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Mostrando postagens com o rótulo isolamento social

O ano em que não cortei o cabelo

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O ano começou como todos os anteriores. Queima de fogos na praia, beijos e abraços, votos de realizações, boas expectativas e, até, alguns sonhos. Veio janeiro, com seu calor abafado e úmido, veio fevereiro, com carnaval e início do ano escolar. Chegou março, quando o ano iria dar seu arranque e caminhar no sentido das realizações. De repente, as notícias vindas do exterior, a respeito das mortes causadas por vírus que atingira a China no final de 2019, passaram a repercutir seriamente entre nós. Essas notícias já circulavam desde o início do ano, mas eram vistas como algo distante. Em fevereiro ficaram mais próximas, quando do repatriamento de brasileiros que viviam na cidade chinesa de Wuhan, primeiro local a sofrer os efeitos fatais do coronavírus.   Os brasileiros residentes na China chegaram, e ficaram de quarentena em base aérea.  No mais, parecia que tudo continuava dentro do usual.  O problema era do outro lado do mundo. Era em outro hemisfério. Estávamos em fever...

Rotina

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Um dia atrás do outro. Um dia igual ao outro. Sem sonhos, sem planos. Acordar, organizar os serviços da casa, comprar orgânicos pela internet, mantimentos por aplicativos, remédios pelo telefone. Higienizar os produtos que chegam. Cozinhar. Distrair com algum trabalho manual. Assistir algum filme ou série. Alternar momentos de serenidade, com momentos de angústia. E lá se vai o tempo. Em três dias serão 5 meses completos. Quando isso mudará?

Adequação

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Nesse último final de semana tivemos tempo feio, nublado e com chuva. Afinal, já estamos no inverno e temos tido uma sequência de dias bonitos, quentes e ensolarados. E, de repente, parece que o inverno resolveu se insinuar. E não é que eu gostei dessa mudança de tempo? As nuvens, a chuvinha, os tons cinza da praia, transmitiam tristeza.  E o ar da paisagem se adequou totalmente ao que estamos vivendo. Com tempo feio, chuva e friozinho, nada melhor do que ficar em casa. Já são 111 dias. Foto tirada às 8:35 h do sábado, dia 27/06/2020.

Criando com HeloArte

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Percebi que, ultimamente, tenho falado e escrito muito sobre desalento, desesperança, cansaço. Tudo isso existe, mas também está presente o empenho em cumprir as tarefas de casa, cozinhar e costurar. A costura criativa, que entrou na minha vida em outubro de 2019, há somente oito meses, parece que me acompanha há muito mais. Antes disso, eu não costurava. De repente, passei a fazer diversos trabalhos, como se tivesse feito isso durante toda a vida. No início, ainda quando em aulas, eu estava me dedicando mais à produção de bolsas e carteiras. Fiz várias, e estava com vários projetos. Com a pandemia e o distanciamento social, sair de casa ficou fora de moda. E, como tal, usar bolsas. Passei, então, a buscar projetos de utilidades, que pandemia nenhuma pudesse atrapalhar. E tudo, usando material que tivesse em casa, ou que pudesse adquirir pela internet. É uma atividade apaixonante, que ocupa a mente e relaxa. Pensamentos sobre vírus, mortes, confusão social, riscos,...

Desesperança

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Tão cansada. Tão desesperançada. É assim que estou me sentindo após mais de 90 dias de isolamento/afastamento social. A vontade de escrever quase que desaparece. Sim, porque o que vem à mente é desanimador, e não vale a pena alimentar esse tipo de pensamento. Fujo do noticiário. Mas é difícil evitar totalmente aquilo que me perturba. As insanidades que acontecem são tamanhas, que extrapolam o noticiário comum e acabam me atingindo, querendo, ou não. E, mais. Um dos segredos da boa velhice é ter projetos. Planejar algo para os próximos dias, para os próximos meses. E, assim, manter a saúde mental. Como ter projetos nesse tempo sombrio, nesse período sem perspectiva, quer pela ameaça do vírus, quer pelo caos em que nossa sociedade está mergulhada. Impossível qualquer plano. Mas é preciso encontrar uma saída, que garanta mais tranquilidade e permita algum sonho. Quem sabe o melhor seria fugir pro mato? Pelo menos poderia ter o projeto de plantar bata...

Mais um mês

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Quase um mês sem escrever por aqui. Um mês como os outros dois que o antecederam. Em confinamento, procurando enfrentar da melhor forma possível essa temporada difícil. E que se mostra com as dificuldades potencializadas, por conta do desgoverno nacional a que estamos submetidos. Sem dúvida, essa situação absurda da má política, deixa mais assustador o cenário trazido pelo vírus. Com isso tudo, embora procurando usufruir de tudo de bom que me rodeia, às vezes dou uma vacilada e fico meio abatida.  Respiro fundo, olho pela janela, penso nas coisas boas e aguardo o mal estar passar. Foi um mês produtivo na cozinha, na costura, e no lazer, pelo cinema. Muita música mas, não sei por que, pouca leitura. Estou na leitura do livro Carmen, do Ruy Castro. Seu problema é a letra muito pequena, que dificulta a leitura à noite.  Assisti duas séries inteiras, Anne com E (Netflix), e Homecoming (Amazon). Vi alguns filmes muito bons, entre os quais Sementes Podres (pena ...

Mudança de hábitos

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O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços. Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes. Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar. Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar. Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia. Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares. O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o di...

Cotidiano

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"Todo dia ela faz tudo sempre igual"... Maravilhoso Chico. Tenho ouvido bastante o Chico Buarque, e muitos outros nesse prolongado isolamento. A música acalma, a música eleva o pensamento. E a verdade é que tenho feito quase tudo igual. Dentro da limitação imposta pelo confinamento, só é possível a variação dentro dos mesmos temas. Há dias em que me dedico à costura criativa, procurando fazer algum trabalho novo. Em outros, repito algo que já fiz antes, mudando algum detalhe e os tecidos. Há dias em que "invento" alguma receita de cozinha, para aproveitar algum ingrediente que precisa ser usado, ou alguma sobra boa de uma refeição anterior. Há dias em que experimento uma receita nova, e outros em que vou em busca de uma receita do passado. Há dias em que escrevo bastante, e outros em que leio. Há dias em que toco piano, e dias em que ouço o piano tocado por outros. Há dias em que vejo um episódio de alguma série, e outros em que assisto a ...

Nós e a pandemia

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Parece que fiquei meio muda, com essa situação trágica da pandemia. Ou, pelo menos, travada. Penso que preciso escrever algo, muitas ideias surgem, mas difícil é expressá-las. Hoje é o 33º dia do meu isolamento social. Sós, eu e o Berto, em casa, sem motivos para queixas em relação ao confinamento, em si. Temos espaço para caminhar, de uma parte do apartamento para outra, temos um local para tomar  um bom banho de sol, temos janelas com vistas lindas. Mas, não temos companhia. Nem família, nem amigos.  Não temos liberdade de descer do 18º andar para caminhar ao ar livre. E tem que ser assim. Sabemos disso e estamos preparados para o tempo que for necessário. Não temos ajuda para os serviços domésticos, que se tornam cansativos pela repetição. Nossa funcionária está cumprindo o isolamento na sua casa.  Contudo, só temos a agradecer. Apesar da idade, somos saudáveis e estamos enfrentando bem o isolamento e a maratona doméstica. É v...

Isolamento social

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Viver um dia de cada vez. Viver sem pensar em tempo. Organizar o dia para os trabalhos domésticos, a música, a leitura, os trabalhos manuais e outras atividades de lazer. Não pensar no fato de que essa rotina poderá se estender por muito tempo. Afastar essa ideia. Sim, porque, a partir de agora, não vamos pensar em tempo. Simplesmente vamos viver o dia. Pensei nisso tudo hoje numa das primeiras manhãs do meu isolamento. Talvez não tenha dormido o suficiente e levantei tensa, ansiosa. Percebi o risco que nossa saúde mental e psicológica estará passando nesse período difícil. E concluí que é preciso uma estratégia para atravessar tempos difíceis, nunca vivenciados. De início, concluí que uma estratégia é essa: viver o dia.  Fazer o melhor possível, organizando uma nova rotina. A rotina do isolamento social.  Procuremos aquilo que está ao nosso alcance e que pode nos ajudar a viver cada dia com tranquilidade e bem-estar. Hoje é o meu décimo dia de isolament...