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Mostrando postagens com o rótulo envelhecimento

Ritmo de vida

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  Sabe aquela história de se arrumar rapidinho para uma saída de última hora? Quantas vezes recebemos um convite de uma amiga para um cinema, ou outro programa, mas com o alerta de que falta pouco tempo para o evento? Respondemos, sem titubear, que não há problema. Que vamos tomar um banho ligeiro, e nos arrumar rapidinho. E que, no horário certo, estaremos no local. Pois é, na velhice isso não acontece.  Por mais que nos esforcemos, por mais que tenhamos sido rápidos no decorrer da vida, não conseguiremos dar conta do recado, e resolver toda a arrumação em pouco tempo. Não dá para sermos rapidinhos. Portanto, convites de última hora não podem ser aceitos. Eu sempre fui rapidinha. Fazia muitas coisas ao mesmo tempo e conseguia manter a pontualidade. Continuo a ser pontual, mas agora faço tudo com calma. Mesmo porque a calma garante a segurança. Já imaginou uma idosa sair de um box de banheiro com pressa? Estará correndo risco. Ou se vestir com velocidade? Colocar meia, amarrar...

Desesperança

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Num dos dias do mês de setembro, o mês da prevenção ao suicídio, o jornal da minha cidade trouxe, em uma das chamadas de capa, o seguinte título: Idosos lideram índices de suicídio na região.   Fiquei abismada. A constatação, decorrente de pesquisa realizada por instituto conceituado, é assustadora. E, i nfelizmente, é real. Já ouvimos várias vezes que "envelhecer, não é para os fracos”. Sim, envelhecer, e viver a velhice, é difícil. Exige energia, coragem. São as perdas, de parceiros, familiares e amigos, são as limitações, de locomoção, visão e audição, as angústias das doenças e da dependência. É o isolamento social, a solidão, a falta de afeto. E, em grande número de casos, as dificuldades econômicas, justamente em fase em que as despesas com medicação e atendimento médico são consideráveis, e  em que o conforto, que representa gasto, é imprescindível.  Enfrentando todos, ou alguns desses fatores estimulantes de sentimentos ...

Longevidade

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Esse termo tão pouco usado, passou a aparecer em um ou outro texto que fala sobre as vidas longas, mas parece que ainda não encontrou apoio por parte da população idosa.  Nem mesmo por parte daqueles que usualmente comentam sobre a velhice. Talvez isso ocorra porque o termo adequado para nomear alguém que tenha longevidade seja estranho.  Longevo. O vocábulo não é nem um pouco bonito, e parece não ser delicado referir-se a alguém qualificando-a como uma pessoa longeva. Já imaginou ser chamado de longevo, ou longeva? Até parece um palavrão. Um pouco mais leve que macróbio, é verdade. Mas também tem sua feiura. Embora feio, seu sentido, principalmente quando a longevidade está de braços dados com a boa saúde, é muito bom. Ser longevo, ou longeva, vivendo bem, com saúde, autonomia e alegria, é o que a maioria das pessoas quer para si.  Falo a maioria, porque há pessoas que afirmam não querer ter vida longa. Não querem correr o risco, principalm...

Palitos vilões?

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Serão vilões, os palitos de dentes? De um lado os cirurgiões-dentistas, dizendo que eles não servem para higiene bucal, e que podem causar danos às gengivas. De outro, a etiqueta social, afirmando em críticas ácidas que é deselegante usar palitos à mesa. Um e outro podem ter razão relativa.  Mas, como resolver um problema momentâneo, mais que um problema, uma aflição por ter ficado com uma partícula de alimento entre os dentes, durante um jantar muitas vezes cerimonioso? Dependendo do prato servido, não é difícil que um pedaço de carne, ou até um resquício de folha, fiquem presos entre os dentes. E parece que as folhas sempre escolhem se localizar nos dentes da frente. Além do desconforto, a preocupação.  E agora, posso sorrir? Penso que esse problema ocorre mais com aqueles entrados na velhice. Escrevo pensando neles, e em mim. Os jovens, com certeza, não têm condições de avaliar, em sua inteireza, essa situação desagradável.  Com a idade, muitas ...

Pondo as barbas de molho

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Sim, estou procurando ficar cada vez mais cautelosa, principalmente quando caminho pelas ruas, subo ou desço alguns poucos degraus, ou escadas. Não sei se estamos numa temporada de quedas, mas alguns parentes e amigos têm caído muito, ultimamente. É verdade que todos estão naquela idade em que “todo cuidado é pouco”.  Às vezes é uma torcida de pé, outras um solado de sapato que prende no piso, um tropeço em obstáculo, um buraco em calçamento, um piso molhado ou escorregadio. As causas são diversas, e o resultado é sempre o mesmo: o equilíbrio falha e o tombo acontece. Às vezes sem consequências, mas na maioria com problemas sérios: ruptura de ligamentos, fraturas, torções. Eu mesma senti isso na pele. Andando na rua, por uma pequena distância, torci o pé graças a uma irregularidade no calçamento e, embora tivesse percebido que a queda era iminente, não consegui evitá-la.  Sensação horrível a de prever que algo de ruim vai acontecer, mas que se é impotente para...

Frio no inverno ... da vida

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Era janeiro, auge do verão, roupas leves, vestidos de alça.  Minha mãe fazia anos no dia 19, data sempre comemorada com os filhos, muitos dos netos e alguns bisnetos. E, também, muitas vezes com a presença do seu irmão Rodolpho, 5 anos mais velho que ela, que morava em Bebedouro, mas passava o verão no Guarujá, facilitando sua vinda a Santos. Minha mãe viveu 97 anos, e meu tio Rodolpho, praticamente 100. Acho que, até os 97, ou 98, ele manteve a rotina de visitar sua irmã no dia do aniversário. Chegava contente, no seu corpo elegante, e vestindo calça hoje chamada de alfaiataria, camisa clara e paletó ou um suéter de “cashmere”. Esse agasalho de “cashmere" me chamava a atenção. Nós, com nossas roupas reduzidas, tentando fugir do calor e ele, muito confortável, com um vestuário de meia estação. Agora, entendo melhor. A velhice, entre outras mudanças, traz a dificuldade de adaptação térmica, e aumenta muito a sensibilidade ao frio. A percepção do calor fica ...

Sonhos para o novo ano

Quero continuar a envelhecer bem. Se possível, somente com os desgastes naturais do passar do tempo. Quero receber muito amor e carinho. Ser olhada com compreensão e afeto. Quero conviver com pessoas leves, alegres, de bem com a vida. Quero ter muitos motivos para me sentir feliz. Quero ter muitas ocasiões para dar risadas. Quero ter boas oportunidades de passeios e viagens. Quero ter sonos tranquilos, pernas boas para caminhadas, ouvidos bons para bons sons, visão boa para todo tipo de beleza. Quero ter mãos e dedos bons, para dedilhar as teclas do meu piano, e fazer os pontos do meu crochê. Quero ter boas conexões e entendimento, para continuar com meus escritos e leituras. Quero manter meu encantamento e entusiasmo pela vida. Quero viver muito bem em família. Quero sentir tudo de bom que a vida pode dar. E, em troca, quero dar o meu melhor.

Viver e morrer

Em abril de 2013, assisti o musical Alô Dolly, em São Paulo, e fiquei encantada com a atuação da protagonista Marília Pêra.  Durante duas horas ela dançou, cantou, interpretou e seduziu o público. Na ocasião, ela estava com pouco mais de 70 anos e, inspirada nela, escrevi um pequeno texto sobre “Envelhecer bem” . Sim, ela estava em pleno vigor de vida. Ágil, com postura perfeita, fazendo aquilo que amava. Passados pouco mais de dois anos e meio, chega-nos a notícia da morte da atriz. Ela que estava tão bem, e a quem a palavra velhice parecia tão inadequada, encerrou sua trajetória entre nós. Abatida por doença grave. Será que quando a assisti, o processo da doença já estava em andamento? É possível. Mas lá estava ela no palco, vivendo e brilhando. A suposição é que, enquanto conseguiu, manteve seu trabalho. O mesmo trabalho que, feito com amor, fez com que envelhecesse bem. Porém, para todos existe um ponto final. Aquele que nasce, morre. Nada, contudo, afas...

Éramos todos tão jovens.

Éramos tão jovens! Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos. Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente. Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo. E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor. Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss. Éramos todos tão jovens! Partimos para a vida. Sem despedidas. Casamos, tivemos filhos e netos. E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa. Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo. E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida. ...

Minha mãe não me disse.

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Tive uma longa convivência com minha mãe. Ela se foi há quatro anos e meio, prestes a completar 98 anos.  Convivência  feliz e valiosa. Ela me ensinou a ser mãe, e a amar o próximo como a mim mesma. A ser verdadeira e solidária. Me ensinou a responsabilidade e a persistência. Me passou valores importantes. Me ensinou trabalhos manuais e a arte da cozinha. Me preparou para a vida. Mas minha mãe nunca me disse que chegaria um dia em que eu teria dificuldade para prender as presilhas laterais dos sapatos. Nem que eu teria que procurar a melhor posição para vestir determinadas roupas. Também não me disse que seria complicado levantar um pé, equilibrando-me no outro, para lavá-los num bom banho de chuveiro. E que seria bom tomar cuidado para não deixar o sabonete cair no chão. Não seria fácil tê-lo de volta. E, embora soubesse bem, não me alertou sobre a hora em que eu acharia muito difícil, quase que impossível, colocar meias elásticas, quando delas precisasse. Ness...

O que já foi

Pessoas requerendo cuidados, com ar de cansaço ou desânimo. Pessoas andando com dificuldade e, muitas vezes, com ar angustiado. Pessoas muito gordas, ou extremamente magras. Pessoas com olhar distante ou cabisbaixas. Pessoas que parecem estar desinteressadas de tudo. Chamam muitas vezes minha atenção. quando caminho pelas ruas de uma cidade, ou passo rapidamente de carro. Sempre podem ser vistas, e me levam, em todas essas ocasiões, ao mesmo tipo de pensamento. Hoje, essa pessoa está assim, mal cuidada, mas um dia foi um nenê tratado com carinho e amor, e que despertava sorrisos ao seu redor. Está claudicante mas, ali atrás, foi uma criança alegre e  saltitante , que corria com amigos, pulava corda, pulava amarelinha. Ficou muito gorda, ou muito magra, porém há não muito tempo era um(a) jovem elegante, que rodopiava nos salões de baile e, provavelmente, despertava suspiros. Tem um ar de desinteresse, anda cabisbaixa, contudo já vibrou com conquistas, já foi cur...

Envelhecimento

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Envelhecer, não é fácil.  Para ser um processo mais tranquilo, é preciso uma preparação durante a caminhada da vida. Desenvolver interesses, cuidar-se, conviver com pessoas amigas e afetivas. Saber enfrentar problemas, ter olhos abertos para a beleza e ouvidos atentos para a música. Mas, não é fácil. E as limitações físicas, que vão se instalando, obrigam a uma mudança bem acentuada. Felizmente, são limitações que não surgem subitamente. Pouco a pouco, passamos a  sentir  uma dificuldade aqui, outra ali. Pensei nisso tudo, ao ler uma entrevista interessante com a atriz Marieta Severo, que no último dia 2/11 completou 68 anos de idade. Ela entende que a idade traz um olhar mais generoso, vai apurando o olhar que se tem para o outro.  Mas, ao ser indagada sobre o lado ruim do passar da idade, responde: " O limite físico. Isso é uma chatice. Sempre fui uma pessoa com muita energia, mais que o normal. Não consigo mais fazer as 500 coisas que eu f...

Estação de águas

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Quando criança, eu ouvia falar das "Estações de Águas", como lugares muito procurados por pessoas mais velhas. Lembro que minha vó Olga, de vez em quando, tinha uma temporada de águas acompanhada por seu irmão Augusto e sua cunhada Lilica. O lugar preferido parece que era Águas de Lindoia. Lugar tranquilo, boas fontes de água mineral, balneário com ótimas instalações. E as águas traziam bons resultados para os achaques que chegavam com a idade. Em minhas andanças de lazer, já conheci algumas Estações de Água, mas nunca as procurei com o intuito de aproveitar as "milagrosas" águas. Sempre foi para conhecer o lugar, que normalmente é agradável e tem bons hotéis. Quando se viaja com crianças, uma cidade dessas é uma boa alternativa. A primeira em que me hospedei foi Águas de São Pedro, com meu filhos ainda pequenos. Não lembro de ter ido atrás de água da fonte, nem de ter usado o balneário, para qualquer procedimento. Corrijo. A primeira que conh...

Branco que te quero branco

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Enfim, depois de muito pensar sobre cabelos brancos, e de escrever alguns textos sobre o tema, estou em feliz convivência com eles. Como escrevi aqui em dezembro de 2013, havia resolvido dar uma trégua no combate aos fios brancos, para deixá-los brotar livremente. Embora, até então, só retocasse a tintura de mês em mês, e fizesse “luzes” (ou reflexos) semestralmente, estava cansada dessa quase que obrigação. Passei, então, a desenvolver uma curiosidade enorme de saber como estaria meu cabelo natural. Seriam muitos os fios brancos? E, também, passei a ter a vontade de acompanhar, dia a dia, o envelhecimento dos fios. Não queria ser surpreendida por uma cabecinha totalmente branca, caso continuasse a usar tintura, deixando para abandoná-la quando muito mais velha. Queria ver os fios brancos aumentando aos poucos. Assim, a partir de outubro de 2013, renunciei, totalmente, à tintura dos meus cabelos. Aos poucos, os fios brancos foram aparecendo, e sendo saudados com prazer...

De tampas e batatas

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Já falei para o Berto, meu marido, que se algum dia, para saciar minha sede, eu tiver que abrir uma garrafa com água, provavelmente morrerei de sede. De verdade, não consigo, mesmo abrir garrafas. Podem ser das pequenas ou das grandes. Aperto  com firmeza, giro com vontade, e nada. Talvez tenha alguma coisa a ver com idade. Preciso treinar mais a musculação. Outro dia, resolvi fazer um bolo de batata doce. Não tinha a receita, o que me levou a uma pesquisa. Depois de ler cinco, ou seis, montei minha receita, que levaria leite de coco. Lá fui eu pegar a garrafinha. Tinha três. Em todas elas, a inscrição: “com tampa abre fácil”. Fiquei tranquila. Mas, por pouco tempo. Peguei com força, virei a tampa com ajuda de um pano, e nada. Com ajuda de uma faca, serrilhei em torno da tampa. Nada. O bolo saiu, mas sem o leite de coco, que continuou devidamente armazenado no seu frasco "abre fácil”. E para registrar, o bolo foi feito assim: Bolo de Batata Doce...