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Cores na cozinha

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A beleza pode ser encontrada em quase todos os lugares. Assim como o prazer. Comecei o dia cuidando de duas hortaliças e, de repente, ao abrir a abóbora cabotiá, e descascar as batatas doces roxas, fiquei tocada pela beleza das cores. Além dos sabores, da memória afetiva de vários pratos, da satisfação de ver o resultado de novas receitas, dos aromas, a cozinha muitas vezes nos surpreende e nos mostra a beleza das cores e das formas. Nesses dias difíceis, precisamos, cada vez mais, aproveitar todos os detalhes, todas as visões, todos os atos e sons que nos rodeiam e nos surpreendem agradavelmente. E assim, vamos procurando viver bem no nosso pequeno universo. 113 dias. Nota - Esse quiabo diferente tem formas lindas. E é gostoso. A batata doce roxa é deliciosa. Fui descascando e provando.

Adequação

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Nesse último final de semana tivemos tempo feio, nublado e com chuva. Afinal, já estamos no inverno e temos tido uma sequência de dias bonitos, quentes e ensolarados. E, de repente, parece que o inverno resolveu se insinuar. E não é que eu gostei dessa mudança de tempo? As nuvens, a chuvinha, os tons cinza da praia, transmitiam tristeza.  E o ar da paisagem se adequou totalmente ao que estamos vivendo. Com tempo feio, chuva e friozinho, nada melhor do que ficar em casa. Já são 111 dias. Foto tirada às 8:35 h do sábado, dia 27/06/2020.

Criando com HeloArte

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Percebi que, ultimamente, tenho falado e escrito muito sobre desalento, desesperança, cansaço. Tudo isso existe, mas também está presente o empenho em cumprir as tarefas de casa, cozinhar e costurar. A costura criativa, que entrou na minha vida em outubro de 2019, há somente oito meses, parece que me acompanha há muito mais. Antes disso, eu não costurava. De repente, passei a fazer diversos trabalhos, como se tivesse feito isso durante toda a vida. No início, ainda quando em aulas, eu estava me dedicando mais à produção de bolsas e carteiras. Fiz várias, e estava com vários projetos. Com a pandemia e o distanciamento social, sair de casa ficou fora de moda. E, como tal, usar bolsas. Passei, então, a buscar projetos de utilidades, que pandemia nenhuma pudesse atrapalhar. E tudo, usando material que tivesse em casa, ou que pudesse adquirir pela internet. É uma atividade apaixonante, que ocupa a mente e relaxa. Pensamentos sobre vírus, mortes, confusão social, riscos,...

Desesperança

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Tão cansada. Tão desesperançada. É assim que estou me sentindo após mais de 90 dias de isolamento/afastamento social. A vontade de escrever quase que desaparece. Sim, porque o que vem à mente é desanimador, e não vale a pena alimentar esse tipo de pensamento. Fujo do noticiário. Mas é difícil evitar totalmente aquilo que me perturba. As insanidades que acontecem são tamanhas, que extrapolam o noticiário comum e acabam me atingindo, querendo, ou não. E, mais. Um dos segredos da boa velhice é ter projetos. Planejar algo para os próximos dias, para os próximos meses. E, assim, manter a saúde mental. Como ter projetos nesse tempo sombrio, nesse período sem perspectiva, quer pela ameaça do vírus, quer pelo caos em que nossa sociedade está mergulhada. Impossível qualquer plano. Mas é preciso encontrar uma saída, que garanta mais tranquilidade e permita algum sonho. Quem sabe o melhor seria fugir pro mato? Pelo menos poderia ter o projeto de plantar bata...

Domingo

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Hoje é domingo. Na verdade, todos os dias estão com cara de domingo. Ou de segunda, ou de sábado, ou de outro qualquer. Todos parecidos. Mas para nos mantermos bem, precisamos de algumas diferenças.  Hoje é domingo.  Que tal colocar roupa de domingo?  Não. Isso era coisa de um passado distante, como o de quando eu era criança. Tínhamos roupa de domingo. Na minha casa, de muitas crianças, lembro que minha mãe deixava as roupas de domingo separadas, prontas para serem vestidas logo cedo, para que chegássemos na Igreja no horário da missa. Roupa de domingo, roupa de festa, roupa de sair, roupa de brincar. Para as crianças, isso era bem regrado. Pois, é. Hoje é domingo. Vou colocar uma roupa de sair. Vou passar batom e colocar brincos. Talvez um colarzinho. Vou fazer uma sobremesa. Vou colocar na mesa uma toalha de domingo. E, assim, mudar o visual da semana que, em busca da simplificação, é o mesmo em todos os dias. Vou colocar cálices p...

Mais um mês

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Quase um mês sem escrever por aqui. Um mês como os outros dois que o antecederam. Em confinamento, procurando enfrentar da melhor forma possível essa temporada difícil. E que se mostra com as dificuldades potencializadas, por conta do desgoverno nacional a que estamos submetidos. Sem dúvida, essa situação absurda da má política, deixa mais assustador o cenário trazido pelo vírus. Com isso tudo, embora procurando usufruir de tudo de bom que me rodeia, às vezes dou uma vacilada e fico meio abatida.  Respiro fundo, olho pela janela, penso nas coisas boas e aguardo o mal estar passar. Foi um mês produtivo na cozinha, na costura, e no lazer, pelo cinema. Muita música mas, não sei por que, pouca leitura. Estou na leitura do livro Carmen, do Ruy Castro. Seu problema é a letra muito pequena, que dificulta a leitura à noite.  Assisti duas séries inteiras, Anne com E (Netflix), e Homecoming (Amazon). Vi alguns filmes muito bons, entre os quais Sementes Podres (pena ...

Mudança de hábitos

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O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços. Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes. Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar. Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar. Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia. Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares. O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o di...