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Virada Cultural - Parte 2

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  Como disse, no post anterior, iniciei esse ano acelerando o ritmo das minhas leituras. E foi assim que, nos dois primeiros meses do ano, li quatro livros, e iniciei mais um, que terminei nos primeiros dias de março. Já falei sobre "Água Fresca para as Flores" e sobre "Análise".  Os outros livros lidos em janeiro e fevereiro foram Pequenas Chances, de Natalia Timerman, e Lutas e Metamorfoses de uma Mulher", de Édouard Louis". Em "Pequenas Chances", a autora conta, com toda sensibilidade, como transcorreram os dias que antecederam a morte do seu pai. Constatada a gravidade do seu estado, e na ausência de esperança de cura, ele passa a receber cuidados paliativos, com a presença constante dos seus próximos. Há bastante ternura nesse relato. Ao lado disso, a autora sente-se ligada à sua história familiar, vivendo o luto conforme os rituais judaicos, e procurando, por meio de uma viagem, uma linha de continuidade com as gerações anteriores. Achei mu...

Virada cultural - Parte 1

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 Com a virada do ano, resolvi dar uma sacudidela nas minhas leituras. Elas vinham numa toada mais lenta, e fiz o propósito, com o novo ano, de dar uma acelerada no ritmo. E nesses dois primeiros meses consegui realizar meu propósito. Antecipei o horário da minha ida para a cama, reservando um tempo maior para a leitura antes do sono. E foi assim que, em janeiro e fevereiro, li quatro livros e iniciei mais um. Os livros lidos foram Água Fresca para as Flores, Análise, Pequenas Chances e Lutas e Metamorfoses de uma Mulher. O primeiro livro,  Água Fresca para as Flores, de Valérie Perrin, tem 480 páginas e, por conta disso, e para evitar ficar carregando seu peso, preferi comprar na forma digital, fazendo a leitura pelo kindle. Valérie Perrin, atualmente, parece ser uma das escritoras francesas mais lidas no mundo e, depois de ter lido e gostado de Annie Ernaux, vencedora do Nobel de Literatura em 2022, resolvi avançar um pouco na literatura francesa. Em Água Fresca para as ...

Brincando com a IA

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  Tenho um medo grande da Inteligência Artificial. Reconheço sua alta importância, tento entender os inúmeros avanços que ela representa em todas as áreas da vida, mas tenho receio dos perigos que a acompanham. Parece que quase tudo poderá ser automatizado, e isso trará diminuição de empregos, diminuição do raciocínio individual e outros males. Sem falar na manipulação de fotos e vozes. Coisas terríveis podem ser criadas com o uso mal-intencionado da Inteligência Artificial. E como no mundo atual, a crise ética é enorme, a "indústria" das falsidades vai poder deslanchar. Vídeos com pessoas públicas, ou não, falando o que não disseram, fotos mostrando pessoas em lugares em que nunca estiveram, ou abraçando desafetos, são exemplos de criações para manipular a opinião pública, e que podem resultar em crimes cibernéticos. Enfim, o caso é muito sério, e até causa estranheza eu ter escrito esse "Brincando com a IA". Será que dá para brincar com a inteligência artificial? ...

4 meses de uma vez

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  Que coisa incrível. Vacilei um pouco e passaram-se 4 meses sem qualquer publicação nesse meu blog.  Falta de assunto? Não.  Muitas coisas diferentes aconteceram, que poderiam ter dado textos interessantes. Mas, simplesmente o tempo passou, e eu não me dei conta de que estava sem escrever. E nesse tempo, eu completei 88 anos, organizei um bazar com meus trabalhos manuais, fiz uma viagem maravilhosa para Foz do Iguaçu, passei o Natal e a entrada do ano em família, senti muito calor nesse verão tórrido e, agora, estou há dias convivendo com uma chuva constante. Um pouco antes do carnaval, sem estar pulando ou dançando, perdi o equilíbrio e levei um tombo. Susto grande. Nessa altura, o jeito é deixar, aqui, um pequeno registro fotográfico dos últimos meses. Com poucas palavras, mas muita beleza das nossas fantásticas cataratas. Em novembro, completando 88 anos.                                 ...

Tempo Rei

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Com certeza, mais do que 40 mil pessoas assistindo, ao vivo, a um espetáculo quase que sobrenatural. Outro tanto, certamente superior a 40 mil, assistindo à distância a esse mesmo espetáculo. Eu me encontrava nesse grupo, sentada no meu sofá, mas usufruindo com emoção de toda a beleza do Tempo Rei, último show de Gilberto Gil em São Paulo. Gilberto Gil, cantou, sem intervalo, durante duas horas e trinta minutos. Tomou água, por duas vezes. Cantou em pé, e dando algumas passadas. Houve uma hora em que achei que ele até chegou a dar um pulinho. Sentou-se somente das 21h15 min. até 21h 45 min., ou seja, durante 30 minutos. Gilberto Gil tem 83 anos. Incrível sua vitalidade, sua energia, tranquilidade, e carisma. Acompanhado por sua banda fantástica, que conta com alguns dos seus descendentes, viveu, e fez o público viver, muitos momentos de emoção. O repertório do show foi muito rico, mostrando toda a trajetória do compositor/cantor. E a surpresa da noite foi a participação especial de out...

Meu bolo favorito

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 Sempre estou atrás de um bom filme, para ser assistido em sala de cinema. Nem sempre é fácil encontrar. Em Santos, a troca de filmes costuma ser rápida, a não ser quando se trata de um filme de muito sucesso, como foi o "Ainda estou aqui". Usualmente, os lançamentos comuns entram e saem rapidamente.  Ainda assim, ficando atenta à programação, consigo encontrar filmes para assistir do jeito que mais gosto: numa sala de cinema. E, nesse ano, consegui gozar desse prazer algumas vezes. Um dos filmes que me encantou foi "Meu bolo favorito", produção iraniana que aborda a solidão na velhice, e a resistência íntima às regras políticas rígidas. A personagem principal é uma viúva de 70 anos, que vive sozinha em Teerã. Sua filha e netos vivem no exterior, e seu cotidiano é marcado pela solidão, pelas rotinas simples. Parece que seu isolamento é quebrado somente em chás com amigas também idosas, e foi justamente após um chá que ela resolve mudar sua vida. Coloca-se na busca d...

Não me entrego, não!

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Não me entrego, não! Quem está dizendo isso, com toda ênfase, é o ator Othon Bastos, num monólogo maravilhoso apresentado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Trata-se de um monólogo diferente, porque o ator consulta, às vezes, sua memória "externa" interpretada por Marta Paret. Durante pouco mais de uma hora e trinta minutos, o ator, do alto dos seus 92 anos, transita pelo palco, senta-se em algumas ocasiões, e usa sua voz forte e retumbante para contar sua trajetória no palco, no cinema, e na televisão. Às vezes o ator consulta sua memória "externa", para que traduza para os tempos atuais alguns acontecimentos do passado, ou para que o ajude na escolha de determinadas palavras. Falando sem parar, e sem se hidratar durante todo o espetáculo, Othon Bastos mostra que realmente não se entrega, e consegue emocionar lindamente sua plateia. Foi um programa maravilhoso, uma lição de vida. E para completar esse domingo tão cheio de emoção, conseguimos reunir um grupo gr...