domingo, 31 de agosto de 2008

Mundo no quintal
















O tempo das casas com quintal grande é coisa do passado. Pelo menos nas cidades grandes.
Com isso, as crianças aprenderam e passaram a brincar entre quatro paredes. E, mesmo quando estão em algum lugar com espaços abertos, preferem brincar dentro de casa.
O prédio em que moro, no 18° andar, tem no térreo um espaço muito grande, com jardim e alguns bancos. Quando minha netinha está em minha casa, convido-a para ir brincar no jardim e, quase sempre, ela reluta. Parece que prefere ficar brincando dentro de casa, ou ficar vendo seus filminhos. É preciso insistir um pouco para ela descer. Quando chega no jardim, ela gosta.
Lembro da infância dos meus filhos, quase toda passada em casa com quintal. Nem precisava convidá-los para irem para o quintal. Isso acontecia naturalmente. E é fácil entender o motivo : não existia qualquer embaraço ou obstáculo para que as crianças fossem para o quintal. A porta, comumente, estava aberta. Era só descer um, ou poucos degraus.
Hoje, para brincar nos espaços que alguns edifícios oferecem, é preciso abrir a porta do apartamento, chamar o elevador, ou então descer muitos e muitos degraus. A criança pequena não pode ir sozinha para o seu "quintal", precisa esperar por alguém que a acompanhe. O que acontece é que, com todos esses obstáculos, acaba brincando em algum cantinho dentro de casa. Além do mais, o "quintal" do edifício não é a mesma coisa que o quintal de uma casa : falta-lhe o ar familiar, o ar de propriedade. O quintal não é da criança, é dos outros condôminos e até dos carros.
O importante é que as crianças brinquem, brinquem bastante. E elas acabam arranjando um cantinho para isso.
Antes, as grandes brincadeiras aconteciam no quintal, da mesma forma como cantam os Backiardigans nas suas histórias que as crianças tanto gostam :... "temos o mundo inteiro no nosso quintal..."
Hoje, embora sem quintal, a imaginação das crianças continua fértil e solta. E, se as histórias não acontecem mais nos quintais, com certeza estão acontecendo em qualquer espaço onde as crianças estejam brincando.



Fotos: em branco e preto, meus filhos brincando no quintal. Nas coloridas, minha netinha no seu canto de brinquedos, e descendo a rampa para brincar no jardim do prédio.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Supermédico


É incrível como acompanhar o crescimento de um neto nos traz renovação e faz com que resgatemos coisas boas do passado.
Já fiz companhia para minha filha muitas vezes, nas consultas médicas da minha netinha. Mas por duas vezes precisei ir sozinha com a Isadora, pois sua mamãe estava impossibilitada pelo trabalho. Daí, assumi aquela figura da “mãe duas vezes”, e lembrei da época em que acompanhava meus filhos ao pediatra.
Veio à minha lembrança a figura fantástica do “supermédico” pediatra dos meus filhos, que os acompanhou desde os primeiros minutos de vida até a adolescência. Médico dedicado, competente, humanitário, amigo, enfim, portador de todas as qualidades necessárias para quem cuida da vida de outra pessoa.
Fui ao seu consultório, primeiro na rua Amador Bueno, e depois na Av. Conselheiro Nébias, em Santos, durante anos. No primeiro ano de vida das crianças, o acompanhamento era mensal. Depois, com um pouco mais de espaço, ou sempre que uma das crianças apresentava algum sintoma que trazia maior preocupação. Além das idas ao consultório, foram muitas as vezes em que, depois de conversar com ele pelo telefone, para relatar algum problema de saúde, ele passava em casa para examinar o doentinho. Lembro bem do seu jeito tranqüilo e amável quando, depois de me escutar, dizia : “Pode ficar sossegada. Quando eu sair do consultório, passo em sua casa para ver o garoto (ou garota)”. E passava, mesmo. Às vezes às 22 horas, ou mais. Não falhava. Examinava o doentinho e, em mais de uma ocasião, me perguntou: a vovó já deu algum remedinho? Quando eu respondia afirmativamente, ele dizia : então continua só com esse. Essa vovó era minha mamãe, hoje bisavó da Isadora. Ela sempre foi adepta fervorosa da homeopatia. Criou seus nove filhos, resolvendo os problemas de saúde com as gotinhas da homeopatia. Também ajudou muitos netos, indicando os remédios que, graças à sua experiência, entendia adequados.
E o “supermédico”, que era muito cuidadoso, me deixava tranqüila ao manter a “prescrição” da vovó Norma, e só adotava uma medicação mais forte nos casos absolutamente necessários.
Com ele, meus filhos cresceram bem, e “bastante”.
Muito obrigada, Dr. Rubens Ferreira.





Em foto recente, Dr. Rubens e sua esposa Ivette. Nesse dia de festa, consegui reunir muitas pessoas que tiveram, e que têm grande importância na minha vida.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sesta e sonecas

Não sou especialista no assunto, mas não resisto à vontade de falar alguma coisa sobre a sesta e as sonecas das crianças pequenas. Faço essas colocações baseada, unicamente, na minha experiência pessoal de mãe e avó, e na observação das outras crianças.
Quando recém-nascida, a criança dorme muito. Aos poucos, o tempo em que fica acordada vai aumentando, até que, perto dos dois anos, ela dorme, ou deveria dormir, aproximadamente 12 horas, por noite, e mais dois períodos durante o dia : uma soneca pela manhã e, após o almoço, a sesta. Aos três, além do sono noturno, basta um período de sono durante o dia.
A rotina do sono é de grande importância, e diversos são os estudos médicos e científicos que comprovam a necessidade de que nossas crianças durmam o número de horas suficientes, para que possam crescer saudáveis. Dizem os especialistas que sono insuficiente pode causar comportamento hiperativo, irritabilidade e até agressividade.
A questão é que, hoje em dia, é muito difícil manter a rotina de sono das crianças. Em 09.06.2008 publiquei nesse blog o texto “Bom sono”, onde comentei sobre a necessidade da criança ter um ritual que anteceda sua ida para a cama, que durma o suficiente para sua idade e que tenha um horário razoável para ir para a cama.
Contudo, muitos pais têm dificuldades para estabelecer e manter a rotina do sono noturno.
E para os períodos de sono diurno, no caso das crianças pequenas, a obrigação de manter a rotina fica com as escolas de educação infantil. Isso porque, na grande maioria dos casos, as mães trabalham fora de casa, e as crianças vão para a escola muito pequenas.
Algumas escolas, atentas a isso, possibilitam uma sesta para as criancinhas. Logo no início da tarde, colocam colchonetes no chão, deixam o ambiente escurinho e até colocam uma música suave. As crianças são orientadas para ficarem quietinhas, pois é hora de descanso, e acabam dormindo e criando o hábito da sesta.
Outras escolas, com horários flexíveis, não mantêm a rotina do sono. Reservam um ambiente para eventuais sonecas das crianças, com berços e colchõezinhos, mas não incentivam o descanso. Ou a criança pede para dormir (o que acho que deve ser meio raro), ou “cai” de sono e é levada para a cama. Não é criada a rotina, o que faz com que cada dia a criança durma num horário, ou que nem mesmo durma. Passa o dia inteiro “acesa”, dormindo, muitas vezes, no caminho para casa.
Confesso que tenho pena das criancinhas menores de 3/4 anos que não podem desfrutar do soninho bom da tarde. Tenho pena, também, de não ser criada e mantida a rotina do sono que, entre outras importâncias, tem a de dar segurança aos pequeninos. O roteiro e a disciplina são elementos fundamentais na educação das crianças. É sabido que, quem não sabe o que deve fazer agora, e nem o que poderá vir depois, deve ficar bastante inseguro no seu dia-a-dia.
E isso é o que acontece com nossas crianças, que não percebem quando têm que dormir . Podem estar com muito sono, mas resistem bravamente. Não se entregam, pois não têm o ritual, e nem o horário para dormir.




Que sono gostoso!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Agradecimento

Ontem escrevi o seguinte texto no meu blog "Aprendendo a blogar e muito mais" e, como nele estou fazendo agradecimentos aos visitantes do Blog da Vovó, achei importante transcrevê-lo aqui:

São 12 horas do dia 19.08.2008 e acabo de saber que meu "Blog da Vovó" recebeu há pouco seu milésimo visitante. Isso representa uma média de 50 visitantes por dia, pois o contador foi instalado no dia 31 de julho. Fiquei muito contente pois, como disse outro dia um dos meus irmãos durante lançamento de um livro de sua autoria, o escritor quer ser lido. E não só quer ter seus escritos lidos, como comentados e criticados. Como já estou me considerando uma escritora, pelo menos de blogs, também quero ter meus textos lidos, comentados e criticados. Os comentários e críticas propiciam o debate, que é ultra-importante na vida em sociedade. Agradeço a todos que visitaram meu blog, a todos que deixaram seus comentários , e a todos que deixaram suas críticas. Graças a algumas críticas pude até rever o nome que havia dado a um dos meus textos, e alguns comentários provocaram interações e debates, como por exemplo a questão das festas realizadas nas escolas infantis. Vamos à frente, resgatando memórias, registrando fatos atuais e, sobretudo, "aprendendo a blogar e muito mais".

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Miúdo e miudinhos


Com três dos nove netos da época.










Com seis netos em 1963. Nessa época já eram nove e o mais velho é o loirinho com os braços levantados.



Hoje é o dia do centésimo terceiro ano do nascimento de meu pai. Ele nasceu em Santos, tinha quatro irmãs mais velhas e um irmão mais novo. Seu apelido de infância era Miúdo, que conservou por toda a vida entre os parentes antigos e alguns amigos. Não sei a razão de tal apelido, pois acho que meu pai, nem em criança, teve altura pequena. Media mais de um metro e oitenta, acho que 1,84 m, o que era uma altura considerável para os tempos antigos. Penso que talvez o apelido tenha sido dado porque ele foi o primeiro filho homem e, em Portugal, o termo "miúdo" (criança) era mais usado para indicar um menino. O fato é que era conhecido por Miúdo, e esteve cercado por miudinhos durante muito tempo.
(A moça da foto abaixo, de 1969, hoje é conhecida como vovó Helô. No colo do vovô, em grande cumplicidade, o filho mais velho da vovó Helô).

Seu nono filho, meu irmão caçula, ainda era um miúdo (tinha 9 anos), quando começaram a nascer seus netos. E foi um festival de crianças. Em pouco mais de um ano e três meses, meus três irmãos mais velhos se casaram e começaram a ter filhos. Havia uma alternância, por ordem da data de casamento e, mais ou menos de 4 a 6 meses, nascia um novo nenê. Em quatro anos, meus pais tinham 9 netos, três de cada filho. Daí foram acontecendo novos casamentos, na família, e nascendo novos miudinhos. Eram 26 netos, quando meu pai faleceu. Sua família continuou a crescer, e hoje os miudinhos são seus bisnetos, que já somam 30 (quase 31).
Abaixo, na porta da nossa casa da rua Padre Visconti, em Santos, com meus filhos, em 1975.









No Orquidário, em 1969.



domingo, 17 de agosto de 2008

Almoço de domingo




Adoro almoço em família. Comida caseira, no caso uma boa feijoada, sentados à mesa marido, filhos, mãe, irmã, irmão, cunhada, e a netinha circulando com sua boneca Lindinha e, às vezes, palpitando.
Assim foi nosso primeiro almoço de domingo, depois da chegada do filho que mora “loooonge”, como diz a Isadora.
Agora, o incrível, foi a interação da bisa Norma com a bisnetinha Isadora. A bisa que a maior parte do tempo fica como que num casulo, abre-se totalmente quando está com a Isadora. Faz-nos lembrar do seu tempo de intensa participação, de atividades e de cuidados com os netos. Hoje, nos seus quase 95 anos, com dificuldade de comunicação e outros limites, quando encontra com a Isadora, que é sua 29ª bisneta, além de ficar com os olhos brilhantes, fala com ela sem as dificuldades usuais e até participa de brincadeiras. Hoje, falou e repetiu para a Isadora: “eu vou te pegar”, e foi como que correndo atrás dela. Pena que não consegui registrar digitalmente esse momento de surpresa e alegria, para poder dividi-lo com outras pessoas. Publico, contudo, outra foto da bisa Norma, em sua casa, com a bisnetinha Isadora em junho de 2008.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Missão de mãe

No último dia 12.08, minha filha publicou um texto lindo no seu blog, dizendo logo no início:
“ durante a infância e a adolescência eu tinha pavor de perder a minha mãe. Achava que a falta de um dos pais deveria trazer um vazio tão grande, que não imaginava como as pessoas que passavam por isso suportavam” (blognosduas.blogspot.com).
Algumas vezes, durante sua adolescência, ela comentou comigo essa sua preocupação, dizendo que, se eu faltasse, ela morreria junto. Sempre procurei tranqüilizá-la, dizendo que por aquele motivo ela não iria morrer, coisa nenhuma, e que quando chegasse a hora da minha partida ela já estaria envolvida com sua família, já teria seus filhos e estaria cuidando deles.
Por dentro, contudo, eu também sentia esse pavor. Tinha uma preocupação enorme de partir cedo, sem que tivesse acabado de criar meus filhos, e sem que eles tivessem uma estrutura emocional e uma segurança econômica que lhes permitissem enfrentar a falta da mãe.
E essa preocupação sempre aumentava, quando eu tinha que encarar alguma situação que me parecia ter algum risco.
Para morrer, basta estar vivo. Contudo, embora consciente disso, acho que há algumas ocasiões em que percebemos mais nossa fragilidade e, quando eu vivia uma dessas situações, minha preocupação crescia.
Agora, “esse pavor” passou. Graças a Deus, consegui criar meus filhos. São adultos, e estão seguros no caminho profissional que escolheram. Sabem viver sós, acho eu.
Missão cumprida?
Penso que não. Agora, quero ver minha netinha Isadora (e quem sabe outros netinhos) crescer “em graça e sabedoria”.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Titio chegou


A ansiedade terminou. O atraso no desembarque foi tão grande, que eu derramei minhas lágrimas durante a espera, diante da porta por onde entravam os passageiros recém-chegados do exterior. Chegaram quatro vôos internacionais quase que ao mesmo tempo, e havia uma quantidade enorme de pessoas na mesma espera que nós. Aos poucos, o número de quem aguardava foi diminuindo. E nós, ainda ali.
Esperamos em pé, por mais de uma hora e trinta minutos. Considerando-se que eu não agüento ficar em pé, parada, por mais de 15 minutos, dá para imaginar como estava cansada. Mudava a posição dos pés, fazia alongamentos, dava pequenos passos (para não perder o lugar), até que resolvi abandonar o posto e sentar durante pouco tempo. Tinha a impressão, contudo, que assim que sentasse, o Gustavo apontaria na porta do saguão de desembarque.
Foi o que aconteceu. Durante todo o tempo, estava com a máquina preparada para as fotos, e a Priscila com sua máquina ajeitada para um filme.

De repente, ele chegou, e a única coisa que conseguimos fazer foi uma foto bem à distância. Daí, beijos, abraços e nada de lágrimas.

Eu tinha grande curiosidade em ver o encontro da Isadora com o titio, pois eles só se conheciam virtualmente. De início, ela ficou com seu jeitinho tímido. Porém, logo em seguida, ao ser lembrada de que o tio Gus iria colocá-la bem no alto, ela se jogou para ele e ficou com uma expressão de total alegria quando ele a levou até o teto. Que bom! Titio chegou!


Na foto da chegada, as mãos do Berto dando as boas-vindas ao Gustavo. Ele foi o único que ficou firme, em pé, mas dele só enxergamos os braços estendidos.

sábado, 9 de agosto de 2008

Dia dos pais

Meu pai jovem.













E na sua última foto.






A lembrança mais antiga que eu tenho, é de um fato ocorrido quando eu tinha pouco mais de dois anos.
Estava brincando no quintal da nossa casa, com uma amiga mais velha, quando ela se pendurou numa jardineira (floreira) que enfeitava uma das janelas da casa e a jardineira despencou. Na queda, a jardineira raspou minha perna direita e provocou uma fratura.
Nessa época, éramos cinco irmãos e o caçula tinha alguns meses. Minha mãe providenciou para que meu pai fosse chamado no seu serviço, e logo depois ele estava chegando em casa.
Colocou-me no seu carro e levou-me ao médico. E é justamente essa a minha lembrança mais antiga : eu sendo levada ao médico, por meu pai.
Todo o resto da história, eu sei porque me foi contado quando eu era mais crescidinha.
Um mês antes da minha fratura, meu irmão Beto (Gilberto) havia “quebrado” o braço. Lá fora meu pai, levá-lo ao médico.
E muitas foram as outras ocasiões em que ele precisou socorrer algum filho, por motivo de acidente, ou as ocasiões em que, pelo menos, levou um susto.
O Sérgio estava assistindo futebol, atrás do gol, num campinho próximo ao colégio, quando a trave caiu e alcançou sua cabeça. Susto. O Beto (olha ele novamente), estava com a mão sobre o portão de ferro da nossa casa, daqueles que têm setas na parte superior, quando outro irmão inadvertidamente empurrou o portão, e a lança perfurou sua mão. O Carlos estava andando de bicicleta, quando levou um tombo e o pedal denteado provocou um ferimento na cabeça. A Norminha, entre 7 e 8 anos, tropeçou perto da cristaleira e caiu, quebrando o vidro que lhe fez um corte grande em uma das pálpebras (levou vários pontos). E a ocasião mais preocupante quando o Carlos (olha ele de novo), que deveria ter perto de 13 anos, ficou no estribo do bonde antes que ele parasse, e acabou levando uma queda forte que o levou ao hospital e o deixou desacordado por muitas horas.
Cruzes!
Quando éramos estudantes, não usávamos despertador. Meu pai dormia cedo, e acordava cedíssimo, e gostava de nos chamar para nossos compromissos. Na época dos exames semestrais e finais, alguns de nós gostavam de estudar e repassar a matéria de madrugada, antes da ida para a escola. Para que ele soubesse o horário em que queríamos levantar, deixávamos bilhetinhos presos no espelho do banheiro. Ele acordava, pela ordem, quem deixara escrito que queria ser chamado às 5 horas (às vezes, antes), 6 horas, 6:30 horas ... Nos intervalos, sentava-se na sua cadeira de balanço.
Quando nasceu seu nono filho, meu irmão caçula, ele estava com 45 anos e 7 meses. Ficou preocupado e recomendou a um dos meus irmãos mais velhos que cuidasse do caçulinha, caso ele faltasse. Quando ele faltou, aos 75 anos, o caçulinha já estava formado e já era pai.
Uma das minhas últimas lembranças é a de ouvi-lo falar, já com mais de 70 anos : “não sei como dei conta de criar nove filhos”.






Meus pais com os 9 filhos, no dia de suas bodas de prata (16.03.1957).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Filhos

Meu filho e minha filha, logo após o "primeiro" corte do cordão umbilical.














Quando são pequenininhos, ficamos grudadas neles. Sabemos, contudo, que isso não vai durar muito. Só não sabemos que o tempo passa mais depressa do que poderíamos imaginar.
Eles vão nos dando sinais de que um dia ficarão longe dos nossos olhos. Os passos são dados um a um, vão se acumulando, até que num passo maior eles ficam fora do nosso alcance.
E eu, que sou chorona, fui derramando lágrimas em quase todos esses passos.
Chorei quando meus filhos saíram do meu quarto, onde dormiram nos primeiros meses, passando para o quarto deles. Chorei quando foram pela primeira vez para a escola. Chorei quando saíram de casa para cursar faculdade fora de Santos (por algum tempo eu conservei a porta do quarto deles fechada, para não perceber muito a ausência). Chorei várias vezes quando, depois de visitá-los, voltava da cidade onde moravam para a minha.
Chorei no aeroporto, quando meu filho, aos 20 anos, resolveu passar uma temporada longa no exterior. Cheguei a pensar que talvez ele não voltasse para o Brasil, mas ele retornou.
Porém, passados alguns anos, ele resolveu estabelecer-se fora.
E agora, depois de dois anos de ausência, meu filho que mora numa cidade tão distante que, falando-se em tempo, está sempre um dia na nossa frente, vai chegar para nos visitar.
Há uma semana, quando ele confirmou o dia da sua chegada, fiquei tão ansiosa que tive dificuldade para dormir. E estou totalmente sôfrega (palavra que ele adora usar) para reencontrá-lo.
É verdade. Embora o cordão umbilical sofra inúmeros cortes durante a vida de uma mãe, ele nunca termina.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Festas de família?

Não sei quando foram instituídas as comemorações do dia das mães e do dia dos pais. E não tenho a menor idéia da época em que essas comemorações passaram a integrar o calendário escolar. O que tenho certeza é que, no meu tempo da infância e até da juventude, não havia comemoração dessas datas fora do âmbito familiar.
Já no tempo de escola dos meus filhos, as datas eram lembradas com a confecção de um mimo simples para ser entregue pelas crianças no dia da comemoração, em casa.
Hoje, acompanhando a vida escolar da minha netinha, vejo que as escolas realizam festinhas para a comemoração das datas. Alguns dias antes, não sei dizer quantos, começam os preparativos para a festa. Há ensaios para a apresentação de danças, ou outras exibições, pelas crianças, e preparação de presentinhos. A festa ocorre alguns dias antes da data, na presença dos pais, chamados por convites.
A data reservada para a comemoração do dia dos pais é o 2º domingo de agosto. Como falta pouco para a data, com certeza as escolas de educação infantil já estão há alguns dias desenvolvendo o tema com suas crianças.
E é nesse ponto que surge minha dúvida : será que essa comemoração não é uma festa tipicamente familiar e, como tal, deveria ser reservada para o âmbito familiar?
E isso porque, nem todas as crianças têm pais presentes, e muitas ainda não têm idade, nem a compreensão necessária para o enfrentamento de uma maratona de preparativos para uma data que não poderão festejar.
Na minha família há três crianças que perderam o pai precocemente. Uma delas, a maiorzinha, já sofre, com consciência, a falta do pai. Será justo submetê-la a uma situação de dificuldade no ambiente escolar? Será que essa situação de dificuldade, pelo menos na fase em que lhe falta compreensão total do fato, não deve ser vivida unicamente no ambiente familiar? Será que sua família, e sobretudo sua mãe, não saberão lidar melhor com a dor dessa ausência?
O mesmo se diga em relação às crianças que têm o pai ausente por outros motivos, às crianças que têm dois pais( pai e padrasto), às crianças com pai desconhecido, e outros casos. Por ocasião do dia das mães, situação similar. Há crianças que já perderam a mãe, há crianças que vivem com as avós, há crianças que vivem com a madrasta (convidar quem?). Enfim são inúmeros os motivos pelos quais o modelo papai, mamãe e filhinhos não pode ser considerado como constante.
Além disso, também não podemos esquecer que há famílias que, por princípios, ou outras razões, querem passar por essas datas sem qualquer tipo de comemoração, e a preparação de festas na escola, com o convite para a presença dos pais no dia do evento, poderá causar constrangimentos para as crianças.
Dia das mães, dia dos pais e até dia dos avós. Todas essa datas contêm uma dose enorme de amor. Com toda a certeza, devem ser lembradas.
Mas, será que a comemoração não deve ficar para as famílias?