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Éramos todos tão jovens.

Éramos tão jovens! Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos. Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente. Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo. E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor. Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss. Éramos todos tão jovens! Partimos para a vida. Sem despedidas. Casamos, tivemos filhos e netos. E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa. Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo. E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida. ...

Partida

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Estou meio sem voz. Sem canto, com pranto. Na última sexta-feira, despedi-me definitivamente da querida sobrinha Silvinha. Temperamento ímpar, extremamente bondosa, dona de uma voz maravilhosa. Deve estar, com certeza, fazendo parte do “coro dos anjos”.

Despedida e aniversário

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O mês passou, e o tio Gus voltou para sua casa e para seu trabalho. Passou rápido, rápido demais. E a Isadora, desde o início do mês havia dito: como o tio Gus nunca está no meu aniversário, vou festejar com ele aqui. Chegou a véspera da partida, sem festa programada. A menininha até já estava de pijama quando, com a ajuda da vovó, foi ver com o que poderia fazer uma festinha. Daí prá frente, fez tudo sozinha. Colocou uma toalha na mesa, ajeitou os brigadeiros em volta do bolo, pegou um pingüim para enfeitar a mesa (talvez lembrando da viagem do tio Gus pela Antártida), colocou copinhos com velinhas, pôs os pratos nos lugares e, por fim a velinha de 5 anos. Na volta do prato, uma "decoração" diferente: seus enfeitinhos de cabelo, bem coloridos. Na hora da cantoria dos parabéns, ela disse que o aniversário era do tio Gus.                                       Só que, também cant...

Choro fácil

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Se eu estiver querendo chorar, já sei: devo ligar a televisão quarta-feira à noite para assistir Chegadas e Partidas, programa da Astrid Fontenelle. É tiro e queda. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP, ela realiza três ou quatro entrevistas, que giram em torno de pessoas que estão partindo, ou pessoas que esperam alguém. Histórias diferentes, mas sempre cheias de emoções. E quase sempre recheadas de choros. São filhos partindo para estudar ou trabalhar no exterior, despedindo-se de pais sofrendo pela separação. São pais esperando filhos, com quem não encontram há anos, e que voltam para pequenas temporadas. São filhos esperando pai, ou mãe, com trabalho fora do Brasil. São jovens esperando um noivo, ou noiva, chegando para casar e fixar residência no Brasil. Várias histórias, todas envolvendo amor, afeto, saudade e lágrimas. É difícil não chorar junto. E é impossível não lembrar das ocasiões em que vivi essa situação de tristeza da despedida, ou da ansiedade por uma chegada.

Realidade

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Luz e escuridão. Alegria e tristeza. Realidade. Mergulhei na apreensão, na tristeza. Aquela que me deu a vida, que foi minha grande professora, meu porto seguro por muito tempo, está se despedindo da vida. Hora difícil. Para ela. Para seus filhos, todos carinhosamente a seu lado. Ontem, ela não conseguia dormir. Então lhe disse: mãe, vou lhe cantar as canções de ninar que a senhora sempre nos cantou. Mãe e filha. Filha e mãe. Então, comecei cantando: Dorme, dorme filhinha Meu anjinho inocente Dorme, queridinha, Que a mamãe fica contente.