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Saudades!

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Acordei cedinho, pensando nela. Fiz o café, arrumei a mesa com xícaras que ela usava no dia a dia. Tomei meu café, lembrando dela. Não faz muito, era ali que ela tomava o seu. Mãe! Dois anos de saudades. Muita saudade!

Tempo?

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Passando pelo meu blog percebi que meu último post foi publicado no dia 1º de dezembro. Levei um susto. Hoje é dia 18, e nem percebi que já se passaram dezessete dias da última vez em que escrevi por aqui. Isso mostra muito bem o que aconteceu em plano maior nesse ano. Será que só nesse ano? Já escrevi em outras ocasiões sobre esse enigma da passagem do tempo e, embora pense às vezes sobre isso, nada concluo.  Ontem, hoje, amanhã. Ontem, puxa vida, ontem eu era uma menininha. Era uma mocinha comportada. Era uma jovem mamãe. Ontem, meus filhos eram garotinhos. Colocava-os para dormir, levava-os para a escola. Ontem, minha netinha Isadora estava nascendo. Estava dando seus primeiros passinhos. Hoje, eu sou uma vovó, sem brancos aparentes, vovó antenada e internauta, porém uma vovó. Meus filhos, cresceram bastante e bem. E seguiram com firmeza seus caminhos. E minha linda netinha, que ainda ontem estava nascendo, está com mais de seis anos, dando passos seg...

Jornal e cansaço

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A leitura dos jornais está me cansando. Acho que vou ter que acabar dando uma parada. Esse hábito da leitura diária de jornais vem de longe, dos meus tempos de criança, e foi adquirido dentro de casa. Começo o dia lendo dois jornais, logo após o café da manhã. Nos anos de maior correria, com os filhos pequenos, ou quando saía cedo para trabalhar, a leitura era feita em outro horário. Mas o jornal estava sempre presente. Agora não está dando. O noticiário é o pior possível, a falta do revisor é percebida muitas vezes e a mídia, de um modo geral, está muito destrutiva. Apresenta os fatos sem isenção, numa linha de desmonte. Desmonte das pessoas (que na sua ótica devem ser desmontadas), desmonte das instituições, desmonte das políticas (com as quais não concorda). E julga com facilidade, como se tivesse preparo para isso. Julga e condena, com antecipação. A informação, inúmeras vezes, é viciada na sua origem. E é tão repetida, q...

Sonho aflitivo

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Ontem, logo cedo, a Priscila me telefonou para dizer que a Isadora estava aos prantos, porque havia tido um pesadelo. Sonhara que eu havia morrido, e queria vir para Santos para ficar comigo (e, com certeza, para conferir se eu estava bem). Chamei-a ao telefone e, aos poucos, ela se acalmou. Que peninha dessa sua aflição. Confrontada com a morte muito cedo, pois seu papai partiu antes dela completar um ano, ela consegue avaliar o sentido da ausência. Sabe bem o que significa essa partida definitiva e, muitas vêzes, nos transmite isso, como já contei nesse dois textos que publiquei em outras ocasiões: “Vovó, eu também tenho papai. Eu sei, minha netinha. É vovó. É que agora ele está no céu. Esse comentário surgiu do nada, numa tarde em que estávamos juntas. E, há poucos dias, logo depois de ter acordado ela me disse: Sabe, vovó, eu sonhei com meu papai. É mesmo? E ela: sonhei que ele me mandou um recado. Qual foi? Que ele não quer mai...

Comida antiga

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Dobradinha do nosso almoço de domingo. Às vezes encontramos um lugar meio escondido, que acaba nos surpreendendo. Foi assim, outro dia, na Vila Madalena, em São Paulo. Ao ver o restaurante Casa da Li, achei que poderia encontrar nele uma comida bem caseira, que era o que estávamos querendo. Paramos, então, para almoçar. A comida é variada, mas o cardápio é enxuto. Entre os pratos, alguns bem brasileiros, que praticamente sumiram das nossas mesas, como a língua e a rabada. Sei que muitos torcem o nariz, só de pensar nesses pratos, mas também sei que, quando bem feitos, são deliciosos. Nos meus tempos de criança, esse tipo de culinária era bem comum, e minha mãe a preparava com perfeição. Quando vi, no cardápio do restaurante, que eles trabalhavam com língua, fiquei tentada. Mas, ao mesmo tempo, receosa. Será que é bem feita? Peço? Não peço? Resolvi arriscar. Acertei. Estava bem gostosa, e lembrou a que minha mãe fazia. ...

Estou crescendo, vovó

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Ajudando a montar a árvore de Natal . Sempre é uma delícia ter a companhia da netinha por alguns dias seguidos. Perceber seu crescimento, dia a dia, é fantástico. Dessa vez ela já chegou me avisando que iria dormir sozinha, no quarto ao lado do meu. Na sua casa ela dorme sozinha no seu quarto, há muito tempo. Mas na casa da vovó, era diferente. Sempre gostou de dormir ao lado da minha cama, num colchão bem encostado, para que pudesse segurar na minha mão antes de dormir, escutar historinhas e canções infantis. Na primeira noite me preocupei um pouquinho pensando que ela pudesse acordar durante a madrugada. Que nada. Dormiu muito bem, passando assim para uma nova etapa da sua vida: dormir longe da vovó. Foto tirada já de manhã. Chegou em Santos desse jeito, com as unhas decoradas. Olhou para as unhas da vovó e perguntou: - Posso pintar suas unhas, vovó? Claro que a vovó deixou. Sua mesinha de brincadeiras, virou mesa de manicure, embora já esteja muito p...

De volta a Belém

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Hoje estamos encerrando nossos dias em Belém, dias quentes, úmidos, e com muitas lembranças. Conhecêmo-nos em São Luiz (Maranhão) mas, na verdade, nosso romance teve início em Belém do Pará. Belém das mangueiras, do Ver-o-Peso, da chuva da tarde, do Santuário da Nazaré, das vitórias-régias. E agora, quase 27 anos depois, voltamos para rever o conhecido, e para conhecer o novo. Vimos as mangueiras, o Ver-o-Peso, o Santuário, as vitórias-régias do Emílio Goeldi e do maravilhoso Mangal das Garças, a encantadora Estação das Docas, a linda Catedral, a Casa das Onze Janelas, o Forte do Presépio, o Museu de Arte Sacra, o antigo presídio São José Liberto e muito mais. Sentimos a chuva da tarde, embora ela tenha falhado em algumas tardes. Passeamos de barco pelo rio Guamá e pela Baía de Guajará. Tudo muito lindo. E, além de tudo, Belém tem, para nós, um gostinho especial. Gostinho bom do passado, que se estende ao presente.