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Sonho aflitivo

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Ontem, logo cedo, a Priscila me telefonou para dizer que a Isadora estava aos prantos, porque havia tido um pesadelo. Sonhara que eu havia morrido, e queria vir para Santos para ficar comigo (e, com certeza, para conferir se eu estava bem). Chamei-a ao telefone e, aos poucos, ela se acalmou. Que peninha dessa sua aflição. Confrontada com a morte muito cedo, pois seu papai partiu antes dela completar um ano, ela consegue avaliar o sentido da ausência. Sabe bem o que significa essa partida definitiva e, muitas vêzes, nos transmite isso, como já contei nesse dois textos que publiquei em outras ocasiões: “Vovó, eu também tenho papai. Eu sei, minha netinha. É vovó. É que agora ele está no céu. Esse comentário surgiu do nada, numa tarde em que estávamos juntas. E, há poucos dias, logo depois de ter acordado ela me disse: Sabe, vovó, eu sonhei com meu papai. É mesmo? E ela: sonhei que ele me mandou um recado. Qual foi? Que ele não quer mai...

Comida antiga

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Dobradinha do nosso almoço de domingo. Às vezes encontramos um lugar meio escondido, que acaba nos surpreendendo. Foi assim, outro dia, na Vila Madalena, em São Paulo. Ao ver o restaurante Casa da Li, achei que poderia encontrar nele uma comida bem caseira, que era o que estávamos querendo. Paramos, então, para almoçar. A comida é variada, mas o cardápio é enxuto. Entre os pratos, alguns bem brasileiros, que praticamente sumiram das nossas mesas, como a língua e a rabada. Sei que muitos torcem o nariz, só de pensar nesses pratos, mas também sei que, quando bem feitos, são deliciosos. Nos meus tempos de criança, esse tipo de culinária era bem comum, e minha mãe a preparava com perfeição. Quando vi, no cardápio do restaurante, que eles trabalhavam com língua, fiquei tentada. Mas, ao mesmo tempo, receosa. Será que é bem feita? Peço? Não peço? Resolvi arriscar. Acertei. Estava bem gostosa, e lembrou a que minha mãe fazia. ...

Estou crescendo, vovó

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Ajudando a montar a árvore de Natal . Sempre é uma delícia ter a companhia da netinha por alguns dias seguidos. Perceber seu crescimento, dia a dia, é fantástico. Dessa vez ela já chegou me avisando que iria dormir sozinha, no quarto ao lado do meu. Na sua casa ela dorme sozinha no seu quarto, há muito tempo. Mas na casa da vovó, era diferente. Sempre gostou de dormir ao lado da minha cama, num colchão bem encostado, para que pudesse segurar na minha mão antes de dormir, escutar historinhas e canções infantis. Na primeira noite me preocupei um pouquinho pensando que ela pudesse acordar durante a madrugada. Que nada. Dormiu muito bem, passando assim para uma nova etapa da sua vida: dormir longe da vovó. Foto tirada já de manhã. Chegou em Santos desse jeito, com as unhas decoradas. Olhou para as unhas da vovó e perguntou: - Posso pintar suas unhas, vovó? Claro que a vovó deixou. Sua mesinha de brincadeiras, virou mesa de manicure, embora já esteja muito p...

De volta a Belém

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Hoje estamos encerrando nossos dias em Belém, dias quentes, úmidos, e com muitas lembranças. Conhecêmo-nos em São Luiz (Maranhão) mas, na verdade, nosso romance teve início em Belém do Pará. Belém das mangueiras, do Ver-o-Peso, da chuva da tarde, do Santuário da Nazaré, das vitórias-régias. E agora, quase 27 anos depois, voltamos para rever o conhecido, e para conhecer o novo. Vimos as mangueiras, o Ver-o-Peso, o Santuário, as vitórias-régias do Emílio Goeldi e do maravilhoso Mangal das Garças, a encantadora Estação das Docas, a linda Catedral, a Casa das Onze Janelas, o Forte do Presépio, o Museu de Arte Sacra, o antigo presídio São José Liberto e muito mais. Sentimos a chuva da tarde, embora ela tenha falhado em algumas tardes. Passeamos de barco pelo rio Guamá e pela Baía de Guajará. Tudo muito lindo. E, além de tudo, Belém tem, para nós, um gostinho especial. Gostinho bom do passado, que se estende ao presente.

Sentido das rosas vermelhas

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Quando completei 39 anos, há muito e muito tempo, recebi de surpresa uma visita na parte da tarde. Junto com seus cumprimentos, Dª Helena, que havia mudado há pouco para Santos, trazia para mim um lindo buquê de rosas vermelhas. Fiquei encantada com a gentileza. O tempo passou, perdemos o contato pessoal por anos e, de repente, esse fato voltou à minha lembrança. E eu pensei: não posso deixar de retribuir a gentileza que recebi há tanto tempo. No ano passado, quando resolvi descobrir a data do seu aniversário, ela já havia passado. Nesse ano, fiquei atenta. E no dia 27 de setembro, dia em que Dª Helena estava completando 89 anos, lá fui eu até sua casa carregando um buquê de rosas vermelhas. Na floricultura. Foi lindo! Ela me disse que eu não imaginava como ela estava se sentindo feliz. Então, eu lhe disse que há tempos ela também havia me feito feliz levando-me rosas vermelhas. Ela não se lembrava de ter me levado as rosas, mas se re...

E se vivêssemos todos juntos?

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E se vivêssemos todos juntos? Difícil! Deve ser bem difícil. Mas foi o meio que cinco velhos amigos encontraram para talvez se sentirem mais fortes, e enfrentarem os inevitáveis problemas da velhice. Há algum tempo não havia filmes com a temática da velhice, mas com o aumento da população idosa, e da expectativa de vida, isso tem mudado. Foi o que vimos com “Late Bloomers – O amor não tem fim” e “O exótico Hotel Marigold”. E isso é muito bom, para provocar reflexões, alertar para os problemas e ajudar a encontrar soluções. Sim, porque com o aumento da expectativa de vida os problemas vão se avolumar. Serão muitos e muitos velhos precisando de cuidados, atenção, moradia. E a sociedade precisa acordar para essa realidade. Precisa se preparar. Precisa descobrir formas de apoio e soluções institucionais. O filme “E se vivêssemos todos juntos” ( Et si on vivait tous ensemble) nos faz pensar muito. É um filme que mostra, com carga de veracidade, vário...

Provei e gostei

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De repente dá vontade de alguma coisa doce, de preferência pouco calórica. Ou, então, de uma sobremesa rápida, e geladinha. E é aí que entra esse sorvete de banana. Simples, cremoso e muito saboroso (para quem gosta de banana). Vi a receita em umas andanças pela internet, fiz minhas adaptações e resolvi experimentar. Cortei três bananas nanicas em pedaços pequenos e deixei no freezer. Até que, num lanchinho da noite, achei que era a hora de partir para a receita: Sorvete de banana congelada 3 bananas nanicas médias congeladas, em pedaços pequenos 3 colheres (de sopa) de leite de coco 2 colheres (chá) de mel Canela em pó Bater tudo no liquidificador e se deliciar. A etapa do liquidificador é um pouquinho trabalhosa. Precisei ir desligando e mexendo com uma colher, para que os pedaços de banana ficassem nas pás, até que ficassem bem batidos. Essa quantidade deu duas taças, para consumir na hora. Parece que o sorvete pode ser feito somente com...