Postagens

Estar, para ser

Cada vez mais, tenho dificuldade para entender a necessidade de exposição em redes sociais. Principalmente a exposição de sentimentos. Pais, que vivem ao lado dos filhos, precisam vir a público para dizer aos filhos quanto os amam. Eles não estão se dirigindo ao público, mas sim aos filhos. É lógico que o público também fica sabendo. O mesmo, em relação aos filhos. Parece que o amor que têm aos pais só é verdadeiro se for divulgado. E não estão dizendo ao mundo que amam seus pais, mas dizendo aos pais, via rede social, que sentem amor por eles. Parece que os sentimentos só são verdadeiros se alardeados. Eu estou ao lado de alguém por quem sinto amor, mas esse amor só será real se for exposto. Vou ser gentil com alguém, vou fazer um agrado a um próximo. Preciso de registro. Preciso publicar. Caso contrário, meu ato será incompleto. Ah, também preciso informar ao mundo que acordei, que vou dormir, que estou com insônia. Privacidade? Daqui a pouco desaparecerá por com...

É a vida.

Imagem
Há bastante tempo ela queria um cachorrinho, mas o fato de morar em apartamento, e de ainda ter pouca idade para se responsabilizar por cuidados, foi adiando a realização do sonho. Até que, em primeiro de fevereiro foi com sua mamãe a um órgão municipal de adoção de animais, para escolher seu cachorrinho. Na verdade, quem a escolheu foi o animalzinho, que se chegou procurando colo. Vivia ali há algum tempo, com idade calculada entre 7 e 8 anos, o que levou o veterinário a perguntar-lhe se não preferiria esperar um filhote. Ela não quis esperar. Ficou firme na escolha, e saiu feliz com o seu “Zig”.  Embora tivesse pensado em outros nomes, conservou aquele que o acompanhava.  Sua mamãe agendou veterinário, que atestou as boas condições físicas do cachorrinho. E daí, começou a nova rotina na casa. A menininha acordava cedo e já se arrumava para descer com seu cachorrinho. Na hora da escola, o Zig ia acompanhando sua caminhada. No final das aulas, lá est...

Viver e morrer

Em abril de 2013, assisti o musical Alô Dolly, em São Paulo, e fiquei encantada com a atuação da protagonista Marília Pêra.  Durante duas horas ela dançou, cantou, interpretou e seduziu o público. Na ocasião, ela estava com pouco mais de 70 anos e, inspirada nela, escrevi um pequeno texto sobre “Envelhecer bem” . Sim, ela estava em pleno vigor de vida. Ágil, com postura perfeita, fazendo aquilo que amava. Passados pouco mais de dois anos e meio, chega-nos a notícia da morte da atriz. Ela que estava tão bem, e a quem a palavra velhice parecia tão inadequada, encerrou sua trajetória entre nós. Abatida por doença grave. Será que quando a assisti, o processo da doença já estava em andamento? É possível. Mas lá estava ela no palco, vivendo e brilhando. A suposição é que, enquanto conseguiu, manteve seu trabalho. O mesmo trabalho que, feito com amor, fez com que envelhecesse bem. Porém, para todos existe um ponto final. Aquele que nasce, morre. Nada, contudo, afas...

E o tempo passou!

Imagem
Desde agosto que não escrevo por aqui. Nem sei bem o motivo. Até que, hoje, me dei conta que o tempo passou. Não pelo fato de já ser dezembro, mas por perceber, mais uma vez, que minha netinha está quase me alcançando em tamanho. Sem dúvida que esse dia iria chegar. Mas chegou muito rápido. A lindinha tem só 9 anos! Criei esse blog em junho de 2008, motivada pela minha então recente vida de avó. Minha menininha estava com 1 ano e 11 meses. Desde a época fui registrando com muito amor e carinho todo seu desenvolvimento,  intercalando suas histórias com outros acontecimentos e vivências. A primeira foto, que aqui coloquei, foi essa: E depois dessa, foram muitas outras. Sempre com o intuito de registrar fases e marcar épocas. De repente, os registros foram falhando. Mas, hoje, achei demais. Vendo umas fotos feitas no último domingo, 29/11, com minha menininha quase da minha altura, assustei. Então decidi: não vou deixar passar. Vou reabrir meu blog. E...

Éramos todos tão jovens.

Éramos tão jovens! Todos com pele lisa, olhos brilhantes, cabelos castanhos, loiros ou pretos. Quando nos encontrávamos, a alegria estava presente. Era a época dos anos dourados. Divertíamo-nos nas brincadeiras dos sábados à noite, que eram bailinhos na casa de alguma menina do grupo, nos “footings” no Gonzaga, nas matinês dos cinemas, na praia nas manhãs de domingo. E nos finais do ano, nos bailes de formatura, com todos vestidos a rigor. Dançávamos sambas-canções, foxtrotes, boleros e, o ponto alto, as lindas valsas de Strauss. Éramos todos tão jovens! Partimos para a vida. Sem despedidas. Casamos, tivemos filhos e netos. E ontem, reencontramo-nos em torno da cama de uma das “meninas” que mais organizava bailinhos na sua casa. Todos na casa dos setenta. Todos com cabelos brancos. Todos com as marcas do tempo. E a “menina”, ligada por fortes laços a todos nós, na sua cama de hospital, vivendo dias difíceis e nos fazendo pensar na realidade do ciclo da vida. ...

E ela está crescendo.

Imagem
A menininha está crescendo. Pouco a pouco, mas rapidamente. Começa a deixar os ares de menininha, e às vezes parece mocinha. Alegre, sensível, amorosa, linda. No último dia 13, completou 9 anos. E há 9 anos completa nossa vida com amor e alegria. É tão feliz, que um só dia, o dia do aniversário, é pouco para festejar.  Antecipa a data, para comemorar com os amigos da escola, antes do início das férias. No dia certo, passando férias em Santos, festeja na casa da vovó. Em viagem de férias, na Bahia, mostra para a turminha das brincadeiras que é preciso comemorar a vida. E a vovó, ainda que em pensamentos, festeja todos os dias, em todo resto do ano, essa bênção especial. E para registros, fotos das comemorações.                                                Dia 27 de junho - Festa com amigos.         ...

Pausa

Passou junho, julho está passando, e eu, quieta. Nesse tempo todo, não deixei de escrever. Mas só mentalmente. Textos inteiros, que não passam para o papel. Não sei o que explica isso. Não. Até sei um pouco. E está na hora de trabalhar isso. Sim. Preciso ir atrás desse estado, para então retomar meu teclado.