sábado, 9 de agosto de 2008

Dia dos pais

Meu pai jovem.













E na sua última foto.






A lembrança mais antiga que eu tenho, é de um fato ocorrido quando eu tinha pouco mais de dois anos.
Estava brincando no quintal da nossa casa, com uma amiga mais velha, quando ela se pendurou numa jardineira (floreira) que enfeitava uma das janelas da casa e a jardineira despencou. Na queda, a jardineira raspou minha perna direita e provocou uma fratura.
Nessa época, éramos cinco irmãos e o caçula tinha alguns meses. Minha mãe providenciou para que meu pai fosse chamado no seu serviço, e logo depois ele estava chegando em casa.
Colocou-me no seu carro e levou-me ao médico. E é justamente essa a minha lembrança mais antiga : eu sendo levada ao médico, por meu pai.
Todo o resto da história, eu sei porque me foi contado quando eu era mais crescidinha.
Um mês antes da minha fratura, meu irmão Beto (Gilberto) havia “quebrado” o braço. Lá fora meu pai, levá-lo ao médico.
E muitas foram as outras ocasiões em que ele precisou socorrer algum filho, por motivo de acidente, ou as ocasiões em que, pelo menos, levou um susto.
O Sérgio estava assistindo futebol, atrás do gol, num campinho próximo ao colégio, quando a trave caiu e alcançou sua cabeça. Susto. O Beto (olha ele novamente), estava com a mão sobre o portão de ferro da nossa casa, daqueles que têm setas na parte superior, quando outro irmão inadvertidamente empurrou o portão, e a lança perfurou sua mão. O Carlos estava andando de bicicleta, quando levou um tombo e o pedal denteado provocou um ferimento na cabeça. A Norminha, entre 7 e 8 anos, tropeçou perto da cristaleira e caiu, quebrando o vidro que lhe fez um corte grande em uma das pálpebras (levou vários pontos). E a ocasião mais preocupante quando o Carlos (olha ele de novo), que deveria ter perto de 13 anos, ficou no estribo do bonde antes que ele parasse, e acabou levando uma queda forte que o levou ao hospital e o deixou desacordado por muitas horas.
Cruzes!
Quando éramos estudantes, não usávamos despertador. Meu pai dormia cedo, e acordava cedíssimo, e gostava de nos chamar para nossos compromissos. Na época dos exames semestrais e finais, alguns de nós gostavam de estudar e repassar a matéria de madrugada, antes da ida para a escola. Para que ele soubesse o horário em que queríamos levantar, deixávamos bilhetinhos presos no espelho do banheiro. Ele acordava, pela ordem, quem deixara escrito que queria ser chamado às 5 horas (às vezes, antes), 6 horas, 6:30 horas ... Nos intervalos, sentava-se na sua cadeira de balanço.
Quando nasceu seu nono filho, meu irmão caçula, ele estava com 45 anos e 7 meses. Ficou preocupado e recomendou a um dos meus irmãos mais velhos que cuidasse do caçulinha, caso ele faltasse. Quando ele faltou, aos 75 anos, o caçulinha já estava formado e já era pai.
Uma das minhas últimas lembranças é a de ouvi-lo falar, já com mais de 70 anos : “não sei como dei conta de criar nove filhos”.






Meus pais com os 9 filhos, no dia de suas bodas de prata (16.03.1957).

11 comentários:

  1. Heloísa, não apareço na sua lista de acidentados mas também foi nosso pai quem me levou à Santa Casa de Santos para tomar vacina contra tétano quando furei o pé num prego enferrujado. Ele já não tinha carro, fomos de ônibus. E foi tão difícil enfiarem a injeção enorme em minha barriga, foram tantas as tentativas que, na volta para casa, quando íamos subir no ônibus, eu desmaiei! Devia ter uns sete anos.

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  2. O vovô era uma figura muito interessante. Essa do horário é ótima! Faltou dizer que ele tinha a mania de adiantar os relógios tb, tamanha a sua preocupação com a pontualidade, não é isso?
    E tb faltou dizer que, na fotografia, vc é a bela moça de vestido escuro. A primeira à esquerda, para quem olha para a foto.

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  3. OI Heloísa,
    Adorei conhecer seu blog por intermédio do Paulo. Você se revela uma avó super-amorosa.
    Gostei de rever a D. Norma, firme nos seus mais de noventa anos. Se não me engano, ela foi aluna de piano da avó do Paulo, D. Isa -confira se procede essa informação!
    Voltarei mais vezes!
    Beijo
    Lúcia (ou Lucinha!)

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  4. Lúcia (antes Lucinha),
    Adorei você ter visitado meu blog. Sou bem ligada nos fatos passados (e também nos presentes), e smpre que passo pela Bias Bueno lembro de vocês.
    Com certeza minha mãe foi aluna da dª Isa. Lembro de ouvi-la falar.
    Apareça sempre.
    beijos
    Heloísa

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  5. Olguinha,
    É verdade, havia esquecido desse seu acidente. Aliás, acho que devem ter ocorrido outros, não?
    Gostei da sua presença e do comentário.
    bjs

    Pri,
    Vou precisar falar sobre a história do adiantamento do relógio. Boa lembrança.
    bjs

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  6. Quantas histórias!!! E que foto linda! Estou babando... Já não se faz mais fotos de família como anteigamente!

    Bjocas

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  7. A Magali passou o seu blog, este domingo, e eu fiquei tão emocionada e feliz que resolvi contar para você...amei rever sua linda avó Olga, sua mãe exatamente como quando recebia a mim e à vovó Tatá, quando passávamos pela porta de sua casa, ao sair da Missa. Sempre havia um café nos esperando, e a alegria genuina de quem sabe o seu lugar no mundo que a sua mãe sempre exibiu. A treliça atrás de vocês, no retrato, que saudades!!
    E mais: seus filhos, pequeninos, exatamente como eu os recordava.
    O Miudo, o melhor amigo de meu pai, muito mais amigo que primo, muito mais amigo ...
    Depois, aquela foto de arrasar de vocês adolescendo, e eu me lembrei do Carlos apertando o meu nariz "de bolinha", do Joanor desfilando nas paradas, do Sérgio contando em nossa cozinha do canall 6 as descobertas "filosóficas" que fazia!
    O Gilberto, que foi meu colega no Banco...
    Norminha linda, Lourdes cantando as novas músicas da nova bossa que surgia...e você, estudiosa e compenetrada, "uma aluna exemplar", que viria a ser mãe exemplar, uma advogada idem, e uma juiza melhor ainda.
    Olguinha e Osvaldo, caramba, como o tempo passou!
    De Curitiba, ainda sorrindo com a surpresa de tão gratas lembranças, pensando em como a felicidade permanece, apesar de tudo, e por tudo, em seu maravilhoso sorriso, a marca e a arma secreta dos "Sérvulo da Cunha".
    Beijos da
    Regina

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  8. Oi Heloisa,só hj deu para ler o que vc escreveu no dia dos pais.

    A minha queda na cristaleira realmente foi terrivel..Me deixou uma cicatriz na pálbebra,,,mas isso não foi nada perto do que poderia ter sido.

    O que o nosso pai correu para socorrer um filho não foi brincadeira...Tb,com 9???

    Adorei as fotos...

    Bjos

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  9. QUe POSTmais legal. adorei ler tudo isso. Mas eu gostaria de saber sobre o seu irmão mais velho, ele nao era peralta? Ouvi dizer que ele era cri-cri, ficava cuticando todo mundo... é verdade? Afinal, só conheço esse cara como MEU PAI, e nao como seu irmão!!! hahaaha

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  10. Eu adorei a história de seu pais.
    Nós perdemos o papai em 1991. Eu queria que ele ficasse com mamae até bem velhinho, mas Deus não permitiu.

    Mas agradeço pelo tempo ficou conosco. Ele soube nos educar muito bem.
    Com carinho
    Monica

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  11. Olá Vovó Helô! eu amo o seu blog!
    adoro esses posts com fotos antigas; histórias antigas de família e de infância...
    eu sou apaixonada por coisas antigas...parece mentira, mas eu gostaria de ser mais velha!
    adoraria ter nascido na década de 40 (nasci em 66) e ter vivido minha mocidade nos anos 50!! se eu pudesse voltaria ao passado, mas a um passado que nunca vivi... se eu pudesse voltaria no tempo.
    mas voltando ao assunto, vc está de parabéns pelo belíssimo blog,vc escreve muito bem e vc é muito bonita. o blog tem assunto que não acaba mais! acho que daria um ótimo livro de memórias.
    um beijo grande!
    maria

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