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Virada cultural - Parte 1

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 Com a virada do ano, resolvi dar uma sacudidela nas minhas leituras. Elas vinham numa toada mais lenta, e fiz o propósito, com o novo ano, de dar uma acelerada no ritmo. E nesses dois primeiros meses consegui realizar meu propósito. Antecipei o horário da minha ida para a cama, reservando um tempo maior para a leitura antes do sono. E foi assim que, em janeiro e fevereiro, li quatro livros e iniciei mais um. Os livros lidos foram Água Fresca para as Flores, Análise, Pequenas Chances e Lutas e Metamorfoses de uma Mulher. O primeiro livro,  Água Fresca para as Flores, de Valérie Perrin, tem 480 páginas e, por conta disso, e para evitar ficar carregando seu peso, preferi comprar na forma digital, fazendo a leitura pelo kindle. Valérie Perrin, atualmente, parece ser uma das escritoras francesas mais lidas no mundo e, depois de ter lido e gostado de Annie Ernaux, vencedora do Nobel de Literatura em 2022, resolvi avançar um pouco na literatura francesa. Em Água Fresca para as ...

Brincando com a IA

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  Tenho um medo grande da Inteligência Artificial. Reconheço sua alta importância, tento entender os inúmeros avanços que ela representa em todas as áreas da vida, mas tenho receio dos perigos que a acompanham. Parece que quase tudo poderá ser automatizado, e isso trará diminuição de empregos, diminuição do raciocínio individual e outros males. Sem falar na manipulação de fotos e vozes. Coisas terríveis podem ser criadas com o uso mal-intencionado da Inteligência Artificial. E como no mundo atual, a crise ética é enorme, a "indústria" das falsidades vai poder deslanchar. Vídeos com pessoas públicas, ou não, falando o que não disseram, fotos mostrando pessoas em lugares em que nunca estiveram, ou abraçando desafetos, são exemplos de criações para manipular a opinião pública, e que podem resultar em crimes cibernéticos. Enfim, o caso é muito sério, e até causa estranheza eu ter escrito esse "Brincando com a IA". Será que dá para brincar com a inteligência artificial? ...

4 meses de uma vez

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  Que coisa incrível. Vacilei um pouco e passaram-se 4 meses sem qualquer publicação nesse meu blog.  Falta de assunto? Não.  Muitas coisas diferentes aconteceram, que poderiam ter dado textos interessantes. Mas, simplesmente o tempo passou, e eu não me dei conta de que estava sem escrever. E nesse tempo, eu completei 88 anos, organizei um bazar com meus trabalhos manuais, fiz uma viagem maravilhosa para Foz do Iguaçu, passei o Natal e a entrada do ano em família, senti muito calor nesse verão tórrido e, agora, estou há dias convivendo com uma chuva constante. Um pouco antes do carnaval, sem estar pulando ou dançando, perdi o equilíbrio e levei um tombo. Susto grande. Nessa altura, o jeito é deixar, aqui, um pequeno registro fotográfico dos últimos meses. Com poucas palavras, mas muita beleza das nossas fantásticas cataratas. Em novembro, completando 88 anos.                                 ...

Tempo Rei

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Com certeza, mais do que 40 mil pessoas assistindo, ao vivo, a um espetáculo quase que sobrenatural. Outro tanto, certamente superior a 40 mil, assistindo à distância a esse mesmo espetáculo. Eu me encontrava nesse grupo, sentada no meu sofá, mas usufruindo com emoção de toda a beleza do Tempo Rei, último show de Gilberto Gil em São Paulo. Gilberto Gil, cantou, sem intervalo, durante duas horas e trinta minutos. Tomou água, por duas vezes. Cantou em pé, e dando algumas passadas. Houve uma hora em que achei que ele até chegou a dar um pulinho. Sentou-se somente das 21h15 min. até 21h 45 min., ou seja, durante 30 minutos. Gilberto Gil tem 83 anos. Incrível sua vitalidade, sua energia, tranquilidade, e carisma. Acompanhado por sua banda fantástica, que conta com alguns dos seus descendentes, viveu, e fez o público viver, muitos momentos de emoção. O repertório do show foi muito rico, mostrando toda a trajetória do compositor/cantor. E a surpresa da noite foi a participação especial de out...

Meu bolo favorito

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 Sempre estou atrás de um bom filme, para ser assistido em sala de cinema. Nem sempre é fácil encontrar. Em Santos, a troca de filmes costuma ser rápida, a não ser quando se trata de um filme de muito sucesso, como foi o "Ainda estou aqui". Usualmente, os lançamentos comuns entram e saem rapidamente.  Ainda assim, ficando atenta à programação, consigo encontrar filmes para assistir do jeito que mais gosto: numa sala de cinema. E, nesse ano, consegui gozar desse prazer algumas vezes. Um dos filmes que me encantou foi "Meu bolo favorito", produção iraniana que aborda a solidão na velhice, e a resistência íntima às regras políticas rígidas. A personagem principal é uma viúva de 70 anos, que vive sozinha em Teerã. Sua filha e netos vivem no exterior, e seu cotidiano é marcado pela solidão, pelas rotinas simples. Parece que seu isolamento é quebrado somente em chás com amigas também idosas, e foi justamente após um chá que ela resolve mudar sua vida. Coloca-se na busca d...

Não me entrego, não!

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Não me entrego, não! Quem está dizendo isso, com toda ênfase, é o ator Othon Bastos, num monólogo maravilhoso apresentado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Trata-se de um monólogo diferente, porque o ator consulta, às vezes, sua memória "externa" interpretada por Marta Paret. Durante pouco mais de uma hora e trinta minutos, o ator, do alto dos seus 92 anos, transita pelo palco, senta-se em algumas ocasiões, e usa sua voz forte e retumbante para contar sua trajetória no palco, no cinema, e na televisão. Às vezes o ator consulta sua memória "externa", para que traduza para os tempos atuais alguns acontecimentos do passado, ou para que o ajude na escolha de determinadas palavras. Falando sem parar, e sem se hidratar durante todo o espetáculo, Othon Bastos mostra que realmente não se entrega, e consegue emocionar lindamente sua plateia. Foi um programa maravilhoso, uma lição de vida. E para completar esse domingo tão cheio de emoção, conseguimos reunir um grupo gr...

Simbiose perfeita

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Há pouco tempo assisti ao filme "A verdadeira dor", e saí do cinema com uma sensação de leveza. Embora o tema do filme verse sobre a dor causada pelo Holocausto, a trilha sonora do filme é um enlevo só. " A Verdadeira Dor" ,  escrito e dirigido por Jesse Eisenberg, estrelando Jesse como David Kaplan e Kieran Culkin como Benji Kaplan, conta a história de dois primos que viajam à Polônia para descobrir mais sobre suas origens, e para homenagear a avó falecida. Na Polônia, os primos participam de um grupo de turismo, e inúmeras reflexões surgem quando das visitas aos pontos turísticos que reavivam a memória das dores vividas pela família. Esse roteiro melancólico, mas que também tem momentos de humor, é acompanhado por composições lindas de Frédéric Chopin. Baladas, estudos, noturnos, valsas e prelúdios, interpretados pelo pianista canadense Tzvi Erez.  Não poderia haver melhor trilha sonora.  Chopin, nascido na Polônia, compôs músicas cheias de emoção e intensidade, e...