossas experiências. Assim, não há como esquecer o passado. Nós somos o passado, e também o presente, que logo se faz passado. Percebo, então, que meu blog ao objetivar debates sobre a vida está tratando de memórias.E aqui entram os doces da minha infância, conhecidos e provados na mais tenra idade, e que até hoje fazem parte da minha vida. São os deliciosos “doces da família”.Aprendi a fazê-los observando minha mãe ao prepará-los : Ovos Nevados, Sagu com Vinho, Creme de Leite, Torta de Bananas, Bolo Majestoso, Manjar Branco, Arroz Doce, Doce de Abóbora, Vienenses, Gromelão ....
Que delícias!
Ovos Nevados - sobremesa ultra-delicada, com claras batidas, cozidas às colheradas no leite, e servidas como que boiando num creme de gemas. Esse mesmo creme, acompanha o sagu com vinho. Esse dois doces têm um sabor fantástico, quando servidos bem geladinhos.
Creme de Leite - era o nome dado ao doce hoje chamado de Pudim de Leite. Naquele tempo não havia leite condensado, o que exigia um grande número de ovos para que se obtivesse a consistência de pudim. E mais, naquele tempo também não havia batedeira elétrica. Minha mãe batia “na mão” toda aquela quantidade de ovos. Era preciso muito amor, não?
Torta de Bananas - era especial e adorávamos quando ela surgia na sobremesa. Era feita numa travessa bem grande, para que pudesse ser dividida em doze pedaços. Nossa mesa, quando completa, tinha onze pessoas : meus pais, eu e meus oito irmãos. No final da refeição, comumente no almoço de domingo, minha mãe ia servindo um pedaço para cada um, começando pelo mais novinho, e terminando nela. Nessa época, meu pai não era muito amigo de doces. Passou a se interessar por eles muito mais tarde (seria na 3ª idade?).
Bolo Majestoso - embora a pompa do nome, é um bolo muito simples, porém delicioso. Próprio para acompanhar chá, ou café, o bolo chegava na mesa de um lanche, e não saía dela. Não ficava nem um pedacinho para o dia seguinte.
Manjar Branco - feito com leite de coco (natural), com calda de vinho ou de ameixas em calda. Sempre estava presente nas mesas de aniversário.
Arroz Doce - levemente colorido com gemas e salpicado com canela. Doce de abóbora com, ou sem, coco ralado.
Vienenses - pequenos bolinhos (de pão-de-ló), recheados com creme e envoltos com fina camada de açúcar.
Gromelão ! O nome é esquisito, mas o doce nada mais é que o rocambole, recheado de goiabada, ou creme, salpicado com açúcar e enfeitado com riscos de açúcar queimado (feitos com a lâmina de uma faca, bem aquecida).
Doces sabores da infância, que me acompanham até hoje e que, como “doces da família” deverão continuar a deliciar muitos, por muito tempo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O despertar da fala.

videoTudo começou com um "ééé...". Com menos de um mês, a Isadora já olhava bem firme para a mamãe, observando bastante e parecendo querer se comunicar com seu sonzinho "ééé.................". Aos poucos foram surgindo outros sonzinhos, com os quais ela parecia participar das conversas. O interessante é que a gente pedia para ela falar um pouquinho, e lá vinha ela, pequenininha, com seu "ééé............". Depois, as palavrinhas, papá, mamã, ága (água), nenê, titi, não (com bastante ênfase), gogói (dodói), pepê (chupeta), mamá, bóia (bola) e muitas outras. É claro que, entre essas, ela também falava vovó. Mas é inexplicável : não sei dizer quando ela falou pela primeira vez essa palavrinha que eu adorei, e adoro, ouvir.

Quando completou um ano, seu vocabulário era bem reduzido. Depois, foram se incorporando novas palavras ( a vovó ensinou a falar "sim", para equilibrar com o "não"), e ela passou a juntar duas : "é meu"( com bastante propriedade), "nenê qué", e três : "eu pego, tá?" (quando alguma coisa caía no chão).

Continuou a gostar de falar "é". Toda vez que contamos alguma coisa para ela, surge a vozinha delicada em tom de interrogação : "é?", como se estivesse dizendo "é mesmo ?".

De repente, maravilha das maravilhas, quase completando dois anos, houve o despertar da sua fala. É uma coisa fantástica de ser observada. Dos sonzinhos, passando pelas poucas palavras e pequenas frases, há a incrível explosão da fala. Nossa menininha parece conhecer todas as palavras do nosso dia-a-dia, e nos surpreende a todo instante.

É, ou não, um enorme privilégio poder assistir a esse maravilhoso desenvolvimento ?

No vídeo acima, produzido pela vovó Helô, a Isadora tinha somente 25 dias de vida.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Parecida com a mãe?

Em texto que postei em 11 de junho de 2008, fiz um paralelo entre os pais de outrora e os pais de hoje.
Enquanto os pais de hoje (principalmente as mães) falam a todo momento para seus filhos que eles são lindos, os pais de antes eram contidos ao expressar seus sentimentos, e muito econômicos nos elogios.
Não sei se, quando eu era nenê, meus pais falavam que eu era linda. Porém, na minha memória de infância e de juventude não existe qualquer registro a esse respeito.
Por isso estou achando muito interessante minha mãe estar falando, nesses últimos tempos, que eu sou (ou estou?) linda.
Ela está com 94 anos e 5 meses de idade, numa fase de grande dificuldade de expressão. Na maioria das vezes, percebemos que ela está querendo dizer algo, mas não encontra as palavras. Não é que hoje ela olhou para mim e disse: “você está ..... você está bacana”. Mas percebi que não era isso que ela queria dizer.
Logo em seguida ficou em pé, bem na minha frente, e falou: “você está linda”.
Eu, então, lhe disse : “Sabe por que? É que estou ficando parecida com a senhora. Pelo menos é isso que muitas pessoas estão achando e me dizendo”.
Quer coisa melhor do que parecer com a mãe?



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Privilégio















É uma maravilha uma avó poder acompanhar o desenvolvimento de seus netos, e eu me considero privilegiada por estar podendo acompanhar, bem de perto, o crescimento e o desenvolvimento de minha netinha.
Ela já vai completar 2 anos, e foram poucos os dias em que estivemos separadas.
Logo que nasceu, passei uma temporada em São Paulo, onde ela morava, e acompanhei seu dia-a-dia durante três meses. Voltei para Santos, onde resido, mas toda semana ia para São Paulo e ficava em torno de dois dias, para poder vê-la e curti-la bastante.
Antes de completar 14 meses, ela mudou-se para Santos, com sua mamãe.
Daí, é claro, voltou o acompanhamento dia-a-dia. Foram raros os dias em que não nos encontramos. Quando estou fora, sem poder vê-la, fico morrendo de saudades.
E foi assim que ouvi seus primeiros sonzinhos, que a vi sentar-se sozinha, engatinhar, começar a falar, bater palmas, andar, dançar, cantar, enfim, foi assim que tive o grande privilégio de vê-la crescendo.