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Carinho manuscrito

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     “Quando o carteiro chegou, e meu nome gritou, com uma carta na mão ...” Quem vive há mais tempo, com certeza lembra desses versos na voz da Isaurinha Garcia, ou mais recentemente, na da Maria Bethania. E, lembra, também, de como era bom receber cartas entregues pelos carteiros. Algumas eram esperadas, porque faziam parte de uma correspondência rotineira. Entre amigos, namorados, pais e filhos, que moravam distantes. Outras, chegavam de surpresa. Todas, porém, causavam muitas emoções. Hoje, praticamente não há espaço para esse hábito, e os carteiros limitam-se à entrega de boletos, faturas, propagandas. Mas, às vezes, acontece uma reviravolta, como a que me surpreendeu na última semana. Abri minha caixa de correspondência meio mecanicamente, para recolher os boletos para pagamentos e outros que tais. E lá estava ela. Uma carta de verdade, vinda de bem longe. Uma carta volumosa, num papel bonito, cheia de notícias boas, e com ...

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Há alguns anos atrás (ou serão muitos?), a comunicação entre amigos que viviam em lugares distantes ocorria basicamente pelas cartas. Havia blocos com papel de carta comum, blocos com papel especial para cartas com remessa aérea, envelopes adequados. E era uma delícia receber uma carta de um amigo, e havia um gosto especial em esperar o carteiro para ver se a correspondência esperada havia chegado. Lia-se a carta com alegria, e logo que possível respondia-se ao amigo que nos havia escrito.Era uma forma de agradecer a delicadeza da correspondência, e de manter-se a amizade. Hoje, as cartas praticamente sumiram. Pela caixa de correio só chegam faturas e propagandas. A comunicação entre amigos dá-se por e-mails, torpedos e mensagens nas redes sociais. Entre esses tipos de comunicação, muitos são para a comunidade, em geral, mas muitos são dirigidos especialmente a alguém. Isso acontece principalmente com os e-mails. E daí é que surge a pergunta: por que, nem sempre, a ...