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Dias de apreensão

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Maio chegou e passou, praticamente em torno de um único objetivo: a pesquisa sobre um problema de saúde, e a busca da solução. Foram diversas idas a médicos, a realização de exames variados, o estresse, o cansaço físico e a apreensão. Até que ontem, após o exame conclusivo, parece ter ficado afastada a hipótese que causava maior preocupação. Nesse período de praticamente um mês, com alguns dias difíceis, e rotina diferente, contei com o amparo afetuoso do marido e dos filhos. Até meu filho, que mora tão distante, do outro lado do mundo, esteve presente nesses dias e, particularmente, no dia de ontem, quando os três fizeram questão de me acompanhar para a realização do exame.  E, no final, aliviados, pudemos dar graças pelo término dessa primeira fase. Nesse meu espaço, já escrevi sobre muitos passeios, muitas viagens e celebrações felizes. Já escrevi, também, sobre alguns eventos tristes. Nem poderia ser diferente.  Há dias luminosos, e há dias sombrios....

Éramos todos tão jovens.

Éramos tão jovens! Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos. Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente. Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo. E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor. Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss. Éramos todos tão jovens! Partimos para a vida. Sem despedidas. Casamos, tivemos filhos e netos. E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa. Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo. E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida. ...

O Escafandro e a Borboleta

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O Escafandro e a Borboleta, história real “escrita” por quem a viveu, é um livro que nos deixa perplexos: com seu teor, e com sua realização.  Jean-Dominique Bauby era um jornalista jovem e bem sucedido (editor da Elle, em Paris) que, acometido por um grave acidente vascular-cerebral, ficou quase que inteiramente paralisado. O único movimento que conservou foi o do seu olho esquerdo. Sua mente, contudo, permaneceu intacta. Ele pensava, raciocinava, sentia, e tinha lembranças. E usando do poder da sua mente, e do movimento do seu olho, ele incrivelmente conseguiu escrever esse maravilhoso livro. Num trabalho de paciência e perseverança, que contou com a inestimável assistência de Claude Mendibil, Jean-Dominique redigiu mentalmente os diversos capítulos do seu livro, ditando-os para seus interlocutores por meio de piscadas do olho esquerdo. Para que isso fosse possível foi organizada uma listagem das letras do alfabeto, colocadas em ordem decrescente da utilização na sua língua p...