sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Recados das crianças


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Pelas brincadeiras, as crianças expressam facilmente seus sentimentos, temores e aceitações. Nos últimos dias minha netinha, que está com dois anos e três meses, passou vários recados dessa forma.

1. Ela adora tomar banho na minha banheira de hidromassagem e sempre tem a companhia de um patinho de borracha, para brincar. Logo no início do banho, ela me entregou o patinho, para que eu colocasse numa beirada da banheira.Eu lhe perguntei se não iria brincar com ele e ela respondeu:“Não, porque ele está bravo”.

E eu: por que ele está bravo?

Ela: porque a mamãe dele foi trabalhar.

Daí, expliquei mais uma vez, que a mamãe dele precisa trabalhar para comprar comidinha e roupas para ele.

2. Quando eu a levo para a escola, ela na cadeirinha, no banco de trás, sempre vou conversando, ou cantando alguma música do seu repertório, para que o trajeto não pareça tão longo.

Outro dia ela me pediu para que eu contasse a história do chapeuzinho vermelho, que ela adora. A história sempre é contada e cantada, mas o final é mais suave do que o verdadeiro : a vovó e a menininha terminam comendo os docinhos e bolinhos numa mesa arrumada bem bonita, para o lanche.

Fui contando a história com a colaboração dela, que cantou a musiquinha da “ pela estrada afora, eu vou tão sozinha ....” e a do lobo mau. Chegamos na parte do lanche e ela então falou: “daí, a vovozinha levou a chapeuzinho vermelho para a escola”.

Eu disse : isso mesmo. E depois, sabe o que o que vai acontecer?

E cantei: mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha “ela” estará contente.

3. Hoje, no caminho da escola, ela falou:

“As mamães trabalham, e as crianças ficam na escola, não é, vovó”. A mamãe da Bebel (uma coleguinha) fica trabalhando. Igual a Isadora”.

Com essa sua colocação, parece que ela está aceitando melhor a idéia do trabalho da mamãe, e da necessidade de ir para a escola. Até desceu do carro bem tranqüila, e deu tchau para a vovó. Vamos ver,  e torcer para que se mantenha assim.

Como é difícil para as criancinhas e, sem dúvida, para as mães, precisar enfrentar a inevitável separação do dia-a-dia, causada pelo trabalho profissional.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Faixa de segurança




Em uma avenida, ou rua com trânsito, você tem coragem de colocar o pé na faixa e fazer sua travessia enfrentando o trânsito? Você acha que nossos filhos, netos, pais e avós sentem-se seguros quando atravessam por uma faixa de pedestres?
Pois é. As faixas de segurança, ou faixas para travessia de pedestres, existem mas não são respeitadas.
No Brasil parece que elas só funcionam bem em Brasília. São respeitadas tanto pelos condutores de veículos, como pelos pedestres. Desconheço se em outras cidades nacionais elas também sejam levadas a sério.
É verdade que, entre nós, não só os motoristas desrespeitam as faixas como também os pedestres. Às vezes, esses estão a poucos passos de uma faixa de travessia, mas atravessam em qualquer ponto. Até dá para entender tal comportamento, pois tanto faz atravessar em qualquer ponto da rua como na faixa demarcada. Os condutores de veículos tratam as duas situações da mesma forma.
Acho incrível o desrespeito que os motoristas têm para com os pedestres que estão atravessando uma via pela faixa a eles destinada. Parece mesmo que, quando um condutor de veículo enxerga alguém numa faixa de segurança, imprime maior velocidade ao seu carro. Talvez para assustar o pedestre, que pode ser uma pessoa idosa, ou até uma mãe empurrando um carrinho com seu bebê.


Será que esse comportamento decorre do desconhecimento em relação ao uso da faixa? Penso que uma boa campanha educativa, para toda a população, poderia trazer bons resultados. É preciso uma conscientização geral. Todos precisam saber que as faixas não são enfeites. E, para facilitar o bom uso, as faixas deveriam existir em um número adequado, precedidas por avisos, para que os motoristas fossem se preparando para eventual parada quando observassem alguém na travessia.
Depois, basta seguir a lei. O Código Nacional de Trânsito é muito claro. Mesmo nas faixas onde existe semáforo, o pedestre, que ainda não tiver concluído sua travessia, deve ser respeitado quando ocorre a mudança da sinalização luminosa. Isso quer dizer que, embora liberada a passagem dos veículos, se existir alguém atravessando, a preferência é sua.
Se isso valesse de verdade, eu não teria assistido, outro dia, ao comportamento vacilante e aflito de duas senhoras bem idosas. Elas tentavam atravessar uma via de movimento, numa faixa com sinal semafórico muito rápido. Quando elas haviam dado poucos passos, o sinal abria para os carros e elas retornavam para a calçada. Não sei como conseguiram atravessar, mas acho que, num esforço muito grande, tiveram que “apertar o passo”. Penso que nem elas, nem os motoristas, sabiam que a preferência era delas. Ou então, elas sabiam, mas não se sentiam seguras.
Não seria ótimo se nossas crianças, e nossos velhinhos, pudessem atravessar uma rua com segurança?

domingo, 26 de outubro de 2008

Festa infantil III



Como já escrevi anteriormente, sempre gostei de festejar o aniversário de meus filhos. A festinha era feita em casa e, quando pequenos, num sábado, ou domingo, na parte da tarde.
Nesse caso, quando o dia do aniversário acontecia durante a semana, eu providenciava um bolo pequeno, porém com recheio e cobertura, para que a data não passasse em brancas nuvens, e para que o aniversariante pudesse apagar as velinhas no dia certo.
No dia da festa a mesa era arrumada com capricho, o bolo recebia um enfeite, e os docinhos eram todos colocados sobre a mesa. Eram os docinhos comuns: brigadeiro, cajuzinho de amendoim, docinho de abacaxi, geleinha de pinga, maria-mole e beijinho de coco.


Entre os salgados, havia sanduíches diversos e, às vezes, salgadinhos encomendados: bolinhas de queijo, empadinhas, coxinhas e rissoles.
Um sanduíche que fazia muito sucesso era um redondinho de mini pão-de-cará, levemente untado com maionese e recheado com uma ou duas fatias finas de copa. O sanduichinho era embrulhado em papel de alumínio e levado ao forno, um pouco antes de ser servido, só para aquecer.
Em algumas ocasiões havia pequenos “hot-dogs”, ou “mexicanos” (pão francês, ou mini-pão, aberto por cima e recheado com carne moída bem preparadinha).
Os docinhos sempre eram esperados, e os mais velhos gostavam da geléia de pinga (embora o doce, depois de pronto, não fique com qualquer gosto da aguardente). Há muito tempo não faço essa receita, e foi uma pena não tê-la conservado no meu caderno. É muito simples, feita com gelatina em pó (sem sabor), água, pinga, e açúcar. Depois de gelada e endurecida, é cortada em pedacinhos passados em açúcar cristalizado. É uma delícia!
Qualquer dia vou repetir essas receitas de festa infantil, nem que seja numa festa para “gente grande”.

Faltou dizer que a decoração era com "bolas de gás" (enchidas pelos pais) e espalhadas em conjuntos, pela sala. No final de festa, eram distribuídas para as crianças. Acho que as bolas eram as lembrancinhas daquele tempo. Sempre coloquei a faixa de "feliz aniversário" e é incrível: usei a mesma durante toda a infância dos meus filhos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ditados das avós


Interessantes eram os tempos antigos, quando os mais velhos sempre tinham um ditado, ou uma citação, diante das mais diversas situações.
Logo no início da vida desse meu blog, em junho/08, postei um texto onde fiz referência a dois ditados muito utilizados por minha mãe. Diante de uma criança “insubordinada” (êta palavrinha antiga), lá vinham aqueles seu ditados:
“É de pequenino que se torce o pepino” e
“Haja alguém que nos governe” (quando os pais eram extremamente tolerantes).
Quando uma criança insistia em querer fazer, ou ter, algo não permitido, lá vinha o ditado : “Pode tirar o cavalinho da chuva”. Isso encerrava o assunto.
Minha avó Olga tinha um repertório ultra-extenso. Realmente, os ditados faziam parte do seu dia-a-dia.
Cometeu alguma bobagem, ou deixou de fazer algo que deveria ter feito, disso resultando prejuízo? “Não adianta chorar sobre o leite derramado”.
Está numa situação difícil, sem o vislumbre de qualquer saída? Isso é o mesmo que “estar no mato sem cachorro”.
Está abatido, ou abalado por algum problema, sem ânimo para qualquer coisa? Lembre-se: “tristezas não pagam dívidas”.
E ia por aí afora. Eu até poderia fazer uma lista extensa, mas fico com mais dois, muito curiosos: “À noite todos os gatos são pardos” e “Não dá para tapar o sol com a peneira”.
E, como a “esperança é a última que morre”, e eu estou atravessando uma fase de pequenas dificuldades (como todos passam, de vez em quando), procuro não me abalar, porque sei que “depois da tempestade, vem a bonança”.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pão de minuto - de mãe para filha


Vários foram os quitutes que aprendi com minha mãe, só de observá-la quando em ação na cozinha.
Um deles, fácil de fazer, e delicioso de comer, é o “pão de minuto”. E o interessante é que, o “pão de minuto”, além de gostoso, tem uma conotação de mimo, de agrado, de carinho.
Minha mãe fez muitos “pães de minuto “ para os filhos e netos, e eu tento manter essa tradição.
Antes-de-ontem, para o lanche da tarde, resolvi fazer uns pãezinhos, que ficam ótimos para acompanhar um chá, café, ou suco, e podem ser saboreados, ainda quentes, com geléia (como eu prefiro), manteiga, ou goiabada. Na verdade, ficam bem de qualquer forma, mesmo sem qualquer recheio, principalmente logo que saem do forno.
Como sobraram alguns, guardei num pote. Hoje no lanche, mostrando um pão francês e um integral fatiado, perguntei para minha netinha : que pão você quer ? E ela : não, vovó ! Quero o pão da vovó !!!!
E para que vocês possam conferir a delícia, aqui segue a receita:

2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (de sopa) de fermento em pó
2 colheres (de sopa) de açúcar
2 ovos (também pode ser feito só com as gemas)
2 colheres (de sopa, bem cheias) de manteiga
pouco menos de meia xícara de leite.

Dissolver a manteiga no leite aquecido. Deixar esfriar.
Misturar bem todos os ingredientes, com uma colher, colocando o leite com a manteiga já frios.
A massa fica mais ou menos mole (não dá para enrolar).
Fazer os pãezinhos com o auxílio de duas colheres (pegar a massa com uma colher de sopa e escorregar o pãozinho com a outra colher), colocando diretamente em uma assadeira, que não precisa ser untada. Deixar um espaço entre um e outro, porque eles crescerão. Levar ao forno quente ( acendê-lo uns 5 minutos antes), numa temperatura média. Ficarão assados em aproximadamente 15/20 minutos.

Espero que acertem e aproveitem.
E, para todos vocês, bom chá com pão de minuto!



quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cuidando das pernas

Como na família temos tendência a problemas venosos, criamos o hábito de, sempre que possível, ficarmos com as pernas estendidas em banquetas ou pufes. Na frente da TV, ou lendo, se encontrarmos um pufe por perto, com certeza ficaremos na confortável posição das pernas estendidas.
Esse hábito provoca, muitas vezes, atitudes gentis por parte das crianças, que se apressam a colocar um banquinho diante das vovós, ou da bisavó.
Outro dia, entrando na sala onde minha netinha estava brincando, encontrei essa cena, que achei encantadora, "o bebê grande" sentado diante da televisão, com suas perninhas estendidas.



Percebi, mais uma vez, a inevitável força dos exemplos. Precisamos, sempre, estarmos atentos a isso.

Tomara que nossas crianças só recebam bons exemplos !


domingo, 12 de outubro de 2008

Dia das crianças





Criança é inocência, é amor, é alegria, é ternura, é esperança.
O dia das crianças é importante para pensarmos o quanto elas dependem de nós, o quanto devemos amá-las de verdade, educando-as para a vida de uma forma ética, humanista, respeitosa. Que todas as crianças possam ser amadas dessa forma, e que cresçam com segurança e sensibilidade.  

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Abraços

Abraço é amor, é carinho, é solidariedade. Um abraço bem dado é, sem dúvida, o carinho que mais passa afeto. E não é só isso. Abraço é amizade, é perdão, é proteção. Vocês já perceberam com que segurança as crianças correm para receberem um abraço, quando nos abaixamos e abrimos os braços para elas?

Há pouco tempo atrás, passeando por uma das principais ruas do centro de Santiago, Chile, tive a atenção despertada para um grupo de jovens carregando cartazes onde se lia “abrazos gratis”. Algumas pessoas passavam sem prestar atenção, outras olhavam com desconfiança, mas muitas se entregavam alegremente aos abraços. Junto com o abraço, vinha um pequeno folheto com a anotação de que o abraço é um grande remédio, que transfere energia e dá, a quem é abraçado, um estímulo emocional. Diz, ainda, que precisamos de quatro abraços por dia para sobrevivermos.




Fiquei sabendo que o evento fazia parte de uma Campanha de Abraços Grátis. Naquele tempo, início do mês de maio desse ano, eu ainda não era blogueira, e não reparei que o folhetinho mencionava um endereço de blog. Hoje, entrando no blog, http://santiagoabraza.blogspot.com/, constatei que essa campanha é permanente. Há dois dias da semana reservados para os “abraços grátis”, em Santiago, e o blog informa sobre os horários e locais para esses abraços. Ultra-curioso, e simpático.

Portanto, abraços para todos!

sábado, 4 de outubro de 2008

Doenças infantis

Há anos atrás, as doenças infantis eram bem definidas e apresentavam sintomas que permitiam um diagnóstico fácil. Algumas eram mais comuns, e muitas vezes as mães até incentivavam o contágio para que as crianças logo ficassem livres delas. Em certos casos, tendo uma vez a doença, ela não se repetiria. E, quanto mais cedo tivessem, melhor era, pois os riscos na adolescência, ou na idade adulta, seriam maiores.
Assim, nossos filhos tinham caxumba, coqueluche (ou tosse comprida), catapora e, às vezes, rubéola (era menos comum). Sabia-se exatamente quais eram os sintomas, qual era o tempo de incubação, e qual o tempo de duração da doença. Muito freqüentes, também, eram as amidalites, que causavam febre alta.
Com o tempo, quase todas essas doenças foram sumindo, graças ao desenvolvimento das vacinas.
E daí, houve a explosão das viroses sem nome (pelo menos para os leigos). Vírus de múltipas espécies, que passam a causar problemas para nossas crianças principalmente quando elas começam a freqüentar as escolinhas. Febre, mal-estar, às vezes diarréia, coriza etc. Tudo é virose.
O sumiço daquelas doenças infantis, graças às vacinas, foi maravilhoso. Mas confesso que sinto certa insegurança ao ver que hoje, todos os males são classificados como viroses. Que tipo de virose? Será uma simples virose? Apresenta riscos?
Quando será que essa massa enorme de viroses será classificada, e permitirá um melhor diagnóstico das doenças infantis?
Será que isso é possível, ou viável?
Talvez essa seja uma preocupação sem sentido, própria de uma avó que criou seus filhos numa época em que, até os vírus, eram mais controlados.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Comemorando 50 anos


Outro dia, conversando com uma amiga, ela me disse estar assustada porque logo irá completar 50 anos.
Eu lhe disse que também levei um pequeno susto quando isso aconteceu comigo. Na verdade, penso que o susto se deve ao fato de nos acharmos muito jovens para completar 50 anos. Depois, vamos nos acostumando com os outros “enta”. Será? Confesso que já levei susto maior do que o dos cinqüenta.
Como já comentei aqui em diversas outras ocasiões, tenho oito irmãos, e graças a isso fui levando sustos sucessivos quando os vi completar essa idade. Até o “caçulinha” já está nesse grupo.
Contudo, embora o sobressalto que se leva quando se percebe o rápido passar do tempo, sempre comemoramos a data com muita alegria.
Lembro bem das comemorações de 50 anos dos meus dois irmãos mais velhos, que envolveram um elemento de surpresa que muito nos divertiu.
Combinamos, nas duas ocasiões, demais irmãos, cunhados e sobrinhos, de aparecer caracterizados nas reuniões festivas, sem que os aniversariantes soubessem.
Na do primeiro, Joanor, fomos vestidos como na década de 30, quando ele havia nascido. Ele morava em São Paulo e marcamos um encontro na casa de um irmão que também morava lá. Nesse local nos arrumamos, com todo o vestuário e adereços da época. Saímos todos juntos, e entramos na sua festa cantando, em conjunto, a música Taí, que fizera muito sucesso nos anos 30, na voz da Carmem de Miranda. Foi uma grande alegria. Depois soubemos que ele já estava preocupado, vendo que ninguém chegava. Mal sabia que chegaríamos todos juntos e cantando:

“Taí, eu fiz tudo prá você gostar de mim
Ai meu bem não faz assim comigo não
Você tem
Você tem
Que me dar seu coração.....”
Na do segundo irmão, Gilberto, e que foi no ano seguinte, resolvemos ir vestidos de escolares. Procuramos nossos uniformes antigos, ou improvisamos com outros semelhantes, e chegamos na festa em fila (como era costume no nosso tempo de colégio), carregando livros e cantando uma música que todos os estudantes da nossa época cantavam:

“Estudante do Brasil
tua missão é a maior missão
Batalhar pela verdade
Impor a tua geração ...”

Foi muito divertido e realmente parecíamos escolares, livres e soltos.
A minha comemoração, que foi organizada por meus filhos, também foi muito alegre. Já com os convidados em casa, eu precisei me retirar por um tempo para que fossem preparados os últimos detalhes e eu pudesse ter a sensação de surpresa, assim que pusesse o pé dentro de casa. Houve bolas de gás e enfeites de festas infantis. No meu bolo havia uma bailarina rosa, como réplica da pequena bailarina enquadrada num fundo de nuvens. Essa pequena bailarina, também rosa, era uma foto da aniversariante aos dois anos.
Depois dessas festas de comemoração dos 50 anos, temos feito outras, sempre para festejar a vida. E assim, temos completado vários “enta” e, daqui a pouco, acreditem, nossos sobrinhos é que começarão a completar seus 50. E viva a vida!