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Partida

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Estou meio sem voz. Sem canto, com pranto. Na última sexta-feira, despedi-me definitivamente da querida sobrinha Silvinha. Temperamento ímpar, extremamente bondosa, dona de uma voz maravilhosa. Deve estar, com certeza, fazendo parte do “coro dos anjos”.

Choro fácil

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Se eu estiver querendo chorar, já sei: devo ligar a televisão quarta-feira à noite para assistir Chegadas e Partidas, programa da Astrid Fontenelle. É tiro e queda. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP, ela realiza três ou quatro entrevistas, que giram em torno de pessoas que estão partindo, ou pessoas que esperam alguém. Histórias diferentes, mas sempre cheias de emoções. E quase sempre recheadas de choros. São filhos partindo para estudar ou trabalhar no exterior, despedindo-se de pais sofrendo pela separação. São pais esperando filhos, com quem não encontram há anos, e que voltam para pequenas temporadas. São filhos esperando pai, ou mãe, com trabalho fora do Brasil. São jovens esperando um noivo, ou noiva, chegando para casar e fixar residência no Brasil. Várias histórias, todas envolvendo amor, afeto, saudade e lágrimas. É difícil não chorar junto. E é impossível não lembrar das ocasiões em que vivi essa situação de tristeza da despedida, ou da ansiedade por uma chegada.

A Partida

Vida. Morte. Passagem. Amor. Família. Rito. Delicadeza. Música. Perdão. Tudo isso no maravilhoso filme japonês “A Partida”, que coleciona prêmios (inclusive o Oscar do melhor filme estrangeiro). É de uma delicadeza sem limite e, embora muito denso, deixa-nos absolutamente leves. Pensativos, porém leves. "A Partida" é desses filmes que não se pode deixar de assistir. Com a morte, ele nos dá lindas lições de vida.