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Éramos nove

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Éramos nove, cinco homens e quatro mulheres. Entre o mais velho e o caçula, 18 anos de diferença. Anos que fizeram diferença só durante algum tempo. Logo, todos convivíamos na igualdade. A diferença da idade, sumiu. Carlos era o quinto, vindo logo depois de mim.  Levado, enquanto criança, e corajoso, agindo muitas vezes como um "galinho de briga". Inteligente, trabalhador, dedicado, generoso, rígido, teve grande sucesso profissional. Lembro que no Natal do seu primeiro emprego, chegou em casa como um verdadeiro Papai Noel. Ainda era solteiro, mas com muitos sobrinhos. Para a mãe, trouxe uma máquina de tricô Lanofix, verdadeira coqueluche da época. Para a criançada, diversos tipos de brinquedos. Brincalhão, irreverente, ótimo piadista, provocava muitas risadas na sua plateia familiar. De repente, um AVC, quase o derrubou. Estava se recuperando, e despertando esperanças. Mas veio outro AVC, logo seguido por uma tragédia aérea que lhe levou o filho do mei...

Novos ares em fim de semana

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Esse ano, que está quase no seu final, não me propiciou muitas oportunidades de viagens ou lazer. Exposições, limitadas quase que exclusivamente à  maravilhosa mostra das obras da Tarsila Amaral, no MASP. Poucas idas ao cinema. Nada de concertos, teatros, ou shows. Mas, de repente, antes do seu encerramento, eis que parece que os ares mudaram, e tive um agradável fim de semana em São Paulo, também com boas perspectivas para os próximos dias.  De sexta a domingo, o tempo foi suficiente para aquisições com vistas a um novo passatempo, almoço em restaurante peruano, teatro e, ainda, um Festival do Café. A sorte foi que, mesmo sem planejamento anterior, conseguimos participar de tudo, com facilidade. São Paulo oferece uma variedade enorme de programas, e é ótimo poder aproveitar as ocasiões. Foi o que fiz, aproveitando  para comprar material que me será muito útil em novos tipos de trabalho manual. Logo contarei sobre eles. O comércio, em São Paulo, é...

Horário de verão

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Em janeiro do corrente ano, tomou posse, no Brasil, o novo governo federal eleito para nos governar por quatro anos. Em linguagem popular, é um governo que chegou “botando pra quebrar”. Em pouco tempo, deu uma remexida em tudo que estava estabelecido há anos, até mesmo no campo das relações pessoais. Parece incrível, mas conseguiu criar um clima de discórdia, de intolerância, de ódio, mesmo, que alterou profundamente relações familiares e de amizade, que antes aconteciam sem grandes choques. Revogou direitos trabalhistas e previdenciários, cancelou o programa Mais Médicos, reduziu o índice de aumento do salário mínimo, introduziu critérios bizarros para a escolha de ministros, valorizou a mediocridade. E, no meio de toda a mixórdia, acabou com o horário de verão. Desde 1985 o horário de verão era adotado, em grande parte do nosso território, com o objetivo de reduzir o consumo de energia elétrica. Os relógios eram adiantados em uma hora, durante parte da pri...

Imitando ciabatta

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Um pão francês bem feito, fresquinho e crocante, é quase que inigualável. Mas, por vários motivos, entre os quais a presença de glúten, ele nem sempre encontra lugar na mesa. A substituição, contudo, não é fácil.   Só pesquisando bastante consegue-se uma boa receita para lanches e cafés da manhã. Meu último experimento na área dos pães sem glúten, foi usando farinha de grão de bico. O pão ficou bem saboroso e com boa consistência.  Embora não muito bonito. Cortei em pedaços e deixei congelado, para poder consumir no dia a dia. Ao descongelar, levei ao forno, borrifando um pouquinho de água para lhe dar crocância. E assim, com farinhas diferentes, deixamos o trigo de lado e vamos encontrando novos pães. Pois ficar sem pão, é difícil. Pão de grão-de-bico, sem glúten 1 xícara (chá) de farinha de grão de bico 1 1/2 xícaras (chá) de farinha de arroz 3/4 de xícara (chá) de polvilho doce 3 colheres (chá) de goma xantana 1/2 envelope de fer...

Difícil é improvisar.

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Há algum tempo, conseguia-se fazer programas com mais facilidade. No meu caso, não só porque a idade era menor, mas também porque era mais fácil conseguir-se lugares em espetáculos e até hotéis. Hoje, tudo tem que ser feito com muita antecedência.  Viagens, dependendo da época, precisam ser resolvidas pelo menos com três meses de antecedência. Caso contrário, passagens serão difíceis, ou muito mais caras, e hotéis preferidos poderão estar lotados. Espetáculos musicais, teatros, shows, também exigem planejamento. Ingressos devem ser comprados com antecedência. Às vezes, durante a semana, surge a vontade de fazer uma viagem de fim de semana, ou de ir a algum teatro ou show. Provavelmente, será difícil. Sem reservas, só por sorte. Parece que, com isso, a vida fica muito esquematizada. Ou se decide tudo com antecedência, assumindo compromissos que não se sabe se poderão ser cumpridos, ou se corre o risco de ficar de fora, na hora de se aproveitar o tempo. Isso porque ...

Desesperança

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Num dos dias do mês de setembro, o mês da prevenção ao suicídio, o jornal da minha cidade trouxe, em uma das chamadas de capa, o seguinte título: Idosos lideram índices de suicídio na região.   Fiquei abismada. A constatação, decorrente de pesquisa realizada por instituto conceituado, é assustadora. E, i nfelizmente, é real. Já ouvimos várias vezes que "envelhecer, não é para os fracos”. Sim, envelhecer, e viver a velhice, é difícil. Exige energia, coragem. São as perdas, de parceiros, familiares e amigos, são as limitações, de locomoção, visão e audição, as angústias das doenças e da dependência. É o isolamento social, a solidão, a falta de afeto. E, em grande número de casos, as dificuldades econômicas, justamente em fase em que as despesas com medicação e atendimento médico são consideráveis, e  em que o conforto, que representa gasto, é imprescindível.  Enfrentando todos, ou alguns desses fatores estimulantes de sentimentos ...

Aprendendo com os jovens

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Não sei quando a gastronomia japonesa passou a ser adotada rotineiramente no Brasil. O que sei é que os imigrantes japoneses, no início do século XX, chegaram ao nosso país e mantiveram, entre eles, seus costumes e culinária. O que sei, também, é que nos meus tempos de menina e de jovem, não se ouvia falar em comida japonesa, e muito menos em restaurantes japoneses. Talvez, nas grandes capitais, já existisse algum restaurante com seus sushis, sashimis e que tais, iniciando a curiosidade, e a motivação dos locais, para a experimentação dos pratos até então considerados esquisitos. Aos poucos, contudo, o interesse pela comida japonesa foi aumentando, e se mantendo principalmente entre os jovens.   Não poderia ser diferente.   Os jovens, em tudo, descobrem o “novo”, não têm receio de provar e se atiram de cabeça a situações diferentes. E foi assim com a culinária japonesa. Provaram, gostaram e espalharam esse gosto por muitos. Eu, mesma, aprendi a ...